† Domingo de Páscoa
A vitória de Cristo sobre a morte e a nova vida

[LA]

A celebração do Domingo de Páscoa, a Solenidade das Solenidades, é o ápice do calendário litúrgico tradicional, comemorando a triunfante Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo ao terceiro dia após a Sua crucificação. Esta festa suprema não apenas conclui o sagrado Tríduo Pascal, mas inaugura a alegre Oitava de Páscoa e o Tempo Pascal, estabelecendo o fundamento absoluto da fé cristã: a vitória definitiva sobre o pecado e a morte. O rito tradicional da Páscoa cumpre a prefiguração da antiga páscoa judaica, onde o sangue do cordeiro que livrava da morte física dá lugar ao sacrifício do verdadeiro Cordeiro de Deus, que redime a humanidade para a vida eterna. Historicamente, após a exaustiva e gloriosa Vigília celebrada em São João de Latrão durante a noite, a missa do dia de Páscoa em Roma era tradicionalmente rezada na Estação da Basílica de Santa Maria Maior. Esta escolha litúrgica da Igreja guarda um belíssimo e piedoso simbolismo: honrar a Santíssima Virgem Maria, a Mãe de Deus, cuja fé inabalável na divindade e nas promessas do Seu Filho jamais vacilou, mesmo diante do sepulcro escuro, sendo a primeira a exultar no silêncio do Seu Imaculado Coração com o triunfo de Cristo.

🎵 Introito (Sl 138, 18 e 5-6 | ib., 1-2)

Resurréxi, et adhuc tecum sum, allelúia: posuísti super me manum tuam, allelúia: mirábilis facta est sciéntia tua, allelúia, allelúia. Ps. ib. 1-2 Dómine, probásti me, et cognovísti me: tu cognovísti sessiónem meam, et resurrectiónem meam.

Ressuscitei e ainda estou convosco, aleluia; pusestes sobre mim a vossa mão, aleluia: admirável se fez a vossa Sabedoria, aleluia, aleluia. Sl. Senhor, Vós me provastes e me conheceis; Vós sabeis o meu repouso e a minha ressurreição.

📖 Epístola (I Cor 5, 7-8)

Leitura de São Paulo Apóstolo aos Coríntios. Irmãos: Purificai-vos do velho fermento, para que sejais uma nova massa, agora que já sois ázimos; pois, o Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Celebremos, portanto, a festa, não com o fermento velho nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade.

✝️ Evangelho (Mc 16, 1-7)

Naquele tempo, Maria Madalena, Maria, Mãe de Tiago e Salomé, compraram aromas para virem embalsamar a Jesus. E no primeiro dia da semana, depois do sábado logo ao amanhecer, chegaram ao sepulcro, nascido já o sol. E diziam entre si: Quem nos há de tirar a pedra da entrada do sepulcro? E olhando, viram afastada a pedra, que era muito grande. Entrando no sepulcro, viram, então, um jovem assentado ao lado direito, vestido com uma túnica branca; e ficaram assustadas. Ele lhes disse: Não tenhais medo; buscais a Jesus de Nazaré que foi crucificado; ressuscitou, não está aqui; eis o lugar onde O depositaram. Ide, porém, e dizei a seus discípulos e a Pedro, que Ele vos precede na Galileia; ali O vereis como vos disse.

🕊️ A vitória de Cristo sobre a morte e a nova vida

O relato sagrado do sepulcro vazio resplandece como o alicerce irremovível da nossa fé e a mais alta prova da divindade de Nosso Senhor. As santas mulheres, movidas por uma devoção intrépida e compassiva, dirigem-se ao túmulo para ungir Aquele que amavam, deparando-se com a pesada pedra já revolvida e o anúncio angélico da vitória sobre a morte. São Gregório Magno ensina em suas homilias que esta visita matinal simboliza o movimento da alma que, buscando a Cristo com ardente amor, descobre que Ele transcende a própria mortalidade, revelando-Se vivo para guiar os fiéis à Galileia da contemplação celestial. A presença iluminada do anjo vestido de branco, como destaca brilhantemente São Tomás de Aquino, representa a luz divina que dissipa as trevas da ignorância, esclarecendo o mistério das Escrituras e conduzindo os corações assustados à firme e serena convicção da Ressurreição gloriosa.

A manifestação estupenda desta vida imortal exige de nós uma transformação interior radical, como clama vigorosamente o Apóstolo na leitura deste dia santíssimo. Cristo, nosso verdadeiro Cordeiro Pascal, foi imolado para redimir a humanidade cativa, e este sacrifício supremo inaugura definitivamente um tempo de pureza espiritual e graça. Santo Agostinho, refletindo sobre este mistério, adverte que o "fermento velho" mencionado na Epístola figura a corrupção enraizada do pecado, herança de nossa queda original, a qual deve ser rigorosamente expurgada para darmos lugar à sinceridade da vida nova em Deus. Participar desta Páscoa eterna significa abandonar o velho homem de malícia, tornando-se uma "nova massa" purificada, num banquete que São João Crisóstomo descreve como a verdadeira exultação cristã, onde o amor genuíno e a justiça operante substituem as antigas aflições do mundo.

Este ardente chamado à purificação encontra o seu sentido mais profundo na proclamação triunfal que ecoa no majestoso Introito da liturgia de hoje: "Resurréxi, et adhuc tecum sum" - Ressuscitei e ainda estou Contigo. Estas misteriosas palavras, ditas pelo Filho ao Eterno Pai no instante de Seu triunfo, demonstram a perene comunhão divina que os grilhões da morte jamais puderam extinguir. É esta exata certeza da presença viva, soberana e contínua do Ressuscitado que nos encoraja a descartar o fermento azedo de nossas fraquezas e a correr com a alegria impetuosa das santas mulheres para anunciar a libertação da humanidade. A Páscoa, longe de ser apenas a recordação de um túmulo outrora vazio, é a vivência concreta do Cristo Vivo que, tendo colocado as mãos chagadas e gloriosas sobre nós, levanta a nossa natureza decaída e nos atrai irresistivelmente para o repouso imperecível da Sua eternidade.

🛐 Meditação diária de Santo Afonso Maria de Ligório

🎵 Todos os cantos da missa

🗣️ Homilia do Don Alberto Secci (Vocogno in Val Vigezzo) [IT]

🗣️ Homilia do Mgr Roy (Mission Notre Dame de Joie) [FR]