Ó homens de nosso tempo, que vos vangloriais da vossa ciência e liberdade, parai por um instante e vede a ruína que construístes! A modernidade, com suas promessas de progresso e emancipação, não fez senão erguer um altar ao próprio homem, destronando Aquele que é o princípio e fim de todas as coisas. É esta a tragédia que nos acomete: a substituição da ordem divina por uma desordem humana, que se pavoneia sob os nomes de humanismo secular e democracia liberal.
O humanismo secular, essa doutrina que coloca o homem como medida de todas as coisas, é a raiz de nossa miséria espiritual. Proclama-se a autonomia da razão, mas olvida-se que a razão, sem a luz da fé, é cega e conduz ao abismo. O homem moderno, inebriado por sua pretensa suficiência, rejeita a humildade diante de Deus e faz de si mesmo um ídolo. Este culto ao ego, que nega a transcendência, reduz a existência a uma busca frenética por prazeres e poder, esvaziando a alma de seu verdadeiro fim. O humanismo, ao prometer liberdade, entrega-nos a servidão do vazio, pois, como nos ensina a Escritura, só em Deus repousa a nossa esperança.
E que dizer da democracia liberal, esse outro pilar da modernidade? Sob o pretexto de igualdade, ela nivela o que é desigual, confundindo a dignidade da pessoa com a uniformidade das vontades. Na sua essência, a democracia liberal é filha do relativismo, pois nega a existência de uma verdade objetiva que ordene a sociedade. Ao dar voz a todos, silencia a Voz que verdadeiramente importa. O igualitarismo que ela promove dissolve as hierarquias naturais e divinas, transformando a política numa disputa de paixões desordenadas. Longe de ser um sistema de justiça, é um convite à anarquia moral, onde o bem comum é sacrificado no altar das ambições individuais.
Nós, que ainda guardamos em nossos corações a chama da fé, devemos resistir a essa maré de confusão. A modernidade, com seus falsos deuses, não pode oferecer a paz que só se encontra na obediência à lei divina. É preciso retornar à Cidade de Deus, rejeitando as seduções da Cidade dos Homens. Somente na humildade, na oração e na fidelidade à Igreja poderemos encontrar o caminho para restaurar a ordem que o mundo moderno destruiu.
Referência
Corção, Gustavo. Dois Amores, Duas Cidades. Rio de Janeiro: Agir, 1967.
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terça-feira, 13 de maio de 2025
sábado, 1 de março de 2025
Fizeram da Santa Missa um espetáculo de feira, um encontro divertido, uma festa ruidosa, por Gustavo Corção
(...) há hoje todo um esforço de covardia e traição universal para conjurar o insuportável espetáculo da Cruz. E então, para fugir à visão daquele divino pára-raios da cólera divina, para tirar os olhos do sangue, inventaram o recurso de fazer a Missa derivar mais da ceia do que da Cruz, e com esse estratagema malicioso e parvo, fizeram da Santa Missa um espetáculo de feira, aonde a assembleia dos fiéis é aquele ‘respeitável público’ dos palhaços de circo. Nada mais afastado da verdade: tentativa de transformar a Missa em alegria, um encontro divertido, uma festa ruidosa, quando a Ceia é um fato terrível, o prenúncio da imolação, o sacrifício que se consuma no Gólgota. Eis a depressão intelectual do nosso tempo: recusar o mistério tremendo da Redenção e trocá-lo por uma sociabilidade barata, um simulacro de comunhão que não suporta o peso da Cruz.
Gustavo Corção, Sereis Minhas Testemunhas (artigo de O Globo, 27/09/75)
Gustavo Corção, Sereis Minhas Testemunhas (artigo de O Globo, 27/09/75)
terça-feira, 3 de dezembro de 2024
Gustavo Corção, um tradicionalista que resistiu aos abusos da igreja pós-vaticano II
Gustavo Corção foi um escritor, engenheiro, ensaísta e jornalista brasileiro, nascido em 17 de dezembro de 1896 no Rio de Janeiro e falecido em 6 de julho de 1978 na mesma cidade. Ele é conhecido por suas obras sobre política, conduta e religião, além de ser um expoente do pensamento católico e conservador no Brasil.
Além de sua carreira literária, Corção foi um dos fundadores do movimento Permanência, uma associação cultural católica que surgiu para militar contra os inimigos da Igreja e promover estudos e vida católica através de publicações, cursos e atividades diversas.
Gustavo Corção foi um crítico ferrenho do Concílio Vaticano II. Ele acreditava que as reformas introduzidas pelo Concílio, especialmente aquelas relacionadas à liturgia e à ecumenismo, representavam uma ruptura com a tradição da Igreja Católica. Corção via essas mudanças como uma ameaça à integridade da fé e à unidade da Igreja. Ele expressou suas preocupações em vários escritos e artigos, defendendo a preservação da doutrina e dos ritos tradicionais da Igreja.
Gustavo Corção, apesar de ser um tradicionalista, foi influenciado por Jacques Maritain, que tinha uma abordagem mais progressista em alguns aspectos. Essa aparente contradição pode ser entendida considerando que Corção valorizava certos aspectos do pensamento de Maritain, especialmente sua defesa da filosofia tomista e sua crítica ao materialismo e ao secularismo. Maritain, embora fosse mais aberto a algumas ideias modernas, também defendia a importância da fé e da razão, algo que ressoava com as convicções de Corção. Assim, Corção pôde integrar elementos do pensamento de Maritain em sua própria visão, sem abandonar seu compromisso com a tradição católica.
Publicações
O Século do Nada (1973) - Uma crítica contundente à crise espiritual e moral do século XX.
Progresso e Progressismo (1970) - Analisa e critica o progressismo, defendendo os valores tradicionais.
O Desconcerto do Mundo (1965) - Uma reflexão crítica sobre a sociedade moderna e a perda de valores tradicionais.
Dois Amores, Duas Cidades (1967) - Comparação entre a cidade terrena e a cidade celestial, inspirada em Santo Agostinho, com críticas à secularização.
Além de sua carreira literária, Corção foi um dos fundadores do movimento Permanência, uma associação cultural católica que surgiu para militar contra os inimigos da Igreja e promover estudos e vida católica através de publicações, cursos e atividades diversas.
Gustavo Corção foi um crítico ferrenho do Concílio Vaticano II. Ele acreditava que as reformas introduzidas pelo Concílio, especialmente aquelas relacionadas à liturgia e à ecumenismo, representavam uma ruptura com a tradição da Igreja Católica. Corção via essas mudanças como uma ameaça à integridade da fé e à unidade da Igreja. Ele expressou suas preocupações em vários escritos e artigos, defendendo a preservação da doutrina e dos ritos tradicionais da Igreja.
Gustavo Corção, apesar de ser um tradicionalista, foi influenciado por Jacques Maritain, que tinha uma abordagem mais progressista em alguns aspectos. Essa aparente contradição pode ser entendida considerando que Corção valorizava certos aspectos do pensamento de Maritain, especialmente sua defesa da filosofia tomista e sua crítica ao materialismo e ao secularismo. Maritain, embora fosse mais aberto a algumas ideias modernas, também defendia a importância da fé e da razão, algo que ressoava com as convicções de Corção. Assim, Corção pôde integrar elementos do pensamento de Maritain em sua própria visão, sem abandonar seu compromisso com a tradição católica.
Gustavo Corção foi um crítico severo do Papa João XXIII, especialmente em relação às reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano II. Corção acreditava que as reformas de João XXIII representavam uma forma contemporânea de modernismo, que ele via como uma ameaça à integridade da fé católica. Ele criticou a abertura da Igreja ao diálogo com o mundo moderno e outras religiões, promovida por João XXIII, vendo isso como uma concessão perigosa que poderia diluir a doutrina católica. Corção foi particularmente crítico das reformas litúrgicas, que ele acreditava que estavam desfigurando a tradição litúrgica da Igreja.
Gustavo Corção também foi crítico do Papa Paulo VI, especialmente em relação às reformas litúrgicas e doutrinárias implementadas durante seu pontificado. Corção foi particularmente crítico das mudanças na liturgia, incluindo a introdução da Missa Nova (Novus Ordo Missae). Ele acreditava que essas reformas desfiguravam a tradição litúrgica da Igreja e comprometiam a sacralidade da Missa. Corção criticou a abordagem ecumênica de Paulo VI, vendo-a como uma concessão perigosa que poderia diluir a doutrina católica e enfraquecer a identidade da Igreja. Ele via as reformas de Paulo VI como uma forma de modernismo, que ele considerava uma ameaça à integridade da fé católica.
Gustavo Corção também foi crítico do Papa João Paulo II, embora suas críticas fossem menos intensas em comparação com aquelas dirigidas a João XXIII e Paulo VI. Corção criticou a abordagem ecumênica de João Paulo II, especialmente suas iniciativas de diálogo inter-religioso, como os encontros de Assis. Corção via elementos de modernismo em seu pontificado, especialmente em relação à aplicação das reformas do Concílio Vaticano II. Corção continuou a criticar as reformas litúrgicas que foram implementadas e mantidas durante o pontificado de João Paulo II, acreditando que elas desfiguravam a tradição litúrgica da Igreja.
Mesmo com essas críticas, Corção manteve-se fiel à hierarquia da Igreja e nunca declarou que a Sé de Pedro estava vacante.
Gustavo Corção também foi crítico do Papa Paulo VI, especialmente em relação às reformas litúrgicas e doutrinárias implementadas durante seu pontificado. Corção foi particularmente crítico das mudanças na liturgia, incluindo a introdução da Missa Nova (Novus Ordo Missae). Ele acreditava que essas reformas desfiguravam a tradição litúrgica da Igreja e comprometiam a sacralidade da Missa. Corção criticou a abordagem ecumênica de Paulo VI, vendo-a como uma concessão perigosa que poderia diluir a doutrina católica e enfraquecer a identidade da Igreja. Ele via as reformas de Paulo VI como uma forma de modernismo, que ele considerava uma ameaça à integridade da fé católica.
Gustavo Corção também foi crítico do Papa João Paulo II, embora suas críticas fossem menos intensas em comparação com aquelas dirigidas a João XXIII e Paulo VI. Corção criticou a abordagem ecumênica de João Paulo II, especialmente suas iniciativas de diálogo inter-religioso, como os encontros de Assis. Corção via elementos de modernismo em seu pontificado, especialmente em relação à aplicação das reformas do Concílio Vaticano II. Corção continuou a criticar as reformas litúrgicas que foram implementadas e mantidas durante o pontificado de João Paulo II, acreditando que elas desfiguravam a tradição litúrgica da Igreja.
Mesmo com essas críticas, Corção manteve-se fiel à hierarquia da Igreja e nunca declarou que a Sé de Pedro estava vacante.
Publicações
O Século do Nada (1973) - Uma crítica contundente à crise espiritual e moral do século XX.
Progresso e Progressismo (1970) - Analisa e critica o progressismo, defendendo os valores tradicionais.
O Desconcerto do Mundo (1965) - Uma reflexão crítica sobre a sociedade moderna e a perda de valores tradicionais.
Dois Amores, Duas Cidades (1967) - Comparação entre a cidade terrena e a cidade celestial, inspirada em Santo Agostinho, com críticas à secularização.
quinta-feira, 3 de outubro de 2024
Comunhão na mão - Inimagináveis profanações
A prática da comunhão na mão, que permite aos fiéis receberem a Eucaristia diretamente em suas mãos, foi um tema de debate significativo dentro da Igreja Católica. Antes da autorização formal, a comunhão era geralmente recebida na língua, uma prática que remonta aos primeiros séculos do cristianismo. A mudança para permitir a comunhão na mão surgiu em um contexto de renovação litúrgica após o Concílio Vaticano II, que ocorreu entre 1962 e 1965.
Instrução “Memoriale Dómini”
A Instrução “Memoriale Dómini” foi emitida pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos em 28 de maio de 1969. Este documento foi redigido sob o mandato do Papa Paulo VI e aprovado por ele, refletindo sua autoridade apostólica. O objetivo principal da instrução era fornecer diretrizes sobre a recepção da Eucaristia, especialmente no que diz respeito à comunhão na mão.
A instrução permitiu que os bispos das diversas dioceses decidissem se desejavam ou não implementar essa prática em suas regiões.
O fato é que a autorização imprudente da 'comunhão de pé e na mão' pelo Vaticano abriu espaço para uma crescente e flagrante demonstração pública de descrença na presença real e sagrada de Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia.
São mais do que conhecidos os abusos que, no mundo inteiro, passaram a acontecer depois que o sacrilégio da comunhão na mão se introduziu: além do fato das mãos leigas não terem sido consagradas para tocar no Santíssimo Sacramento, as parcelas minúsculas limpas nas roupas, caídas no chão; hóstias encontradas na caixa das esmolas, levadas para ritos espíritas, missa negra, etc.
Instrução “Memoriale Dómini”
A Instrução “Memoriale Dómini” foi emitida pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos em 28 de maio de 1969. Este documento foi redigido sob o mandato do Papa Paulo VI e aprovado por ele, refletindo sua autoridade apostólica. O objetivo principal da instrução era fornecer diretrizes sobre a recepção da Eucaristia, especialmente no que diz respeito à comunhão na mão.
A instrução permitiu que os bispos das diversas dioceses decidissem se desejavam ou não implementar essa prática em suas regiões.
O fato é que a autorização imprudente da 'comunhão de pé e na mão' pelo Vaticano abriu espaço para uma crescente e flagrante demonstração pública de descrença na presença real e sagrada de Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia.
São mais do que conhecidos os abusos que, no mundo inteiro, passaram a acontecer depois que o sacrilégio da comunhão na mão se introduziu: além do fato das mãos leigas não terem sido consagradas para tocar no Santíssimo Sacramento, as parcelas minúsculas limpas nas roupas, caídas no chão; hóstias encontradas na caixa das esmolas, levadas para ritos espíritas, missa negra, etc.
(A Eucaristia, 1965, Gustavo Corção)
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