Introito (Eclo 15, 5; Sl 91, 2) - In médio Ecclésiæ apéruit os ejus: et implévit eum Dóminus spíritu sapiéntiæ, et intelléctus: stolam glóriæ índuit eum. Psalmus. Bonum est confitéri Dómino: et psállere nómini tuo, Altíssime.
Nascido em Cesareia da Capadócia no ano de 329, em uma família perfumada pela mais alta santidade, São Basílio Magno floresceu como uma das colunas mais luminosas da antiguidade cristã, abandonando as vaidades e glórias humanas - tão sedutoras nas conceituadas academias de Atenas - para abraçar o deserto, a ascese e a oração contemplativa no Ponto. Elevado à cátedra episcopal de sua cidade natal em 370, este insigne pastor consumiu-se inteiramente pelo rebanho até sua morte em 1º de janeiro de 379, legando à Igreja não apenas a fundação de hospitais para os miseráveis e uma regra monástica perene, mas, sobretudo, uma defesa invencível da verdadeira fé. Embora repouse no Oriente, sua memória venerável e sua voz majestosa ecoam no coração da Cristandade e na Igreja de São Basílio em Roma, recordando-nos a firmeza do seu cajado, que defendeu a divindade de Cristo com inteligência ímpar e caridade incansável frente à terrível tempestade do arianismo.
Contemplai, irmãos caríssimos, o abismo infinito que separa a sabedoria divina das ilusões falaciosas deste mundo enfermo! O Evangelho de hoje ressoa como um trovão nas abóbadas de nossa consciência, exigindo de nós uma decisão inegociável: como poderíamos ser discípulos daquele que foi crucificado se não estivermos dispostos a tomar, nós mesmos, o madeiro da humilhação e da glória? Vivemos dias nefastos, em que os corações, embotados pelo comodismo e pelas seduções sensuais, reclamam aos brados um cristianismo indolor, desprovido da rudeza redentora do Calvário. As almas, atormentadas por paixões indomáveis, garimpam para si guias complacentes que lhes acariciem os ouvidos com discursos vazios, preferindo o torpor das fábulas mundanas à robustez exigente da cruz. Acaso não percebeis como, sob a roupagem de uma falsa misericórdia e com o desejo cego de mendigar os aplausos das praças, procura-se introduzir no próprio santuário o espírito decadente da época, suavizando verdades eternas e disfarçando antigas revoltas com o manto reluzente das inovações? O próprio Apóstolo, na Epístola desta Missa, soa o alarme tremendo contra esta febre que faz os homens taparem os ouvidos à verdade para abraçarem mentiras perniciosas. Foi exatamente contra esta praga espiritual - que em seu tempo assumiu a forma aterradora de um ataque sorrateiro e sistemático contra a própria divindade do Verbo, usando terminologias ambíguas e o apoio dos poderosos - que São Basílio se ergueu como uma verdadeira muralha de bronze. Quando o sal da fé parecia perder o seu sabor nos lábios de tantos pastores vacilantes, este gigante da Capadócia não recuou nem um milímetro. Ele não calculou os riscos terrenos nem retalhou o depósito sagrado para obter as graças dos imperadores heréticos. Que lucro haveria em construir as paredes exteriores de uma torre se jogarmos fora o alicerce insubstituível da sã doutrina? De que serviria ajuntar multidões se o sal do sacrifício tiver perdido a sua força santificadora? Sejamos corajosos, amados de Deus! Rejeitemos com horror a tentação de amoldar o mistério sagrado aos caprichos de um mundo que passa, e supliquemos a intercessão de São Basílio, para que possamos combater o bom combate e guardar intacta a nossa fé, brilhando como tochas de verdade no meio de uma geração mergulhada nas trevas.