Introito - Omnes gentes, pláudite mánibus: jubiláte Deo in voce exsultatiónis. Ps. Quóniam Dóminus excélsus, terríbilis: Rex magnus super omnem terram. V. Glória Patri...Vós, povos todos, batei palmas; celebrai a Deus com cânticos de júbilo. Sl. Porque sublime é o Senhor e grande é o seu poder: Rei supremo sobre toda a terra.
O Sétimo Domingo depois de Pentecostes insere-se no longo e verdejante tempo litúrgico que representa a peregrinação terrena da Santa Igreja, animada pelo sopro vivificante do Espírito Santo. É o tempo do crescimento orgânico, da perseverança silenciosa e do contínuo combate espiritual. A Igreja, qual mãe solícita, recolhe os ensinamentos da vida pública do Salvador e os aplica às nossas almas, preparando-nos com desvelo para a ceifa do Juízo Final. O Introito desta missa, que nos convida a bater palmas de júbilo, ecoa a vocação universal da salvação, reunindo em torno do altar povos de todas as nações para prestar a Deus um culto perene e agradável. Em Roma, embora as estações não sejam assinaladas de forma tão estrita nestes domingos comuns como o são no rigo da Quaresma, o espírito litúrgico nos transporta em espírito ao coração da Cristandade, unindo-nos à Basílica de São Pedro, onde a cátedra da verdade nos defende implacavelmente contra os lobos devoradores, recordando-nos de que o júbilo autêntico só floresce em uma alma profundamente ancorada na majestade do Rei supremo.
Acautelai-vos dos falsos profetas! Que advertência formidável, meus irmãos, ressoa hoje dos lábios sacrossantos do Divino Mestre, rompendo a perigosa sonolência das nossas consciências. Contemplai a figura pavorosa que o Evangelho nos pinta: o lobo voraz, cuidadosamente revestido com a maciez da lã das ovelhas. Quem são estes falsos pastores que vagueiam em nossos dias? Não são, porventura, aqueles que murmuram aos nossos ouvidos uma doutrina frouxa, desprovida da aspereza do sacrifício e do peso da cruz? Vivemos em uma época doente, inebriada pelos confortos fugazes da terra e seduzida por um evangelho talhado sob medida, que busca, com sorrisos e lisonjas, agradar muito mais aos homens do que à majestade terrível de Deus. A ruína não avança hoje com estandartes declarados de inimizade; ela penetra de modo brando e velado, diluindo os dogmas perenes sob o pretexto de adaptações pastorais, e tenta transformar o altar - o sagrado monte da imolação - em um mero palco de celebração humana. Mas o Apóstolo São Paulo, na Epístola, estraçalha essa ilusão com a espada de fogo da verdade: o salário do pecado é a morte! Como nos adverte o grande Santo Ambrósio, fomos resgatados pelo Sangue do Cordeiro não para brincar com a iniquidade, mas para deixarmos a escravidão das paixões e nos tornarmos servos heroicos da justiça divina. Acaso pode a árvore do nosso coração, se as suas raízes apodrecem no lodo do mundanismo, produzir os frutos cristalinos da vida eterna? São Hilário bem nos ensina que o nosso interior não pode mentir: de cardos espinhosos jamais se colherão doces figos! Não vos deixeis enredar pelas folhagens abundantes de uma piedade que vive apenas de belas palavras. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino! Santo Agostinho nos recorda que a religião verdadeira exige a submissão total da nossa vontade rebelde. De que serve a aparência de virtude se, no fundo da alma, rejeitamos a mortificação e pactuamos com o espírito de um século que deu as costas a Deus? Despertai, ó batizados! Elevai os olhos para a Hóstia Santa: eis ali o antídoto contra o veneno das novidades lisonjeiras. Repelimos as raposas astutas que prometem um paraíso de facilidades; abracemos a severidade amorosa dos mandamentos, para que, produzindo no silêncio os frutos maduros da santidade, não sejamos no último dia cortados e atirados ao fogo inextinguível, mas recolhidos com júbilo nos celeiros do nosso Pai celeste!
Epístola (Rm 6, 19-23) - Irmãos: Humanamente falo, atendendo à fraqueza de vossa carne. Como oferecestes os vossos membros para servirem à impureza e a malícia para a iniquidade, assim agora, fazei-os servir á justiça para a vossa santificação. Pois, quando éreis escravos do pecado, não servistes à justiça. E que fruto tivestes então daquelas coisas de que agora vos envergonhais? O fim de tudo aquilo é a morte. Agora, porém, livres do pecado e feitos servos de Deus, tendes por vosso fruto a santidade, e por fim, a vida eterna. Porque o soldo do pecado é a morte; mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, Senhor nosso.
Evangelho (Mt 7, 15-21) - Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Acautelai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós sob peles de ovelhas, e por dentro, no entanto, são lobos vorazes. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas, de espinhos, ou figos, de cardos? Assim toda a árvore boa dá bons frutos; e a árvore má dá frutos maus. Não pode a boa árvore dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não dá bom fruto, será cortada e lançada ao fogo. Portanto, por seus frutos é que conhecereis os homens. Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, e sim, o que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é que entrará no Reino dos céus.