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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A divinização do Estado e a ruína da pessoa humana: a crítica de Jouvenel ao gnosticismo político de Hegel

Exame das ideias de Hegel na obra "Du Pouvoir: Histoire naturelle de sa croissance" de Bertrand de Jouvenel (edição de 1972), com ênfase particular no Livro Primeiro, Capítulo III ("Les Théories organiques du Pouvoir") e reflexos no Livro Terceiro, Capítulo VII.

🗿 Introdução: o abandono da ordem natural e a gênese do ídolo

A profunda radiografia da monstruosidade estatal empreendida por Bertrand de Jouvenel em Du Pouvoir encontra um de seus pontos culminantes na análise da revolução filosófica do século XIX. A partir do Livro Primeiro, Capítulo III ("As Teorias orgânicas do Poder"), o autor demonstra como a subversão da ordem católica e medieval - que via a sociedade como uma comunidade de almas sob a lei imutável de Deus - abriu caminho para a idolatria da Nação. Neste contexto de apostasia e de negação da metafísica cristã, emerge a figura de Georg Wilhelm Friedrich Hegel. A obra de Jouvenel revela que Hegel não é apenas um filósofo, mas o sumo sacerdote de um panteísmo político. Ele forneceu ao Minotauro desacorrentado a sua justificação teórica definitiva: a divinização do Estado como a marcha do Absoluto na Terra, obliterando a dignidade da pessoa humana e legitimando os totalitarismos que ensanguentariam os séculos vindouros.

✝️ Da sociedade cristã à hipóstase da nação

Jouvenel constata que, antes da Revolução Francesa e do advento do romantismo filosófico, o pensamento ocidental concebia a sociedade de forma "nominalista". O povo era visto como um agregado de homens reais, detentores de direitos e deveres naturais, subordinados a um fim transcendente. Contudo, a Revolução operou uma profunda comoção psicológica: "O trono não foi derrubado, mas o Todo, a personagem Nação, subiu ao trono" (p. 92). A Nação transformou-se em um "Nós hipostasiado" (p. 92), um Ser supremo que transcende e absorve as partes.

É no bojo desse fervor nacionalista germânico que Hegel, segundo Jouvenel, "formula a primeira doutrina coerente do fenômeno novo e concede à Nação um diploma de existência filosófica" (p. 93). A tragédia do pensamento hegeliano, denunciada pela constatação jouveneliana, reside na dicotomia artificial e perversa que o filósofo alemão estabelece entre a "sociedade civil" e o "Estado". A "sociedade civil" é relegada ao âmbito dos interesses particulares e transitórios. O "Estado", ao contrário, torna-se a encarnação da Razão e da Moralidade objetiva. Para Hegel, o homem só alcança sua destinação verdadeira quando passa a "integrar conscientemente sua atividade na atividade geral, a encontrar sua satisfação na realização da Sociedade, a tomá-la enfim como meta" (p. 93-94).

Para o católico tradicional, tal postulado é a mais rasteira das idolatrias. O fim último do homem não é a Sociedade ou o Estado, mas a Bem-Aventurança eterna em Deus. Ao transferir o fim escatológico para a imanência do Estado hegeliano, o indivíduo perde o seu valor absoluto de criatura feita à imagem e semelhança do Criador, tornando-se uma mera engrenagem sacrificial no altar da "coletividade".

📈 A perversão do bem comum e a justificação do crescimento estatal

A filosofia de Hegel destrói irremediavelmente a concepção tomista e medieval de Bem Comum. Jouvenel ensina que, na Idade Média, o fim do Poder era a Justiça (jus suum cuique tribuere), balizada por uma Lei fixa e pelo Direito Objetivo, o que tornava a atividade do rei "essencialmente conservatória" e colocava um freio no desenvolvimento do Poder (p. 94).

Com a "concepção realista da Sociedade" de jaez hegeliano, "a noção de Bem Comum recebe um conteúdo completamente diferente" (p. 94). O objetivo não é mais proteger o direito do indivíduo, mas "procurar um Bem Social muito menos definido" e realizar uma "Moralidade cada vez mais alta que deve se realizar na Sociedade" (p. 94-95). A consequência dessa indefinição é letal: "Como agente dessa realização, e em razão desse objetivo, o Poder poderá justificar não importa qual crescimento de sua extensão" (p. 95). A teoria hegeliana oferece ao Estado um cheque em branco. Se o fim do Estado é a realização do Espírito, nenhuma barreira moral, costumeira ou religiosa pode se opor à sua fome expansionista.

👁️ O gnosticismo político e a tirania dos "conscientes"

O aspecto mais devastador da análise de Jouvenel sobre Hegel encontra-se na dissecação da "Vontade Geral". Enquanto Rousseau atrelava a vontade geral ao consenso das vontades particulares (ainda que de forma confusa e falha), Hegel a emancipa totalmente do povo real. Para Hegel, a Vontade Geral é aquela que "tende ao objetivo... à realização da vida coletiva mais alta" (p. 96). Ela é o que "deve ser realizado, com ou sem o assentimento dos indivíduos que não têm consciência do objetivo" (p. 96).

Isto engendra uma heresia gnóstica aplicada à política: a ideia de que existe uma "classe universal" (p. 96) iluminada, detentora da verdadeira consciência do sentido da História. Apenas a vontade dessa minoria coincide com o "racional em si e por si" (p. 97). Jouvenel aponta que essa justificação filosófica legitima a violência contra o corpo social. A "parte consciente" não faz violência ao Todo ao forçá-lo, assim como "um parteiro não faz violência, mesmo se emprega a força" para precipitar o nascimento do que deve ser (p. 96-97).

As consequências históricas dessa doutrina são catastróficas, e Jouvenel faz questão de nomear os filhotes teóricos de Hegel:

A Administração prussiana (Beamtenstaat), a burocracia arrogante que acredita que sua vontade não é capricho, mas "conhecimento do que deve ser" (p. 97).

O Socialismo científico de Marx, onde a "parte consciente do Proletariado" fala e quer em nome do Todo, forçando a massa inerte em direção à utopia (p. 97).

O Partido Fascista, que atua como a "parte consciente da Nação, quer pela Nação, e quer a Nação tal como ela deve ser" (p. 97).

Todas essas abominações totalitárias, que afogaram a ordem cristã em rios de sangue, "saem diretamente do hegelianismo" (p. 97). A doutrina de Hegel consagra o direito de uma oligarquia de iluminados - sejam eles intelectuais, burocratas ou líderes partidários - a guiar a maioria pela força, destruindo a liberdade natural sob o pretexto de realizar o "Destino". "Parece que Hegel não quis construir uma teoria autoritária. Mas ela se julga por seus frutos", sentencia implacavelmente Jouvenel (p. 98).

🧠 A dialética do egoísmo e a cegueira moral do pensamento especulativo

Mais adiante na obra (Livro Terceiro, Capítulo VII), ao tratar do caráter expansionista do Poder, Jouvenel retoma, de forma indireta, o problema da justificação hegeliana do Mal na história. O Poder é essencialmente egoísta, mas os grandes conquistadores e os idealistas embriagados de si mesmos tendem a fundir o seu egoísmo com um suposto altruísmo histórico (a astúcia da Razão).

Jouvenel adverte que o pensamento especulativo (do qual Hegel é o ápice) despreza a ordem complexa, cristã e orgânica. Apaixonado pela unidade racional, o intelecto divorciado da Fé busca simplificar e uniformizar o mundo. "Sempre que o intelectual imagina uma ordem simples, ele serve ao crescimento do Poder" (p. 223). A filosofia hegeliana, ao postular uma evolução contínua em que o Estado moderno permite a diferenciação social apenas para "reconduzir uma diversidade sempre crescente a uma unidade cada vez mais rica" (p. 99), fornece a moldura para o esmagamento das autonomias locais e familiares (as autoridades sociais legítimas).

Ao tentar fundar o altruísmo perfeito no Estado, a filosofia produz a tirania absoluta. Pois, como adverte o autor, as mais terríveis falhas políticas derivam de visões arbitrárias do "racional" que ignoram o bom senso e o instinto moral (p. 213-214). A justificação hegeliana de que as paixões particulares e os egoísmos dos governantes acabam por servir a fins sociais inexoráveis (p. 202) é a capitulação definitiva da moralidade perante a brutalidade do Fato consumado.

☠️ Conclusão: o veneno idealista e a ascensão do anticristo político

A análise das ideias de Hegel através da pena magistral de Bertrand de Jouvenel não deixa dúvidas quanto à natureza intrinsecamente perversa do panteísmo estatal. Sob a lente da doutrina católica tradicional, o Estado hegeliano revela-se como o reverso diabólico da Santa Igreja: exige para si a adoração, a obediência incondicional e o sacrifício que pertencem unicamente a Deus.

Ao substituir o Criador transcendente e a Lei Eterna pelo "Deus terreno" marchando na história; ao trocar o Bem Comum objetivo (a Justiça) pela abstração mutável da "realização da vida coletiva"; e, sobretudo, ao armar "eleitos" gnósticos com o dever moral de curvar os ignorantes à base da força, Hegel construiu a catedral intelectual do Totalitarismo. Suas ideias destruíram as defesas morais do indivíduo e das sociedades intermediárias (a família, a Igreja, o município). Sem Deus acima do Poder, o homem foi deixado nu perante o Leviatã moderno, confirmando a tese de Jouvenel de que, longe da Tradição, toda filosofia do Estado é, no fundo, uma apologia da escravidão universal.

📚 Referências

JOUVENEL, Bertrand de. Du Pouvoir: Histoire naturelle de sa croissance. Nova ed. Paris: Hachette, 1972.

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Relativismo - A grande heresia modernista

Perguntado sobre o que está na raiz das heresias de hoje, Schneider responde: A heresia raiz do nosso tempo é relativismo em suas características hegelianas. Isso significa que [ser] não pode haver uma verdade que é objetivamente sempre e em todos os lugares em si mesmo verdadeira. A verdade é, em última análise, feita pelo homem e através do desenvolvimento histórico. (https://www.lifesitenews.com/blogs/bishop-schneider-modernism-condemned-by-pius-x-has-been-realized-in-all-its-devastating-consequences/)

A resposta do Bispo Athanasius Schneider, que identifica o relativismo com características hegelianas como a "heresia raiz" dos nossos tempos, aponta para uma crítica específica ao pensamento de Hegel, especialmente no que se refere à sua concepção da verdade e do desenvolvimento histórico.

Hegel concebia a verdade como um processo dinâmico, não algo estático e imutável. A verdade, para ele, emergia e se desenvolvia ao longo do tempo através de um processo dialético, onde ideias opostas (tese e antítese) entram em conflito, e dessa interação surge uma síntese, uma nova verdade, que, por sua vez, pode se tornar a base de novos conflitos e novas sínteses. Esse movimento contínuo reflete a visão hegeliana de que a história é o palco do desenvolvimento do Espírito (ou Geist), onde a verdade se revela progressivamente.

Elementos hegelianos envolvidos na crítica ao relativismo

Dialética: A ideia de que a verdade se constrói por meio do conflito e síntese de ideias pode ser vista como contribuindo para uma visão relativista, onde a verdade não é fixa, mas muda conforme as circunstâncias históricas e culturais. Essa visão dialética hegeliana pode ser interpretada como uma negação de verdades absolutas e eternas, levando à noção de que tudo é passível de revisão e mudança.

Historicismo: Hegel acreditava que a verdade é algo que evolui com o tempo e que cada estágio da história reflete uma versão mais avançada da verdade. Isso pode ser lido como um precursor do relativismo, onde o que é considerado verdadeiro em um período histórico pode não ser em outro. Essa relativização da verdade ao contexto histórico se choca com a visão de uma verdade objetiva e universal, típica de correntes religiosas tradicionais.

Racionalidade Processual: Hegel sustentava que a realidade e a verdade se manifestam através do processo racional da história. Isso implica que o que é considerado verdadeiro em um ponto do tempo pode ser superado à medida que o Espírito (ou o entendimento da realidade) evolui. Tal perspectiva pode levar à ideia de que a verdade é algo fabricado ou moldado pelo desenvolvimento humano e não algo que existe de maneira independente do tempo e da mente humana.

Crítica ao Absoluto: Apesar de Hegel falar sobre um "absoluto", este absoluto não é uma verdade transcendente e imutável, como seria em uma perspectiva religiosa tradicional. O absoluto hegeliano é algo que se realiza no tempo, na história, e através do desenvolvimento humano. Para Hegel, o absoluto é o fim do processo dialético, algo que é alcançado através da síntese contínua de contradições. Isso é contrastado com a ideia de um absoluto que já existe de forma plena e intangível.

Portanto, a crítica de Schneider é que essa visão hegeliana, quando combinada com o relativismo moderno, mina a ideia de uma verdade eterna e imutável, promovendo a noção de que a verdade é subjetiva e moldada pelas condições históricas. Isso, para ele, seria uma "heresia" porque nega a possibilidade de uma verdade absoluta, em consonância com a visão cristã tradicional de Deus e da verdade como universais e imutáveis.

Essas características hegelianas influenciaram não apenas o relativismo, mas também várias correntes de pensamento pós-modernas, que questionam a existência de uma verdade objetiva.

Eric Voegelin critica Hegel 

Afirma que a filosofia de Hegel não é verdadeiramente filosofia, mas um tipo de "sistema de bruxaria". Essa visão faz parte do contexto mais amplo da crítica de Voegelin ao que ele considerava ser a corrupção da filosofia ocidental desde o período moderno.

Segundo Voegelin, Hegel teria transformado a busca filosófica pela verdade em uma espécie de construção ideológica totalizante. Para Voegelin, Hegel cria um sistema que promete revelar o sentido da história e do espírito humano de uma maneira quase mística, oferecendo uma espécie de redenção ou salvação através do conhecimento, o que para ele seria uma pretensão perigosa e ilusória. Voegelin vê isso como uma forma de gnose, onde Hegel propõe que o homem pode dominar a realidade histórica e espiritual através do seu sistema de pensamento.

Ao chamar o sistema de Hegel de "bruxaria", Voegelin está, de certa forma, associando a obra hegeliana a um tipo de magia intelectual, onde conceitos são manipulados para produzir uma ordem de coisas que não corresponde à realidade transcendente ou à verdade filosófica genuína, mas sim a um produto da imaginação humana que promete poder e controle.

Esse tipo de crítica se enquadra na oposição de Voegelin ao que ele chama de "ideologias", sistemas de pensamento que tentam encapsular a realidade dentro de uma estrutura fechada e que, na visão dele, levam ao totalitarismo e à negação da verdadeira natureza humana e do mistério divino.

O relativismo pode ser considerado uma forma de pensamento

É uma corrente filosófica que sustenta a ideia de que a verdade, os valores morais, e o conhecimento são sempre relativos ao contexto, como cultura, sociedade ou perspectivas individuais. Em vez de haver uma verdade ou um valor absoluto, o relativismo argumenta que esses conceitos variam conforme as circunstâncias ou pontos de vista.

Tipos de relativismo:

Relativismo moral: A ideia de que não existem padrões morais absolutos e que o que é considerado certo ou errado depende de cada cultura ou indivíduo.
Relativismo epistemológico: A ideia de que o conhecimento e a verdade não são universais, mas dependem do contexto, do método de investigação, ou da perspectiva adotada.
Relativismo cultural: A crença de que as práticas e crenças de uma sociedade devem ser entendidas dentro de seu próprio contexto cultural, sem julgamento a partir de critérios externos.

Datas e referências históricas para o relativismo:

Antiguidade:Protágoras (c. 490–420 a.C.), um dos primeiros sofistas gregos, é famoso pela frase "o homem é a medida de todas as coisas", que é uma forma precoce de relativismo epistemológico. Ele argumentava que a verdade é relativa à percepção de cada indivíduo.

Era Moderna:No contexto filosófico moderno, o relativismo ganha força no século XVII e XVIII com pensadores como Michel de Montaigne (1533–1592), que defendia uma visão cética e relativista da moralidade e do conhecimento, argumentando que diferentes culturas têm diferentes verdades.

Século XIX:O historicismo de Hegel (1770–1831) e o perspectivismo de Friedrich Nietzsche (1844–1900) são influentes na consolidação do relativismo. Nietzsche, em particular, argumentava que não existem fatos, apenas interpretações, promovendo a ideia de que as verdades dependem da perspectiva de quem as observa.

Século XX:O relativismo ganha força com o desenvolvimento da antropologia cultural, com figuras como Franz Boas (1858–1942), que defendia o relativismo cultural, argumentando que todas as culturas são igualmente válidas em seus próprios termos.
O pós-modernismo, com filósofos como Michel Foucault e Jean-François Lyotard, também contribui significativamente para o relativismo, questionando a existência de grandes narrativas ou verdades universais e propondo que o conhecimento e a verdade são construções sociais.

A década de 1880 

Foi particularmente significativa com o pensamento de Friedrich Nietzsche e outros intelectuais da época. Durante esse período, o relativismo, juntamente com outras correntes de pensamento como o positivismo e o materialismo, começou a ganhar destaque e foi visto como uma ameaça às doutrinas tradicionais da Igreja, que defendem a existência de verdades morais e teológicas absolutas.

Nietzsche e a crítica ao cristianismo: Nietzsche, com obras como "Assim Falou Zaratustra" (1883) e "Além do Bem e do Mal" (1886), não só promoveu o perspectivismo e o relativismo, mas também fez críticas severas ao cristianismo, chamando-o de uma moralidade que negava a vida. Essas ideias começaram a reverberar nos círculos intelectuais europeus, representando um desafio direto à Igreja Católica e à sua defesa da verdade moral e doutrinária universal.

Resposta da Igreja Católica

A Igreja começou a intensificar suas respostas ao relativismo e ao pensamento secular, como evidenciado no final do século XIX e início do século XX. Um marco importante foi a publicação da encíclica "Aeterni Patris" por Papa Leão XIII, em 1879, onde ele defendeu a restauração da filosofia de São Tomás de Aquino (o tomismo), que reitera a existência de uma verdade objetiva, natural e divina.O tomismo foi promovido como uma resposta ao relativismo, visto que ele apresenta uma visão clara da verdade baseada na razão e na revelação divina, em contraste com a crescente influência de perspectivas filosóficas que relativizavam o conceito de verdade.

A partir de 1880, o relativismo começou a ser visto pela Igreja Católica como uma das "heresias modernas". Esse movimento em direção a uma "verdade relativa" na moral e no conhecimento era contrário à doutrina católica que afirmava a existência de verdades universais e imutáveis, particularmente as verdades teológicas e morais reveladas por Deus.