Introito (Sl 36, 30-31 | ib., 1)
Os justi meditábitur sapiéntiam, et lingua ejus loquétur judícium... A boca do justo fala a sabedoria e a sua língua profere a equidade. A lei de seu Deus está em seu coração. Sl. Não tenhas ciúmes dos maus, nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade.
Epístola (Eclo 31, 8-11)
Bem-aventurado o homem que foi encontrado sem mancha, que se não deixou atrair pelo ouro, nem pôs sua esperança no dinheiro ou em riquezas. Quem é este, para nós o louvarmos? Porque fez coisas maravilhosas em sua vida. O que assim foi provado e encontrado perfeito, terá uma glória eterna. Pôde transgredir a lei de Deus, e não a transgrediu; pôde praticar o mal e não o fez: por isso, os bens dele estão firmemente estabelecidos no Senhor, e toda a assembleia dos santos proclamará as suas esmolas.
Evangelho (Mt 19, 27-29)
Naquele tempo, disse Pedro a Jesus: Eis que abandonamos tudo e Vos seguimos: que recompensa haverá então para nós? Respondeu-lhe Jesus: Em verdade vos digo, que no dia da regeneração, quando o Filho do homem se assentar no trono de sua glória, também vós, que me seguistes, assentar-vos-eis em doze tronos, e julgareis as doze tribos de Israel. E todo aquele que deixar a casa, ou os irmãos, ou as irmãs, ou o pai, ou a mãe, ou a mulher, ou os filhos, ou as terras, por causa de meu Nome, receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna.
Homilias e Explicações Teológicas
O desapego às riquezas, conforme ensina a Escritura, não é apenas uma renúncia material, mas uma disposição interior que eleva a alma para buscar o tesouro eterno, pois o coração que se liberta do ouro transitório encontra a verdadeira riqueza na caridade divina, que não perece (Santo Agostinho, Sermões sobre o Evangelho de Mateus, 61). A recompensa prometida àqueles que deixam tudo por amor a Deus não é um cálculo humano de mérito, mas um dom gratuito da graça divina, que transcende toda expectativa terrena, configurando o discípulo à imagem de Cristo crucificado (Santo Tomás de Aquino, Comentário ao Evangelho de Mateus, 19). A pregação fervorosa do Nome de Jesus, como prática espiritual, é um chamado à contemplação da humildade do Verbo Encarnado, que, sendo rico, se fez pobre por nós, ensinando-nos a encontrar na sua pobreza a verdadeira abundância (Santo Boaventura, Sermões sobre o Nome de Jesus, 3). Aquele que renuncia aos bens terrenos por causa do Reino não apenas recebe em abundância, mas participa da comunhão dos santos, onde a alegria do céu é compartilhada na caridade perfeita (Santo Ambrósio, Tratado sobre o Evangelho de Lucas, 5).
Comparação com os Demais Evangelhos
O chamado ao desapego e à promessa de recompensa em Mateus 19, 27-29 encontram ecos complementares nos outros Evangelhos, que ampliam a compreensão do discipulado. Em Marcos 10, 28-30, a narrativa inclui a menção de “perseguições” como parte da experiência daqueles que seguem Cristo, destacando que a recompensa vem acompanhada de provações, um aspecto não explicitado em Mateus. Lucas 18, 28-30 enfatiza que a recompensa é recebida “neste tempo” e na “vida eterna”, sugerindo uma continuidade entre a graça presente e a futura, enquanto Mateus foca mais na recompensa escatológica. João 12, 25-26 oferece uma perspectiva mais espiritual, onde o “deixar tudo” é comparado a “odiar a própria vida” neste mundo, apontando para uma renúncia interior que transcende a materialidade, complementando a visão de Mateus com um enfoque na união mística com Cristo.
O chamado ao desapego e à promessa de recompensa em Mateus 19, 27-29 encontram ecos complementares nos outros Evangelhos, que ampliam a compreensão do discipulado. Em Marcos 10, 28-30, a narrativa inclui a menção de “perseguições” como parte da experiência daqueles que seguem Cristo, destacando que a recompensa vem acompanhada de provações, um aspecto não explicitado em Mateus. Lucas 18, 28-30 enfatiza que a recompensa é recebida “neste tempo” e na “vida eterna”, sugerindo uma continuidade entre a graça presente e a futura, enquanto Mateus foca mais na recompensa escatológica. João 12, 25-26 oferece uma perspectiva mais espiritual, onde o “deixar tudo” é comparado a “odiar a própria vida” neste mundo, apontando para uma renúncia interior que transcende a materialidade, complementando a visão de Mateus com um enfoque na união mística com Cristo.
Comparação com Textos de São Paulo
Os textos de Eclesiástico 31, 8-11 e Mateus 19, 27-29, lidos à luz da comemoração do fervor apostólico e da devoção ao Nome de Jesus, encontram complementos significativos nas epístolas paulinas. Em 1 Coríntios 3, 21-23, Paulo amplia a ideia de recompensa, afirmando que “tudo é vosso” para aqueles que pertencem a Cristo, sugerindo que a renúncia aos bens terrenos leva a uma posse espiritual de todas as coisas em Deus, um aspecto mais universal do que a promessa de Mateus. Em Filipenses 3, 7-8, Paulo descreve sua própria renúncia a tudo como “perda” em comparação com o “conhecimento de Cristo”, enfatizando a supremacia da relação pessoal com Jesus, que ressoa com a devoção ao Seu Nome. Em 2 Coríntios 8, 9, a pobreza de Cristo é apresentada como o modelo supremo de desapego, enriquecendo os fiéis pela graça, um tema que aprofunda a visão de Eclesiástico sobre a integridade diante das riquezas.
Comparação com Documentos da Igreja
O Decreto de Graciano (c. 1140) sublinha que a verdadeira riqueza do cristão está na virtude e não nos bens materiais, ecoando Eclesiástico 31, 8-11, mas adiciona que a pobreza voluntária é um caminho de imitação de Cristo, reforçando a renúncia de Mateus 19 (C. 12, q. 1, c. 1). A Bula Cum inter nonnullos (1323) de João XXII, ao tratar da pobreza franciscana, destaca que a renúncia aos bens é um ato de perfeição evangélica, conectando-se diretamente ao chamado de Mateus e ao espírito da Ordem de São Francisco celebrado na liturgia do dia. O Catecismo Romano (1566) ensina que a recompensa prometida aos que deixam tudo por Cristo inclui a participação na glória divina, mas enfatiza a necessidade de perseverança na caridade, um aspecto que complementa a promessa escatológica de Mateus com uma exigência prática de vida virtuosa (Parte I, cap. 11).
O Decreto de Graciano (c. 1140) sublinha que a verdadeira riqueza do cristão está na virtude e não nos bens materiais, ecoando Eclesiástico 31, 8-11, mas adiciona que a pobreza voluntária é um caminho de imitação de Cristo, reforçando a renúncia de Mateus 19 (C. 12, q. 1, c. 1). A Bula Cum inter nonnullos (1323) de João XXII, ao tratar da pobreza franciscana, destaca que a renúncia aos bens é um ato de perfeição evangélica, conectando-se diretamente ao chamado de Mateus e ao espírito da Ordem de São Francisco celebrado na liturgia do dia. O Catecismo Romano (1566) ensina que a recompensa prometida aos que deixam tudo por Cristo inclui a participação na glória divina, mas enfatiza a necessidade de perseverança na caridade, um aspecto que complementa a promessa escatológica de Mateus com uma exigência prática de vida virtuosa (Parte I, cap. 11).