sábado, 11 de julho de 2026

11 Julho ✧ S. Pio I, Papa e Mártir ✧ a rocha inabalável contra o veneno das novidades

Introito - Si díligis me, Simon Petre, pasce agnos meos, pasce oves meas. Ps. Exaltábo te, Dómine, quóniam suscepísti me, nec delectásti inimícos meos super me. V. Glória Patri...Se tu me amas, Simão Pedro, apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Sl. Eu Vos glorificarei, Senhor, porque me recebestes, e não permitistes que os meus inimigos se alegrassem à minha custa. V. Glória ao Pai...

Eleito para ocupar a Cátedra da Verdade em meados do século II, o glorioso São Pio I empunhou o leme da Barca de Pedro entre os anos 140 e 155, atravessando as tormentas sangrentas das perseguições imperiais e os rochedos ocultos dos desvios teológicos. Contemporâneo do grande apologista São Justino, este vigário de Cristo deparou-se com o lobo vestido em pele de ovelha chamado Marcião, um mestre da falsidade que tentou injetar suas doutrinas venenosas no próprio coração de Roma. Com a firmeza inabalável que herda da rocha apostólica, São Pio I não dialogou com o erro, mas desembainhou a espada espiritual da excomunhão, expulsando o herege e preservando o rebanho intacto. Coroando seu pontificado com o provável testemunho do próprio sangue, entregou sua alma ao Supremo Pastor por volta de 155. Seus veneráveis restos mortais foram depositados na colina do Vaticano, repousando à sombra da Basílica de São Pedro, junto àquele primeiro Apóstolo do qual foi sucessor fidelíssimo e valente defensor.


Apascentai o rebanho de Deus que vos está confiado! Eis a ordem suprema que ressoa na Epístola desta missa e ecoa através dos séculos, batendo às portas da nossa consciência. O que significa, afinal, apascentar? Será acaso afagar as ovelhas até que adormeçam à beira do abismo? Meus irmãos, contemplai a figura majestosa de São Pio I! A vocação sublime de todo santo, mormente daqueles que se assentam na Cátedra, nasce de um combate de vida ou morte contra as trevas de seu tempo. Naqueles idos do século II, o lobo não rosnava apenas do lado de fora, armado com as espadas dos Césares; ele tentava arrombar o redil por dentro, destilando um ensinamento adoçado, cortando das Escrituras o que lhe parecia duro, modelando um cristianismo de conveniência. Marcião queria uma religião que agradasse ao paladar dos soberbos, esvaziada do madeiro sangrento e da cruz austera. Acaso o nosso tempo não sofre de uma febre semelhante? Vemos almas anestesiadas pelo conforto fugaz desta terra, torcendo o pescoço à sã doutrina, exigindo altares onde o sacrifício ceda lugar ao banquete e onde as verdades do Céu sejam rebaixadas para não ofender as vaidades terrenas. Desejam, sob o pretexto de caridade e adaptação, introduzir sutis ranhuras no majestoso edifício da fé, para que por ali escoe o rigor do Calvário e entre o ar putrefato das aprovações mundanas. Mas olhai para o Evangelho! Cristo não fundou sua Igreja sobre a areia móvel das opiniões humanas ou sobre as lisonjas dos intelectuais de praça. Vós sois Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja! São Leão Magno, o Doutor da voz de trovão, nos recorda que a solidez prometida a Simão permanece viva em seus sucessores, cuja vocação não é render-se ao aplauso dos homens, mas confirmar os irmãos na verdade inegociável. São Pio I não recuou; cortou a gangrena, preferindo desagradar a um falso mestre a trair o olhar fulgurante do Sumo Pastor. Ele sabia que a coroa imarcescível da glória, mencionada por São Pedro, exige que, primeiro, passemos pelas pedras do sofrimento. Que nós, ovelhas deste mesmo rebanho, não nos deixemos embriagar pelos enganos envernizados que circulam em nossos dias. Cerremos fileiras em torno daquela rocha perene! Amemos a majestade dos santos dogmas, abracemos a aspereza salutar da cruz e repudiemos toda palavra que, sorrindo docemente, tente nos roubar a pérola preciosa da fé católica. O mundo passa com suas fábulas e comodidades; mas a Igreja, edificada pelo sangue de mártires como o Papa Pio I, permanece de pé, como farol eterno a guiar as almas para a pátria celeste!

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Epístola (I Pe 5, 1-4.10-11) - Caríssimos: Aos anciãos entre vós exorto eu, ancião como eles e testemunha dos padecimentos de Cristo, como também companheiro na glória que se há de manifestar. Apascentai o rebanho de Deus que vos está confiado; tende cuidado dele, não constrangidos, mas de bom grado, segundo Deus, não por amor de lucro vil, mas por dedicação, não como que exercendo domínio sobre os Eleitos, mas fazendo-vos de coração modelos do rebanho. Quando então aparecer o Supremo Pastor recebereis a coroa imarcessível da glória. O Deus de toda a graça, que no Cristo Jesus nos chamou para a sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, fortificará e consolidará. A Ele a glória e por todos os séculos. Amen.


Evangelho (Mt 16, 13-19) - Naquele tempo, veio Jesus para os lados de Cesareia de Filipe, e interrogou os seus discípulos: Na opinião dos homens quem é o Filho do homem? E eles responderam: Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que Jeremias ou algum dos Profetas. Disse-lhes Jesus: E vós, quem julgais que eu sou? Tomando a palavra, Simão Pedro disse: Vós sois o Cristo, Filho de Deus vivo. E respondendo, Jesus disse: Bem-aventurado és tu, Simão Bar Jonas [filho de Jonas], porque não foi a carne e o sangue que te revelaram isso, mas meu Pai que está nos céus. E por isso te digo que és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus. E tudo que ligares sobre a terra, será ligado nos céus; e tudo o que desligares sobre a terra, será desligado nos céus.