Introito - Si díligis me, Simon Petre, pasce agnos meos, pasce oves meas. Ps. Exaltábo te, Dómine, quóniam suscepísti me: nec delectásti inimícos meos super me. Glória Patri...Se me amas, Simão Pedro, apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Sl. Eu Vos exaltarei, Senhor, porque me recebestes, e não permitistes que os meus inimigos se alegrassem de mim. Glória ao Pai...
São Anacleto, o terceiro sucessor na Cátedra da Verdade após Pedro e Lino, governou a barca da Igreja em tempos de ferozes tempestades, selando o seu testemunho com o glorioso martírio por volta do ano 90 da era cristã. Grego de nascimento e romano pelo zelo apostólico, foi ordenado pelo próprio Príncipe dos Apóstolos e, elevado ao sumo pontificado, dedicou-se a estruturar a hierarquia sagrada, ordenando sacerdotes e erguendo o primeiro monumento sepulcral sobre o túmulo de seu mestre espiritual para abrigar as sagradas relíquias. Sua vida consumiu-se inteiramente na defesa do rebanho contra as obscuras investidas iniciais das fábulas gnósticas e do paganismo opressor, entregando sua alma a Deus sob a sangrenta perseguição do imperador Domiciano. Seu corpo venerável repousa na gloriosa Basílica de São Pedro no Vaticano, como pedra viva fundida à Rocha sobre a qual repousa toda a cristandade.
"Quem dizeis que eu sou?" - ressoa a voz de Cristo no Santo Evangelho de hoje, ecoando através dos séculos até penetrar os umbrais de nossa consciência. Irmãos, vede o espantoso abismo que separa a eternidade do tempo, a graça do pecado, o altar de Deus e o espírito do mundo! Em nossos dias, uma penumbra de languidez tenta encobrir as almas. A nossa época, inebriada por ilusões passageiras e enamorada das comodidades seculares, recusa com veemência o madeiro da Cruz; exige uma espiritualidade de confortos, onde as verdades imutáveis sejam talhadas à medida do orgulho humano. Esse mesmo veneno silencioso, sob o falso pretexto de adaptação, procura insinuar-se no reduto sagrado, sussurrando aos ouvidos incautos que a Esposa de Cristo deve curvar-se para granjear a simpatia dos homens, amaciando a aspereza da doutrina e silenciando o apelo ao sacrifício. Mas que nos responde a liturgia perene? Que nos grita o sangue derramado por São Anacleto? Ele nos ensina, com o Doutor da Graça e com São Leão Magno, que a Igreja não vacila porque não está assentada sobre a areia das opiniões oscilantes, mas sobre a Rocha diamantina da confissão de Pedro. Ao instituir o Primado, o Senhor não prometeu a Pedro uma coroa de louros terrestres, mas as chaves de um Reino que se conquista pela dor. Na Epístola, somos exortados a apascentar o rebanho não por torpe ganância, não pelo desejo dissimulado de aplausos, mas abraçando os sofrimentos de Cristo de ânimo pronto. São Anacleto compreendeu esta sublime vocação: desfez as armadilhas de seu tempo não com as armas frouxas do comodismo, mas com a espada rutilante da Verdade, adornando seu pontificado não com honrarias vazias, mas com a púrpura do martírio! Por que buscais, ó almas tíbias, conformar os santos mistérios às vossas paixões? Por que trocais o ouro puríssimo do culto sobrenatural pelas cinzas deste século? Despertai do sono! As cerimônias majestosas que hoje celebramos não são ritos de uma corte humana, mas a manifestação do próprio triunfo de Cristo que desce ao nosso altar. Que a coroa imarcescível da glória, prometida pelo Supremo Pastor, incendeie em nós uma veneração profunda pela sagrada liturgia, levando-nos a rejeitar os enganos que afagam os sentidos, para podermos professar com o sangue de nossas renúncias diárias: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!"