terça-feira, 23 de junho de 2026

23 Junho ✧ Vigília da Natividade de São João Batista ✧ voz que clama preparando os corações para o salvador

Introito - Ne tímeas, Zachária, exaudíta est orátio tua: et Elísabeth uxor tua pariet tibi filium, et vocábis nomen ejus Joannem: et erit magnus coram Dómino: et Spíritu Sancto replébitur adhuc ex útero matris suae: et multi in nativitáte ejus gaudébunt.Não temas, Zacarias, foi ouvida a tua oração; e Isabel, tua mulher, te dará um filho ao qual porás o nome de João. Ele será grande perante o Senhor e o Espírito Santo estará nele, desde o seio da sua mãe; e muitos se alegrarão com o seu nascimento.

Nesta vigília santa, a Igreja recorda o anúncio miraculoso que encheu de temor e esperança o coração do sacerdote Zacarias no Templo. Antes mesmo de nascer, João foi escolhido e santificado para ser a voz que clama no deserto, o último dos profetas que une as promessas antigas à aurora da Nova Aliança. Sua natividade, celebrada em meio às fogueiras que iluminam a noite de verão, evoca a luz que precede o Sol nascente, Cristo Jesus. A tradição romana associa esta vigília à oração fervorosa junto ao altar do incenso, ecoando o zelo dos antigos no antigo culto do Templo, onde o céu se inclina sobre a terra para preparar o caminho do Senhor.


Ó irmãos, contemplai como o Altíssimo, desde o seio materno, tece os destinos dos seus eleitos! Antes que João abrisse os olhos à luz deste mundo, o Espírito já o enchia, fazendo dele um vaso puríssimo para anunciar Aquele que viria batizar no fogo e no Espírito Santo. Assim como outrora o Senhor tocou a boca de Jeremias, dizendo-lhe “Não temas, porque estarei contigo”, agora o anjo tranquiliza Zacarias: “Não temas, tua oração foi ouvida”. Eis o mistério que se desdobra diante de nós: a esterilidade vencida pela graça, a velhice transformada em primavera de salvação, a voz austera que reconduz os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos. Nos nossos dias, quando tantos se deixam seduzir por caminhos suaves que prometem felicidade sem cruz, sem sacrifício e sem conversão verdadeira, a figura de João surge como um fogo vivo no deserto do mundo. Ele não se contentou com meias verdades nem com aplausos humanos; vestiu-se de rudeza, alimentou-se de mel silvestre e pregou a penitência com a força de Elias. Quantos hoje, dentro do próprio rebanho, preferem agradar aos ouvidos em vez de ferir o coração para curá-lo? João nos recorda que a verdadeira preparação para Cristo exige sobriedade, renúncia e uma palavra que arranca, destrói e depois planta e edifica. Como ensinavam os santos Padres, a graça opera maravilhas nos humildes: Isabel estéril gera o precursor, e a Igreja, muitas vezes enfraquecida pelas sombras do tempo, renasce sempre que almas se entregam sem reserva à vontade divina. Que esta vigília nos desperte, pois! Que o exemplo de João nos mova a preparar, com vida reta e oração ardente, o caminho do Senhor em nossos lares, em nossos corações e na sociedade inteira, para que, purificados, possamos acolher com júbilo o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

← Voltar

Epístola (Jr 1,4-10) - Naqueles dias, o Senhor me dirigiu a palavra, dizendo-me: Antes que eu te formasse nas entranhas de tua mãe, eu te conheci; antes que saísses de seu seio, eu te santifiquei e te estabeleci profeta entre as nações. E eu disse: A, a, a! Senhor Deus; eu não sei falar, porque sou uma criança. E o Senhor me disse: Não digas: eu sou uma criança, porque irás por toda a parte, onde eu te enviar e dirás tudo quanto eu te ordenar. Não os temas, porque estarei contigo para te libertar, diz o Senhor. E o Senhor estendeu a sua mão e tocou em minha boca, dizendo-me: Eis que ponho minhas palavras em tua boca, e te estabeleço hoje sobre as nações e os reinos, para que os arranques do sono e os destruas, para que os disperses e os arruínes e construas e plantes. Assim diz o Senhor Onipotente.


Evangelho (Lc 1,5-17) - Nos dias de Herodes, rei da Judeia, havia um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias. Sua mulher era uma das filhas de Aarão e se chamava Isabel. Eram ambos justos diante de Deus, caminhando irrepreensivelmente em todos os mandamentos e todos os preceitos do Senhor. Eles não tinham filhos porque Isabel era estéril e ambos já eram avançados em idade. Ora, aconteceu que, enquanto ele preenchia as funções de sacerdote diante de Deus, segundo o dever de sua classe, coube-lhe por sorte, conforme o costume estabelecido entre os sacerdotes, entrar no templo do Senhor para ali oferecer incenso. E todo o povo estava fora, em oração, na hora do incenso. Apareceu-lhe então um Anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. Zacarias assustou-se, vendo-o, e ficou cheio de temor. O Anjo porém lhe disse: Não temas, Zacarias, porque tua oração foi ouvida, e tua mulher, Isabel, te dará um filho ao qual porás o nome de João; ele te será motivo de júbilo e regozijo e muitos se alegrarão por seu nascimento, porque ele será grande ante o Senhor. Ele não beberá vinho nem bebida embriagante e será pleno do Espírito Santo, desde o seio de sua mãe. Muitos filhos de Israel serão por ele convertidos ao Senhor, seu Deus; e caminhará adiante d’Ele no espírito e na fôrça de Elias, para reconduzir os corações dos pais aos filhos, os descrentes à prudência dos justos, preparando ao Senhor um povo perfeito.

Homilia do Frei Tiago