Introito (Sb 1, 7; Sl 67, 2) - Spíritus Dómini replévit orbem terrárum, allelúja: et hoc quod cóntinet ómnia, sciéntiam habet vocis, allelúja, allelúja, allelúja. Exsúrgat Deus, et dissipéntur inimíci ejus: et fúgiant, qui odérunt eum, a fácie ejus. Glória Patri... Spíritus Dómini...
🕊️ A Quinta-feira na Oitava de Pentecostes reveste-se de particular beleza na liturgia tradicional romana. Originalmente, nos primeiros séculos da Igreja, este dia não possuía missa própria, servindo como um merecido descanso para o Soberano Pontífice e para os fiéis após as longas vigílias da Quarta-feira de Têmporas. Foi o Papa São Gregório II, no dealbar do século VIII, quem preencheu esta lacuna, estabelecendo a estação litúrgica na antiquíssima basílica de San Lorenzo fuori le mura. A escolha deste venerável santuário, guardião das relíquias do glorioso diácono e mártir São Lourenço, reveste-se de profunda teologia: serve para recordar aos neófitos, recém-ungidos com os dons celestes no Pentecostes, que o Espírito Santo nos é dado primariamente para nos armar com uma coragem invencível. O testemunho cristão exige uma firmeza heróica e, se preciso for, o próprio derramamento de sangue em defesa da ortodoxia.
← Voltar🛐 O envio apostólico, delineado pelo Divino Mestre no santo Evangelho de hoje, revela a essência da nossa militância espiritual: Cristo confere aos discípulos um poder absoluto sobre os demónios e as enfermidades, instruindo-os a não se apoiarem nas seguranças caducas desta vida - nem bordão, nem saco, nem dinheiro. O diácono Filipe, ecoando esta missão na Epístola, desce a Samaria e, munido unicamente da força do Paráclito, afugenta os espíritos imundos, trazendo a verdadeira alegria da salvação. Quão trágico é o contraste com os nossos dias, em que os homens modernos já não suportam a sã doutrina e a verdade objetiva. Embriagados pela soberba e repelindo o rigor da ascese cristã, multiplicam para si mestres que apenas afagam as suas paixões e desejos desordenados, deixando-se engodar por fábulas mundanas. Pior ainda é a astúcia daqueles que tentam adaptar a imaculada Igreja de Cristo às máximas do mundo, procurando corrompê-la por dentro e diluindo a mensagem evangélica para não desagradar aos que jazem nas trevas. Os Doutores da Igreja advertem-nos severamente contra este espírito de concessão. A ordem de Jesus para sacudir o pó dos pés naquelas casas que recusam a verdade demonstra que a fé católica não negocia com a iniquidade. É necessário que preservemos em nós o fogo inflexível de Pentecostes, rejeitando toda e qualquer ideologia que tente adulterar o depósito sagrado, e permanecendo fiéis, como soldados de Cristo, à Tradição que nos santifica.