A Destruição da Tradição Cristã, Capítulo 5: A Natureza da Fé Católica, de Rama P. Coomaraswamy


Neste capítulo crucial, Rama Coomaraswamy disseca a natureza objetiva e imutável da Fé Católica, contrastando-a violentamente com o subjetivismo sentimental que infectou a Igreja pós-conciliar. O autor estabelece que a Fé não é um "sentimento", nem uma "opinião", nem uma "busca", mas sim a adesão intelectual e volitiva à Verdade Revelada por Deus, que é imutável. A tese central é que a nova igreja substituiu a Fé Divina por uma fé humana, baseada na "experiência" e na adaptação ao mundo moderno.

📜 A fé objetiva: tudo ou nada O autor define a Fé "objetivamente" como a soma das verdades reveladas por Deus na Escritura e na Tradição, apresentadas infalivelmente pelo Magistério. Ele cita o Papa Bento XIV para lembrar que o Catolicismo não admite "mais ou menos": "Tal é a natureza do Catolicismo que ele não admite mais ou menos, mas deve ser mantido como um todo ou rejeitado como um todo" (p. 79).

Coomaraswamy denuncia a mentalidade "pick-and-choose" (escolher o que convém) que permeia o catolicismo moderno. Ele invoca Santo Edmundo Campion: "Aquele que se recusa a acreditar em um único artigo da Fé, não acredita em nenhum". O texto critica a introdução, pelo Vaticano II, do conceito de "hierarquia das verdades", que sugere que alguns dogmas são menos importantes que outros, abrindo a porta para o ecumenismo suicida onde doutrinas fundamentais (como a Imaculada Conceição) são postas de lado para agradar hereges (p. 80).

🚫 A mentira da "evolução do dogma" O autor ataca frontalmente o mito modernista de que a doutrina pode "evoluir" ou "desenvolver-se" no sentido de mudar seu significado. Ele cita o Concílio Vaticano I: "O significado dos sagrados dogmas deve ser perpetuamente retido... nem jamais se deve afastar desse significado sob o pretexto ou nome de uma compreensão mais profunda" (p. 82).

Coomaraswamy desmascara a "teologia do desenvolvimento" usada para justificar as heresias atuais. O verdadeiro desenvolvimento é o explicitar do que estava implícito, nunca a contradição do que foi ensinado antes. A nova igreja, contudo, sob o pretexto de "adaptação" (aggiornamento), adotou a ideia de que a verdade muda com a história e com a "consciência coletiva" da humanidade, uma ideia puramente marxista e teilhardiana que destrói a própria noção de Revelação Divina.

🕯️ A fé subjetiva: não é um "sentimento cego" Subjetivamente, a Fé é a virtude pela qual assentimos a essas verdades. O autor enfatiza que a Fé é um ato do intelecto movido pela vontade sob a Graça. Não é um "sentimento cego" nem uma "experiência religiosa" que brota do subconsciente, como condenou São Pio X na Pascendi.

O texto ridiculariza as definições pós-conciliares de fé. Cita pesquisas mostrando que a maioria do clero moderno vê a fé como um "encontro com Jesus" e não como o assentimento a verdades definidas. O autor expõe a vacuidade de teólogos como Karl Rahner e John McKenzie, que veem o dogma como "produto da teologia" sujeito à evolução histórica. A nova fé é vaga, ambígua e, no final das contas, protestante, pois baseia-se no julgamento privado e na experiência subjetiva, não na autoridade de Deus revelador.

❓ A dúvida como virtude na nova igreja Coomaraswamy aponta a inversão diabólica onde a dúvida, antes um pecado contra a fé, tornou-se uma virtude intelectual na nova igreja. Ele cita Paulo VI dizendo que "a fé é para duvidar" (p. 89). O autor reafirma o ensino tradicional: a dúvida voluntária sobre qualquer verdade revelada é um pecado grave. A fé exige certeza absoluta, pois baseia-se na veracidade de Deus.

⚖️ A fé sem obras é morta O capítulo também aborda a heresia luterana da "sola fides" (só a fé salva), que tem se infiltrado na mentalidade católica moderna. O autor reafirma o Concílio de Trento: a fé deve ser viva, operando pela caridade e boas obras. A ideia de que "todos estão salvos" independentemente de suas obras ou crenças (apocatástase), promovida sutilmente por João Paulo II, é classificada como uma traição ao Evangelho.

⚡ Conclusão: a grande apostasia O autor conclui que a "fé" da Igreja Conciliar não é a Fé Católica. É uma fé humanista, evolutiva e subjetiva. A Igreja de Sempre exige a submissão da mente à Verdade; a Nova Igreja exige a submissão da Verdade à mente moderna. O católico fiel deve rejeitar essa nova religião. "Recusar dar assentimento é nos tornar escravos de nossos próprios 'julgamentos pessoais' e, em última análise, de nossas naturezas passionais" (p. 92). A verdadeira liberdade está na submissão à Verdade imutável de Cristo, não na liberdade de errar promovida pelo Vaticano II.