segunda-feira, 14 de setembro de 2026

14 de Setembro - Exaltação da Santa Cruz - o triunfo do madeiro sobre a vaidade do mundo

Introito - (Gal 6, 14; Sl 66, 2) Nos autem gloriári opórtet in Cruce Dómini nostri Iesu Christi: in quo est salus, vita, et resurréctio nostra: per quem salváti, et liberáti sumus. ℣. Deus misereátur nostri, et benedícat nobis: illúminet vultum suum super nos, et misereátur nostri. ℣. Glória Patri...Quanto a nós, devemos gloriar-nos na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, na qual está a nossa salvação, vida e ressurreição; por Ele fomos salvos e livres. Que Deus tenha piedade de nós e nos abençoe; faça resplandecer sobre nós a sua Face e se compadeça de nós.


Audio do texto

No ano de 628, o imperador Heráclio resgatou das mãos dos persas a relíquia inestimável da Verdadeira Cruz, restituindo-a de modo triunfal à Cidade Santa de Jerusalém. O soberano, despindo-se de seus ornamentos imperiais e pisando o chão descalço, carregou pessoalmente o lenho sagrado até o Calvário, ensinando aos séculos vindouros que a mais alta glória terrestre deve curvar-se humildemente diante do patíbulo da Redenção. Hoje, a Igreja Católica não chora diante de um instrumento de tortura, mas prostra-se jubilosa ante o trono real do Deus feito homem, celebrando o paradoxo divino onde a morte foi engolida e aniquilada pela própria Vida. Os fiéis acorrem espiritualmente (e muitos de forma presencial) à Basílica de Santa Cruz em Jerusalém, em Roma, o relicário monumental erguido para guardar os tesouros da Paixão trazidos por Santa Helena, para ali adorar o estandarte da salvação e suplicar a graça do desapego de todas as ilusões seculares.

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Levantai os olhos para o altar, ó cristão, e dizei-me o que vedes! Eis ali fincado o estandarte do nosso Rei, o madeiro tinto pelo Sangue do Cordeiro. Vivemos, contudo, numa época tenebrosa em que uma multidão seduzida pelas facilidades mundanas deseja um cristianismo sem Calvário. Erguem-se santuários que são pura encenação, onde o homem rouba o lugar de Deus e exige para si o centro do espetáculo. Nessas assembleias, que preservam um fino verniz de piedade e o vocabulário de domingo, a fé foi rebaixada a um mero sentimento de pertencimento a um grupo social, e a doutrina sólida derreteu-se num pântano de opiniões instáveis para não ofender a ninguém. É uma falsa religião de máscaras, que aplaude a si mesma, onde o sacrifício redentor foi cordialmente banido para dar lugar a confraternizações puramente terrenas. Mas a divina Liturgia de hoje rasga os céus para desmascarar essa mentira! O Apóstolo Paulo, na Epístola, revela-nos a lógica insondável de Deus: o Eterno aniquilou-Se, tomou a forma de escravo e obedeceu até a morte de Cruz. É precisamente aqui, ensina o grande Santo Agostinho, que a mais profunda humilhação se encontra com a mais sublime exaltação. O mundo tenta subir pisando nos outros; Cristo subiu descendo, esvaziando-Se, para então receber o Nome acima de todo nome. A verdadeira Religião Católica, longe de ser um teatro de consolo passageiro, é um combate brutal contra o império das trevas. No Evangelho, o próprio Salvador proclama que, ao ser elevado da terra, atrairá tudo a Si. Ele não convida a humanidade para um banquete de vaidades, mas atrai as almas para a dureza salvífica do altar da renúncia. Como bem recordou Santo Ireneu, se o madeiro do Éden nos mergulhou na morte pela rebelião de Adão, foi o madeiro do Gólgota que nos devolveu a vida pela obediência do Novo Adão. Fugir da Cruz é abraçar o vazio. Aceitar a ilusão de uma estrutura que apenas festeja o afeto humano é caminhar de olhos vendados para o abismo. Ajoelhai-vos, pois, diante do Crucifixo! Reconhecei nEle o único antídoto contra a heresia moderna que tenta construir um paraíso na terra sem o suor da penitência. Caminhai enquanto tendes a Luz, deixai que o madeiro sagrado quebre o vosso orgulho e trocai os aplausos efêmeros desta vida passageira pela glória imortal daquele que, pendente da Cruz, governa todas as nações.


Epístola (Filip 2, 5-11) - Fratres: Hoc enim sentíte in vobis, quod et in Christo Iesu: qui cum in forma Dei esset, non rapínam arbitrátus est esse se æquálem Deo: sed semetípsum exinanívit formam servi accípiens, in similitúdinem hóminum factus, et hábitu invéntus ut homo. Humiliávit semetípsum, factus obédiens usque ad mortem, mortem autem crucis. Propter quod et Deus exaltávit illum, et donávit illi nomen, quod est super omne nomen: (hic genuflectitur) ut in nómine Iesu omne genu flectátur cæléstium, terréstrium et infernórum: et omnis lingua confiteátur, quia Dóminus Iesus Christus in glória est Dei Patris. Irmãos: Tende em vós os mesmos sentimentos que Jesus Cristo teve, o qual, sendo Deus por natureza, não julgou usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens e sendo reconhecido como homem pela sua aparência. Humilhou-se a Si mesmo, feito obediente até à morte, e morte de Cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um Nome que está acima de todo nome (aqui todos se ajoelham), a fim de que ao Nome de Jesus se dobrem os joelhos de todos os que estão nos céus, na terra e nos infernos, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor na glória de Deus Pai.


Evangelho (Jo 12, 31-36) - In illo témpore: Dixit Iesus turbis Iudæórum: Nunc iudícium est mundi: nunc princeps huius mundi eiiciétur foras. Et ego si exaltátus fúero a terra, ómnia traham ad meípsum. (Hoc autem dicébat, signíficans qua morte esset moritúrus.) Respóndit ei turba: Nos audívimus ex lege, quia Christus manet in ætérnum: et quómodo tu dicis: Opórtet exaltári Fílium hóminis? Quis est iste Fílius hóminis? Dixit ergo eis Iesus: Adhuc módicum lumen in vobis est. Ambuláte, dum lucem habétis, ut ténebræ vos non comprehéndant: et qui ámbulat in ténebris, nescit quo vadat. Dum lucem habétis, crédite in lucem, ut fílii lucis sitis. Naquele tempo, disse Jesus às multidões dos judeus: Agora é o julgamento deste mundo. Agora é que o príncipe deste mundo será expulso. E Eu, quando for elevado da terra, atrairei tudo a mim. (Isto Ele dizia para indicar de que morte havia de morrer). Respondeu-Lhe a multidão: Nós ouvimos da lei que o Cristo permanecerá eternamente. Como então dizeis vós que é preciso que o Filho do homem seja elevado? Quem é esse Filho do homem? Disse-lhes Jesus: Ainda por um pouco de tempo a Luz está entre vós. Caminhai, enquanto tendes luz, para que as trevas não vos surpreendam; quem anda nas trevas, não sabe para onde vai. Enquanto tendes a luz, crede na luz, a fim de que sejais filhos da luz.

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