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domingo, 30 de novembro de 2025

Paolo VI… beato? – O Livro Mais Polêmico de Don Luigi Villa

Em 1998, o padre italiano Luigi Villa (1918-2012), doutor em Teologia Dogmática e fundador da revista Chiesa Viva, publicou aquela que se tornaria sua obra mais famosa e explosiva: "Paolo VI… beato?" (editado em inglês como "Paul VI… Beatified?"). Enviado a todos os bispos da Itália e traduzido para mais de dez idiomas, o volume foi apresentado como um verdadeiro "processo de advogado do diabo" contra a causa de beatificação de Giovanni Battista Montini, o Papa Paulo VI. Villa afirmava ter recebido, ainda em 1963, uma missão direta de São Pio de Pietrelcina – posteriormente confirmada pelo Papa Pio XII – para dedicar a vida ao combate da infiltração maçônica na Igreja Católica. O livro é o resultado de quase quarenta anos de pesquisa e de acesso a fontes internas e confidenciais do Vaticano.

👁️ Iniciação Maçônica e Suspeitas na Carreira

Segundo as investigações de Villa, Montini teria sido iniciado na maçonaria em 14 de agosto de 1942, em uma loja do Rito Escocês de Milão, recebendo o codinome "IAORU 72". A principal fonte citada é a lista publicada em 1978 pelo jornalista Mino Pecorelli, que colocava Montini no topo de 125 prelados supostamente maçons. Villa amplia essa lista para 225 nomes, reproduzindo fotografias e testemunhos de ex-maçons para corroborar a acusação. Além disso, o autor aponta uma carreira marcada por suspeitas, desde uma juventude em Brescia sob influência modernista até a sua "expulsão" da Secretaria de Estado por Pio XII em 1954. Villa publica cartas inéditas que sugerem críticas do papa à "rebeldia" de Montini, além de mencionar contatos controversos com comunistas na Polônia e a suposta entrega de listas de sacerdotes clandestinos à URSS.

🏛️ O Concílio como Ruptura e a Nova Missa

Villa sustenta a tese de que o Concílio Vaticano II foi planejado e executado para criar uma "nova Igreja" ecumênica e modernista, citando o discurso de Paulo VI sobre a "autodemolição da Igreja" como uma confissão involuntária do desastre. A Nova Missa (Novus Ordo Missae de 1969) é considerada na obra como a maior traição do pontificado. O autor critica a remoção do caráter sacrificial explícito, a influência direta do arcebispo Annibale Bugnini — acusado de ser maçom com o codinome "Buan" — e a introdução de elementos protestantes em detrimento das orações tradicionais.

📉 Escândalos Morais e Simbologia Oculta

A obra não se limita à teologia e reproduz testemunhos de diplomatas do Vaticano, como Franco Bellegrandi, e reportagens da imprensa secular sobre a vida privada de Montini. São mencionados supostos relacionamentos impróprios, visitas noturnas registradas pela polícia e até chantagens da loja P2 de Licio Gelli envolvendo fotografias comprometedoras. No campo simbólico, Villa destaca o uso público de elementos maçônicos, como o báculo "quebrado" usado por Paulo VI, o uso do Efod litúrgico semelhante ao do sumo sacerdote judeu e a construção de monumentos com simbologia esotérica, como o "olho que tudo vê", associados ao pontífice.

⚖️ Conclusão Teológica e Legado Histórico

Do ponto de vista teológico, Villa invoca São Roberto Belarmino para afirmar que um papa que promove heresia pública ou permite a destruição da Fé perde automaticamente o ofício. Para ele, Paulo VI teria agido objetivamente como um "papa herege", o que impediria sua elevação aos altares. O impacto do livro foi significativo, conseguindo atrasar por quase duas décadas o processo de beatificação. Embora nenhum cardeal tenha respondido publicamente às acusações na época, a obra permanece como a referência mais citada por tradicionalistas e críticos do Concílio, sendo um documento histórico de um dos períodos mais convulsos da Igreja, lido e debatido décadas após sua publicação.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

A Profecia de Billoch: um plano secreto da maçonaria para a subversão da civilização ocidental

Na história das ideias, por vezes os diagnósticos mais lúcidos sobre um processo revolucionário não vêm de seus apologistas, mas de seus detratores. Em 1939, em meio à propaganda franquista, o escritor Francisco Ferrari Billoch publicou a obra Entre maçons e marxistas: Confissões de um Rosa-Cruz. Neste livro, ele delineou o que apresentou como um plano secreto da maçonaria para a subversão da civilização ocidental, sintetizado em seis pontos fundamentais, inspirados na estrela cabalística.

Independentemente da veracidade factual de tal "conspiração", o documento de Billoch transcende sua intenção propagandística e revela-se um roteiro espantosamente premonitório. Os seis pontos descrevem, com precisão cirúrgica, os vetores de uma mesma força histórica que se desdobrou ao longo do século XX e atingiu sua hegemonia no XXI: a inversão da ordem espiritual tradicional e sua substituição por uma religião civil materialista (Carvalho, 1998). A seguir, analisaremos esses pontos, não como um plano deliberado, mas como a descrição da lógica interna de uma mentalidade revolucionária que opera como um vírus cultural.

Os seis pontos, segundo Billoch (1939), são:
RELIGIÃO: “Desacreditar até destruir a fé cristã pela filosofia, o misticismo ou a ciência empírica.”
MORAL: “Corromper a moralidade das raças ocidentais infiltrando a seiva da moralidade oriental; enfraquecer os laços do matrimônio; destruir a vida de família e abolir o direito sucessório e até os nomes de família.”
ESTÉTICO: “Culto ao feio e extravagante em arte, literatura, música e teatro. Modernismo, orientalismo cruzado e degeneração.”
SOCIAL: “Abolição da aristocracia e criação da plutocracia; a riqueza, única distinção social; acender a luta de classes, chegando ao proletariado pela vulgaridade, a corrupção e a inveja, de onde nasce o ódio ao patrão.”
INDUSTRIAL E ECONÔMICO: “Industrialmente, vulgarização do lixo de produtos, centralização, ‘cartel’ e ‘trust’, que levam à abolição da propriedade privada e ao socialismo de Estado.”
POLÍTICO: “Matar o patriotismo e o orgulho de raça, e, em nome do progresso e da evolução, estabelecer o internacionalismo, como ideal da fraternidade humana.”

Vamos analisá-los com um olhar filosófico e histórico.

✡️ Religião: A Gnose Imanentista
O crescimento exponencial do secularismo no Ocidente, com um aumento expressivo dos "sem religião", e a proliferação de espiritualidades ecléticas "new age" são apenas a superfície do fenômeno. O ataque à fé cristã não visa simplesmente à sua substituição pelo ateísmo, mas ao esvaziamento de seu conteúdo transcendente para preenchê-lo com uma gnose imanentista. A "filosofia" mencionada é o materialismo; o "misticismo" é a gnose disfarçada de espiritualidade alternativa; e a "ciência empírica" é o cientificismo, que transforma uma ferramenta de conhecimento em um dogma que nega qualquer realidade supra-sensível. O objetivo final não é a ausência de religião, mas a instauração de uma nova religião disfarçada, onde a humanidade se salva a si mesma através do conhecimento técnico e do poder político, instaurando o paraíso na Terra (Carvalho, 1998).

💍 Moral: A Dissolução dos Vínculos Orgânicos
Observa-se hoje a corrosão de normas tradicionais, refletida em altas taxas de divórcio, no aumento de famílias monoparentais e na celebração de conceitos como o poliamor e a fluidez de gênero. Contudo, isso vai além do mero "individualismo". Trata-se da dissolução sistemática dos vínculos orgânicos — família, comunidade, pátria — que servem como anteparo entre o indivíduo e o poder centralizado do Estado. A destruição da família não é um subproduto de dinâmicas sociais, mas uma pré-condição para a atomização do indivíduo, tornando-o completamente dependente e moldável pelo poder político e ideológico. O enfraquecimento do matrimônio e a abolição simbólica da herança familiar visam apagar a continuidade histórica e a transmissão de valores que escapam ao controle estatal.

🎨 Estética: A Inversão Metafísica
A arte contemporânea celebra o disruptivo e o extravagante, do dadaísmo ao trap, questionando cânones de beleza. Este fenômeno, porém, transcende a mera evolução de gostos. Trata-se de uma inversão metafísica. A arte clássica buscava o belo como um reflexo de uma ordem transcendente e harmoniosa. O "culto ao feio", por sua vez, é a expressão estética de uma cosmovisão que nega essa ordem, celebrando o caos, a fragmentação e a deformidade como a verdadeira natureza da realidade. A arte torna-se, então, uma ferramenta de dessacralização do mundo, um ataque à própria possibilidade de harmonia e sentido. O que era "extravagante" em 1939 não se tornou apenas mainstream; tornou-se o cânone oficial de uma cultura que perdeu sua âncora no transcendente.

👑 Social: Da Aristocracia à Plutocracia
Vivemos na era de oligarcas da tecnologia que eclipsam a nobreza tradicional, enquanto o populismo alimenta o ódio de classes nas redes sociais. A chave aqui é a natureza dessa transição. A abolição da aristocracia (baseada em honra e dever) não visava à igualdade, mas à sua substituição por uma elite cujo único critério de valor é o poder material: a plutocracia. Desprovida de qualquer senso de dever transcendente (noblesse oblige), esta nova elite utiliza a "luta de classes" como uma ferramenta de engenharia social. Ao atiçar sentimentos baixos como a inveja e o ressentimento, ela canaliza a frustração das massas para destruir os remanescentes da ordem antiga, consolidando seu próprio poder absoluto sob o pretexto de justiça social (Carvalho, 1998).

🏭 Industrial e Econômico: A Servidão Centralizada
Multinacionais como Amazon e os monopólios de tecnologia (GAFA) centralizam a economia global com produtos "fast" e obsolescência programada. Essa centralização econômica é o substrato material para a centralização do poder político. A abolição da propriedade privada, seja de forma explícita no socialismo, seja de forma implícita através do controle regulatório no capitalismo de vigilância, visa a um mesmo fim: a eliminação da autonomia individual. O indivíduo sem propriedade é um indivíduo sem poder, totalmente sujeito à vontade do planejador central. A "vulgarização do lixo de produtos" distrai as massas e destrói os padrões de qualidade que caracterizavam uma economia baseada na propriedade e na herança.

🌍 Político: O Império Universal
O globalismo, promovido por entidades como a UE e a ONU, defende uma "fraternidade" transnacional, embora enfrente reações nacionalistas. Este é o ápice do projeto gnóstico: a criação de um governo mundial, um Império universal que anule as soberanias nacionais. O patriotismo e as identidades culturais são os últimos grandes obstáculos a um poder global centralizado. Os slogans de "progresso" e "fraternidade humana" funcionam como a justificativa moral para desmantelar as nações, vistas como resquícios "primitivos". O internacionalismo, neste contexto, não é a cooperação entre povos, mas a dissolução de suas identidades numa massa homogênea, administrada por uma elite burocrática que não responde a ninguém senão a si mesma. É a ressurreição do ideal imperial sob uma nova roupagem (Carvalho, 1998).

📚 Referências
Billoch, Francisco Ferrari. Entre maçons e marxistas: Confissões de um Rosa-Cruz. 1939.
Carvalho, O. O Jardim das Aflições: De Epicuro à Ressurreição de César. 2. ed. rev. Rio de Janeiro: Topbooks, 1998.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Livros de Léon de Poncins: maçonaria, judaísmo e sociedades secretas

Gabriel Léon Marie Pierre de Montaigne de Poncins, conhecido como visconde Léon de Poncins (1897-1975), foi um aristocrata francês, jornalista e ensaísta católico tradicionalista. Nascido em uma família nobre do Forez, ele dedicou sua vida a denunciar o que via como forças ocultas por trás das revoluções modernas, com foco em conspirações envolvendo maçonaria, judaísmo e sociedades secretas. Seus escritos, influenciados pela contrarrevolução católica, foram amplamente traduzidos para o inglês, italiano, alemão e espanhol, e circularam em jornais como Le Figaro e L'Ami du Peuple. Ele dirigiu a revista Contre-Révolution (1937-1939) e colaborou com figuras como Emmanuel Malynski e Jean Vaquié. Suas obras são polêmicas, frequentemente acusadas de antissemitismo e teorias conspiratórias, mas defendidas por apoiadores da tradição católica como análises proféticas contra o modernismo.

📜 Lista de Obras Principais

1. La Dictature maçonnique (A Ditadura Maçônica, 1932)
Análise da influência da maçonaria na política francesa da Terceira República, alegando que ela controla instituições estatais para subverter a ordem cristã. Poncins cita documentos internos para argumentar que a maçonaria promove o laicismo e o ateísmo como ferramentas de dominação.

2. Les Forces secrètes de la Révolution (As Forças Secretas da Revolução, 1932)
Nesta análise aprofundada, Poncins traça as origens das revoluções modernas (especialmente a Francesa de 1789) até uma aliança entre maçonaria e judaísmo, vista como uma "guerra oculta" contra a civilização cristã. Ele argumenta que a Revolução não foi espontânea, mas orquestrada por sociedades secretas financiadas por redes judaicas internacionais, citando figuras como os Illuminati e protocolos apócrifos. O livro divide-se em capítulos sobre a maçonaria pré-revolucionária, seu papel na queda da monarquia e na disseminação do liberalismo. Poncins usa fontes como atas de lojas maçônicas e escritos de historiadores contrarrevolucionários (ex.: abbé Barruel), prevendo que essa "ditadura invisível" levaria ao comunismo. Críticos o veem como proto-fascista, mas admiradores o elogiam por expor "manipulações financeiras e ideológicas" que moldaram o século XX.

3. La Guerre occulte (com Emmanuel Malynski) (A Guerra Oculta, 1936)
Colaboração que expõe uma "guerra espiritual" travada por elites judaico-maçônicas contra a Europa cristã, com exemplos da Primeira Guerra Mundial e ascensão do bolchevismo. Enfatiza táticas de infiltração em bancos e governos.

4. La Franc-Maçonnerie d'après ses documents secrets (A Maçonaria Segundo Seus Documentos Secretos, 1933)
Um estudo exaustivo baseado em rituais e atas internas da maçonaria francesa e anglo-saxônica. Poncins revela graus iniciáticos, símbolos e juramentos, argumentando que a maçonaria não é filantrópica, mas uma seita anticristã que promove relativismo moral e controle global. Ele contrasta a maçonaria "regular" (inglesa) com a "irregular" (continental), alegando que ambas servem a um plano de dissolução da sociedade tradicional. Inclui fac-símiles de documentos e uma bibliografia de fontes maçônicas. Essa obra é pivotal em sua obra, pois fornece "provas empíricas" para suas teorias, influenciando debates católicos pré-Vaticano II.

5. Les Juifs derrière la Révolution russe (Os Judeus Por Trás da Revolução Russa, 1937)
Acusa líderes bolcheviques de origem judaica (como Trotsky) de orquestrarem a Revolução de 1917 como parte de um complô anticristão, usando estatísticas de infiltração em partidos socialistas.

6. Judaisme et Bolchevisme (Judaísmo e Bolchevismo, 1937)
Exploração da suposta ligação entre o sionismo e o comunismo, alegando que ambos visam destruir nações cristãs via agitação social e controle econômico.

7. La Franc-Maçonnerie dans l'Europe nouvelle (A Maçonaria na Nova Europa, 1939)
Crítica à maçonaria no pós-Primeira Guerra, argumentando que ela influenciou tratados como Versalhes para enfraquecer monarquias católicas.

8. Le Problème juif face au Concile (O Problema Judaico Diante do Concílio, 1965)
Panfleto distribuído aos bispos no Concílio Vaticano II, alertando contra revisões doutrinais que, segundo Poncins, diluiriam a teologia católica sobre o judaísmo (ex.: "deicídio"). Ele cita passagens bíblicas e encíclicas papais para argumentar que o judaísmo moderno é incompatível com o cristianismo, prevendo que concessões levariam a uma "subversão espiritual". A obra influenciou o debate sobre Nostra Aetate (1965), que suavizou críticas ao judaísmo. Essa obra reflete seu engajamento tardio na Igreja, criticando o modernismo e defendendo a tradição.

9. Judaïsme et Vatican (Judaísmo e Vaticano, 1967)
Expansão do panfleto anterior, documentando influências judaicas no Vaticano II, com alegações de lobbies sionistas pressionando por mudanças litúrgicas e ecumênicas.

10. Les Documents Morgenthau (Os Documentos Morgenthau, 1967)
Análise de memorandos do secretário do Tesouro dos EUA (Henry Morgenthau Jr.) sobre a Alemanha pós-Segunda Guerra, vistos como punição vingativa orquestrada por redes internacionais.

Outras obras menores incluem artigos compilados em State Secrets (Segredos de Estado, 1974, em inglês), focando em maçonaria anglo-americana, e colaborações em revistas como Lectures Françaises.

🔍 As Mais Importantes: Análise Aprofundada

As obras consideradas suas mais importantes são centrais por sua profundidade analítica e impacto. Elas formam o núcleo de sua visão de uma "guerra oculta" (termo recorrente), onde maçonaria e judaísmo atuam como "motores" de revoluções, financiados por bancos e imprensa. Poncins baseia-se em fontes primárias (documentos maçônicos, atas sionistas) e secundárias (historiadores católicos como Denis Fahey), mas ignora contra-argumentos, o que rende acusações de viés. Seu estilo é jornalístico: citações abundantes, apêndices e tom alarmista, apelando a católicos conservadores temerosos do comunismo e do secularismo. No contexto histórico, seus livros ecoam críticas ao Vaticano II, influenciando movimentos como a Action Française e sedevacantistas modernos. Apesar da controvérsia, oferecem uma perspectiva sobre percepções católicas tradicionais da modernidade, alertando para "perdas de soberania" em nações cristãs.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Livro: A Guerra do Anticristo com a Igreja e a Civilização Cristã, Padre George E. Dillon

Publicado em 1885, "A Guerra do Anticristo com a Igreja e a Civilização Cristã" de um missionário apostólico (Dillon, 1885), não é uma obra para os fracos de coração. Nascido de uma série de palestras proferidas em Edimburgo, o livro é um chamado às armas intelectual e espiritual, uma resposta direta à encíclica Humanum Genus do Papa Leão XIII, que conclamava os fiéis a "arrancar a máscara da Maçonaria". A obra em questão é exatamente isso: uma tentativa meticulosa e apaixonada de traçar a linhagem, a estratégia e o objetivo final de uma conspiração que, como se argumenta, visa nada menos que a erradicação total do Cristianismo.

Na verdade, o propósito não é meramente defensivo, mas sim o de armar a juventude católica contra as seduções de associações secretas que, sob disfarces de luz e benevolência, conduzem as almas à perdição (Dillon, 1885). A necessidade de tal exposição é premente, pois o adversário emprega o sigilo, a fraude e o engano, apresentando-se inicialmente como um anjo de luz para, gradualmente, afastar o homem de Deus e da Igreja. A obra, portanto, atende ao dever pastoral de desmascarar as artimanhas dessas sociedades e revelar a depravação de suas opiniões e a maldade de seus atos, conforme exortado pelo Sumo Pontífice.

🔥A Semente do Mal: Voltaire e o Ateísmo Militante

A tese central do livro é audaciosa e abrangente. A obra argumenta que o ateísmo moderno, longe de ser um mero desenvolvimento filosófico, é uma força organizada e malévola em guerra contra a civilização. O autor identifica o seu ponto de origem no ceticismo que se seguiu à Reforma Protestante, encontrando seu primeiro grande apóstolo na figura de Voltaire. Este homem, descrito como a mais perfeita encarnação de Satanás que o mundo já viu, dedicou sua vida e seu prodigioso talento literário a um único fim: a destruição da Cristandade (Dillon, 1885). Para o autor, o famoso grito de guerra de Voltaire, "Écrasez l'infâme!" ("Esmaguem o infame!"), não era apenas uma expressão literária, mas o objetivo estratégico de uma campanha deliberada para destruir Cristo e Sua Igreja. Essa determinação era tão profunda que ele chegou a declarar: "Estou cansado de ouvir dizer que doze homens foram suficientes para estabelecer o Cristianismo, e desejo mostrar que basta um homem para derrubá-lo" (Dillon, 1885, p. 9). Sua metodologia não conhecia escrúpulos, adotando a mentira como uma virtude quando servia a seus fins e a hipocrisia como ferramenta, chegando a receber a comunhão para garantir uma pensão real.

🏛️O Instrumento da Subversão: A Maçonaria como Veículo

O veículo para esta campanha, segundo a narrativa da obra, é a Maçonaria. O livro postula que Voltaire e seus discípulos viram nas lojas maçônicas, com seus juramentos de segredo, sua estrutura hierárquica e seu alcance internacional, a ferramenta perfeita para disseminar suas ideias anticristãs. A Maçonaria, com sua fachada de filantropia e deísmo vago, personificava a mesma hipocrisia e engano que caracterizavam seu grande apóstolo (Dillon, 1885). Ela servia como uma "antecâmara" (Dillon, 1885, p. 75), atraindo homens com promessas de fraternidade e auxílio mútuo, para então, nos graus mais elevados e nos círculos internos, revelar seu verdadeiro propósito: a subversão da fé e da ordem social. A obra mergulha nas origens da Maçonaria, ligando-a a figuras como os socinianos e sua conspiração em Vicenza para destruir o Cristianismo, Oliver Cromwell e até mesmo aos Cavaleiros Templários, sugerindo uma longa história de oposição oculta à ordem estabelecida. A alegoria da reconstrução do Templo de Salomão é interpretada como a restauração de um estado de natureza pré-cristão, onde a igualdade niveladora e um deísmo vago substituiriam a ordem divina revelada por Cristo (Dillon, 1885).

👁️A Perfeição da Conspiração: O Iluminismo de Weishaupt

O ponto de virada na conspiração, de acordo com o autor, ocorre com a ascensão de Adam Weishaupt e a criação do "Iluminismo" (Illuminism). Weishaupt é retratado como o gênio organizador que unificou as diversas facções da Maçonaria sob um único comando e propósito. Ele criou uma ordem secreta dentro da Maçonaria, projetada para controlar a fraternidade inteira a partir de seu "círculo interno". Seu método era de uma astúcia diabólica: os iniciados eram gradualmente dessensibilizados da sua fé, passando por graus como o de "Minerval", onde a religião era sutilmente ridicularizada, até atingirem os graus mais altos, como o de "Epopte" ou "Sacerdote", nos quais o segredo final era revelado. Nesse ponto, o iniciado era informado de que a religião de Cristo era "nada mais que a obra de padres, impostura e tirania", e que o verdadeiro objetivo da ordem era libertar a humanidade de "toda religião" (Dillon, 1885, p. 33-34). O livro aponta para o "Convento de Wilhelmsbad" (1781, não 1782) como o momento crucial onde essa maçonaria iluminada formalizou seu plano, culminando na orquestração da Revolução Francesa.

👑Os Frutos da Revolução: De Napoleão à Alta Vendita

A partir daí, a obra traça uma linha direta de sucessão e influência. A Revolução Francesa e a ascensão de Napoleão não são vistos como eventos históricos isolados, mas como os primeiros frutos sangrentos da conspiração. Napoleão, longe de ser um restaurador da ordem, é apresentado como um filho da Revolução e um instrumento da Maçonaria, que o usou para redesenhar o mapa da Europa e enfraquecer as monarquias católicas. Prova de sua lealdade à seita é sua proclamação no Egito, onde professou amor pelo Alcorão e por Maomé, demonstrando a mesma indiferença hipócrita por toda religião que a seita inculca em seus adeptos (Dillon, 1885). No entanto, quando seu poder se tornou uma ameaça aos objetivos republicanos universais da seita, ele foi traído e abandonado à sua sorte em Santa Helena.

Após a queda de Napoleão, o comando da conspiração, segundo o autor, passa para um diretório supremo ainda mais secreto e poderoso: a Alta Vendita, o círculo governante dos Carbonários italianos. A obra dedica uma parte substancial do livro a expor os documentos e as estratégias desta organização, que defendia não apenas a revolução violenta, mas uma infiltração lenta e a corrupção moral da sociedade, da juventude e, principalmente, do clero, com o objetivo final de eleger "um Papa segundo as nossas necessidades". A "Instrução Permanente da Alta Vendita" detalha este plano, aconselhando seus membros a "lançar suas redes como Simão Barjonas... nas profundezas das sacristias, seminários e conventos" para pescar uma "revolução em Tiara e Capa" (Dillon, 1885, p. 71). A estratégia de corrupção em massa, em detrimento do assassinato individual, é explicitada na carta de "Vindex" a "Nubius": "Façam corações viciosos, e não terão mais católicos... A melhor adaga para ferir a Igreja é a corrupção" (Dillon, 1885, p. 81-82).

🇬🇧O Grão-Patriarca Oculto: Lord Palmerston e o Domínio Global

Talvez a alegação mais surpreendente do livro seja a identificação do estadista britânico Lord Palmerston como o sucessor de "Nubius", o misterioso chefe da Alta Vendita. A obra reinterpreta toda a política externa de Palmerston (seu apoio à unificação italiana, o enfraquecimento da Áustria e do poder temporal do Papa) não como ações em prol dos interesses britânicos, mas como movimentos calculados para avançar a agenda maçônica global. Sua política, que deixou a Grã-Bretanha isolada e sem aliados, é vista como inexplicável e suicida sob a ótica dos interesses nacionais, mas perfeitamente lógica quando entendida como a obra do chefe supremo da revolução europeia, que sacrificou seu país aos projetos da seita que governava (Dillon, 1885).

☘️A Infiltração nas Nações Fiéis: O Caso do Fenianismo

Finalmente, a obra volta seu olhar para o mundo de língua inglesa, argumentando que mesmo a Maçonaria britânica, aparentemente mais benigna, é uma porta de entrada perigosa e está, consciente ou inconscientemente, a serviço dos mesmos fins. Seus juramentos blasfemos, sua estrutura secreta e sua hostilidade inerente à autoridade da Igreja a tornam intrinsecamente má e um perigo para a alma (Dillon, 1885). O Fenianismo na Irlanda é apresentado como mais uma tentativa maçônica de corromper a fé católica do povo irlandês sob o disfarce do patriotismo. É descrito como "Maçonaria Negra" em sua essência, um movimento que, embora parecesse lutar pela liberdade da Irlanda, na verdade trabalhava para semear a discórdia entre o povo e seu clero, o principal pilar da fé, enfraquecendo assim a nação em sua fortaleza espiritual (Dillon, 1885).

⚔️Conclusão: A Realidade da Guerra Espiritual

"A Guerra do Anticristo" é uma obra polemica, escrita com a urgência de quem acredita estar revelando uma verdade vital e oculta. Desconsiderar suas advertências como mera "teoria" seria um erro perigoso. Os documentos apresentados e a coerência dos eventos que se seguiram demonstram uma unidade de propósito e uma continuidade de ação que não podem ser atribuídas ao mero acaso. Ignorar a existência de um diretório oculto e organizado é precisamente o que permite que a conspiração avance sem oposição (Dillon, 1885). O autor não escreve com a distância de um acadêmico, mas com o fervor de um missionário que vê o mundo dividido em duas frentes de batalha claras: as forças de Cristo e da Igreja contra a organização multifacetada e secreta do Anticristo. É uma leitura densa e provocadora, que oferece uma janela para uma visão de mundo onde a história não é uma sucessão de acidentes, mas o desenrolar de uma guerra espiritual de proporções cósmicas. É, acima de tudo, um chamado à vigilância, para que os eleitos de Deus não sejam enganados pelas artimanhas de um inimigo que se esconde à vista de todos.

📚Referências

Dillon, George F. The War of Antichrist with the Church and Christian Civilization. Dublin: M. H. Gill & Son, 1885.

domingo, 29 de junho de 2025

A Maçonaria é a Face Oculta do Protestantismo, por Alain Pascal

Alain Pascal, em sua obra Le Siècle des Ténèbres: vers la révolution maçonnique en France (2019), argumenta que a maçonaria moderna, fundamentada nas Constituições de Anderson (redigidas por James Anderson e Jean Théophile Désaguliers, ambos protestantes), foi criada com o propósito de unificar as diversas seitas protestantes em um movimento anticatólico. A maçonaria seria, assim, a "face oculta" do protestantismo, promovendo um deísmo filosófico que substitui a religião católica e reduz todas as crenças a meras "opiniões particulares", incompatíveis com a fé cristã revelada.

Origem Protestante da Maçonaria: As Constituições de Anderson (1723) visavam unir as seitas protestantes, evitando disputas internas ao proibir discussões religiosas e políticas nas lojas maçônicas. No entanto, a maçonaria especulativa focou-se em atacar o catolicismo e destronar reis católicos, promovendo, posteriormente, a descristianização via ateísmo e até o islamismo.

Deísmo e Anticristianismo: Désaguliers, influenciado por Newton, promoveu um deísmo que rejeita a revelação cristã, apresentando um "Grande Arquiteto" como divindade, que Pascal identifica com uma visão satânica, oposta à Verdade cristã.

Unidade Anticatólica: Apesar das divisões internas, o protestantismo é unido em sua essência anticatólica. As diferenças entre seitas são consideradas "acidentais", enquanto o ódio ao catolicismo é o dogma central, alinhado com princípios talmúdicos de "unidade na diversidade".

Protestantismo como Destrutivo: Pascal vê o protestantismo como inerentemente entrópico, focado em destruir o catolicismo, sem propor uma doutrina coesa. Seus cinco solas são falsos princípios que mantêm a unidade anticatólica, mesmo com divergências internas.

Conexão Judaica: A maçonaria e o protestantismo seriam aliados naturais do judaísmo talmúdico, compartilhando o mesmo inimigo: a Igreja Católica. Essa aliança visa combater a Verdade revelada e a autoridade papal.

Cismas Orientais: O protestantismo oriental (ortodoxia cismática) segue a mesma lógica, com divisões vistas como "opiniões secundárias", desde que mantenham o anticatolicismo como princípio unificador.

Igreja Católica como Única Verdade: A Igreja Católica é apresentada como a única instituição unida na Verdade, com dogmas definidos infalivelmente pelo Papa, rejeitando a ideia de que questões como a divindade de Cristo ou a moralidade dos contraceptivos sejam "opiniões".

Para Pascal, a maçonaria é uma extensão do protestantismo, criada para consolidar sua luta contra o catolicismo, sob a influência de um deísmo newtoniano e princípios talmúdicos. Ambos compartilham uma essência anticatólica, unificados no ódio à Igreja Católica, apesar de suas divisões internas, que são meramente acidentais. A Igreja Católica, por outro lado, é a única guardiã da Verdade, resistindo a essas forças destrutivas.

Livro - O Século das Trevas: Rumo à Revolução Maçônica na França, por Alain Pascal

Le Siècle des Ténèbres: vers la révolution maçonnique en France é o terceiro tomo da série La Conspiration des Philosophes do ensaísta francês Alain Pascal, especialista em história oculta, gnosticismo e maçonaria. Publicado em 2019 pela Ed. des Cimes, o livro de 596 páginas desafia a narrativa tradicional do Iluminismo, rebatizando o "Século das Luzes" como o "Século das Trevas". Pascal argumenta que as chamadas "Luzes" do século XVIII, longe de serem fontes de progresso, derivam de influências esotéricas, como a Rosa-Cruz e a Cabala, e culminaram na preparação da Revolução Francesa, um movimento que ele considera anticristão e maçônico por essência. Abaixo está um resumo detalhado dos principais temas, argumentos e estrutura da obra, com base nas informações disponíveis.

Pascal propõe uma revisão radical da história do século XVIII, rejeitando a ideia de que o Iluminismo trouxe progresso racional. Ele afirma que a verdadeira luz vem de Deus, enquanto as "luzes" do século XVIII são herdeiras de correntes esotéricas e anticristãs, como a Rosa-Cruz "iluminada" pela Cabala. O autor enxerga a maçonaria como uma força central na gestação da Revolução Francesa, utilizando a Encyclopédie de Diderot e outros meios para disseminar ideias subversivas. A obra conecta a maçonaria a movimentos filosóficos e políticos que, segundo Pascal, levaram à crise da consciência francesa e à ascensão do gauchismo e do mundialismo modernos, vistos como frutos dessas "trevas". O livro é estruturado com uma tabela de conteúdos detalhada, índices de nomes e palavras-chave, sendo uma ferramenta de pesquisa robusta.

Pascal argumenta que a Revolução Francesa não foi um movimento espontâneo, mas o resultado de um complô organizado por sociedades secretas, especialmente a maçonaria e os Illuminati. Ele destaca a Loge des Neuf Sœurs, uma loja maçônica francesa influente, como um epicentro da preparação revolucionária. A narrativa oficial do Iluminismo é questionada, com Pascal afirmando que o racionalismo proclamado era um disfarce para um misticismo cabalístico e anticristão.

Primeira Parte: Os Iluminados e a Marcha para a Revolução Maçônica
 
Capítulo I: Os Iluminados, a Maçonaria e o Convento de Wilhelmsbad
Pascal explora o Convento de Wilhelmsbad (1782), um evento maçônico que, segundo ele, consolidou a influência dos Illuminati de Adam Weishaupt na maçonaria europeia. Ele conecta as seitas de Iluminados na França e na Alemanha à preparação ideológica da Revolução.

Capítulo II: A Conjuração dos Iluminados e o Complô Maçônico
O autor detalha como a maçonaria, aliada a correntes esotéricas, articulou um plano para subverter a ordem cristã, com foco no anticatolicismo. Ele cita a Revolução Americana como um "ensaio" para a Revolução Francesa, sugerindo uma coordenação internacional.

Capítulo III: A Revolução Americana como Banco de Ensaios
Pascal argumenta que a Revolução Americana foi um experimento maçônico, com figuras como Benjamin Franklin (membro do Hell Fire Club) desempenhando papéis centrais.

Conclusão da Parte I
A maçonaria, segundo Pascal, agiu como um "centro de união" para as seitas esotéricas, unificando-as em um projeto revolucionário global contra o cristianismo.

Segunda Parte: A Revolução Maçônica e os Direitos do Homem contra Deus
 
Introdução: A Revolução "Francesa" como Antifrancesa
Pascal sustenta que a Revolução Francesa foi um movimento contrário aos interesses da França cristã, promovendo uma agenda maçônica que substituiu a fé pela ideologia dos "Direitos do Homem", que ele considera anticristã.

Capítulo I: A História Secreta da Revolução e a Maçonaria Anticristã
O autor analisa a influência de figuras como Mirabeau, La Fayette e o duque d’Orléans (grão-mestre do Grande Oriente da França), todos maçons, na execução da Revolução. Ele cita a votação do duque d’Orléans pela morte do rei como exemplo da traição maçônica.

Capítulo II: Da República Maçônica à Terreur Maçônica
Pascal descreve a progressão da Revolução, da proclamação da República à fase do Terror, como uma escalada da agenda maçônica para destruir a Igreja Católica e a monarquia. Ele aponta a violência revolucionária como uma manifestação de "sacrifícios humanos" modernos, inspirados em cultos pagãos.

Conclusão Geral: A Atualidade do Mito Revolucionário
O autor conecta as ideias do século XVIII ao gauchismo e ao mundialismo contemporâneos, argumentando que as "trevas" do Iluminismo continuam a influenciar o mundo moderno, promovendo uma ditadura global anticristã.

Crítica ao Mito das Luzes
Pascal rejeita a visão de que o Iluminismo trouxe progresso, afirmando que filósofos como Voltaire, Rousseau, Diderot e Fénelon foram influenciados por ideias esotéricas da Rosa-Cruz e da Cabala. Ele realiza uma leitura "esotérica" desses autores para desmascarar o racionalismo como uma fachada para um misticismo anticristão.

Maçonaria como Face Oculta do Protestantismo
Como destacado no texto inicial fornecido, Pascal argumenta que a maçonaria moderna, estruturada pelas Constituições de Anderson (redigidas por James Anderson e Jean Théophile Désaguliers), foi criada para unificar as seitas protestantes em um movimento anticatólico. Ele vê a maçonaria como uma extensão do protestantismo, promovendo um deísmo newtoniano que substitui a revelação cristã por um "Grande Arquiteto" cabalístico, identificado como uma figura satânica.

Influência da Cabala e dos Illuminati
Pascal conecta a maçonaria e o Iluminismo a correntes cabalísticas e aos Illuminati de Baviera, fundados por Adam Weishaupt em 1776. Ele cita a Loge des Neuf Sœurs e o Convento de Wilhelmsbad como pontos de articulação dessas influências, que teriam preparado o terreno para a Revolução.

Revolução como Projeto Anticristão
A Revolução Francesa é apresentada como um complô maçônico para destruir a Igreja Católica e a monarquia cristã. Pascal utiliza fontes como o abade Barruel, Henry Coston e Bernard Fäy para sustentar que a Revolução foi orquestrada por sociedades secretas, com a Encyclopédie servindo como um veículo de propaganda.

Impacto no Mundo Moderno
O autor argumenta que os ideais revolucionários do século XVIII, como os "Direitos do Homem", continuam a moldar o mundo contemporâneo, levando ao gauchismo, ao mundialismo e a uma ditadura global anticristã. Ele vê esses movimentos como herdeiros diretos das "trevas" maçônicas e cabalísticas.

Fontes e Metodologia
Pascal utiliza uma abordagem de "história oculta", inspirando-se em autores como o abade Barruel (Mémoires pour servir à l’histoire du jacobinisme), Henry Coston, Monseigneur Delassus, Jean de Viguerie e até historiadores seculares como Gerschom Scholem e René Le Forestier. Ele também cita o Dictionnaire de la Franc-Maçonnerie de Daniel Ligou para embasar suas análises. Sua metodologia combina análise histórica, filosófica e religiosa, com ênfase em conexões esotéricas e influências secretas.

Recepção e Contexto
O livro é elogiado em círculos católicos tradicionalistas e antimaçônicos, como os sites Livres en Famille e Chiré, por sua abordagem detalhada e documentada. É considerado uma "mina de informações" para estudiosos da história oculta, com índices detalhados que facilitam a pesquisa. No entanto, a perspectiva de Pascal é controversa, pois adota uma visão conspiracionista que atribui à maçonaria e à Cabala um papel desproporcional na história, o que pode ser questionado por historiadores acadêmicos mainstream.

Le Siècle des Ténèbres é parte de uma série mais ampla de Pascal, que inclui:
La Trahison des Initiés (1996, reeditado em 2013)
La Guerre des Gnoses (4 volumes)
La Conspiration des Philosophes (outros tomos, como Le Siècle des Rose-Croix e La Révolution des Illuminés)
La Renaissance, cette imposture (2006)
L’Intelligence du Christianisme (2023)

sábado, 21 de junho de 2025

A Quarta Teoria Política e o Neo-Paganismo de Dugin

No panteão das falsas soluções para a crise da modernidade, poucas se apresentam com o verniz de profundidade e a sedução estratégica do eurasianismo de Aleksandr Dugin. Para um crescente número de nacionalistas e conservadores, exaustos pela tirania do globalismo liberal, a "Quarta Teoria Política" (4TP) surge como um estandarte de resistência, prometendo um mundo multipolar onde as civilizações tradicionais poderiam florescer, livres da hegemonia "atlantista". Dugin, posando como o profeta desta nova era, oferece um inimigo claro — o Ocidente liberal — e uma aliança aparentemente robusta, unindo a Rússia Ortodoxa ao Irã xiita e a outras forças anti-ocidentais. O projeto de Dugin não é uma restauração, mas uma heresia simétrica; não é uma alternativa à Revolução, mas sua manifestação oriental. Longe de ser um aliado na luta pela Civilização, o duginismo revela-se como um veneno ainda mais sutil, uma forma de gnose política que visa substituir o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo por um sincretismo neo-pagão a serviço de um império terrestre.

Ao se deparar com o eurasianismo, o analista católico se vê diante de uma questão fundamental: a que categoria de inimigo pertence esta doutrina? Não se enquadra perfeitamente no liberalismo, no comunismo ou no fascismo. É esta novidade que o torna um cavalo de Troia ideológico, pois sua natureza híbrida e sua retórica "tradicionalista" enganam os incautos. A verdade é que o duginismo não é uma ideologia distinta, mas uma síntese perversa e pós-moderna dos elementos mais virulentos de seus predecessores, unificados sob a égide da Gnose política. A essência do projeto duginista, seu gênero fundamental, é a de uma Gnose Política Revolucionária. A Gnose, inimiga primordial da Fé, sustenta que a salvação advém de um conhecimento secreto (gnosis), acessível a uma elite iniciada, capaz de reordenar a realidade e acelerar a história em direção a um paraíso imanente. O eurasianismo aplica esta premissa ao campo geopolítico: Dugin se posiciona como o iniciado que detém o conhecimento secreto para "salvar" as civilizações, não para a Vida Eterna, mas para um novo arranjo de poder terrestre. Este corpo gnóstico, contudo, é uma quimera, um monstro montado com órgãos roubados de outras carcaças revolucionárias:

O Esqueleto Fascista: Dugin toma de pensadores como Julius Evola o esqueleto autoritário de seu projeto: o desprezo pela democracia, a exaltação de uma elite guerreira, a visão de um Estado-Império hierárquico e, crucialmente, a Statolatria — a subordinação da religião à função de cimento do Estado. A fé não serve a Deus, mas ao Império.

O Sangue Bolchevique: De sua herança nacional-bolchevique, ele retém o sangue revolucionário: a crítica feroz ao capitalismo, a estratégia leninista de vanguarda e um coletivismo radical que esmaga a dignidade da pessoa humana. Ele apenas substitui o materialismo ateu do marxismo clássico por um combustível espiritualista, que se revela ainda mais tóxico.

A Alma Maçônica: Este é o coração da heresia duginista. Baseado no perennialismo de René Guénon — doutrina de raiz maçônica —, ele postula uma "Tradição Primordial" da qual o Catolicismo seria apenas uma manifestação externa e incompleta. Isto representa o ataque mais sutil e devastador à Fé: a relativização de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Sua Igreja. Promove-se o sincretismo, unindo Ortodoxia, Islamismo e Paganismo em uma aliança profana. É a negação frontal do dogma Extra Ecclesiam nulla salus e do Reinado Social de Cristo Rei.

A Máscara Ortodoxa: A piedade ortodoxa que Dugin ostenta é a máscara piedosa deste monstro. Ele não é um fiel, mas um ideólogo que instrumentaliza a Ortodoxia Russa como um marcador de identidade e como a principal barreira espiritual contra o "universalismo católico romano". Ele não busca sanar o cisma, mas aprofundá-lo e eternizá-lo, transformando a divisão da Cristandade em um pilar de seu império. Em suma, o eurasianismo é uma Gnose política que se disfarça de Tradição. Ele não é o inimigo que grita "não há Deus", mas o falso profeta que sussurra: "Vosso Deus é um entre muitos, e deve servir a um propósito maior — o meu". É o veneno oferecido numa taça de ouro, a estratégia do Anticristo: não demolir o altar, mas profaná-lo, colocando sobre ele os ídolos das nações ao lado do Sacrário.

O primeiro e mais fundamental erro de quem se deixa seduzir pelo canto de sereia duginista é a incapacidade de distinguir, como ensinou Olavo de Carvalho, entre o palco da política e os seus bastidores. Dugin é um mestre em dirigir a atenção para o palco. Ele pinta um grandioso afresco geopolítico de uma luta titânica entre dois polos: a "Civilização do Mar" (o globalismo liberal, individualista, materialista) e a "Civilização da Terra" (o eurasianismo tradicional, comunitário, espiritual). Essa dicotomia, no entanto, é uma fraude intelectual. Trata-se de uma falsa oposição que mascara a identidade do verdadeiro agente revolucionário. O que Dugin combate não é o motor da Revolução, mas apenas uma de suas manifestações históricas: o liberalismo. O verdadeiro poder que opera nos bastidores — a mentalidade gnóstica, o projeto de demolição de toda a ordem natural e sobrenatural para a criação de um "novo homem" em um paraíso imanente — permanece intocado e, pior, é servido por sua falsa alternativa. A Quarta Teoria Política não é uma superação das ideologias modernas (liberalismo, comunismo, fascismo), mas uma bricolage, uma montagem artificial de seus elementos mais autoritários, temperada com o esoterismo de René Guénon e o nacional-bolchevismo. Ao oferecer esta "solução", Dugin comete o clássico engodo revolucionário: apresentar-se como o único remédio para o mal que ele mesmo ajuda a perpetuar, eliminando a possibilidade de uma terceira via — a única via verdadeira, que é a restauração da ordem cristã. Seu projeto não visa derrotar a Revolução; visa apenas sequestrar sua liderança, substituindo o comissário de Nova Iorque pelo comissário de Moscou.

Se a análise filosófica revela a fraude meta-política de Dugin, a teologia católica desmascara sua apostasia. O "Tradicionalismo" que Dugin advoga não tem qualquer relação com a Sagrada Tradição da Igreja — o depósito da Fé, imutável e divinamente revelado. Pelo contrário, ele se filia à escola perennialista e maçônica de Guénon, que postula a existência de uma "Tradição Primordial" esotérica da qual todas as religiões, incluindo o Cristianismo, seriam meras adaptações "exotéricas" e parciais. Esta é a essência do Modernismo e do Indiferentismo, condenados com veemência por São Pio X em Pascendi Dominici Gregis e por Pio XI em Mortalium Animos. Para Dugin, Nosso Senhor Jesus Cristo não é o Verbo Encarnado, o único Mediador e Salvador, mas apenas mais uma manifestação do "Logos", equiparado ao Dasein de Heidegger ou a outros princípios civilizacionais. A Ortodoxia Russa, em sua visão, não é valorizada por ser um ramo (ainda que cismático) da Igreja de Cristo, mas por sua utilidade como "cimento identitário" e ferramenta geopolítica do Estado russo, o portador do katechon — um conceito teológico sequestrado e distorcido para fins puramente seculares. Ao subordinar a verdade religiosa ao projeto de poder, Dugin comete a suprema blasfêmia: transforma a religião em ideologia. Sua visão de um mundo multipolar, onde cada civilização possui seu próprio "grande espaço" e sua própria "verdade" religiosa, é a negação cabal da doutrina do Reinado Social de Cristo Rei. A Igreja Católica ensina que todas as nações e todos os governantes devem se submeter à lei de Cristo. Dugin propõe um panteão de deuses civilizacionais, uma coexistência pacífica entre a Verdade e o erro, o que é teologicamente monstruoso e politicamente suicida para qualquer resquício de Cristandade.

A consequência prática desta heresia é a promoção de alianças profanas. O eixo Moscou-Teerã, tão caro a Dugin, é apresentado como uma união sagrada contra o "Grande Satã" americano. Do ponto de vista católico, é uma aliança entre o cisma e a heresia maometana, fundamentada não na busca da verdade, mas no ódio comum a um inimigo político. É a antítese do mandato de Cristo: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações” (Mt 28, 19). Em vez de buscar a conversão dos cismáticos e dos infiéis, o duginismo os confirma em seu erro, santificando-o em nome da conveniência geopolítica. Este falso ecumenismo revela a natureza instrumental de sua suposta piedade. A religião torna-se um mero departamento da estratégia militar, um recurso cultural a ser mobilizado na guerra híbrida contra o Ocidente. O projeto duginista não busca restaurar a Santa Rússia, mas construir uma Eurásia neo-pagã com uma fina camada de verniz ortodoxo. É a instrumentalização final da fé, um pecado que ecoa a tentação de Satanás a Nosso Senhor no deserto: "Tudo isto te darei, se, prostrando-te, me adorares" (Mt 4, 9). Dugin e seus seguidores aceitam a oferta, prostrando-se não diante de Cristo Rei, mas do ídolo do Império Eurasiano.

O eurasianismo de Aleksandr Dugin não é uma fortaleza contra a desordem moderna, mas um de seus mais perigosos redutos. É uma armadilha intelectual que oferece um inimigo visível para ocultar o verdadeiro agente revolucionário. É uma heresia teológica que corrompe a noção de Tradição e nega a unicidade e a soberania de Nosso Senhor Jesus Cristo. É um projeto político que, em nome de combater um mal, alia-se a outros tantos, promovendo um sincretismo que é a própria alma da religião do Anticristo. A verdadeira resistência não se encontra na falsa escolha entre o Leviatã liberal de Washington e o Beemote pagão de Moscou. Ambos são filhos da mesma Revolução. A única e autêntica contra-revolução reside na fidelidade intransigente à Fé Católica de sempre, na defesa da verdade integral, na restauração da Santa Missa Tradicional e na proclamação, custe o que custar, de que não há salvação fora da Igreja (Extra Ecclesiam nulla salus) e não há ordem no mundo fora do Reinado Social de Cristo Rei. Qualquer outra via é um desvio que conduz ao mesmo abismo.

Referências

Carvalho, Olavo de. Maquiavel ou A Confusão Demoníaca. Vide Editorial, 2011.
Dugin, Aleksandr. The Fourth Political Theory. Arktos Media, 2012.
Guénon, René. The Crisis of the Modern World. Sophia Perennis, 2001.

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Livro: Maçonismo e Catolicismo, Padre Félix Sardà y Salvany

Félix Sardà y Salvany (1841–1916), sacerdote espanhol, teólogo e apologista católico, conhecido por suas obras combativas em defesa da doutrina católica contra ideologias modernas, como o liberalismo e a Maçonaria. Fundador da revista La Revista Popular, foi uma figura proeminente no catolicismo tradicional do século XIX.

Publicado originalmente no final do século XIX, o livro insere-se no contexto do confronto entre a Igreja Católica e a Maçonaria, intensificado pela encíclica Humanum Genus (1884) do Papa Leão XIII, que condena os princípios maçônicos como incompatíveis com a fé cristã. A edição de 2019, traduzida para o português pelo Instituto Gratia, reproduz o texto para leitores contemporâneos.

Maçonismo e Catolicismo é uma obra apologética de aproximadamente 120 páginas que analisa as incompatibilidades filosóficas e teológicas entre a doutrina católica e os princípios da Maçonaria, definidos pelo autor como “maçonismo” – a disseminação de ideias maçônicas além da organização formal. O livro estrutura-se em seções que examinam os ideais maçônicos de liberdade, igualdade e fraternidade, contrastando-os com a visão cristã, e denuncia o naturalismo e o secularismo como fundamentos perigosos dessas ideias.

A obra inicia definindo o maçonismo como uma ideologia que transcende as lojas maçônicas, infiltrando-se na sociedade por meio de princípios iluministas. Argumenta que a Maçonaria promove uma cosmovisão naturalista, que exclui a revelação divina e eleva a razão humana como única autoridade. Essa introdução estabelece a Maçonaria como uma ameaça espiritual, que opera tanto abertamente quanto de forma oculta.

Liberdade: O livro contrasta a concepção cristã de liberdade, entendida como a capacidade de escolher o bem conforme a lei divina revelada, com a liberdade maçônica, descrita como autonomia absoluta do indivíduo. Esta última rejeita qualquer submissão a Deus ou à Igreja, promovendo um relativismo que nega a existência de uma verdade objetiva. A obra argumenta que tal liberdade conduz à desordem moral, pois, sem um fundamento divino, o homem torna-se escravo de suas paixões. Exemplos práticos, como a influência de ideias liberais na legislação secular, são usados para ilustrar os efeitos corrosivos dessa visão.

Igualdade: A seção sobre igualdade opõe a perspectiva cristã, que reconhece a dignidade universal dos homens como criaturas de Deus, mas aceita diferenças de dons e papéis na ordem natural, à igualdade maçônica, caracterizada como um nivelamento que elimina hierarquias legítimas. A Maçonaria é acusada de desafiar a autoridade divina, eclesiástica e civil, promovendo uma uniformidade que desestabiliza instituições como a família e o governo. O texto destaca que essa igualdade artificial, ao ignorar a providência divina, fomenta o secularismo e a anarquia.

Fraternidade: A fraternidade cristã, enraizada na paternidade de Deus e na graça de Cristo, é contrastada com a fraternidade maçônica, descrita como uma solidariedade puramente humanista. A Maçonaria reduz Deus a um “Grande Arquiteto do Universo”, um conceito vago que nega a relação pessoal com o Criador. A obra argumenta que essa fraternidade, desprovida de dimensão sobrenatural, limita-se a uma filantropia superficial, incapaz de sustentar uma comunhão verdadeira. A caridade cristã é apresentada como a única base para a união autêntica entre os homens.

Consequências do Maçonismo: O livro dedica uma seção às implicações práticas das ideias maçônicas, afirmando que elas enfraquecem a moral cristã, dissolvem os laços familiares e corroem a autoridade da Igreja. A propagação do maçonismo é vista como responsável pelo avanço do secularismo, pelo declínio da fé pública e pela substituição dos valores cristãos por ideais humanistas. A obra cita exemplos históricos, como a influência maçônica em revoluções e legislações anticlericais, para sustentar essa tese.

A conclusão convoca os cristãos a rejeitarem os princípios maçônicos e a defenderem a fé católica com firmeza. Reforça que a verdadeira liberdade, igualdade e fraternidade só se realizam em Cristo, sob a orientação da Igreja, e que qualquer tentativa de construir uma sociedade alheia a Deus está destinada ao fracasso. A linguagem é enfática, com apelos à vigilância contra a infiltração de ideias maçônicas na cultura e na educação.

Referência

Sardà y Salvany, Félix. Maçonismo e Catolicismo. Sabadell: Instituto Gratia, 2019. 120 p.

Princípios Maçônicos são incompatíveis com a Fé Católica

Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, frequentemente exaltados como pilares da Maçonaria, apresentam, à luz da doutrina cristã, uma visão profundamente incompatível com os fundamentos da fé católica. Não se trata de rejeitar as palavras em si, mas de examinar o significado filosófico que a Maçonaria lhes atribui, enraizado no naturalismo e no secularismo que emergiram com força no Iluminismo. Essa análise revela um abismo entre a visão cristã, que reconhece a soberania divina, e a perspectiva maçônica, que eleva o homem a uma autonomia desprovida de referência sobrenatural.

A fé cristã ensina que a liberdade é um dom precioso, mas ordenado à escolha do bem, conforme a verdade revelada por Deus. Ela não é um fim em si mesma, mas um meio para alinhar a vontade humana com a lei divina, que conduz à verdadeira felicidade. Assim, a liberdade autêntica encontra seu limite na obediência à ordem moral estabelecida pelo Criador, cuja sabedoria transcende as inclinações humanas.

Em contrapartida, a Maçonaria propõe uma concepção de liberdade que exalta a autonomia individual como valor supremo, desvinculada de qualquer autoridade transcendente. Essa visão, que rejeita a necessidade de uma verdade objetiva, conduz ao relativismo, onde cada homem se torna a medida de sua própria moral. Tal liberdade, desprovida de um fundamento sólido, transforma-se em licença para desafiar a lei natural e divina, promovendo uma independência ilusória que escraviza o homem aos seus próprios caprichos. Como se observa na crítica ao liberalismo, essa noção de liberdade absoluta erode a ordem social, pois nega a submissão a princípios que garantem a harmonia e o bem comum.

Na perspectiva cristã, todos os homens possuem igual dignidade como criaturas feitas à imagem e semelhança de Deus. Essa igualdade, porém, não elimina as diferenças de dons, vocações e responsabilidades que refletem a diversidade da criação divina. A família, a Igreja e a sociedade civil, cada uma com suas hierarquias legítimas, são expressões dessa ordem natural, onde a autoridade, quando exercida com justiça, serve ao bem de todos.

A Maçonaria, por outro lado, defende uma igualdade que tende a apagar essas distinções, promovendo um nivelamento que desconsidera a autoridade divina e eclesiástica. Essa visão, ao rejeitar as estruturas ordenadas por Deus, fomenta uma uniformidade artificial que ameaça a estabilidade social. A igualdade maçônica, ao ignorar a origem divina da autoridade, pode degenerar em anarquia ou em um secularismo que marginaliza a fé, substituindo a harmonia natural por uma luta de poderes humanos. Tal concepção desrespeita a providência divina, que estabelece papéis complementares para o florescimento da humanidade.

Da mesma forma, a verdadeira fraternidade, segundo a doutrina cristã, nasce da paternidade de Deus e da redenção em Cristo. Ela transcende laços meramente humanos, unindo os homens em uma comunhão espiritual que se manifesta na caridade, virtude que reflete o amor divino. Essa fraternidade exige a graça sobrenatural, pois apenas em Deus os homens encontram a fonte de uma união duradoura e significativa.

A Maçonaria, contudo, propõe uma fraternidade puramente naturalista, que se limita à solidariedade humana e exclui a dimensão sobrenatural. Nessa perspectiva, Deus é reduzido a um conceito vago, como um "Grande Arquiteto" indiferente, desprovido da relação pessoal que caracteriza a fé cristã. Tal fraternidade, ao rejeitar a centralidade de Cristo, torna-se uma filantropia vazia, incapaz de sustentar uma comunhão profunda. Sem a graça divina, os esforços humanos para a fraternidade carecem de fundamento sólido, resultando em uma união superficial que não resiste às divisões inerentes à condição humana.

A adoção dos princípios maçônicos, com sua ênfase no naturalismo, ameaça os alicerces da civilização cristã. Ao promover uma liberdade sem verdade, uma igualdade sem ordem e uma fraternidade sem Deus, a Maçonaria desafia a cosmovisão que sustenta a moral, a família e a sociedade. Essa filosofia, ao desviar o homem de sua dependência do Criador, o conduz a um vazio espiritual, onde os ideais elevados se tornam meros slogans, desprovidos de significado transcendente.

A Igreja, fiel à sua missão de guardar a verdade revelada, alerta para o perigo de abraçar tais princípios. A verdadeira liberdade se encontra na submissão amorosa a Deus; a verdadeira igualdade, no respeito pela ordem divina; e a verdadeira fraternidade, na comunhão que brota da graça. Qualquer tentativa de construir uma sociedade alheia a esses fundamentos está destinada ao fracasso, pois o homem, criado por Deus, só encontra plenitude em sua vontade.

Referências

Humanum Genus. Encíclica do Papa Leão XIII, 20 de abril de 1884. Disponível em: https://www.vatican.va/content/leo-xiii/en/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_18840420_humanum-genus.html.
Libertas Praestantissimum. Encíclica do Papa Leão XIII, 20 de junho de 1888. Disponível em: https://www.vatican.va/content/leo-xiii/es/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_20061888_libertas.html
Sardà y Salvany, Félix. Maçonismo e Catolicismo. Sabadell: Instituto Gratia, 2019. 120 p.

domingo, 4 de maio de 2025

Livro - A Revolução explicada aos jovens, de Monsenhor Louis Gaston de Ségur

A Revolução explicada aos jovens, de Monsenhor Louis Gaston de Ségur, é uma obra que ressoa profundamente entre os conservadores de hoje, especialmente aqueles que defendem os valores cristãos e veem com preocupação a erosão da ordem tradicional. Publicado em 1862 e disponível em edição brasileira pela Castela Editorial (136 páginas, ISBN 9788554890001), este opúsculo é um alerta lúcido e atemporal contra os perigos da Revolução francesa, entendida não apenas como o evento histórico de 1789, mas como um processo contínuo de subversão cultural, moral e espiritual que ameaça os fundamentos da civilização ocidental.

A obra de Ségur é um diagnóstico profético. Ele identifica a Revolução como um movimento que, sob a fachada de ideais como liberdade, igualdade e progresso, busca destruir a Igreja, deslegitimar autoridades tradicionais e fragmentar a sociedade. Para os conservadores, essa análise é mais relevante do que nunca em um mundo marcado por ideologias secularizantes, relativismo moral e ataques às instituições familiares e religiosas. Ségur desmascara o que muitos hoje chamariam de "narrativas progressistas", mostrando como palavras atraentes são usadas para encobrir intenções destrutivas.

Os 25 capítulos curtos do livro, escritos em linguagem clara e direta, são um guia para jovens navegarem um cenário cultural hostil. Ségur denuncia as táticas revolucionárias, como a manipulação da imprensa, a corrupção da juventude e a redefinição de conceitos fundamentais, que ecoam nas estratégias de movimentos modernos que promovem agendas contrárias aos valores cristãos. Conservadores de hoje veem paralelos entre as advertências de Ségur e fenômenos como a cultura do cancelamento, a desconstrução de normas tradicionais e a promoção de uma "liberdade" que, na prática, rejeita a verdade objetiva e os direitos de Deus.

A doutrina católica reforça a visão de que a sociedade só prospera quando ancorada em valores perenes, em vez de ideologias transitórias. Além disso, sua exortação à resistência ativa contra o erro inspira conservadores a se oporem ao conformismo e a defenderem a verdade com coragem.

Ségur aponta a maçonaria e o protestantismo como aliados da Revolução, acusando-os de desempenhar papéis significativos na subversão da ordem cristã. Ele descreve a maçonaria como uma sociedade secreta que, sob a aparência de fraternidade e filantropia, promove ideais anticatólicos, como o secularismo e a relativização da autoridade divina, citando documentos que revelariam planos para enfraquecer a Igreja. Quanto ao protestantismo, Ségur o critica por sua rejeição à autoridade papal e por abrir caminho ao subjetivismo religioso, que ele via como um precursor do liberalismo revolucionário.
Enfim, a Revolução é um ataque à ordem divina, e os católicos devem resistir a qualquer tentativa de conciliação com seus princípios. Em um tempo de confusão moral e cultural, A Revolução explicada aos jovens é um chamado à clareza, à fidelidade e à luta pela preservação da civilização cristã, tornando-se leitura indispensável para quem deseja entender as raízes da crise contemporânea e enfrentá-la com firmeza.

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Francisco e sua proximidade com ideais maçônicos

O pontificado do Papa Francisco, encerrado em 2025, tem sido objeto de intensos debates, especialmente entre setores tradicionalistas da Igreja Católica. Um artigo publicado em 23 de abril de 2025 no InfoVaticana, intitulado “Cuando la Logia aplaude: el Papa que hizo las delicias de la masonería” (InfoVaticana, 2025), oferece uma perspectiva contundente sobre a relação entre Francisco e a maçonaria, com base em um comunicado laudatório da Gran Loggia d’Italia após sua morte. 

O artigo da InfoVaticana destaca o comunicado da Gran Loggia d’Italia, que celebra Francisco como um líder cuja visão ressoa com os princípios maçônicos de liberdade, igualdade e fraternidade. A encíclica Fratelli Tutti é descrita como um “manifiesto” que ecoa esses valores, enquanto o Gran Maestro Luciano Romoli louva Francisco por superar divisões ideológicas (InfoVaticana, 2025). Essa homenagem é interpretada como um “diagnóstico” preocupante, dado o histórico de condenações da Igreja à maçonaria, desde a bula In Eminenti (1738) de Clemente XII até a encíclica Humanum Genus (1884) de Leão XIII, que denunciou a maçonaria como promotora do indiferentismo religioso e do relativismo moral.

Essa afinidade percebida não é um evento isolado. Em 2023, o Catholic Family News publicou um artigo intitulado “Freemasonry and the Catholic Church: A Growing Convergence?” (2023), que questionava gestos de Francisco, como sua ênfase em um ecumenismo amplo e sua relutância em condenar abertamente ideologias seculares. O texto apontava que a ausência de críticas explícitas à maçonaria durante seu pontificado contrastava com a postura firme de papas anteriores. A aproximação de figuras eclesiásticas, como o Cardeal Gianfranco Ravasi, que defendeu o diálogo com os “irmãos maçons” (InfoVaticana, 2025), reforça a percepção de uma ruptura com a tradição.

As encíclicas Laudato Si e Fratelli Tutti são frequentemente citadas como pontos de convergência com ideais maçônicos, especialmente por sua ênfase na fraternidade universal e na cooperação inter-religiosa. Embora esses documentos abordem questões legítimas, como a crise ambiental e a desigualdade social, críticos argumentam que sua linguagem ambígua permite interpretações que diluem a especificidade da fé católica. O artigo da InfoVaticana sugere que Fratelli Tutti, ao promover uma fraternidade desvinculada da centralidade de Cristo, ressoa com o universalismo maçônico, que historicamente rejeita dogmas em favor de uma ética humanista (InfoVaticana, 2025).

Um artigo de 2020 da The Remnant, “Fratelli Tutti: A Masonic Blueprint for a New World Order?” (2020), aprofunda essa crítica, argumentando que a encíclica reflete uma visão de mundo alinhada com foros globalistas, como o Fórum Econômico Mundial, que Francisco frequentemente endossou. A ausência de referências explícitas à salvação em Cristo e a ênfase em valores seculares são vistas como um afastamento do magistério tradicional, ecoando as preocupações do InfoVaticana sobre a recepção positiva da maçonaria.

A Igreja Católica sempre manteve uma postura de desconfiança em relação à maçonaria, considerando-a uma ameaça à fé. A Congregação para a Doutrina da Fé, em 1983, sob o Cardeal Joseph Ratzinger, reafirmou que a filiação à maçonaria é incompatível com a pertença à Igreja, devido às suas raízes no racionalismo e no indiferentismo religioso. O pontificado de Francisco, no entanto, é percebido por críticos como uma tentativa de reconciliar a Igreja com a modernidade, muitas vezes às custas da ortodoxia.

O InfoVaticana aponta que Francisco buscou aplausos do “mundo” – incluindo elites globalistas e organizações seculares – em detrimento da fidelidade à tradição (InfoVaticana, 2025). Essa crítica é corroborada por um artigo de 2024 da Crisis Magazine, “The Bergoglian Legacy: A Church Divided” (2024), que argumenta que as ambiguidades doutrinárias de Francisco, como sua abordagem em relação à moral sexual e ao diálogo inter-religioso, criaram uma Igreja fragmentada, com setores tradicionalistas sentindo-se alienados.

O artigo da InfoVaticana observa a ausência de multidões espontâneas na Praça de São Pedro durante o rosário por Francisco, interpretando isso como um sinal de indiferença tanto dos fiéis quanto do “mundo” que ele buscou agradar (InfoVaticana, 2025). Essa solidão é vista como o resultado de um pontificado que, segundo críticos, priorizou a popularidade midiática em vez da clareza doutrinal. A Crisis Magazine (2024) reforça essa ideia, sugerindo que a popularidade inicial de Francisco com a mídia secular não se traduziu em um fortalecimento da fé católica, mas sim em uma percepção de concessões excessivas ao espírito do tempo.

Além disso, a nomeação de cardeais alinhados com sua visão pastoral levanta preocupações sobre o próximo conclave. O InfoVaticana expressa temor de que um colégio cardinalício “heterodoxo” perpetue os erros de Francisco (InfoVaticana, 2025). Essa preocupação é compartilhada por um artigo de 2025 da OnePeterFive, “The Conclave of 2025: A Battle for the Soul of the Church” (2025), que alerta para a possibilidade de um Papa ainda mais progressista, caso a influência de Francisco prevaleça.

Referências

InfoVaticana. (2025). “Cuando la Logia aplaude: el Papa que hizo las delicias de la masonería”. Disponível em: https://infovaticana.com/2025/04/23/cuando-la-logia-aplaude-el-papa-que-hizo-las-delicias-de-la-masoneria/.
Catholic Family News. (2023). “Freemasonry and the Catholic Church: A Growing Convergence?”.
The Remnant. (2020). “Fratelli Tutti: A Masonic Blueprint for a New World Order?”.
Crisis Magazine. (2024). “The Bergoglian Legacy: A Church Divided”.
OnePeterFive. (2025). “The Conclave of 2025: A Battle for the Soul of the Church”.

domingo, 12 de janeiro de 2025

Bispos maçons e a intenção sacramental - Padre Anthony Cekada - ser maçom não é suficiente para invalidar os sacramentos

O artigo aborda a questão da validade das ordenações sacerdotais e episcopais realizadas por bispos que supostamente eram maçons. O autor discute a alegação de que o Arcebispo Dom Marcel Lefebvre foi ordenado por um maçom, o Cardeal Achille Liénart, e examina a validade dessas ordenações à luz da teologia e da história da Igreja.

A intenção mínima necessária para a validade de um sacramento é a intenção de fazer o que a Igreja faz. Mesmo um bispo com opiniões heréticas pode conferir sacramentos válidos se usar a matéria e a forma corretas.

Os sacramentos conferidos por um ministro católico devem ser presumidos válidos até que se prove o contrário. A invalidade só é considerada se houver prova clara de que o ministro não teve a intenção correta.

A heresia ou apostasia do bispo não prejudica a intenção sacramental, pois a intenção é um ato da vontade, não do intelecto.

A história da Igreja mostra que muitos clérigos franceses eram maçons, mas seus sacramentos não foram considerados inválidos. O Papa Pio VII, por exemplo, nomeou bispos que haviam sido sagrados por maçons.

Aplicar o princípio de que a afiliação maçônica torna os sacramentos duvidosos levaria a absurdidades, como considerar inválidas muitas ordenações episcopais e batismos na França desde o século XVIII.

O argumento de que a afiliação maçônica invalida sacramentos é infundado e contradiz a teologia, a lei canônica e a prática histórica da Igreja. A alegação de que o Cardeal Liénart era maçom não é suficiente para invalidar os sacramentos conferidos por ele.

O artigo conclui que a teoria dos "lienartistas" é baseada na ignorância e não tem fundamento teológico ou histórico.


Sobre o Cardeal Achille Liénart 

Foi um cardeal francês da Igreja Católica Romana, nascido em 7 de fevereiro de 1884, em Lille, França, e falecido em 15 de fevereiro de 1973. Ele serviu como bispo de Lille de 1928 a 1968 e foi elevado ao cardinalato em 1930 pelo Papa Pio XI. Liénart foi um defensor da reforma social, do sindicalismo e do movimento dos trabalhadores-padre. Durante a Primeira Guerra Mundial, ele serviu como capelão do exército francês. Liénart também teve um papel significativo durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial, inicialmente apoiando Philippe Pétain, mas se opondo fortemente à Alemanha nazista2. Ele participou do Concílio Vaticano II e foi presidente da Conferência Episcopal Francesa de 1948 a 1964.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

A Guerra Cristera no México entre 1926 e 1929 foi um ataque direto da maçonaria contra a Igreja Católica

A Guerra Cristera no México foi um conflito armado entre fiéis católicos e o governo mexicano, que ocorreu entre 1926 e 1929. A guerra foi desencadeada pela promulgação de leis anticlericais que restringiam severamente a liberdade religiosa e os direitos da Igreja Católica. O presidente Plutarco Elías Calles foi um dos principais responsáveis por essas medidas, que levaram à perseguição de clérigos e leigos católicos.

São José Sánchez del Río, um jovem de 14 anos, é um dos mártires mais conhecidos desse conflito. Ele se juntou ao exército Cristero para defender sua fé e foi capturado, torturado e martirizado por se recusar a renunciar a Cristo. Suas últimas palavras foram "Viva Cristo Rei! Viva sua Mãe, a Virgem de Guadalupe!".

A Guerra Cristera destaca a luta declarada da Maçonaria contra a Igreja Católica. Muitos dos líderes do governo mexicano eram maçons e viam a Igreja como uma ameaça ao seu poder. A perseguição religiosa e a resistência dos Cristeros são um exemplo da luta pela liberdade religiosa e da coragem dos fiéis em defender suas crenças

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Segundo Bernard Faÿ, protestantes e maçons se uniram para combater a Igreja Católica, culminando na revolução francesa

Bernard Faÿ, historiador e intelectual francês, desenvolveu ao longo de sua carreira uma interpretação polêmica sobre a relação entre o protestantismo, a maçonaria e a Revolução Francesa. Em suas obras, particularmente em La Franc-Maçonnerie et la Révolution Intellectuelle du XVIIIe Siècle (1935), Faÿ argumenta que a maçonaria foi instrumentalizada por correntes protestantes com o objetivo de promover transformações radicais que culminaram na Revolução Francesa. Essa tese reflete as preocupações de Faÿ com a secularização da sociedade e a perda de influência da Igreja Católica na Europa.

Protestantes e Maçons Unidos pela Revolução

Segundo Faÿ, o protestantismo desempenhou um papel crucial na formação e consolidação da maçonaria moderna. Ele sugere que o movimento maçônico, com sua estrutura secreta, valores universalistas e ênfase na razão, teria sido influenciado por ideias reformistas protestantes que visavam enfraquecer o poder político e espiritual da Igreja Católica. Faÿ acreditava que a maçonaria agiu como um veículo de disseminação de ideias iluministas e anticlericais, preparando o terreno para a Revolução Francesa.

Para sustentar sua tese, Faÿ destacou o papel de líderes maçônicos protestantes em disseminar uma agenda que favorecia reformas sociais, políticas e religiosas. Ele também argumenta que o ethos igualitário e democrático promovido pela maçonaria derivava de um ideal protestante de liberdade individual e de interpretação pessoal das Escrituras, que foi reinterpretado no século XVIII em um contexto secular.

A Revolução Francesa como Consequência

Faÿ associou a Revolução Francesa a uma espécie de "golpe cultural" orquestrado por forças maçônicas e protestantes. Ele via a Revolução como uma tentativa de desmantelar a ordem social tradicional baseada no trono e no altar, substituindo-a por uma nova estrutura ideológica que privilegiasse o racionalismo, o secularismo e a liberdade individual. Na visão de Faÿ, isso não apenas debilitou a Igreja Católica, mas também instaurou um modelo político que minava os valores cristãos e favorecia o individualismo exacerbado.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Allan Kardec era maçom? No dia em que tiver dado a mão à Franco-Maçonaria, todas as dificuldades estarão vencidas



Há diversos artigos que levantam a possibilidade de Allan Kardec ter sido maçom, embora não existam provas documentais definitivas. Aqui estão algumas considerações desses textos.

É provável que o jovem Hippolyte Léon Denizard Rivail tenha realmente sido iniciado na Franco-Maçonaria. No entanto, ao adotar o pseudônimo de Allan Kardec e assumir a missão de codificar a Doutrina Espírita, ele tenha se contido, mas utilizou-se de expressões e referências maçônicas em obras como O Céu e o Inferno. Do msmo modo, o Livro dos Espíritos contém elementos interpretados como alinhados à simbologia maçônica​. Muitos são os termos utilizados em suas obras, como "arquiteto" para Deus, "pedra angular" e "prumo", todos comuns na simbologia maçônica. 

Na Revista Espírita de abril de 1864, há mensagens psicografadas em reuniões com maçons, incluindo uma atribuída a Jacques de Molay, mártir dos Templários, onde se destacam palavras que sugerem uma conexão entre Espiritismo e Maçonaria. Em uma passagem dessa mensagem, lê-se: "O Espiritismo fez progressos, mas no dia em que tiver dado a mão à Franco-Maçonaria, todas as dificuldades estarão vencidas, todos os obstáculos retirados, a verdade estará esclarecida e o maior progresso moral será realizado." 

Durante o período de Kardec, a Maçonaria tinha grande influência na França, e muitos intelectuais estavam associados a essa ordem. Há alegações de que ele teria sido membro da Grande Loja Escocesa de Paris, embora registros oficiais disso nunca tenham sido encontrados. Até mesmo supostos "paramentos maçônicos" de Rivail teriam sido mencionados em algumas publicações​. Textos destacam as semelhanças entre a filosofia espírita e os princípios éticos e sociais da Maçonaria, como a busca pelo aprimoramento moral e o progresso humano. Contudo, essas semelhanças podem ser interpretadas como reflexos de valores comuns da época​. Divaldo Pereira Franco, renomado médium espírita, em palestra para uma loja maçônica em 2006, destacou as similaridades entre Espiritismo e Maçonaria, reforçando o caráter investigativo e ético de ambas as filosofias, além de citar espíritas maçons como Camille Flammarion e Leon Denis, este último alcançando o grau 33, que cita:

“O Espiritismo (podemos dizer, a maçonaria...) não dogmatiza. Não é nem uma seita, nem uma ortodoxia, mas uma filosofia viva, aberta a todos os espíritos livres, filosofia que evolve, que progride. Não impõe nada; propõe. O que propõe apoia em fatos de experiência e em provas morais. Não exclui qualquer outra crença, antes a todas abraça numa fórmula mais vasta, numa expressão mais elevada e extensa da verdade.”

Dr. José Castellani, um estudioso da Maçonaria, afirmou que alguns biógrafos de Kardec sugeriram que ele era maçom. Ademais, aspectos de sua biografia reforçam a hipótese. Quando Allan Kardec faleceu em 1869, foi inicialmente sepultado no cemitério Montmartre, mas posteriormente seus restos mortais foram transferidos para o cemitério Père Lachaise, em terreno doado pelo maçom Marquês de Montesquiou. O arquiteto do túmulo de Kardec, Brongniart, também era maçom.

Leon Denis, considerado "Apóstolo do Espiritismo" e contemporâneo de Kardec, era maçom eminente e proferiu discursos na Loja Demófilos do Grande Oriente da França. Sua atuação no Espiritismo e na Maçonaria reflete pontos de convergência entre as duas filosofias, como a crença na imortalidade da alma, a solidariedade e a caridade.

Há, ainda, a hipótese de Kardec ter pertencido a ordens vinculadas à Maçonaria, como a Rosacruz, que no período era associada à tradição maçônica. A crença na reencarnação, resgatada e difundida por Kardec no Ocidente, também estava presente em tradições esotéricas mantidas por essas ordens.

Apesar da ausência de provas definitivas, há elementos suficientes para manter viva a dúvida sobre a iniciação maçônica de Allan Kardec.

Resistência ao espiritismo na Europa

A França do século XIX era marcada por intensas transformações políticas, sociais e científicas quando da publicação de O Livro dos Espíritos em 1857. Enfrentou resistências, tanto no meio religioso quanto acadêmico. A Igreja Católica opunha-se vigorosamente a ideias que desafiavam dogmas tradicionais, como a imortalidade da alma sob a ótica da reencarnação e a comunicação com os espíritos. A acusação de heresia foi uma constante. As ideias espíritas, que buscavam conciliar ciência, filosofia e moral, eram frequentemente taxadas de superstição ou pseudociência, enfrentando desprezo e sarcasmo por parte de muitos intelectuais da época. Enfim, as práticas mediúnicas e a comunicação com os espíritos eram vistas como fantasias ou charlatanismo. 

terça-feira, 19 de novembro de 2024

A rosa que se sobrepõe à cruz - símbolo rosacruz que denota incompatibilidade com a fé católica

A atuação da Ordem Rosacruz, quando analisada sob a ótica dos textos tradicionais da Igreja Católica, pode ser interpretada como simbolicamente conflitante com os fundamentos centrais da fé cristã, particularmente no que diz respeito ao significado da cruz de Cristo. Na teologia católica, a cruz é o símbolo máximo do sacrifício redentor de Jesus Cristo, que, por sua morte e ressurreição, abriu o caminho para a salvação de toda a humanidade. Este ato é considerado único, insubstituível e central para a mensagem cristã.

A simbologia da rosa sobreposta à cruz, tão emblemática para os Rosacruzes, pode ser interpretada de forma antagônica aos princípios católicos, caso seja vista como uma "superação" ou "substituição" da cruz. A rosa, nesse contexto, poderia sugerir uma visão esotérica e gnóstica da espiritualidade, frequentemente associada à busca do autoconhecimento e da iluminação pessoal. Tal abordagem tende a relativizar ou até mesmo negar a necessidade do sacrifício de Cristo como o único meio de redenção, promovendo a ideia de que a salvação poderia ser alcançada por meio de práticas esotéricas, iniciáticas ou de autodescoberta.

Para a Igreja Católica, esta perspectiva é problemática por duas razões principais. Primeiro, porque desvia do entendimento central de que a salvação é um dom gratuito de Deus, alcançado pela graça divina e não pelos esforços humanos. Segundo, porque essa visão reflete um retorno às heresias gnósticas dos primeiros séculos do cristianismo, que buscavam reinterpretar os mistérios da fé cristã à luz de conhecimentos secretos ou esotéricos.

Adicionalmente, a simbologia da rosa sobre a cruz pode ser entendida como um gesto de subversão simbólica. A rosa, frequentemente associada à perfeição, à beleza e ao segredo, ao ser colocada sobre a cruz, poderia ser vista como uma tentativa de "embelezar" ou "diluir" o significado austero e profundo do sacrifício de Cristo. Esse gesto não apenas trivializaria o sofrimento redentor, mas também negaria a centralidade da cruz como o ápice do amor sacrificial de Deus pela humanidade.

Por fim, é importante destacar que a tradição católica valoriza a simbologia e os rituais, mas sempre com o objetivo de direcionar os fiéis para a verdade revelada em Cristo. Assim, qualquer simbolismo ou prática que desvie dessa verdade ou que promova a auto-suficiência espiritual em detrimento da graça divina é considerado incompatível com a fé cristã. Nesse sentido, os elementos simbólicos e filosóficos da Ordem Rosacruz podem ser vistos como contrários à mensagem central do cristianismo, caso promovam a substituição do sacrifício de Cristo por uma narrativa esotérica ou alternativa de salvação.

A Igreja condena sociedades secretas e esotéricas

A Igreja Católica tem uma postura crítica e condenatório em relação a sociedades secretas e movimentos esotéricos, incluindo a maçonaria e, por extensão, a Rosacruz. A Igreja vê esses movimentos como incompatíveis com a fé católica devido às suas práticas e crenças esotéricas.

A Ordem Rosacruz

Também conhecida como Rosacrucianismo, é um movimento filosófico e esotérico que surgiu na Europa no início do século XVII. A ordem é baseada nos ensinamentos atribuídos a um personagem lendário chamado Christian Rosenkreuz, que supostamente fundou a ordem no século XV. Os manifestos rosacruzes, publicados entre 1607 e 1616, anunciaram a existência de uma sociedade secreta dedicada à reforma espiritual e científica da humanidade. Esses textos, conhecidos como Fama Fraternitatis, Confessio Fraternitatis e Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz, tiveram grande influência no pensamento esotérico e místico da época.

A Ordem Rosacruz é conhecida por sua busca pelo conhecimento esotérico e pela prática de rituais e ensinamentos que visam o desenvolvimento espiritual e a compreensão dos mistérios do universo. A ordem tem uma forte ligação com a alquimia, a Kabbalah e o Hermetismo, e seus membros são incentivados a buscar a iluminação espiritual e a sabedoria interior. Hoje, existem várias organizações que reivindicam a herança rosacruz, sendo a mais conhecida a Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis (AMORC), que tem filiais em todo o mundo e continua a promover os ensinamentos e práticas rosacruzes.

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Encíclica HUMANUM GENUS de Leão XIII - Maçonaria, Naturalismo, Separação Igreja-Estado


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CARTA ENCÍCLICA

HUMANUM GENUS

DO SUMO PONTÍFICE PAPA LEÃO XIII

A TODOS OS NOSSOS VENERÁVEIS IRMÃOS, OS PATRIARCAS, PRIMAZES, ARCEBISPOS E BISPOS DO ORBE CATÓLICO, EM GRAÇA E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA

SOBRE A MAÇONARIA

1. O Gênero Humano, após sua miserável queda de Deus, o Criador e Doador dos dons celestes, "pela inveja do demônio," separou-se em duas partes diferentes e opostas, das quais uma resolutamente luta pela verdade e virtude, e a outra por aquelas coisas que são contrárias à virtude e à verdade. Uma é o reino de Deus na terra, especificamente, a verdadeira Igreja de Jesus Cristo; e aqueles que desejam em seus corações estar unidos a ela, de modo a receber a salvação, devem necessariamente servir a Deus e Seu único Filho com toda a sua mente e com um desejo completo. A outra é o reino de Satanás, em cuja possessão e controle estão todos e quaisquer que sigam o exemplo fatal de seu líder e de nossos primeiros pais, aqueles que se recusam a obedecer à lei divina e eterna, e que têm muitos objetivos próprios em desprezo a Deus, e também muitos objetivos contra Deus.

2. Este reino dividido Sto. Agostinho penetrantemente discerniu e descreveu ao modo de duas cidades, contrárias em suas leis porque lutando por objetivos contrários; e com sutil brevidade ele expressou a causa eficiente de cada uma nessas palavras: "Dois amores formaram duas cidades: o amor de si mesmo, atingindo até o desprezo de Deus, uma cidade terrena; e o amor de Deus, atingindo até o desprezo de si mesmo, uma cidade celestial."[1] Em cada período do tempo uma tem estado em conflito com a outra, com uma variedade e multiplicidade de armas e de batalhas, embora nem sempre com igual ardor e assalto. Nesta época, entretanto, os partisans (guerrilheiros) do mal parecem estar se reunindo, e estar combatendo com veemência unida, liderados ou auxiliados por aquela sociedade fortemente organizada e difundida chamada os Maçons. Não mais fazendo qualquer segredo de seus propósitos, eles estão agora abruptamente levantando-se contra o próprio Deus. Eles estão planejando a destruição da santa Igreja publicamente e abertamente, e isso com o propósito estabelecido de despojar completamente as nações da Cristandade, se isso fosse possível, das bênçãos obtidas para nós através de Jesus Cristo nosso Salvador. Lamentando estes males, Nós somos constrangidos pela caridade que urge Nosso coração a clamar freqüentemente a Deus: "Ó Deus, eis que Teus inimigos se agitam; e os que Te odeiam levantaram as suas cabeças. Eles tramam um plano contra Teu povo, e conspiram contra Teus santos. Eles disseram: 'vinde, destruamo-nos, de modo que eles não sejam uma nação'."[2]

3. Em uma crise tão urgente, quando tão feroz e tão forte assalto é feito sobre o nome Cristão, é Nosso ofício apontar o perigo, marcar quem são os adversários, e no máximo de Nosso poder fazer uma barreira contra seus planos e procedimentos, para que não pereçam aqueles cuja salvação está confiada a Nós, e para que o reino de Jesus Cristo confiado a Nosso encargo possa não só permanecer de pé e inteiro, mas possa ser alargado por um crescimento cada vez maior através do mundo.

4. Os Pontífices Romanos nossos predecessores, em sua incessante vigilância pela segurança do povo Cristão, foram rápidos em detectar a presença e o propósito desse inimigo capital tão logo ele saltou para a luz ao invés de esconder-se como uma tenebrosa conspiração; e, além disso, eles aproveitaram e tomaram providências, pois a eles isso competia, e não permitiram a si mesmos serem tomados pelos estratagemas e armadilhas armadas para enganá-los.

5. A primeira advertência do perigo foi dada por Clemente XII no ano de 1738 [3], e sua constituição foi confirmada e renovada por Bento XIV [4]. Pio VII seguiu o mesmo caminho [5]; e Leão XII, por sua constituição apostólica, Quo Graviora [6], juntou os atos e decretos dos Pontífices anteriores sobre o assunto, e os ratificou e confirmou para sempre. No mesmo sentido pronunciou-se Pio VIII [7], Gregório XVI [8], e, muitas vezes, Pio IX [9].

6. Tão logo a constituição e o espírito da seita maçônica foram claramente descobertos por manifestos sinais de suas ações, pela investigação de suas causas, pela publicação de suas leis, e de seus ritos e comentários, com a freqüente adição do testemunho pessoal daqueles que estiveram no segredo, esta sé apostólica denunciou a seita dos Maçons, e publicamente declarou sua constituição, como contrária à lei e ao direito, perniciosa tanto à Cristandade como ao Estado; e proibiu qualquer um de entrar na sociedade, sob as penas que a Igreja costuma infligir sobre as pessoas excepcionalmente culpadas. Os sectários, indignados por isto, pensando em eludir ou diminuir a força destes decretos, parcialmente por desprezo, e parcialmente por calúnia, acusaram os soberanos Pontífices que os passaram ou de exceder os limites da moderação em seus decretos ou de decretar o que não era justo. Este foi o modo pelo qual eles esforçaram-se para eludir a autoridade e o peso das constituições apostólicas de Clemente XII e Bento XIV, e também de Pio VII e Pio IX [10]. Entretanto, na própria sociedade, encontraram-se homens que relutantemente concordaram que os Pontífices Romanos tinham agido dentro de seu direito, de acordo com a doutrina e disciplina Católicas. Os Pontífices receberam a mesma concordância, em termos fortes, de muitos príncipes e chefes de governo, que tomaram como um dever ou delatar a sociedade maçônica à sé apostólica, ou por seu próprio acordo por leis específicas declará-la perniciosa, como, por exemplo, na Holanda, Áustria, Suíça, Espanha, Bavária, Savóia, e outras partes da Itália.

7. Mas, o que é da maior importância, o curso dos eventos demonstrou a prudência dos Nossos predecessores. Pois a sua providente e paternal solicitude não conseguiu sempre e em todo lugar o resultado desejado; e isto, ou por causa do fingimento e astúcia de alguns que eram agentes ativos na maldade, ou então da irrefletida leviandade do resto que deveria, em seu próprio interesse, ter dado ao assunto sua diligente atenção. Em conseqüência, a seita dos Maçons cresceu com uma velocidade inconcebível no curso de um século e meio, até que se tornou capaz, através de fraude ou audácia, de obter tal acesso em cada nível do Estado de modo a parecer quase a sua força governante. Este veloz e formidável avanço trouxe sobre a Igreja, sobre o poder dos príncipes, sobre o bem estar público, precisamente aquele grave dano que Nossos predecessores tinham previsto muito antes. Tal condição foi atingida que de agora de diante haverá grave razão para temer, não realmente pela Igreja ― porque sua fundação é firme demais para ser derrubada pelos esforços dos homens ― mas por aqueles Estados em que prevalece o poder, ou da seita da qual estamos falando ou de outras seitas não diferentes que curvam-se a ela como discípulas e subordinadas.

8. Por estas razões Nós, tão logo chegamos ao timão da Igreja, claramente vimos e sentimos ser Nosso dever usar Nossa autoridade em sua máxima extensão contra um mal tão vasto. Nós já por muitas vezes, conforme as ocasiões surgiram, atacamos alguns pontos principais dos ensinamentos que demonstraram de uma maneira especial a perversa influência das opiniões Maçônicas. Assim, em nossa carta encíclica, Quod Apostolici Muneris, Nós Nos esforçamos por refutar as monstruosas doutrinas dos socialistas e comunistas; depois, em outra começando com Arcanum, Nós penosamente defendemos e explicamos a verdadeira e genuína idéia da vida doméstica, da qual o matrimônio é o ponto de partida e a origem; e novamente, naquela que começa com "Diuturnum"[11], Nós descrevemos a idéia de governo político conforme os princípios da sabedoria Cristã, que é maravilhosa em harmonia, por um lado, com a ordem natural das coisas, e, por outro lado, com o bem-estar tanto dos príncipes soberanos quanto das nações. É agora Nossa intenção, seguindo o exemplo de Nossos predecessores, tratar diretamente a própria sociedade maçônica, todo o seu ensinamento, seus objetivos, e a sua maneira de pensar e agir, de modo a trazer mais e mais à luz seu poder para o mal, e fazer o que Nós pudermos para deter o contágio desta peste fatal.

9. Há vários corpos organizados os quais, embora diferindo em nome, em cerimonial, em forma e origem, são contudo tão unidos por comunhão de propósito e pela similaridade de suas principais opiniões, de modo a formar de fato uma só coisa com a seita dos Maçons, a qual é um tipo de centro ao qual todos eles se dirigem, e do qual todos eles retornam. Agora, estes não mais mostram um desejo de permanecer escondidos; pois eles realizam seus encontros à luz do dia e à vista do povo, e publicam seus próprios jornais; e contudo, quando completamente compreendidos, descobre-se que eles ainda retêm a natureza e os hábitos de sociedades secretas. Há muitas coisas como mistérios que é regra fixa esconder com extremo cuidado, não somente de estranhos, mas de muitos e muitos membros, também; tais como seus desígnios secretos e últimos, os nomes de seus maiores líderes, e certos segredos e encontros privados, assim como suas decisões, e os caminhos e meios de executá-las. Este é, sem dúvida, o objetivo das múltiplas diferenças entre os membros quanto a direito, cargo e privilégio, das distinções recebidas de ordens e graus, e da severa disciplina que é mantida.

Os candidatos são geralmente ordenados a prometer ― e mais, com um especial juramento, a jurar ― que eles não irão nunca, a nenhuma pessoa, em qualquer tempo ou de qualquer modo, dar a conhecer os membros, as senhas, ou os assuntos discutidos. Assim, com uma aparência externa fraudulenta, e com um estilo de fingimento que é sempre o mesmo, os Maçons, como os Maniqueístas de antigamente, esforçam-se, tanto quanto possível, para encobrir a si mesmos, e para não admitir testemunhas exceto seus próprios membros. Como uma maneira conveniente de disfarce, eles assumem o caráter de homens de letras e acadêmicos associados com o objetivo de aprender. Eles falam de seu zelo por um maior refinamento cultural, e de seu amor pelos pobres; e eles declaram que seu único desejo é a melhoria da condição das massas, e o compartilhamento com o maior número possível de pessoas de todos os benefícios da vida civil. Mesmo que estes propósitos fossem visados verdadeiramente, eles não são de modo algum o todo de seu objetivo. Ainda mais, para ser alistado, é necessário que os candidatos prometam e assumam ser daí em diante estritamente obedientes aos seus líderes e mestres com a mais completa submissão e fidelidade, e estar de prontidão para cumprir suas ordens à mais leve expressão de seu desejo; ou, se desobedientes, submeter-se aos mais penosos castigos e à própria morte. De fato, se algum é julgado ter traído as obras da seita ou ter resistido às ordens dadas, a punição é infligida neles não infreqüentemente, e com tanta audácia e destreza que o assassino muito freqüentemente escapa à detecção e punição de seu crime.

10. Mas fingir e desejar permanecer escondido; atar homens como escravos com as mais fortes correntes, e sem dar qualquer razão suficiente; usar homens escravizados aos desejos de outro para qualquer ato arbitrário; armar as mãos direitas de homens para o massacre após assegurar a impunidade pelo crime ― tudo isso é uma enormidade diante qual a natureza recua. Por este motivo, a razão e a própria verdade tornam claro que a sociedade da qual nós estamos falando está em antagonismo com a justiça e a retidão natural. E isto se torna ainda mais claro, uma vez que outros argumentos, também, e muito evidentes, provam que ela é essencialmente oposta à virtude natural. Pois, não importando quão grande possa ser a inteligência do homem em disfarçar e a sua experiência em mentir, é impossível evitar os efeitos de qualquer causa de mostrarem, de algum modo, a natureza intrínseca da causa da qual eles vêm. "Uma boa árvore não pode produzir mau fruto, nem uma árvore ruim produzir bom fruto."[12] Agora, a seita maçônica produz frutos que são perniciosos e do mais amargo sabor. Pois, daquilo que Nós acima mostramos da maneira mais clara, aquele que é o seu propósito último força-a a se tornar visível ― especificamente, a completa derrubada de toda a ordem religiosa e política do mundo que o ensinamento Cristão produziu, e a substituição por um novo estado de coisas de acordo com as suas idéias, das quais as fundações e leis devem ser obtidas do mero naturalismo.

11. O que Nós dissemos, e estamos para dizer, deve ser entendido com respeito à seita dos Maçons tomada genericamente, e tanto quanto ela compreende as associações aparentadas a ela e confederadas com ela, mas não dos seus membros individuais. Pode haver pessoas entre eles, e não poucos que, embora não livres da culpa de terem se enleado em tais associações, ainda assim não são eles mesmos parceiros em seus atos criminosos nem conscientes do objetivo último que eles estão se esforçando por alcançar. Do mesmo modo, algumas das sociedades afiliadas, talvez, de modo algum aprovem as conclusões extremas que eles iriam, se consistentes, abraçar como conseqüências necessárias de seus princípios comuns, se a sua própria maldade não os enchesse de horror. Alguns deles, novamente, são levados pelas circunstâncias dos tempos e lugares ou a visar coisas menores do que os outros normalmente tentam ou do que eles mesmos desejariam tentar. Eles não devem, entretanto, por esta razão, ser considerados como estranhos à federação maçônica; porque a federação maçônica deve ser julgada não tanto pelas coisas que ela tem feito, ou concluído, quanto pela soma de suas opiniões pronunciadas.

12. Agora, a doutrina fundamental dos naturalistas, que eles tornam suficientemente conhecida em seu próprio nome, é que a natureza humana e a razão humana deveriam em todas as coisas ser senhora e guia. Eles ligam muito pouco para os deveres para com Deus, ou os pervertem por opiniões errôneas e vagas. Pois eles negam que qualquer coisa tenha sido ensinada por Deus; eles não permitem qualquer dogma de religião ou verdade que não possa ser entendida pela inteligência humana, nem qualquer mestre que deva ser acreditado por causa de sua autoridade. E desde que é o dever especial e exclusivo da Igreja Católica estabelecer completamente em palavras as verdades divinamente recebidas, ensinar, além de outros auxílios divinos à salvação, a autoridade de seu ofício, e defender a mesma com perfeita pureza, é contra a Igreja que o ódio e o ataque dos inimigos é principalmente dirigido.

13. Nos assuntos a respeito de religião que se veja como a seita dos Maçons age, especialmente aonde ela é mais livre para agir sem barreiras, e então que qualquer um julgue se realmente ela não deseja executar a política dos naturalistas. Por um longo e perseverante labor, eles esforçam-se para alcançar este resultado ― especificamente, que o ofício de ensinar e a autoridade da Igreja tornem-se sem valor no Estado civil; e por esta mesma razão eles declaram ao povo e argumentam que a Igreja e o Estado devem ser completamente desunidos. Por este meio eles rejeitam das leis e da nação a saudável influência da religião Católica; e eles conseqüentemente imaginam que os Estados devem ser constituídos sem qualquer consideração pelas leis e preceitos da Igreja.

14. Nem eles pensam ser suficiente desconsiderar a Igreja ― a melhor das guias ― mas eles também a ferem por sua hostilidade. Realmente, para eles está dentro da lei atacar com impunidade as próprias fundações da religião Católica, em palavra, em escritos e em ensinamentos; e até os direitos da Igreja não são poupados, e os ofícios com os quais ela é divinamente investida não estão seguros. A mínima liberdade possível para administrar os assuntos é deixada à Igreja; e isto é feito por leis aparentemente não muito hostis, mas na realidade armadas e ajustadas para dificultar a liberdade de ação. Ainda mais, Nós vemos leis excepcionais e opressivas impostas sobre o clero, a fim de que eles possam ser continuamente diminuídos em número e meios necessários. Nós também vemos os remanescentes das possessões da Igreja restringidos pelas mais estritas condições, a sujeitados ao poder e ao desejo arbitrário dos administradores do Estado, e as ordens religiosas reviradas e espalhadas.

15. Mas contra a sé apostólica e o Pontífice Romano a contenda destes inimigos tem sido por um longo tempo dirigida. O Pontífice foi primeiro, por razões sem substância, atirado para fora da proteção de sua liberdade e de seu direito, o principado civil; logo, ele foi injustamente forçado em uma condição que era insuportável por causa das dificuldades levantadas de todos os lados; e agora o tempo chegou em que os partisans (guerrilheiros) da seita abertamente declaram, o que em segredo entre eles mesmos eles têm por um longo tempo planejado, que o poder sagrado dos Pontífices deve ser abolido, e que o próprio papado, fundado por direito divino, deve ser totalmente destruído. Se outras provas fossem desejadas, este fato seria suficientemente revelado pelo testemunho de homens informados, dos quais alguns em outros tempos, e outros recentemente, declararam ser verdadeiro a respeito dos Maçons que eles desejam especialmente atacar violentamente a igreja com irreconciliável hostilidade, e que eles nunca descansarão até que eles tenham destruído o que quer que os supremos Pontífices tenham estabelecido como religião.

16. Se aqueles que são admitidos como membros não são ordenados a abjurar por quaisquer palavras as doutrinas Católicas, esta omissão, muito longe de ser adversa aos desígnios dos Maçons é mais útil para os seus propósitos. Primeiro, deste modo eles facilmente enganam os ingênuos e os incautos, e podem induzir um número muito maior a se tornarem membros. Novamente, como todos que se oferecem são recebidos qualquer que possa ser sua forma de religião, eles deste modo ensinam o grande erro desta época ― que uma consideração por religião deveria ser tida como assunto indiferente, e que todas as religiões são semelhantes. Este modo de raciocinar é calculado para trazer a ruína de todas as formas de religião, e especialmente da religião Católica, que, como é a única que é verdadeira, não pode, sem grande injustiça, ser considerada como meramente igual às outras religiões.

17. Mas os naturalistas vão muito mais longe; pois, tendo, nas mais altas coisas, entrado em um curso completamente errôneo, eles são levados impetuosamente a extremos, ou por causa da fraqueza da natureza humana, ou porque Deus inflige sobre eles a justa punição do seu orgulho. Assim acontece que eles não mais consideram como certas e permanentes aquelas coisas que são totalmente entendidas pela luz natural da razão, tais como certamente são ― a existência de Deus, a natureza imaterial da alma humana, e sua imortalidade. A seita dos Maçons, por uma similar trilha de erro, é exposta a estes mesmos perigos; pois, embora de um modo geral eles possam professar a existência de Deus, eles mesmos são testemunhas que eles não mantêm todos esta verdade com total concordância da mente e com uma firme convicção. Nem eles escondem que esta questão sobre Deus é a maior fonte e causa de discórdias entre eles; de fato, é certo que uma discussão considerável sobre este mesmo assunto existiu entre eles muito recentemente. Mas, realmente, a seita permite grande liberdade aos seus membros juramentados por voto, de modo que para cada lado é dado o direito de defender a sua própria opinião, ou de que há um Deus, ou de que não há nenhum; e aqueles que obstinadamente argumentam que não há nenhum Deus são tão facilmente iniciados como aqueles que argumentam que Deus existe, embora, como os panteístas, eles tenham falsas noções acerca dEle: tudo que não é nada mais do que retirar a realidade, retendo algumas absurdas representações da natureza divina.

18. Quando esta maior e fundamental verdade foi derrubada ou enfraquecida, segue que aquelas verdades, também, que são conhecidas pelo ensinamento da natureza devem começar a cair ― especificamente, que todas as coisas foram feitas pelo livre desejo de Deus o Criador; que o mundo é governado pela Providência; que as almas não morrem; que a esta vida dos homens sobre a terra sucederá outra em uma vida eterna.

19. Quando estas verdades foram eliminadas, as quais são os princípios da natureza e importantes para o conhecimento e para o uso prático, é fácil de ver o que irá ser da moralidade pública e privada. Nós não dizemos nada daquelas virtudes mais celestiais, as quais ninguém pode exercer ou mesmo adquirir sem um especial dom e graça de Deus; das quais necessariamente nenhum traço pode ser encontrado naqueles que rejeitam como desconhecida a redenção da humanidade, a graça de Deus, os sacramentos, e a felicidade a ser obtida no céu. Nós falamos agora dos deveres que têm a sua origem na retidão natural. Que Deus é o Criador do mundo e seu providente Governador; que a lei eterna exige que a ordem natural seja mantida, e proíbe que ela seja perturbada; que o fim último do homem é um destino muito acima das coisas humanas e além desta parada sobre a terra: estas são as fontes e estes são os princípios de toda justiça e moralidade.

Se eles forem removidos, como os naturalistas e Maçons desejam, imediatamente não haverá nenhum conhecimento quanto ao que constitui justiça e injustiça, ou sobre qual princípio a moralidade é fundada. E, em verdade, o ensinamento de moralidade que exclusivamente encontra o favor da seita dos Maçons, e em que eles argumentam que os jovens deveriam ser instruídos, é o que eles chamam "civil", e "independente", e "livre", especificamente, aquele que não contém qualquer crença religiosa. Mas, quão insuficiente tal ensinamento é, quanto deixa a desejar em firmeza, e quão facilmente movido por cada impulso da paixão, é suficientemente provado por seus tristes frutos, que já começaram a aparecer. Pois, aonde quer que, removendo a educação Cristã, este ensinamento começou a reinar mais completamente, aí a bondade e integridade da moral começou rapidamente a perecer, monstruosas e vergonhosas opiniões têm crescido, e a audácia dos atos malignos tem se elevado a um alto grau. Tudo isso é comumente lamentado e deplorado; e não poucos daqueles que de modo algum desejam fazê-lo são compelidos pela abundância de provas a dar não infreqüentemente o mesmo testemunho.

20. Ainda mais, a natureza humana foi manchada pelo pecado original, e é portanto mais disposta ao vício do que à virtude. Pois uma vida virtuosa é absolutamente necessária para restringir os movimentos desordenados da alma, e para fazer as paixões obedientes à razão. Neste conflito as coisas humanas devem freqüentemente ser desprezadas, e os maiores trabalhos e durezas devem ser executados, de modo que a razão possa sempre manter o seu domínio. Mas os naturalistas e Maçons, não tendo fé naquelas coisas que nós aprendemos pela revelação de Deus, negam que nossos primeiros pais tenham pecado, e conseqüentemente pensam que o livre desejo não é de modo algum enfraquecido e inclinado ao mal [13]. Pelo contrário, exagerando bastante o poder e a excelência da natureza, e colocando somente ali o princípio e regra da justiça, eles não podem nem mesmo imaginar que haja qualquer necessidade de uma constante luta e uma perfeita firmeza para dominar a violência e governo de nossas paixões.

Por isso nós vemos que homens são publicamente tentados pelos muitos encantamentos do prazer; que há jornais e panfletos sem moderação nem vergonha; que peças de teatro são notáveis pela licenciosidade; que desenhos para obras de arte são de uma maneira desavergonhada buscados nas leis de um assim chamado realismo; que os planos de uma vida fácil e delicada são cuidadosamente elaborados; que todas as seduções do prazer são diligentemente buscadas pelas quais a virtude possa ser ninada até adormecer. Depravadamente, também, mas ao mesmo tempo de um modo bastante consistente, fazem aqueles atos que eliminam a expectativa das alegrias do céu, e trazem para baixo toda a felicidade para o nível da mortalidade, e, de fato, a afundam na terra. Do que Nós dissemos o seguinte fato, estarrecedor não tanto por si mesmo quanto em sua aberta expressão, pode servir como confirmação. Pois, uma vez que geralmente ninguém está acostumado a obedecer homens hábeis e inteligentes tão submissamente como aqueles cuja alma está enfraquecida e quebrada pelo domínio das paixões, tem havido na seita dos Maçons alguns que têm simplesmente determinado e proposto que, engenhosamente e de propósito estabelecido, a multidão deveria ser saciada com uma licença sem limite para o vício, pois, quando isso tivesse sido feito, ela iria facilmente cair sob o seu poder e autoridade para quaisquer atos de audácia.

21. Quanto ao que se refere à vida doméstica nos ensinamentos dos naturalistas é quase tudo contido nas seguintes declarações: que o casamento pertence ao gênero dos contratos humanos, que pode ser legalmente revogado pelo desejo daqueles que o fizeram, que os governadores civis do Estado têm poder sobre o laço matrimonial; que na educação dos jovens nada deve ser ensinado em matéria de religião como opinião certa e fixada; e cada um deve ser deixado livre para seguir, quando chegar à idade, qualquer que ele preferir. Os Maçons concordam completamente com estas coisas; e não somente concordam, mas têm longamente esforçado-se para transformá-las em lei e instituição. Pois em muitos países, e aqueles nominalmente Católicos, é estabelecido que nenhum casamento deve ser considerado legal a não ser aqueles contraídos pelo rito civil; em outros lugares a lei permite o divórcio; e em outros todos os esforços são feitos para torná-lo legal tão logo quanto possível. Portanto, o tempo está rapidamente se aproximando em que os casamentos vão ser tornados em outro tipo de contrato ― ou seja em uniões mutáveis e incertas que um capricho pode unir, e que do mesmo modo quando se modificar pode desunir.

Com a maior unanimidade a seita dos Maçons também esforça-se para tomar a si mesma a educação da juventude. Eles pensam que eles podem facilmente moldar às suas opiniões aquela idade macia e maleável, e torcê-la no que quer que eles desejem; e que nada pode ser mais adequado do que isto para permitir a eles levar a juventude do Estado a seguir seu próprio plano. Portanto, na educação e instrução de crianças eles não permitem qualquer participação, quer no ensinamento ou na disciplina, aos ministros da Igreja; e em muitos lugares eles têm procurado obter que a educação dos jovens esteja exclusivamente nas mãos de leigos, e que nada que trate dos mais importantes e mais sagrados deveres dos homens para com Deus deva ser introduzido na instrução sobre moral.

22. E ainda há as suas doutrinas sobre política, em que os naturalistas decretam que todos os homens têm o mesmo direito, e são em todos os aspectos da mesma e igual condição; que cada um é naturalmente livre; que nenhum tem o direito de comandar a outrem; que é um ato de violência requerer que homens obedeçam qualquer autoridade outra que aquela que é obtida deles mesmos. De acordo com isto, portanto, todas as coisas pertencem ao povo livre; o poder é exercido pela ordem ou permissão do povo, de modo que, quando o desejo do povo muda, os governantes podem ser legalmente depostos e a fonte de todos os direitos e deveres civis está ou na multidão ou na autoridade governante quando esta é constituída de acordo com as últimas doutrinas. É sustentado também que o Estado deve ser sem Deus; que nas várias formas de religião não há razão pela qual uma devesse ter precedência sobre outra; e que todas elas devem ocupar o mesmo lugar.

23. Que estas doutrinas são igualmente aceitáveis aos Maçons, e que eles desejariam constituir Estados de acordo com este exemplo e modelo, é excessivamente bem conhecido para requerer prova. Por algum tempo eles tem abertamente esforçado-se para tornar isto realidade com toda a sua força e recursos; e deste modo eles preparam o caminho para não poucos homens audaciosos que estão se apressando a fazer até as piores coisas, em seu esforço para obter igualdade e comunhão de todos os bens pela destruição de todas as distinções de título e propriedade.

24. O que, portanto, a seita dos Maçons é, e que trilha ela persegue, aparece suficientemente do sumário que Nós resumidamente demos. Seus dogmas principais estão tão grandemente e manifestamente apartados da razão que nada pode ser mais perverso. Desejar destruir a religião e a Igreja que o próprio Deus estabeleceu, e cuja perpetuidade Ele assegura por Sua proteção, e trazer após um lapso de dezoito séculos as maneiras e costumes dos pagãos, é notável insensatez e audaciosa impiedade. Nem é menos horrível nem mais tolerável que eles repudiem os benefícios que Jesus Cristo tão misericordiosamente obteve, não somente para os indivíduos, mas também para as famílias e a sociedade civil, benefícios os quais, mesmo de acordo com o julgamento e testemunho de inimigos da Cristandade, são muito grandes. Nesta empreitada insana e pervertida nós quase podemos ver o ódio implacável e o espírito de vingança com o qual o próprio Satanás está inflamado contra Jesus Cristo. Do mesmo modo o estudado esforço dos Maçons para destruir as principais fundações da justiça e honestidade, e para cooperar com aqueles que desejarem, como se fossem meros animais, fazer o que eles quiserem, tende somente para a ignominiosa e desgraçada ruína do gênero humano.

O mal, também, é agravado pelos perigos que ameaçam a sociedade doméstica e civil. Como Nós demonstramos, no matrimônio, de acordo com a crença de quase todas nações, há algo sagrado e religioso; e a lei de Deus determinou que os matrimônios não devam ser dissolvidos. Se eles forem desprovidos do seu caráter sagrado, e feitos dissolúveis, problemas e confusão na família serão o resultado, a esposa sendo despojada de sua dignidade e as crianças deixadas sem proteção quanto aos seus interesses e bem-estar. Não ter nos assuntos públicos qualquer cuidado pela religião, e nos arranjos e administração dos assuntos civis não ter maior consideração para com Deus do que se Ele não existisse, é uma imprudência desconhecida dos próprios pagãos; pois em seus corações e almas a noção de uma divindade e a necessidade de uma religião pública estavam tão firmemente estabelecidas que eles teriam pensado ser mais fácil ter uma cidade sem fundamentos do que uma cidade sem Deus. A sociedade humana, para a qual nós verdadeiramente por natureza somos formados, foi constituída por Deus, o Autor da natureza; e dEle, como de seu princípio e fonte, fluem em toda a sua força e permanência os incontáveis benefícios com os quais a sociedade abunda. Como todos e cada um de nós somos admoestados pela própria voz da natureza para cultuar a Deus em piedade e santidade, como o Doador da vida e de tudo que é bom nela, do mesmo modo e pela mesma razão, nações e Estados estão obrigados a cultuá-lO; e portanto é claro que aqueles que querem absolver a sociedade de todos os deveres religiosos agem não só injustamente mas também com ignorância e insensatez.

25. Como os homens são pela vontade de Deus nascidos para a união civil e sociedade, e como o poder de governar é um elo de união tão necessário à sociedade que, se ele é retirado, a sociedade necessariamente e imediatamente se desfaz, segue que dEle que é o Autor da sociedade veio também a autoridade de governar; assim quem quer que governe, é ministro de Deus. Portanto, como o fim e a natureza da sociedade humana requerem, é correto obedecer às justas ordens da autoridade legal, como é correto obedecer a Deus que governa todas as coisas; e é extremamente falso que o povo tenha como um poder jogar de lado sua obediência quando quer que lhe agrade.

26. De maneira semelhante, ninguém duvida que todos os homens são iguais uns aos outros, tanto quanto se refere à sua origem e natureza comuns, ou o fim último que cada um deve atingir, ou os direitos e deveres que são daí derivados. Mas, como as habilidades de todos não são iguais, como um difere do outro nos poderes da mente e do corpo, e como há realmente muitas dessemelhanças de maneiras, disposição, e caráter, é extremamente repugnante à razão esforçar-se por confinar todos dentro da mesma medida, e estender completa igualdade às instituições da vida civil. Assim como uma perfeita condição do corpo resulta da conjunção e composição de seus vários membros, os quais, embora diferindo em forma e propósito, fazem, por sua união e distribuição de cada um em seu próprio lugar, uma combinação bela para ser mantida, firme em força, e necessária para o uso; desse modo, na comunidade, há uma quase infinita dessemelhança de homens, como partes do todo. Se eles devem ser todos iguais, e cada um deve seguir seu próprio desejo, o Estado vai aparecer extremamente deformado; mas se, com uma distinção de graus de dignidade, de ocupações e empregos, todos habilmente cooperarem para o bem comum, eles irão apresentar a imagem de um Estado bem constituído e conformado à natureza.

27. Agora, dos perturbantes erros que Nós temos descrito os maiores perigos para os Estados devem ser temidos. Pois, sendo retirados o temor a Deus e a reverência pelas leis divinas, sendo desprezada a autoridade dos governantes, a sedição permitida e aprovada, e as paixões populares exacerbadas até o desprezo pela lei, sem qualquer freio a não ser o castigo, uma mudança e derrubada de todas as coisas necessariamente seguirá. Sim, esta mudança e derrubada é deliberadamente planejada e colocada em curso por várias associações de comunistas e socialistas; e aos seus propósitos a seita dos Maçons não é hostil, mas favorece grandemente seus desígnios, e tem em comum com eles suas principais opiniões. E se estes homens não se esforçam imediatamente e em todo lugar para levar à frente seus pontos de vista extremos, isso não deve ser atribuído ao seu ensinamento e sua vontade, mas à virtude daquela divina religião que não pode ser destruída; e também porque a parte mais sólida dos homens, recusando-se a ser escravizada às sociedades secretas, vigorosamente resiste às suas insanas tentativas.

28. Se todos os homens julgassem a árvore pelo seu fruto, e reconhecessem a semente e origem dos males que nos pressionam, e dos perigos que estão nos ameaçando! Nós temos que lidar com um inimigo enganoso e habilidoso, que, gratificando os ouvidos do povo e dos príncipes, os tem enleado por falas macias e por adulação. Entrando nas boas graças dos governantes sob a alegação de amizade, os Maçons têm se esforçado para fazê-los seus aliados e poderosos auxiliadores para a destruição do nome Cristão; e para que eles possam mais fortemente pressioná-los, eles têm, com determinada calúnia, acusado a Igreja de maliciosamente contender com os governantes em assuntos que afetam a sua autoridade e soberano poder. Tendo, por estes artifícios, assegurado a sua própria segurança e audácia, eles começaram a exercer grande peso no governo dos Estados: mas entretanto estão preparados para sacudir as fundações de impérios, para perturbar os governantes do Estado, para acusá-los, e para expulsá-los, tão freqüentemente quanto eles aparentam governar de modo diferente do que eles próprios poderiam ter desejado. De modo semelhante, eles têm por falsos elogios iludido o povo. Proclamando com uma alta voz a liberdade e prosperidade pública, e dizendo que era por causa da Igreja e dos soberanos que a multidão não era retirada de sua injusta servidão e pobreza, eles se impuseram sobre o povo, e, excitando-os por uma sede por novidades, eles os pressionaram a assaltar tanto a Igreja quanto o poder civil. Entretanto, a expectativa de benefícios que era esperada é muito maior do que a realidade; realmente, as pessoas comuns, mais oprimidas do que elas eram antes, estão privadas em sua miséria daquele consolo que, se as coisas tivessem sido arranjadas de um modo Cristão, eles teriam tido com facilidade e em abundância. Mas, quem quer que lute contra a ordem que a Divina Providência constituiu paga usualmente a penalidade por seu orgulho, e encontra-se com a aflição e a miséria quando eles insensatamente esperavam encontrar todas as coisas prósperas e conforme os seus próprios desejos.

29. A Igreja, se ela dirige os homens a prestar obediência principalmente a acima de tudo a Deus o soberano Senhor, é erradamente e falsamente considerada ou invejosa do poder civil ou de se arrogar algo dos direitos dos soberanos. Pelo contrário, ela ensina que o que é retamente devido ao poder civil deve ser prestado a ele com convicção e consciência de dever. Ensinando que do próprio Deus vem o direito de governar, ela adiciona uma grande dignidade à autoridade civil, e ainda ajuda a obter a obediência e boa intenção dos cidadãos. Amiga da paz e sustentáculo da concórdia, ela abraça a todos com amor maternal, e, intencionando apenas auxiliar o homem mortal, ela ensina que à justiça deve ser ajuntada a clemência, eqüidade à autoridade, e moderação à legislação; que o direito de ninguém pode ser violado; que a ordem e a tranqüilidade pública devem ser mantidas e que a pobreza daqueles que estão em necessidade deve, tanto quanto possível, ser aliviada pela caridade pública e privada. "Mas por esta razão," para usar as palavras de Sto. Agostinho, "os homens pensam, ou gostariam de acreditar, que o ensinamento Cristão não é adequado para o bem do Estado; pois eles desejam que o Estado seja fundado não em sólida virtude, mas na impunidade do vício."[14] Sabendo destas coisas, os príncipes e o povo agiriam com sabedoria política[15], e de acordo com as necessidades da segurança geral, se, ao invés de juntar-se aos Maçons para destruir a Igreja, eles se juntassem à Igreja para repelir os seus ataques.

30. O que quer que o futuro possa ser, neste grave e difundido mal é Nosso dever, veneráveis irmãos, esforçar-nos por encontrar um remédio. E porque Nós sabemos que a Nossa melhor e mais firme esperança de um remédio está no poder daquela divina religião que os Maçons odeiam em proporção ao seu medo dela, Nós pensamos ser de capital importância chamar esse grande poder salvífico em Nosso auxílio contra o inimigo comum. Portanto, tudo que os Pontífices Romanos Nossos predecessores decretaram com o propósito de opor-se aos projetos e esforços da seita maçônica, e tudo que eles tenham legislado quanto à entrada ou saída de homens de sociedades deste tipo, Nós ratificamos e confirmamos completamente pela nossa autoridade apostólica: e confiando grandemente na boa intenção dos Cristãos, Nós rogamos e imploramos a cada um, pela sua salvação eterna, para ser o mais conscienciosamente cuidadoso para não divergir o mínimo que seja daquilo que a sé apostólica tem ordenado neste assunto.

31. Nós rogamos e imploramos a vós, veneráveis irmãos, a juntar os vossos esforços com os Nossos, e esforçadamente lutar pela extirpação desta praga maligna, que está se esgueirando através das veias do corpo da política. Vós deveis defender a glória de Deus e a salvação do vosso próximo; e com o objetivo de vosso combate à vossa frente, nem coragem nem força irão faltar. Será por vossa prudência que julgareis por quais modos vós podeis melhor sobrepujar as dificuldades e obstáculos com os quais vos encontrardes. Mas, como pertence à autoridade de Nosso ofício que Nós mesmos apontemos algumas maneiras apropriadas de procedimento, Nós desejamos que o vosso primeiro ato seja arrancar a máscara da Maçonaria, e deixar que ela seja vista como realmente é; e por sermões e cartas pastorais instruir o povo quanto aos artifícios usado pelas sociedades deste tipo para seduzir os homens e persuadi-los a entrar em suas fileiras, e quanto à perversidade de suas ações e à maldade de seus atos. Como Nossos predecessores por muitas vezes repetiram, que nenhum homem pense que ele possa por qualquer razão que seja ajuntar-se à seita maçônica, se ele dá valor ao seu nome Católico e à sua salvação eterna como ele deveria valorizá-los. Que nenhum seja enganado por uma pretensão de honestidade. Pode parecer a alguns que os Maçons não exigem nada que seja abertamente contrário à religião e à moral; mas, como todo princípio e objetivo da seita está naquilo que é vicioso e criminoso, ajuntar-se com estes homens ou em algum modo ajudá-los não pode ser legítimo.

32. Além disso, por assíduos ensinamentos e exortações, a multidão precisa ser levada a aprender diligentemente os preceitos da religião; para este propósito Nós encarecidamente recomendamos que por oportunos escritos e sermões lhes sejam ensinados os elementos daquelas sagradas verdades nas quais a filosofia Cristã está contida. O resultado disto será que as mentes dos homens serão fortalecidas pela instrução, e serão protegidas contra muitas formas de erro e induções à depravação, especialmente na presente liberdade de escrita sem limites e insaciável desejo de aprender.

33. Grande, realmente, é a obra; mas nela o clero irá compartilhar os vossos trabalhos, se, através de vosso cuidado, eles estiverem à altura disto através do aprendizado e de uma vida bem orientada. Este bom e grande trabalho requer o auxílio também da indústria daqueles entre os leigos em que um amor pela religião e pela pátria existe ao lado da instrução e retidão de vida. Unindo os esforços do clero e dos leigos, batalhai, veneráveis irmãos, para fazer os homens conhecer e amar completamente a Igreja; pois, quanto maior o seu conhecimento e amor pela Igreja, mais eles se desviarão das sociedades clandestinas.

34. Por este motivo, não sem causa Nós usamos esta ocasião para declarar novamente o que nós declaramos em outro lugar, ou seja, que a Ordem Terceira de São Francisco, cuja disciplina Nós algum tempo atrás prudentemente mitigamos[16], deveria ser refletidamente promovida e sustentada; pois todo o objetivo desta Ordem, como constituída por seu fundador, é convidar os homens a uma imitação de Jesus Cristo, a um amor à Igreja, e à observância de todas as virtudes Cristãs; e portanto ela deveria ser de grande influência em suprimir o contágio das sociedades pervertidas. Que, portanto, esta santa irmandade possa ser fortalecida por um crescimento diário. Entre os muitos benefícios a serem esperados disso estará o grande benefício de voltar as mentes dos homens à liberdade, fraternidade e igualdade de direito; não tais como os Maçons absurdamente imaginam, mas tais como Jesus Cristo obteve para o gênero humano e aos quais São Francisco aspirou: a liberdade, Nós queremos dizer, de filhos de Deus, através da qual nós podemos ser livres da escravidão a Satanás ou a nossas paixões, ambos os mais perversos mestres; a fraternidade cuja origem está em Deus, o Criador comum e Pai de todos; a igualdade a qual, fundada na justiça e caridade, não remove todas as distinções entre os homens, mas, das variedades da vida, dos deveres, e das ocupações, forma aquela união e aquela harmonia que naturalmente tende ao benefício e dignidade da sociedade.

35. Em terceiro lugar, há um assunto sabiamente instituído por nossos ancestrais, mas no decorrer do tempo deixado de lado, que pode agora ser usado como um padrão e forma de algo semelhante. Nós queremos dizer as associações ou organizações de trabalhadores, para proteger, sob a direção da religião, os seus interesses temporais e a sua moralidade. Se nossos ancestrais, por longa prática e experiência, sentiram o benefício destas associações, nossa época talvez irá senti-lo ainda mais por causa da oportunidade que eles darão de esmagar o poder das seitas. Aqueles que sustentam a si mesmos pelo trabalho de suas mãos, além de serem, pela sua própria condição, mais dignos acima de todos os outros de caridade e consolação, são também especialmente expostos às tentações de homens cujos caminhos estão na fraude e no engano. Portanto, eles devem ser ajudados com a maior bondade possível, a ser convidados a juntar-se a associações que são boas, para que eles não sejam arrastados para outras que são malignas. Por esta razão, Nós grandemente desejamos, pela salvação das pessoas, que, sob os auspícios e patrocínio dos bispos, e em oportunidades convenientes, estas associações possam ser restauradas de uma maneira generalizada. Para Nossa grande alegria, irmandades deste tipo e também associações de mestres já foram estabelecidas em muitos lugares, tendo, cada classe delas, por seu objetivo ajudar os honestos trabalhadores, a proteger e guardar suas crianças e família, e a promover neles a piedade, o conhecimento Cristão, e uma vida moral. E neste assunto Nós não podemos nos omitir de mencionar aquela sociedade exemplar, denominada de acordo com o seu fundador, São Vicente, que tem merecido tanto das classes mais baixas. Seus atos e seus alvos são bem conhecidos. Todo o seu objetivo é dar alívio ao pobre e miserável. Isto ela faz com singular prudência e modéstia; e quanto menos ela deseja ser notada, mais ela se adequa ao exercício da caridade Cristã, e para o alívio dos sofredores.

36. Em quarto lugar, de modo a mais facilmente atingir o que Nós desejamos, à vossa fidelidade e vigilância Nós recomendamos de um modo especial os jovens, como sendo a esperança da sociedade humana. Devotai a maior parte do vosso cuidado à instrução deles; e não pensai que qualquer precaução possa ser grande o suficiente para mantê-los afastados de mestres e escolas aonde o hálito pestilento das seitas deva ser temido. Sob a vossa direção, deixem os pais, instrutores religiosos, e padres tendo a cura de almas, usar cada oportunidade, em seu ensinamento Cristão, para advertir suas crianças e pupilos da natureza infame destas sociedades, para que eles possam aprender em bom tempo a terem cuidado com os variados e fraudulentos artifícios pelos quais seus promotores costumam laçar as pessoas. E aqueles que instruem os jovens em conhecimento religioso agirão sabiamente se eles induzirem todos eles a se resolverem e se comprometerem a nunca ligar-se a qualquer sociedade sem o conhecimento de seus pais, ou o conselho de seu padre ou diretor.

37. Nós bem sabemos, entretanto, que os nossos esforços unidos não serão de modo algum suficientes para arrancar estas sementes perniciosas do campo do Senhor, a menos que o Celestial Mestre da vinha misericordiosamente nos ajude em nossos esforços. Nós precisamos, portanto, com grande e ansioso cuidado, implorar a Ele a ajuda que a grandeza do perigo e da necessidade requer. A seita da Maçonaria mostra-se insolente e orgulhosa de seu sucesso, e parece que ela não colocará limites à sua pertinácia. Seus seguidores, ajuntados por perversos acordos e por conselhos secretos, ajudam-se uns aos outros, e excitam-se uns aos outros a uma audácia nas coisas malignas. Um ataque tão veemente exige uma igual defesa ― especificamente, que todos os homens de bem formem a mais abrangente associação possível de ação e de oração. Nós imploramos a eles, portanto, com corações unidos, a permanecer unidos e firmes contra as forças das seitas que avançam; e em aflição e súplica estender suas mãos a Deus, orando que o nome Cristão possa florescer e prosperar, que a Igreja possa desfrutar da sua necessária liberdade, que aqueles que se extraviaram possam retornar a uma mente reta, que o erro difundido possa dar lugar à verdade, e o vício à virtude. Tomemos como nossa auxiliadora e intercessora a Virgem Maria, Mãe de Deus, para que ela, que desde o momento de sua concepção derrotou Satanás possa mostrar seu poder sobre estas seitas malignas, nas quais revive o contumaz espírito do demônio, juntamente com sua perfídia insubmissa e enganosa. Imploremos a Miguel, o príncipe dos anjos celestes, que lançou fora o infernal inimigo; e José, o esposo da santíssima Virgem, e patrono celeste da Igreja Católica; e os grandes Apóstolos, Pedro e Paulo, os pais e campeões vitoriosos da fé Cristã. Por seu patrocínio, e pela perseverança na união de oração, Nós esperamos que Deus irá misericordiosamente e oportunamente socorrer o gênero humano, que é rodeado por tantos perigos.

38. Como garantia dos dons celestes e de Nossa benevolência, Nós amorosamente concedemos no Senhor a vós, veneráveis irmãos, e ao clero e todo o povo confiado ao vosso vigilante cuidado, Nossa bênção apostólica.

Dado em Roma, junto de S. Pedro, no vigésimo dia de abril de 1884, o sexto ano de Nosso pontificado.

LEÃO PP. XIII

Notas:

[1] De civ. Dei, 14, 28 (PL 41, 436).

[2] Sl 82,2-4.

[3] Const. In Eminenti, 24 de abril de 1738.

[4] Const. Providas, 18 de maio de 1751.

[5] Const. Ecclesiam a Jesu Christo, 13 de setembro de 1821.

[6] Const. dada a 13 de março de 1825.

[7] Enc. Traditi, 21 de maio de 1829.

[8] Enc. Mirari, 15 de agosto de 1832.

[9] Enc. Qui Pluribus, 9 de novembro de 1846; pronunciamento Multiplices inter, 25 de setembro de 1865. etc.

[10] Clemente Xll (1730-40); Bento XIV (1740-58), Pio VII (1800-23); Pio IX (1846-78). [11] Ver números 79, 81, 84.

[12] Mt 7,18.

[13] Trid., sess. VI, De justif, c. 1. Texto do Concílio de Trento: "tametsi in eis (sc. Judaeis) liberum arbitrium minime extinctum esset, viribus licet attenuatum et inclinatum."

[14] Ver Arcanum, no. 81.

[15] Epístola 137, ad Volusianum, c. v, n. 20 (PL 33, 525).

[16] (17 de setembro de 1882), na qual o Papa Leão XIII tinha recentemente glorificado S. Francisco de Assis por ocasião do sétimo centenário de seu nascimento. Nesta encíclica, o Papa apresentou a Ordem Terceira de S. Francisco como uma resposta Cristã aos problemas sociais da época. A constituição Misericors Dei filius (23 de junho de 1883) expressamente relembrou que a negligência com a qual as virtudes Cristãs são tidas é a causa principal dos males que ameaçam as sociedades. Confirmando a regra da Ordem Terceira e adaptando-a às necessidades dos tempos modernos, o Papa Leão XIII intencionava trazer de volta o maior número possível de almas à prática destas virtudes.

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