Nascido na Inglaterra no ano de 675, São Bonifácio consagrou sua vida à expansão do Reino de Cristo, abandonando a tranquilidade monástica para levar a luz do Evangelho às rudes terras da Germânia. Sagrado bispo e depois arcebispo, organizou com admirável zelo a hierarquia eclesiástica da região por meio de sínodos e de uma fidelidade inabalável à Sé Romana. Seu amor a Deus era um fogo devorador que não buscava as próprias comodidades, mas a conversão das almas, enxergando em cada pagão uma ovelha a ser resgatada para o aprisco do Senhor. Após décadas de fecundo apostolado, coroou sua carreira com o derramamento do próprio sangue, sendo martirizado na Frísia em 5 de junho de 754, ferido pela espada daqueles que tentava salvar. Suas veneráveis relíquias repousam hoje na Catedral de Fulda, testemunhando eternamente a bravura de um pastor que jamais fugiu diante dos lobos.
A glória imorredoura dos justos, magnificamente exaltada no livro do Eclesiástico, não se alicerça na vã aprovação das multidões, mas na perfeita configuração à Sabedoria divina, realidade que São Bonifácio encarnou até o último suspiro. Em flagrante oposição a esta santidade, a mentalidade moderna rejeita obstinadamente a sã doutrina e a necessidade do sacrifício; os homens de hoje multiplicam mestres segundo seus desejos desordenados, seduzidos por fábulas e pelos prazeres mundanos que asfixiam o espírito. Vemos, com dor, a terrível tentativa de corromper a Igreja por dentro, adaptando os ensinamentos eternos para agradar aos homens e mendigar glórias temporais, em vez de buscar unicamente agradar a Deus. Contudo, o Evangelho das Bem-aventuranças recorda que o Reino dos Céus pertence aos pobres de espírito e aos que sofrem perseguição por amor da justiça. Como ensinam os Doutores da Igreja, o verdadeiro mártir não se curva ao espírito do mundo nem dilui o Evangelho para evitar o opróbrio; pelo contrário, imitando a Cristo, sua morte torna-se semente fecunda de novos cristãos. Bonifácio, armado com a mansidão e a pureza de coração exigidas no Sermão da Montanha, enfrentou as trevas do paganismo sem jamais ceder ao erro, provando que a Igreja triunfa não por meio de concessões covardes, mas pela fidelidade heroica daqueles que amam a Deus acima da própria vida.
O santo do dia, Padre Lehmann
Epístola (Eclo 44, 1-15) - Louvemos esses homens ilustres, nossos pais, em suas gerações. Por eles o Senhor operou muitas maravilhas e assinalou seu poder desde o começo. Dominaram em seus estados; foram homens grandes em poder, dotados de prudência; pelos fatos que anunciaram, provaram sua dignidade de profetas. Eles dirigiram o povo de seu tempo e as nações receberam a força de sua sabedoria pelos seus ensinamentos santíssimos. Inventaram por sua habilidade acordes harmoniosos e publicaram cânticos em seus escritos. Eram homens ricos em virtude; tiveram gosto pela beleza e estabeleceram a paz em suas casas. Todos eles conquistaram a glória entre as gerações de seu povo e foram louvados em seus dias. Seus descendentes deixaram um nome que fez brilhar seu louvor. Outros foram esquecidos; pereceram como se não tivessem existido. Nasceram, como se não tivessem nascido, e como eles, os seus filhos. Aqueles eram homens de misericórdia, cujas obras de piedade subsistem para sempre. Os bens que deixaram permanecem para sua posteridade; seus netos são uma santa herança e seus descendentes ficaram fiéis à aliança. Por causa deles, seus filhos viverão eternamente. Sua descendência e sua glória não terão fim. Seus corpos foram sepultados em paz e seu nome viverá de geração em geração. Exaltem os povos sua sabedoria e a assembléia publique os seus louvores.
Evangelho (Mt 5, 1-12) - Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, subiu a um monte, e, tendo-se assentado, aproximaram-se d'Ele os seus discípulos. E, abrindo sua boca, ensinava-lhes, dizendo: Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus. Bem-aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça porque deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, falarem todo o mal contra vós, por minha causa. Alegrai-vos, e exultai, porque a vossa recompensa será grande nos céus.