quarta-feira, 15 de julho de 2026

15 Julho ✧ Santo Henrique Imperador, Confessor ✧ a coroa terrena aos pés do rei eterno

Introito - Os justi meditábitur sapiéntiam, et lingua ejus loquétur judícium. Lex Dei ejus in corde ipsíus. Ps. Noli æmulári in malignántibus: neque zeláveris faciéntes iniquitátem.A boca do justo fala a sabedoria e a sua língua profere a equidade. A lei de seu Deus está em seu coração. Sl. Não tenhas ciúmes dos maus, nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade.

Santo Henrique, nascido no ano da graça de 973, oriundo do sangue ducal da Baviera, foi desde o berço forjado na fornalha da piedade cristã e não nas comodidades efêmeras que costumam amolecer o caráter dos príncipes. Educado pelos veneráveis cônegos de Hildesheim, sua alma não se embriagou com as vaidades mundanas, mas aspirou à eternidade. Certa feita, em sonho místico, seu antigo mestre São Wolfgang traçou-lhe na parede as misteriosas palavras: "Entre seis". Julgando ter apenas seis dias antes de comparecer diante do tremendo tribunal divino, o jovem príncipe entregou-se a rigorosas penitências. Passado o prazo sem que a morte o ceifasse, estendeu sua preparação para seis meses, e, ainda vivo, para seis anos. Ao fim desta longa vigília, a Providência não lhe entregou a mortalha, mas o peso do manto imperial: no ano de 1002, ascendia ao trono do Sacro Império Romano-Germânico. Governou não como quem domina a terra, mas como quem serve ao Céu; reformou costumes, ergueu mosteiros e defendeu a Igreja com espada e oração. Partiu para a pátria celeste em 1024, coroado de glória imorredoura, e seu corpo puríssimo aguarda a ressurreição na magnífica Catedral de Bamberga, templo que ele mesmo fundou para o louvor do Altíssimo.


Olhai, caríssimos irmãos, para a figura majestosa deste santo imperador e dizei-me: que resta hoje daquela glória temporal que tanto cega os insensatos? Onde estão os cetros, os ouros, os exércitos e os banquetes? Tudo se desfez como fumaça ao vento! A Sagrada Epístola de hoje clama aos nossos corações adormecidos: "Bem-aventurado o homem que não se deixou atrair pelo ouro". Quão amarga, mas necessária, é esta verdade para a nossa época! Vivemos dias sombrios em que o espírito das trevas, com lisonjas venenosas e promessas de facilidade, infiltrou-se sorrateiramente até nos recintos que deveriam ser sacrossantos. Quantas almas não trocam a cruz áspera e redentora de Nosso Senhor por ensinamentos de conveniência, buscando os aplausos das praças em vez do olhar aprovador de Deus? Quantos não diluem a verdade cristalina da Fé, adoçando a severidade do sacrifício com inovações enganosas, mudando os costumes antigos apenas para não ofender o paladar de uma geração adoecida pela futilidade? Santo Henrique ergue-se no altar de hoje como uma muralha inexpugnável contra esta ruína. Quando poderosos de seu tempo tentavam subjugar o que era sagrado aos interesses terrenos, conspurcando a religião com a sede de poder e carne, o santo monarca brandiu a espada da vigilância constante. Ele compreendeu, na providencial profecia do "Entre seis", que a vida inteira não é senão uma curta antessala do Juízo. Acaso não nos adverte o próprio Cristo no Evangelho: "Estejam cingidos os vossos rins, e em vossas mãos lâmpadas acesas"? Rins cingidos significam a castidade e o repúdio enérgico aos amolecimentos do mundo; a lâmpada acesa é a fé íntegra, intacta, alimentada pelo óleo da verdadeira caridade. Como nos adverte o grande Bispo de Hipona, quem se acostuma com as trevas do mundo já não suporta a luz do Sol de Justiça. Acordai, ó vós que dormis no entorpecimento das vaidades! Vede como o imperador teve o mundo aos pés, mas não no coração. Ele pôde transgredir a lei, amparado por seu poder absoluto, mas fez de seu trono um altar de submissão a Deus. Que a Liturgia desta santa Missa não seja para nós uma mera lembrança arqueológica, mas uma trombeta a despertar nossa alma. Rejeitemos a falsa compaixão que dispensa o sacrifício; abracemos a sã doutrina. Se o Dono da casa bater à porta na segunda ou na terceira vigília desta noite, encontrar-nos-á embriagados com as facilidades mentirosas desta terra, ou de pé, vigilantes, como valorosas sentinelas da eternidade?

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Epístola (Eclo 31, 8-11) - Bem-aventurado o homem que foi encontrado sem mancha, que se não deixou atrair pelo ouro, nem pôs sua esperança no dinheiro ou em riquezas. Quem é este, para nós o louvarmos? Porque fez coisas maravilhosas em sua vida. O que assim foi provado e encontrado perfeito, terá uma glória eterna. Pôde transgredir a lei de Deus, e não a transgrediu; pôde praticar o mal e não o fez! É por isso que os seus bens estão fixos no Senhor, e que toda a assembleia dos santos publicará as suas esmolas.


Evangelho (Lc 12, 35-40) - Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Estejam cingidos os vossos rins, e em vossas mãos lâmpadas acesas. E sede semelhantes a homens que esperam o seu senhor quando volta das bodas, para que, quando vier e bater à porta, logo a possam abrir. Bem-aventurados aqueles servos, que o Senhor, ao voltar, achar vigilantes. Em verdade vos digo: ele se cingirá e os fará sentar à mesa, e, passando por entre eles, os servirá. E se vier na segunda vigília, ou se vier na terceira e assim os encontrar, bem-aventurados esses servos! Atendei porém a isto: se o pai de família soubesse a hora em que viria o ladrão, com certeza haveria de vigiar e, sem dúvida, não deixaria invadir a sua casa. Assim, estai também vós preparados, porque à hora em que não cuidais, virá o Filho do homem.