A Igreja Palmariana: Origens e contexto geral de um ramo sedevacantista


A Igreja Cristã Palmariana dos Carmelitas da Santa Face é um grupo cismático fundado em 1978 em El Palmar de Troya (Sevilha, Espanha), originado a partir de supostas aparições da Virgem Maria iniciadas em 1968. Seu fundador e primeiro “papa”, Clemente Domínguez y Gómez (que se autoproclamou Gregório XVII), afirmava que, após a morte de Paulo VI, a verdadeira Cátedra de Pedro havia sido transferida de Roma para El Palmar de Troya, alegando que a Igreja Católica Romana teria caído em apostasia devido ao Concílio Vaticano II. A Igreja Católica declarou o movimento cismático e herético, excomungando seus líderes desde 1976.

Atualmente, o grupo conta com cerca de 2.000 fiéis, uma enorme basílica-catedral fortificada e normas extremamente rígidas, incluindo a proibição de televisão, internet e uso de roupas modernas. Seus papas foram: Gregório XVII (1978–2005), Pedro II (2005–2011), Gregório XVIII (2011–2016, que abandonou o cargo e denunciou o movimento como fraude) e o atual Pedro III (Joseph Odermatt, desde 2016).

🤲 Linhagem Apostólica Principal

A sucessão apostólica palmariana tem origem no arcebispo vietnamita Pierre Martin Ngô Đình Thục, um tradicionalista radical que, em janeiro de 1976, ordenou sacerdotes e consagrou bispos a Clemente Domínguez e seus colaboradores em El Palmar de Troya, sem mandato pontifício. Essa consagração, embora materialmente válida (visto que Thục possuía sucessão apostólica católica legítima), foi declarada cismática pela Santa Sé. A partir desse evento, os palmarianos consagraram dezenas de bispos (aproximadamente 192 entre 1976 e 2005), estabelecendo uma hierarquia interna totalmente fechada e independente de Roma.

💔 Principais Grupos Derivados

Ao longo dos anos, diversos bispos e fiéis romperam com a Igreja Palmariana, mas conservaram a linhagem episcopal derivada de Ngô Đình Thục via Clemente Domínguez. Os movimentos mais relevantes são:

O primeiro cisma significativo ocorreu já em 1976, liderado pelo vidente Jesús Hernández Martínez e pelo missionário Félix Arana. Eles acusaram Domínguez de enriquecimento ilícito e de falsificar mensagens celestiais. Este grupo, denominado “La Cruz Blanca”, manteve o foco nas aparições originais de El Palmar de Troya e, anos mais tarde, parte dele reconciliou-se com a Igreja Católica.

Entre 2000 e 2001, aconteceu a chamada “Grande Expulsão”. Cerca de 18 bispos e 30 religiosos foram expulsos ou deixaram o movimento por rejeitarem novas doutrinas (como a “Bíblia purificada” palmariana) e por denunciarem supostos desvios financeiros milionários. Muitos refugiaram-se em Archidona (Málaga), formando uma igreja sedevacantista independente que preserva a Missa Tridentina tradicional, mas não reconhece os papas palmarianos nem os papas de Roma posteriores a Pio XII.

Outro ramo importante surgiu na Irlanda em 1977, quando Clemente Domínguez consagrou o padre Michael Patrick Cox. Após romper com El Palmar de Troya, Cox fundou a Igreja Ortodoxa Católica e Apostólica Irlandesa, um pequeno grupo tradicionalista independente que reivindica sucessão apostólica válida, sem comunhão com Roma.

Existem ainda grupos menores, espalhados pela Espanha, Alemanha, Suíça e América Latina, formados por ex-bispos palmarianos (como Maurice Revaz ou Alfred Seiwert-Fleige) ou por clérigos que receberam reconsagrações condicionais desses dissidentes. Exemplos incluem a Igreja Apostólica Luso-Hispânica e algumas comunidades sedevacantistas isoladas que utilizam a linhagem Thục-Palmariana apenas para assegurar a validade dos sacramentos, rejeitando, porém, a teologia e o “papado” de El Palmar.