🎼 Introito (Ap 21, 2 | Sl 44, 2)
Vidi civitátem sanctam, Jerúsalem novam, descendéntem de cœlo a Deo, parátam sicut sponsam ornátam viro suo. Ps. Eructávit cor meum verbum bonum: dico ego ópera mea Regi.
Eu vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, descer do céu, vinda de Deus, ornada como esposa que se enfeita para o seu esposo. Sl. Exulta o meu coração em alegre canto; ao Rei dedico as minhas obras.
✉️ Epístola (Ap 11, 19; 12, 1 e 10)
Apértum est templum Dei in cœlo: et visa est arca testaménti ejus in templo ejus, et facta sunt fúlgura et voces et terræmótus et grando magna. Et signum magnum appáruit in cœlo: Múlier amícta sole, et luna sub pédibus ejus, et in cápite ejus coróna stellárum duódecim. Et audívi vocem magnam in cœlo dicéntem: Nunc facta est salus et virtus, et regnum Dei nostri et potéstas Christi ejus.
Aberto foi então o templo de Deus, no céu, e viu-se a arca de sua aliança em seu templo; houve relâmpagos e trovões, um tremor de terra e forte saraivada. E um grande sinal apareceu no céu: Uma mulher vestida de sol, tendo a lua sob seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. E ouvi no céu uma voz forte que dizia: Agora veio a salvação, a força e o reino de nosso Deus, assim como o poder do seu Cristo.
📖 Evangelho (Lc 1, 26-31)
In illo témpore: Missus est Angelus Gábriel a Deo in civitátem Galilǽæ, cui nomen Názareth, ad Vírginem desponsátam viro, cui nomen erat Joseph, de domo David, et nomen Vírginis María. Et ingréssus Angelus ad eam dixit: Ave, grátia plena; Dóminus tecum: benedícta tu in muliéribus. Quæ cum audísset, turbáta est in sermóne ejus: et cogitábat, qualis esset ista salutátio. Et ait Angelus ei: Ne tímeas, María, invenísti enim grátiam apud Deum: ecce, concípies in útero et páries fílium, et vocábis nomen ejus Jesum.
Naquele tempo, foi o Anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um varão que se chamava José, da casa de Davi; e o nome da Virgem era Maria. Entrando o Anjo onde ela estava, disse-lhe: Ave, cheia de graça; o Senhor é contigo: bendita és tu entre as mulheres. Ouvindo isto, ela se assustou e pensava no que significaria esta saudação. Mas o Anjo lhe disse: Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás em teu seio e darás à luz um Filho, e por-Lhe-ás o nome de Jesus.
💭 A Imaculada Conceição como templo e arca da nova aliança
A solenidade de Nossa Senhora de Lourdes constitui uma confirmação celeste do dogma da Imaculada Conceição, entrelaçando a teologia litúrgica com a piedade popular. A liturgia de hoje identifica Maria Santíssima com a "Nova Jerusalém" e a "Arca da Aliança", imagens bíblicas que denotam pureza absoluta e a presença imediata de Deus. No Evangelho, a saudação do Anjo Gabriel, "Ave, cheia de graça", não é apenas um elogio, mas a revelação do próprio nome e essência de Maria diante de Deus: ela é aquela que foi totalmente transformada pela graça divina desde o primeiro instante de sua existência, para ser digna morada do Verbo. Santo Agostinho, ao refletir sobre a dignidade da Virgem, ensina que "todas as heresias sejam caladas em face da integridade da Virgem, de quem nasceu a Verdade", ressaltando que para conceber o Deus Santo, a natureza humana de Maria precisava ser preservada de qualquer mácula do pecado original (Santo Agostinho, De Natura et Gratia). A Epístola nos apresenta a visão do templo aberto no céu e a aparição da arca; em Lourdes, a "grotinha" tornou-se esse templo onde a Virgem, a verdadeira arca, manifestou-se para trazer cura e esperança, reafirmando que "agora veio a salvação e o reino de nosso Deus". A pureza de Maria, simbolizada pela água viva da fonte de Lourdes, é um reflexo da graça de Cristo que ela media para a humanidade, pois como ensina São Tomás de Aquino, a plenitude de graça em Maria é tamanha que transborda para a salvação de todos nós (São Tomás de Aquino, Summa Theologiae, III, q. 27, a. 5). Portanto, celebrar Lourdes é reconhecer que a misericórdia de Deus preparou um vaso puríssimo para a Encarnação, e através deste mesmo vaso, Ele continua a derramar graças sobre o mundo enfermo.