terça-feira, 28 de abril de 2026

† 28 Abril • S. Paulo da Cruz, confessor • A loucura da cruz e a urgência da missão

[LA] São Paulo da Cruz, cujo nome de batismo era Paulo Francisco Danei, nasceu em 1694 em Ovada, no Piemonte, Itália. Após experimentar uma profunda conversão e receber visões místicas que o chamavam a uma vida de severa penitência, devotou-se integralmente à contemplação da Paixão de Cristo. Movido por um ardor apostólico singular, fundou a Congregação dos Clérigos Descalços da Santíssima Cruz e Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo (Passionistas), cujo carisma principal é promover a memória dos sofrimentos do Redentor como a maior manifestação do amor divino aos homens. Conhecido por seu extraordinário ascetismo e por ser um pregador incansável, viajou extensivamente por toda a Itália realizando missões populares para renovar a fé das multidões, sempre portando um grande crucifixo de madeira e exortando ao arrependimento autêntico. Dotado de dons sobrenaturais e de uma caridade heroica, faleceu no ano de 1775, deixando um vasto e duradouro legado espiritual para a Igreja. Seus restos mortais repousam na Basílica de São João e São Paulo, em Roma.

🎵 Introito (Gl 2, 19-20 | Sl 40, 2)

Christo confíxus sum Cruci: vivo autem, jam non ego: vivit vero in me Christus: in fide vivo Fílii Dei, qui diléxit me, et trádidit semetípsum pro me, allelúia, allelúia. Ps. Beátus qui intélligit super egénum et páuperem: in die mala liberábit eum Dóminus. Glória Patri.

Com o Cristo estou pregado na Cruz; vivo, mas não sou eu que vivo; o Cristo vive em mim. Eu vivo na fé do Filho de Deus, que me amou, e por mim se entregou, aleluia, aleluia. Sl. Feliz aquele que compreende o indigente e o pobre; no dia mau o Senhor o livrará. Glória ao Pai.

📖 Epístola (I Cor 1, 17-25)

São Paulo Apóstolo aos Coríntios. Irmãos: Cristo não me enviou para batizar e sim para anunciar o Evangelho; não com sabedoria de palavra para que não seja diminuída a força da Cruz de Cristo. Porque a pregação da Cruz é uma loucura para aqueles que perecem, porém para os que são salvos, isto é, para nós, ela é poder de Deus. Pois está escrito: "Eu destruirei a sabedoria dos sábios e reprovarei a prudência dos prudentes". Onde está o sábio? Onde o escriba? O investigador deste século? Não chamou Deus de loucura à sabedoria deste mundo? Porque uma vez que o mundo com sua sabedoria não conheceu a Deus, em sua sabedoria divina agradou a Deus salvar aos que creem pela loucura da pregação. Em verdade, os judeus pedem milagres e os gregos procuram a ciência; porém nós pregamos o Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os pagãos; mas para os que são chamados, judeus ou gregos, o Cristo é poder de Deus, é sabedoria de Deus. Porque o que parece estultícia em Deus, é mais sábio que os homens e o que parece fraqueza em Deus, é mais forte que os homens.

📖 Evangelho (Lc 10, 1-9)

Naquele tempo, designou o Senhor outros setenta e dois discípulos e mandou-os, dois a dois, em sua frente, por todas as cidades e lugares onde Ele próprio devia ir. Ele lhes dizia: A messe é grande, mas os operários são poucos. Rogai, pois, ao dono da seara que mande operários para sua messe. Ide, eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforge, nem calçado e pelo caminho a ninguém saudeis. Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: A paz seja nesta casa. E se aí houver um filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; se não, voltará ela para vós. Na mesma casa ficai, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois o operário merece seu salário. Não andeis de casa em casa. E se entrardes em alguma cidade e vos receberem, comei o que vos derem. Curai os enfermos que aí houver e dizei-lhes: Aproximou-se de vós o Reino de Deus.

💭 A loucura da cruz e a urgência da missão

O envio dos setenta e dois discípulos pelo Senhor, instruindo-os a irem como cordeiros entre lobos e sem apegos materiais, revela a essência da missão apostólica confiada à Sua Igreja e, de modo eminente, vivenciada por São Paulo da Cruz. A vida deste grande santo foi um eco fiel deste Evangelho, pois ele percorreu as cidades desprovido de riquezas terrenas, confiando inteiramente na providência divina para anunciar a proximidade do Reino de Deus. Como ensina São Tomás de Aquino, a escolha de enviar os discípulos sem bens materiais sublinha que a pregação exige desapego e humildade, para que o pregador seja um reflexo cristalino da pobreza de Cristo, cuja cruz é o verdadeiro tesouro da alma. A missão dos passionistas demonstra que a força do Evangelho não reside na persuasão ou na segurança humana, mas na ação do Espírito Santo, como bem pontua São Gregório Magno ao afirmar que Deus capacita os fracos e desprovidos para anunciar a paz. Essa paz, levada às casas e praças, era concretizada nas incansáveis pregações e atos de caridade de São Paulo da Cruz, que, segundo a doutrina de São João Crisóstomo, tornam visível e encarnada a presença de Deus no mundo, curando as almas enfermas pelo pecado e resgatando-as para a luz.

A profundidade do mistério da redenção é proclamada pelo Apóstolo na Epístola, ao recordar que a mensagem da Cruz é loucura para o mundo, mas poder de Deus para os que são salvos. São Paulo da Cruz fez dessa sublime estultícia o centro absoluto de sua espiritualidade, compreendendo que o sofrimento do Calvário é a maior e mais bela obra do amor divino. Santo Agostinho ilumina essa realidade ao afirmar que a cruz, que aos olhos humanos parece apenas fraqueza e derrota, é, na verdade, o ápice da sabedoria divina, pois revela um amor que transcende a justiça e a limitada razão dos homens, escolhendo deliberadamente o que é humilde para confundir os sábios. A recusa do mundo em aceitar o escândalo da crucifixão não intimidou o fundador dos passionistas; pelo contrário, impulsionou-o a elevar o crucifixo de madeira diante das multidões enrijecidas, chamando-as à conversão por meio da meditação atenta das chagas do Salvador, provando que a salvação não se alcança por vã sabedoria terrena, mas pela graça copiosa derramada no madeiro.

A urgência da missão apostólica e a centralidade do mistério redentor fundem-se perfeitamente na vocação daquele que se entrega sem reservas ao Senhor. Para anunciar o Reino de Deus com a eficácia sobrenatural dos que são enviados como cordeiros, é imperativo que o coração do apóstolo tenha abraçado a aparente loucura do Gólgota, despojando-se de si mesmo para revestir-se totalmente do Crucificado. Essa é a chave de toda fecundidade espiritual, maravilhosamente resumida nas antífonas do introito da liturgia de hoje: "Com o Cristo estou pregado na Cruz; vivo, mas não sou eu que vivo; o Cristo vive em mim". Quando a alma, a exemplo magnânimo de São Paulo da Cruz, aceita ser cravada na cruz do amor, do desapego e da renúncia, a sua própria vida torna-se um Evangelho vivo, irradiando o poder e a verdadeira sabedoria de Deus para resgatar o mundo que, longe do Calvário, perece na ilusão de suas vaidades.