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domingo, 21 de setembro de 2025

21 set
S. Mateus, Apóstolo e Evangelista

📜 Mateus, também conhecido como Levi, era um publicano, coletor de impostos em Cafarnaum, profissão que o colocava à margem da sociedade judaica. Sua vocação, narrada nos Evangelhos, é um exemplo vívido da universalidade da graça divina, pois Jesus o chamou de sua mesa de cobrança, uma conversão radical que ele abraçou imediatamente, deixando tudo para seguir o Mestre. Tornou-se um dos doze Apóstolos e é tradicionalmente creditado como autor do primeiro Evangelho, escrito originalmente para uma audiência judaica, com o objetivo de demonstrar Jesus como o Messias prometido nas Escrituras. Sua vida espiritual é um testemunho perene da misericórdia de Cristo, que não veio chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento. "Não vim chamar os justos, mas os pecadores" (Mateus 9,13), reflete a própria essência da escolha de Mateus por Cristo, transformando um desprezado coletor de impostos em um pilar da Igreja e um evangelista.

📖 Introito (Sl. 36, 30-31 | Sl. ibid., 1)
Os justi meditábitur sapiéntiam, et lingua ejus loquétur judícium... A boca do justo meditará a sabedoria, e sua língua falará o juízo: a lei de seu Deus está em seu coração. | Não tenhas inveja dos malignos, nem desejes imitar os que praticam a iniquidade.

🕊️ Leitura (Ez. 1, 10-14)
A semelhança do rosto dos quatro seres viventes: havia a face de homem e a face de leão à direita dos quatro; a face de boi à esquerda dos quatro, e a face de águia acima dos quatro. Seus rostos e suas asas estavam estendidos para cima: cada um tinha duas asas que se juntavam, e duas cobriam seus corpos. E cada um deles caminhava diante de seu rosto; para onde o impulso do espírito os levava, ali iam, e não se voltavam ao caminhar. A aparência dos seres viventes era como brasas de fogo ardente e como tochas. Esta era a visão que corria no meio dos seres viventes, um esplendor de fogo, e do fogo saía um relâmpago. E os seres viventes iam e voltavam como o brilho de um relâmpago.

🌿 Evangelho (Mt. 9, 9-13)
Naquele tempo, Jesus viu um homem sentado no posto de cobrança, chamado Mateus. E disse-lhe: Segue-me. E, levantando-se, ele o seguiu. E aconteceu que, estando ele à mesa em casa, eis que muitos publicanos e pecadores vieram e se sentaram com Jesus e seus discípulos. Vendo isso, os fariseus disseram aos discípulos dele: Por que o vosso Mestre come com publicanos e pecadores? Jesus, ouvindo isso, disse: Não são os sãos que precisam de médico, mas os enfermos. Ide, pois, e aprendei o que significa: Quero misericórdia, e não sacrifício. Porque não vim chamar os justos, mas os pecadores.

💡 Reflexões

🧭 A vocação de Mateus do posto de cobrança é uma profunda ilustração da misericórdia divina, ecoando a profecia de que Deus deseja misericórdia, e não sacrifício. "O Senhor chamou-o não para o condenar, mas para o corrigir; não para o desprezar, mas para o convidar." (Santo Agostinho, Sermão 146, 1). Esta transformação radical de um publicano em Apóstolo e Evangelista é também prefigurada na visão de Ezequiel, onde os quatro seres viventes, muitas vezes vistos como símbolos dos Evangelistas, cada um com faces distintas, incluindo a de homem (tradicionalmente Mateus), movem-se guiados pelo Espírito. "Os evangelistas, como as quatro criaturas viventes, levam a todos os cantos do mundo a mensagem do Evangelho, cada um com sua peculiaridade, mas todos impulsionados pelo mesmo Espírito." (São Jerônimo, Comentário sobre Ezequiel, Livro I). Isso enfatiza que a graça de Deus transcende o julgamento humano e chama indivíduos de diversas origens para servir ao Seu propósito, preferindo a disposição interior de um coração contrito aos ritos religiosos externos. "Deus não olha para a perfeição da justiça humana, mas para a necessidade da alma pecadora de sua misericórdia, a qual Ele prefere a qualquer sacrifício exterior." (São Gregório Magno, Homilia 15 sobre os Evangelhos).

🔍 O Evangelho de São Mateus (9, 9-13) narra o chamado de Mateus e a subsequente refeição de Jesus com publicanos e pecadores. As narrativas paralelas em Marcos (2, 13-17) e Lucas (5, 27-32) complementam este relato, com Lucas acrescentando um detalhe significativo: Mateus (Levi) "lhe preparou um grande banquete em sua casa" (Lc 5, 29). Esta adição de Lucas ressalta a prontidão e a generosidade de Mateus em acolher Jesus publicamente, transformando sua casa, um lugar de sua antiga profissão, em um espaço de celebração da nova aliança, e reunindo outros pecadores para ouvirem o Mestre, algo não explicitado nos outros relatos.

✉️ A vocação de Mateus ecoa nos textos de São Paulo, particularmente na radicalidade do chamado divino e na transformação pessoal. Assim como Mateus foi chamado de sua vida de publicano, Paulo, de perseguidor da Igreja, foi agraciado pela misericórdia divina para ser apóstolo (Gálatas 1, 15-16). Paulo frequentemente enfatiza que Cristo veio para salvar os pecadores, dos quais ele se considera o primeiro (1 Timóteo 1, 15), complementando a declaração de Jesus de que não veio chamar os justos, mas os pecadores. Ambos os Apóstolos testificam que a graça de Deus não se baseia nos méritos humanos ou sacrifícios rituais, mas na eleição soberana e na misericórdia, transformando os marginalizados ou os que se consideravam indignos em instrumentos poderosos de evangelização.

🏛️ A autenticidade e a autoridade do Evangelho de São Mateus, como dos demais, são pilares da fé católica, confirmadas em diversos documentos e concílios. O Concílio de Trento (Sessão IV, 1546), ao definir o cânon das Escrituras, ratificou a inspiração divina e a integridade dos quatro Evangelhos, incluindo o de Mateus, garantindo a sua verdade histórica e doutrinal. Além disso, a Encíclica Providentissimus Deus de Leão XIII (1893) reitera a inerrância da Sagrada Escritura em tudo o que Deus quis que fosse escrito para a nossa salvação, sublinhando que os Evangelistas foram instrumentos fiéis do Espírito Santo. Estes documentos complementam a compreensão da vocação de Mateus ao afirmar a divina providência que guia a escolha dos apóstolos e a composição dos textos sagrados, mesmo de um publicano que se tornou evangelista.