Introito - (Sl 85, 1, 2-3, 4) Inclína, Dómine, aurem tuam ad me, et exáudi me: salvum fac servum tuum, Deus meus, sperántem in te: miserére mihi, Dómine, quóniam ad te clamávi tota die. Ps. Lætífica ánimam servi tui: quia ad te, Dómine, ánimam meam levávi. ℣. Glória Patri...Inclinai, Senhor, os vossos ouvidos para mim e atendei-me; salvai o vosso servo, ó meu Deus, que em Vós espera. Tende compaixão de mim, Senhor, pois a Vós clamei o dia inteiro. Sl. Alegrai a alma do vosso servo, porque a Vós, Senhor, elevei a minha alma. ℣. Glória ao Pai...
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No ciclo do Tempo depois de Pentecostes, a Santa Igreja faz peregrinar suas assembléias místicas pelas verdades profundas da justificação e do combate cristão, recolhendo os fiéis nos mistérios da redenção contínua operada pelo Espírito Santo; nas celebrações deste domingo, a tradição litúrgica contempla com veneração o poder vivificante de Cristo que detém o cortejo do erro e do pecado, ecoando as preces seculares elevadas na Cidade Eterna na venerable Basílica de Santa Sabina no monte Aventino.
Vede que espetáculo de dor e majestade se desdobra diante de nossos olhos nos portões de Naim! Caminhava a multidão cega embalada pelo choro de um cortejo fúnebre, arrastando para fora dos muros da salvação um jovem inerte, figura eloquente daquela alma que, iludida pelas seduções passageiras da carne e anestesiada pelo veneno da autossuficiência mundana, caiu morta na escuridão da culpa. O mundo de nossos dias, embriagado por novidades fáceis e avesso ao jugo santificador do Calvário, zomba da morte da alma e procura ocultar a podridão espiritual sob as vestes enganosas do louvor terreno e do aplauso mútuo. Contudo, adverte o grande Doutor de Hipona, a viúva em lágrimas nada mais representa senão a própria Igreja Mãe, que geme e derrama pranto incessante sobre os filhos arrebatados pelo pecado para o abismo da perdição eterna. Ao aproximar-se do féretro e tocar o esquife das paixões desregradas, Nosso Senhor impõe silêncio aos carregadores do erro e ordena com voz onipotente: Levanta-te! Não há conciliação possível entre a vida verdadeira e a corrupção do século, pois não se pode zombar da majestade de Deus; quem semeia na concupiscência colhe ruína, mas quem se submete à austeridade salutar do Espírito colhe a vida perene. Como proclamava o insigne pregador de Constantinopla, aquele que foi reerguido pelo toque da misericórdia divina não pode mais jazer na tibieza nem contemporizar com as fraquezas da época, antes deve cingir-se da caridade fraterna e da firmeza na fé, deixando-se restituir ao regaço da Igreja para falar a linguagem dos redimidos e testemunhar com coragem que o Senhor visitou e resgatou o seu povo.
Epístola (Gl 5, 25-26; 6, 1-10) - Fratres: Si spíritu vívimus,
spíritu et ambulémus. Non
efficiámur inanis glóriæ cúpidi,
ínvicem provocántes, ínvicem
invidéntes. Fratres, et si præoc
cupátus fúerit homo in áliquo
delícto, vos, qui spirituáles
estis, hujúsmodi instrúite in
spíritu lenitátis, consíderans
teípsum, ne et tu tentéris. Al
ter alteríus ónera portáte, et
sic adimplébitis legem Christi.
Nam si quis exístimat se áliquid
esse, cum nihil sit, ipse se sedú
cit. Opus autem suum probet
unusquísque, et sic in semetípso
tantum glóriam habébit, et non
in áltero. Unusquísque enim
onus suum portábit. Commú
nicet autem is, qui catechizátur
verbo, ei, qui se catechízat, in
ómnibus bonis. Nolíte erráre:
Deus non irridétur. Quæ enim
semináverit homo, hæc et me
tet. Quóniam qui séminat in
carne sua, de carne et metet
corruptiónem: qui autem sémi
nat in spíritu, de spíritu metet
vitam ætérnam. Bonum autem
faciéntes, non deficiámus: tém
pore enim suo metémus, non
deficiéntes. Ergo, dum tempus
habémus, operémur bonum ad
omnes, maxime autem ad do
mésticos fídei.
Irmãos: Se vivemos pelo Espírito, andemos também segundo o Espírito. Não sejamos cobiçosos de vanglória, provocando-nos uns aos outros e invejando-nos reciprocamente. Irmãos, se alguém for surpreendido em alguma falta, vós, que sois espirituais, admoestai-o com espírito de mansidão, olhando para ti mesmo, para que não sejas também tentado. Carregai os fardos uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo. Porque, se alguém cuida ser alguma coisa, não sendo nada, a si mesmo se engana. Mas examine cada um a sua própria obra, e então terá motivo de glória somente em si mesmo, e não no outro. Pois cada qual carregará o seu próprio fardo. Aquele que é instruído na palavra faça participante de todos os bens aquele que o instrui. Não vos enganeis: de Deus não se zomba. Pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne colherá corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não desfalecermos. Portanto, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.
Evangelho (Lc 7, 11-16) - In illo témpore: Ibat Jesus in civitátem, quæ vocátur Naim: et ibant cum eo discípuli ejus, et turba copiósa. Cum autem appropinquáret portæ civitátis, ecce defúnctus efferebátur fílius únicus matris suæ: et hæc vídua erat: et turba civitátis multa cum illa. Quam cum vidísset Dóminus, misericórdia motus super eam, dixit illi: Noli flere. Et accéssit, et tétigit lóculum. (Hi autem, qui portábant, stetérunt.) Et ait: Adoléscens, tibi dico, surge. Et resédit qui erat mórtuus, et cœpit loqui. Et dedit illum matri suæ. Accépit autem omnes timor: et magnificábant Deum, dicéntes: Quia Prophéta magnus surréxit in nobis: et quia Deus visitávit plebem suam.
Naquele tempo, ia Jesus para uma cidade chamada Naim, e iam com Ele os seus discípulos e uma grande multidão. Quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam a enterrar um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva, e vinha com ela muita gente da cidade. Vendo-a, o Senhor moveu-se de compaixão para com ela e disse-lhe: Não chores. Depois, aproximou-se e tocou no esquife. (E os que o levavam pararam.) Disse então Jesus: Jovem, Eu te digo, levanta-te. E o que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus entregou-o à sua mãe. Todos ficaram possuídos de temor e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta surgiu entre nós, e Deus visitou o seu povo.