A festa do Santíssimo Nome de Jesus nos convoca a dobrar os joelhos diante do mistério impenetrável da única palavra celestial capaz de resgatar o gênero humano das garras da morte. Instituída para a Igreja universal em 1721, esta imponente solenidade floresceu a partir do ardor missionário no século XV, quando grandes precursores da penitência empunhavam o monograma sagrado IHS como um estandarte invencível nas praças da Europa. Ofertado pelo mensageiro angélico antes mesmo da concepção no ventre puríssimo da Virgem, o Nome que significa "Deus Salva" não foi uma invenção terrestre ou uma convenção de homens, mas um decreto eterno do Altíssimo. É no oitavo dia, na liturgia da Circuncisão, quando o sangue redentor umedece o pó da terra pela primeira vez, que o Menino recebe publicamente este selo inviolável. Onde quer que este Nome seja pronunciado com genuína fé, os coros celestes exultam, os corações contritos se inflamam e as profundezas do inferno estremecem de pavor. Para venerar a glória inesgotável deste mistério e recordar os que o defenderam com fervor, volvemos nosso olhar espiritual para a venerável Igreja de Il Gesù, em Roma, cujo pórtico exibe o Nome Sagrado como um farol inabalável a iluminar as trevas do mundo.
Olhai ao vosso redor, meus irmãos, e dizei-me: que fizemos do formidável Nome que está acima de todo nome? Eis que hoje o mundo, e com trágica frequência o próprio reduto daqueles que se dizem cristãos, forjou para si um templo de ilusões, um imenso e confortável teatro onde os holofotes buscam iluminar a face do homem e apagar a majestade do Criador. Multiplicam-se os sorrisos fáceis, as palmas ruidosas e as assembleias festivas que celebram, no fundo, apenas o próprio convívio. Falam longamente de afetos horizontais, de uma paz sem cruz, de uma fraternidade destituída da severa paternidade divina. Conservam, sim, os cânticos antigos e a casca exterior dos ritos, mas esvaziaram a seiva sobrenatural que lhes dava vida. Se levantardes a pesada cortina dessa grandiosa encenação moderna, vereis o abismo escancarado: o sagrado altar transformado em mesa de debates mundanos, a eternidade leiloada pelas urgências do relógio secular, e a Religião do Verbo Encarnado rebaixada a um mero agrupamento de opiniões e terapias sociais. Nesse agrupamento de vaidades, onde a profunda repulsa ao sacrifício dita as regras e o apetite pelas comodidades passageiras cega as almas, a sã doutrina é silenciada para dar lugar aos ídolos da complacência. Mas ouvi o trovejante aviso de São Pedro na Epístola de hoje, que rasga como um relâmpago as pretensões de nosso século de trevas: não há salvação em nenhum outro! O Príncipe dos Apóstolos destrói a arrogância de quem busca atalhos, declarando que o Nazareno é a única pedra angular que vós, falsos construtores de utopias, rejeitastes. A autêntica Esposa de Cristo não é um refúgio de conveniências para consciências adormecidas; ela é um exército em fileiras cerradas que aponta ininterruptamente para o cume do Calvário e para o esplendor do Céu. O glorioso São Bernardo de Claraval, com voz que mescla mel e ferro, nos adverte que o Nome de Jesus não é um som vazio, mas alimento vivo, luz inextinguível e medicina dos fortes (mel nos lábios, música aos ouvidos e júbilo no coração daquele que crê). Como pode, então, uma alma de barro contentar-se com as cinzas vulgares deste mundo, quando o próprio Deus rasgou os céus para lhe ofertar a adoção divina? Considerai o Evangelho: o Menino Soberano recebe o Seu Nome no exato instante em que o frio metal da circuncisão arranca Suas primeiras gotas de sangue. Eis o golpe fatal contra a grande heresia e farsa de nossos tempos! A salvação não provém de congregações festivas que fogem da dor e idolatram o homem, mas do Sangue inestimável de um Deus que Se humilha. Os anjos puríssimos cobrem os rostos de temor diante do trono que muitos hoje ousam tratar com familiaridade rasteira. Se não submetermos o nosso orgulho à doutrina perene da Cruz e não passarmos pela lâmina purificadora do arrependimento, de nada adiantará invocar este título augusto. Despertai, pois, do sono mortal da carne! Abandonai a vil teatralidade do culto prestado a vós mesmos e prostrai-vos com o rosto no pó. Deixai que o inefável Nome de Jesus seja a única âncora de vossa inteligência, a fogueira devoradora a consumir vossas misérias modernas e a estátua de luz a guiar vossos passos errantes, arrancando-vos das falsas amizades do tempo para precipitar-vos, purificados e salvos, no oceano insondável da eternidade.