🕯️São Fabiano, eleito Papa de forma milagrosa quando uma pomba pousou sobre sua cabeça, governou a Igreja de 236 a 250, ano de seu martírio sob o imperador Décio, destacando-se pela organização administrativa de Roma e pelo zelo com os túmulos dos mártires. Juntamente com ele, a Igreja celebra São Sebastião, nascido em Narbona e martirizado em 288; capitão da guarda pretoriana que, valendo-se de seu cargo militar, sustentou a fé dos cristãos perseguidos até ser descoberto, sobrevivendo primeiramente ao suplício das flechas e, após confrontar novamente os imperadores pela sua crueldade, entregou a alma a Deus ao ser açoitado até a morte, tornando-se insigne protetor contra pestes e exemplo de soldado de Cristo.
🎼Introito (Sl 78; 11, 12 e 10 | ib. 1)
Intret in conspéctu tuo, Dómine, gémitus compeditórum: redde vicínis nostris séptuplum in sinu eórum: víndica sánguinem Sanctórum tuórum, qui effúsus est. Ps. Deus, venérunt gentes in hereditátem tuam: polluérunt templum sanctum tuum: posuérunt Ierúsalem in pomórum custódiam.
Chegue à vossa presença, Senhor, o gemido dos cativos. Retribuí sete vezes a nossos vizinhos o mal que fizeram. Vingai o sangue de vossos Santos que foi derramado. Sl. Ó Deus, os gentios invadiram a vossa herança, profanaram o vosso santo templo e reduziram Jerusalém a uma cabana em ruínas.
📜Epístola (Heb 11, 33-39)
Irmãos: Pela fé, os Santos conquistaram reinos, exerceram a justiça e obtiveram promessas, fecharam as bocas dos leões, extinguiram a violência do fogo, livraram-se do fio das espadas, foram curados de suas moléstias, tornaram-se valorosos na guerra e afugentaram exércitos inimigos. Mulheres receberam novamente seus mortos pela ressurreição. Alguns foram cruelmente atormentados, não aceitando ser libertados para melhor ressurreição. Outros sofreram escárnios e açoites, cadeias e prisões; foram lapidados, serrados, torturados, mortos a golpes de espada. Ficaram errantes, cobertos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados de tudo, angustiados, aflitos, eles de quem o mundo não era digno, vagando nos desertos, nas montanhas, cavernas e antros da terra. E todos eles obtiveram aprovação pelo testemunho que davam de sua fé em Jesus Cristo, Nosso Senhor.
✠Evangelho (Lc 6, 17-23)
Naquele tempo, desceu Jesus da montanha, e parou na planície. A comitiva de seus discípulos e uma grande multidão do povo de toda a Judeia, de Jerusalém e da região marítima, de Tiro e de Sidon, tinham concorrido para O ouvir e se curar de todas as suas enfermidades. E os que eram vexados pelos espíritos imundos ficavam curados. E todo o povo procurava tocá-Lo, porque emanava d’Ele uma força que os curava a todos. Erguendo então os olhos para seus discípulos, disse Jesus: Bem-aventurados, vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus. Bem-aventurados os que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados os que agora chorais, porque haveis de rir. Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos repelirem, carregarem de injúrias, e votarem ao desprezo o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem. Alegrai-vos nesse dia, e exultai, porque a vossa recompensa é grande no Reino do céu.
🩸O testemunho da fé e a verdadeira bem-aventurança
🛡️A liturgia de hoje une o sucessor de Pedro e o soldado do império sob o mesmo estandarte do sangue derramado por Cristo, ilustrando perfeitamente a doutrina das Bem-aventuranças proclamada no Evangelho. Enquanto o mundo busca a paz temporal e a fuga da dor, a Igreja, através da Epístola aos Hebreus, recorda-nos que a verdadeira conquista da fé muitas vezes passa por "bocas de leões" e "cadeias e prisões", realidades que tanto Fabiano quanto Sebastião enfrentaram com a dignidade de quem sabe que "o mundo não era digno deles". Santo Agostinho ensina que "os mártires não desprezaram a vida, mas a amaram tanto que não quiseram perdê-la na eternidade por uma breve demora na terra" (Sermão 329), o que ecoa a promessa de Jesus: "Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem". A força que emanava de Cristo para curar a multidão é a mesma graça operante que sustentou Fabiano na administração da Igreja sob perseguição e Sebastião diante das flechas e dos açoites, provando que a virtude da fortaleza não é ausência de medo, mas a subordinação do temor humano ao amor divino, pois, como afirma São Tomás de Aquino, "o martírio é o ato mais perfeito de caridade, pois nele o homem despreza a vida corporal, que é o bem mais amado, por amor a Deus" (Suma Teológica, II-II, q. 124, a. 3).
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