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domingo, 27 de outubro de 2024

Economia de Francisco - Puro comunismo

"... o capitalismo é um sistema econômico cujas leis próprias geram exclusão e desigualdade , pelo que se faz um sistema insuportável, e que precisa ser superado, juntamente do colonialismo e do patriarcado. Cremos que um suposto “capitalismo inclusivo” é contraditório com a opção pelo respeito à criação e por uma ecologia integral e não é a resposta para a crise que vivemos. Cremos, portanto, que o bem viver é a filosofia prática que nos faz caminhar na direção da nova economia construída sob o paradigma da igualdade, da sustentabilidade e da cidadania. " Princípio 3 dos 10 princípios da Economia de Francisco e Clara. (1)

Essa citação resume bem o que várias correntes dentro do neo-marxismo e de outras perspectivas críticas têm apontado sobre o capitalismo. Ela enfatiza a ideia de que o capitalismo é inerentemente excludente e insustentável, defendendo a superação não apenas do sistema econômico, mas também das estruturas coloniais e patriarcais que, juntas, sustentam desigualdades profundas. 

O texto tem uma base claramente comunista, especialmente no sentido de criticar o capitalismo enquanto sistema que gera e perpetua desigualdades. A ideia de “superar o capitalismo” e construir uma nova economia com base em igualdade, sustentabilidade e cidadania remete diretamente a um ideal de transformação radical que é típico de várias interpretações comunistas e socialistas.

Além disso, ao questionar a compatibilidade do capitalismo com uma "ecologia integral" e ao mencionar o “bem viver”, o texto alinha-se com correntes contemporâneas de pensamento comunista e socialista que integram questões ambientais e decoloniais. Essa é uma visão mais ampliada que não apenas busca mudanças na estrutura econômica, mas também na relação humana com o meio ambiente e com as estruturas sociais herdadas do colonialismo e patriarcado. É uma perspectiva de transformação total, defendendo um sistema alternativo que vá além da economia e toque em aspectos culturais, sociais e ambientais.

Enfim, a ideia é profundamente revolucionária! Ao propor uma ruptura com o capitalismo, colonialismo e patriarcado, o texto defende uma transformação completa das estruturas que moldam a sociedade. Isso envolve reimaginar o modo como nos relacionamos com a natureza, uns com os outros e com as instituições sociais e econômicas.

A proposta de substituir o sistema capitalista por um modelo econômico inspirado na pobreza franciscana, embora atraente em sua simplicidade e nobreza moral, esbarra em limitações estruturais fundamentais. As sociedades contemporâneas desenvolveram níveis de complexidade e interdependência que tornam impossível uma simplificação radical sem consequências devastadoras. A manutenção de serviços essenciais como saúde, educação, saneamento e infraestrutura requer recursos materiais e organização econômica considerável. 

Uma sociedade saudável se caracteriza pela multiplicidade de papéis e funções. Assim como um ecossistema natural depende da diversidade para seu equilíbrio, o tecido social se fortalece pela variedade de vocações e contribuições. A tentativa revolucionária de modificar toda a sociedade sob um novo e único modelo, por mais virtuoso que seja, representa um empobrecimento da experiência humana e uma ameaça à estabilidade social.

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