quarta-feira, 20 de maio de 2026

20 Maio - S. Bernardino de Sena, confessor - A glória do santo nome e a renúncia às fábulas do mundo

🎵 Introito Os justi meditábitur sapiéntiam, et lingua ejus loquétur judícium: lex Dei ejus in corde ipsíus. Allelúja, allelúja. Noli æmulári in malignántibus: neque zeláveris faciéntes iniquitátem.

Nascido a 8 de setembro de 1380 em Massa Marítima, na Toscana, São Bernardino de Sena ingressou na Ordem dos Frades Menores em 1402 e foi ordenado sacerdote dois anos depois, tornando-se um dos maiores pregadores de seu tempo e um verdadeiro pilar da observância franciscana. Sua vida foi um espelho luminoso de humildade e caridade, virtudes cultivadas no seguimento estrito de Cristo pobre e crucificado, o que o levou a rejeitar firmemente as honras mundanas, incluindo a recusa de três bispados, para dedicar-se inteiramente à salvação das almas. Percorrendo a Itália de forma incansável, sua eloquência inflamada convertia multidões endurecidas e pacificava cidades divididas por ódios políticos. O coração de sua espiritualidade e de seu fecundo apostolado era a ardente devoção ao Santíssimo Nome de Jesus, que ele propagava exibindo o monograma IHS em tábuas de madeira, ensinando aos fiéis que nesse Nome residia a fonte de toda graça, a vitória inabalável sobre o inimigo e a luz para os que andavam nas trevas. Através de sua ascese rigorosa, profunda compaixão pelos pobres e doentes, e seus magistrais sermões que expunham com clareza a sã doutrina e a moral evangélica, guiou inúmeras almas ao arrependimento sincero, não pelo temor, mas pelo irresistível e transformador amor divino. Entregou sua puríssima alma a Deus no dia 20 de maio de 1444, na cidade de Áquila, sendo canonizado pelo Papa Nicolau V apenas seis anos após sua morte. Seu corpo venerável repousa e é honrado pelos fiéis até os dias de hoje na majestosa Basílica de São Bernardino, testemunhando a glória daqueles que abandonam tudo por amor ao Reino dos Céus.

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A liturgia de hoje, iluminada pela vida heroica de São Bernardino de Sena, convida-nos a uma profunda meditação sobre a radicalidade evangélica exigida por Cristo e a luta ininterrupta do católico contra as corrupções do mundo que tentam adaptar a Igreja aos erros da modernidade. O Evangelho ressoa com a promessa divina a todos que deixam as amarras terrenas por causa do seu Santo Nome, mostrando que a verdadeira recompensa não é um mero cálculo humano, mas a própria vida eterna e a configuração a Cristo crucificado, conforme ensina Santo Tomás de Aquino. Em oposição a esse vigoroso desapego, vivemos os tempos previstos pelo Apóstolo, um cenário desolador que leva os homens a não suportar a sã doutrina, mas multiplicar para si mestres conforme os seus desejos, levados pela curiosidade de ouvir fábulas e pelos prazeres do mundo. A Epístola exalta de forma magnífica o homem perfeito que "não andou após o ouro", condenando frontalmente a mentalidade materialista que tantas vezes busca conciliar o seguimento de Nosso Senhor com as vaidades e honrarias transitórias desta terra. São Bernardino percebeu com imensa clareza essa decadência espiritual em sua própria época e ergueu, como estandarte infalível de vitória, o Santíssimo Nome de Jesus. Ele sabia intimamente que a contemplação da humildade do Verbo Encarnado, que sendo rico se fez pobre por nós, é o único e verdadeiro antídoto contra a soberba, garantindo que o coração livre do ouro perecível encontre a abundância da caridade divina, como perfeitamente reflete São Boaventura. Renunciar aos bens terrenos e rejeitar as falsas novidades doutrinárias não significa perder a vida, mas sim ganhar o cêntuplo na graça presente e na comunhão dos santos, consolidando os nossos tesouros firmemente no Senhor. Assim, a devoção devota e fervorosa ao Nome de Jesus torna-se a nossa grande fortaleza espiritual contra aqueles que desejam suavizar o peso da cruz, exortando-nos a uma penitência contínua que repudia vigorosamente as fábulas do século para abraçar, com integridade e amor sacrifical, a perene e imutável verdade da salvação.