A Teologia Indigenista, o Tribalismo Eclesiástico e a Teologia da Libertação: Análise do Caso Labaka


✝️ O Reconhecimento Canônico e o Contexto Histórico

Em 22 de maio de 2025, o Vaticano aprovou o decreto reconhecendo a "oferta de vida" (oblatio vitae) de Dom Alejandro Labaka e da Irmã Inés Arango, declarando-os Veneráveis Servos de Deus. Este ato representa o primeiro passo formal no processo de beatificação, utilizando a via canônica introduzida pelo Papa Francisco em 2017. Esta categoria aplica-se a atos de sacrifício voluntário por amor ao próximo, aceitando a morte certa, sem a necessidade de comprovar o tradicional requisito do "ódio à fé" (odium fidei) exigido para o martírio propriamente dito. Observa-se aqui, no entanto, um sintoma da crise que penetrou no próprio santuário, onde a clareza doutrinária cede lugar a fórmulas pastorais que, por vezes, obscurecem a distinção entre a defesa da Verdade revelada e o altruísmo humanitário. Tal fenômeno se insere no contexto da "fumaça de Satanás" que penetrou no templo de Deus, gerando incertezas e a autodemolição da Igreja (Oliveira, 1998).

Labaka, bispo capuchinho espanhol, e Arango, religiosa terciária capuchinha colombiana, foram mortos em 21 de julho de 1987 por membros da tribo Tagaeri na Amazônia equatoriana. A intenção declarada dos missionários era proteger essas comunidades indígenas isoladas da pressão de empresas petrolíferas. O reconhecimento pontifício enfatiza a dedicação missionária e o sacrifício como uma "oferta de vida", abrindo caminho para a beatificação mediante a comprovação de um milagre.

🧐 A Controvérsia Moral e Documental: Os Diários de Labaka e a IV Revolução

Contudo, a causa de beatificação enfrenta sérias objeções baseadas na análise dos escritos pessoais do bispo. Alegações sobre condutas imprudentes e incompatíveis com o estado clerical surgiram em discussões públicas posteriores, baseadas nos diários de Labaka. Estes documentos revelam não apenas um desvio pessoal, mas a manifestação de um fenômeno mais profundo: a IV Revolução nascente. Se a III Revolução foi o comunismo, a IV é a revolução tribalista e estruturalista, que visa a extinção da reflexão individual e a imersão na coletividade tribal, marcada pelo desaparecimento das tradições indumentárias e pelo regresso à vida das selvas (Oliveira, 1998).

Embora não existam evidências diretas de atos sodomíticos consumados, os textos autógrafos mencionam interações que denotam, no mínimo, uma imprudência temerária e uma ambiguidade moral. O bispo descreve o ato de dormir nu ao lado de adolescentes indígenas e a normalização de toques curiosos em seus genitais por parte dos nativos. Tal comportamento, celebrado como "nudismo abençoado", confirma a previsão de que a derrocada dos costumes ocidentais conduziria ao aparecimento de hábitos onde se toleraria, quando muito, a cintura de penas. É a hipertrofia dos sentidos e a abolição do pudor como etapa preparatória para a implantação de uma sociedade estruturalo-tribalista (Oliveira, 1998). Tais práticas são a manifestação fática de um processo revolucionário que atua em três profundidades: nas tendências (uma simpatia sentimental pelo primitivismo), nas ideias (a justificação teológica para a violação da moral) e, finalmente, nos fatos (os atos concretos contra a virtude). O orgulho e a sensualidade, paixões motrizes da Revolução, encontram aqui sua síntese: o orgulho igualitário que recusa a superioridade da cultura cristã sobre o paganismo, e a sensualidade liberal que derruba as barreiras da lei moral (Oliveira, 1998).

🌍 A Teologia Indigenista: Raízes de uma Nova Missiologia e o Tribalismo Eclesiástico

A fundamentação teórica para tais práticas encontra-se na teologia indigenista, vertente da TL desenvolvida na América Latina. Trata-se de uma aplicação concreta daquilo que se pode denominar "tribalismo eclesiástico". Nesta concepção, a estrutura hierárquica e canônica da Igreja, instituída por Nosso Senhor, é dissolvida em um tecido amorfo, onde a autoridade cede lugar ao "profetismo" tribal (Oliveira, 1998). O objetivo não era mais a plantatio Ecclesiae e a conversão das almas, mas a inserção do "agente de pastoral" nas culturas indígenas.

Essa teologia justificava práticas como o nudismo e a intimidade física excessiva adotadas por missionários como Labaka, vendo-as como atos de "despojamento" do colonialismo ocidental. Para a teologia indigenista, a nudez do missionário seria um sacramento de igualdade; para a teologia católica perene, trata-se de um escândalo. A Revolução, em suas metamorfoses, utiliza o mito do "bom selvagem" para promover uma revolução cultural que nega a abstração e a doutrina, favorecendo uma "civilização da imagem" e dos sentidos, típica do estado tribal (Oliveira, 1998).

No contexto amazônico, a "opção preferencial pelos pobres" foi traduzida como uma defesa política. Para Labaka, a imersão total era necessária: ele descrevia o nudismo dos Huaorani como uma "moral natural como no Paraíso antes do pecado". Essa visão utópica é característica do espírito revolucionário, que nega o pecado original para negar a necessidade da Redenção e da civilização cristã, propondo em seu lugar uma quimera anárquica e igualitária (Oliveira, 1998).

⚖️ Análise Crítica à Luz do Magistério Tradicional e Perene

Da perspectiva do catolicismo tradicional, a justificativa indigenista constitui um desvio doutrinário grave. A tradição aponta erros fundamentais:

Negação do Pecado Original e da Moral Absoluta: O nudismo e a permissividade, ainda que justificados culturalmente, violam objetivamente a virtude da castidade. A Revolução tem como meta destruir a ordem moral, e o faz negando a própria noção de pecado. Ao exaltar o primitivismo como inocência, nega-se a realidade da natureza decaída e a necessidade da graça, promovendo um otimismo pelagiano que serve aos interesses da subversão (Oliveira, 1998).

Abandono do Mandato de Conversão: A teologia indigenista abandona o mandato divino de ensinar todas as nações. Ao recusar-se a transmitir a cultura e a moral católicas, o missionário torna-se um agente da Revolução, colaborando para a manutenção do estado de barbárie e paganismo, o que é diametralmente oposto à civilização cristã, que é a ordem por excelência (Oliveira, 1998).

Sincretismo e Indiferentismo: A ideia de entrar "espiritualmente nu" para descobrir Deus nas religiões animistas flerta com o indiferentismo religioso. Esta atitude reflete o ódio metafísico a toda desigualdade e superioridade, característica essencial do orgulho revolucionário. Ao nivelar a Verdade com o erro, prepara-se o terreno para o panteísmo e para o domínio do preternatural, onde "todos os deuses dos pagãos são demônios" (Sl 95,5), abrindo as portas para a influência sinistra das trevas sobre as almas (Oliveira, 1998).

Em suma, análises indicam que a teologia indigenista influenciou profundamente a prática pastoral na Amazônia. No entanto, do ponto de vista tradicional, o caso de Dom Alejandro Labaka não deve ser visto apenas como um exemplo de coragem humana, mas como um alerta sobre a penetração da IV Revolução nos meios católicos. Estamos diante de um processo que visa transformar a Igreja e a sociedade em um aglomerado tribal, sem dogmas definidos e sem moral objetiva. O contra-revolucionário deve, pois, denunciar essa metamorfose e lutar pela restauração da cristandade hierárquica e sacral, única barreira contra o caos tribalista (Oliveira, 1998).

📚 Referências

Labaka, Alejandro. Crônica dos Huaorani. [Edição póstuma], Vicariato Apostólico de Aguarico.

Oliveira, Plinio Corrêa de. Revolução e Contra-Revolução. 4. ed. São Paulo: Artpress, 1998.