30 dez
Sexto dia da oitava de natal


🕯️Neste dia, inserido na sacralidade da Oitava de Natal, a Igreja não celebra um santo específico com festividade própria, mas prolonga o júbilo do nascimento do Salvador, permitindo que a luz da Encarnação penetre mais profundamente na alma dos fiéis. No calendário tradicional anterior a 1950, os dias dentro da oitava que não fossem festas de santos (como Santo Estêvão ou São João) ou o Domingo dentro da Oitava, retomavam a liturgia do Natal para enfatizar a continuidade do mistério. É um tempo litúrgico de "ruminação" espiritual, onde a benignidade de Deus, manifestada na carne, é o objeto central de adoração. A Igreja nos convida a permanecer em espírito junto ao presépio, unindo a alegria dos pastores ao silêncio contemplativo da Virgem Maria, reconhecendo que a obra da redenção, iniciada no nascimento, é um dom gratuito da misericórdia divina e não fruto de méritos humanos.

🎼Introito (Is 9, 6 | Sl 96, 1)
Puer natus est nobis, et fílius datus est nobis: cujus impérium super húmerum ejus: et vocábitur nomen ejus magni consílii Angelus. Ps. Cantáte Dómino cánticum novum, quia mirabília fecit. Nasceu para nós um Pequenino; um Filho nos foi dado. Traz nos ombros as insígnias da realeza, e seu Nome é: Anjo do grande conselho. Sl. Cantai ao Senhor um cântico novo, porque faz maravilhas.

📜Epístola (Tt 3, 4-7)
Caríssimo: Manifestou-se a benignidade e a amabilidade de Deus, nosso Salvador. Ele nos salvou, não pelas obras de justiça que tivéssemos feito, mas por sua misericórdia, pelo renascimento e pela renovação no Espírito Santo, que copiosamente derramou sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por sua graça, sejamos herdeiros da vida eterna que é nossa esperança no Cristo Jesus, Nosso Senhor.

📖Evangelho (Lc 2, 15-20)
Naquele tempo, diziam os pastores entre si: Vamos até Belém e vejamos o que aí sucedeu e o que o Senhor nos anunciou. Vieram pois, com presteza, e acharam a Maria e José, e ao Menino, reclinado no presépio. Vendo-O, reconheceram a verdade do que lhes fora dito acerca desse Menino. E todos os que os ouviram falar, maravilharam-se do que os pastores lhes diziam. Maria, porém, guardava todas estas palavras, meditando-as em seu coração. E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo quanto tinham ouvido e visto, conforme lhes fora anunciado.

🛐A memória do coração e a gratuidade da graça

🕊️A liturgia deste dia dentro da Oitava nos coloca diante do paradoxo sublime da fé cristã: a onipotência divina manifestada na fragilidade de uma criança e a salvação oferecida gratuitamente, independentemente de nossas obras prévias. O Apóstolo Paulo, na Epístola a Tito, destila a teologia do Natal ao afirmar que fomos salvos "não pelas obras de justiça que tivéssemos feito, mas por sua misericórdia". Esta verdade doutrinal encontra sua ilustração viva no Evangelho, onde pastores simples, sem méritos sociais ou religiosos aparentes, são os primeiros convidados a contemplar o Verbo. Santo Agostinho, ao meditar sobre este mistério, recorda-nos que "Aquele que rege os astros suga o peito materno; Ele, que alimenta os anjos, tem fome" (Santo Agostinho, Sermão 184). É diante deste contraste que a alma deve se posicionar. Enquanto os pastores representam a vida ativa e o apostolado, correndo para anunciar as maravilhas vistas, a Virgem Maria personifica a vida contemplativa perfeita. O texto sagrado diz que ela "guardava todas estas palavras, meditando-as em seu coração". A palavra grega original sugere "juntar pedaços", "conferir"; Maria Santíssima, a Sede da Sabedoria, unia as profecias antigas à realidade presente do presépio, tecendo a teologia da Encarnação no silêncio de sua alma imaculada. Como ensina São Tomás de Aquino, a contemplação da verdade divina é o fim último da vida humana, e Maria nos ensina que o Natal não é apenas um evento para ser celebrado externamente, mas um mistério para ser gerado internamente. Devemos, portanto, pedir a graça deste "renascimento e renovação no Espírito Santo" mencionado por São Paulo, para que, imitando a Mãe de Deus, possamos conservar a Palavra encarnada em nós, transformando o júbilo passageiro da festa na esperança sólida da vida eterna.

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