Nascido em Xanten por volta de 1080, São Norberto viveu confortavelmente imerso nas vaidades da corte eclesiástica até que, em 1115, foi derrubado de seu cavalo por um raio aterrador, ouvindo no íntimo de sua alma o chamado imperioso à conversão. A partir daquele instante, trocou o mundanismo por uma vida de extrema penitência e ardente zelo apostólico, fundando a Ordem dos Premonstratenses em 1120, na França, unindo o rigor ascético monástico à cura de almas sob a regra de Santo Agostinho. Nomeado Arcebispo de Magdeburgo em 1126, defendeu a presença real de Nosso Senhor na Santa Eucaristia contra as heresias de Tanchelmo e reformou corajosamente o clero, suportando perseguições e severos atentados contra a sua própria vida. Entregou sua alma purificada a Deus em 6 de junho de 1134. Suas sagradas relíquias repousam hoje gloriosamente no Mosteiro de Strahov, em Praga, para onde foram transladadas no século XVII a fim de protegê-las das profanações protestantes.
A liturgia que exalta o sacerdócio magnânimo de São Norberto levanta-se como vigorosa condenação contra a mentalidade moderna, a qual, imersa em futilidades, rejeita a sã doutrina e despreza profundamente o espírito de sacrifício. O Evangelho desta festa mostra-nos que o servo fiel multiplica seus talentos pela renúncia e pelo labor árduo, enquanto a nossa época, insaciável em seus desejos desordenados, oculta a Verdade e multiplica para si falsos mestres, deixando-se seduzir por fábulas vãs e pelos efêmeros prazeres mundanos. Constatamos com pavor a sistemática tentativa de corromper a Igreja a partir de suas próprias entranhas, num esforço ilegítimo de adaptá-la às demandas corrompidas do século para agradar aos homens e mendigar glórias humanas, esquecendo-se do dever fundamental de agradar unicamente a Deus. Contra esse espírito de pusilanimidade, a trajetória do Bispo de Magdeburgo resplandece luminosa; ele não recuou diante da fúria dos hereges sacramentais, ratificando, no espírito da teologia de Santo Tomás de Aquino e nos ensinamentos de Santo Agostinho, que a autêntica caridade exige intransigência absoluta frente ao erro, pois amar as almas implica subtraí-las da falsidade. Somente os que repudiam as adaptações complacentes e guardam a integridade da Fé ouvirão do Soberano Juiz o dulcíssimo convite para adentrar na alegria de seu Senhor.
Introito (Eclo 45, 30) - Státuit ei Dóminus testaméntum pacis, et príncipem fecit eum: ut sit illi sacerdótii dígnitas in aetérnum. Ps. Meménto, Dómine, David: et omnis mansuetúdinis ejus.
O santo do dia, Padre Lehmann
Epístola (Eclo 44, 16-27; 45, 3-20) - Eis o grande sacerdote que nos dias de sua vida agradou a Deus e foi considerado justo; no tempo da ira, tornou-se a reconciliação dos homens. Ninguém o igualou na observância das leis do Altíssimo. Por isso o Senhor jurou que o havia de glorificar em sua descendência. Abençoou nele todas as nações e confirmou sua aliança sobre a sua cabeça. Distinguiu-o com as suas bênçãos; conservou-lhe a sua misericórdia e ele achou graça diante do Senhor. Enalteceu-o diante dos reis e deu-lhe uma coroa de glória. Fez com ele uma aliança eterna; deu-lhe o sumo sacerdócio, e encheu-o de felicidade na glória, para exercer o sacerdócio, cantar louvores a seu Nome e oferecer-Lhe dignamente incenso de agradável odor.
Evangelho (Mt 25, 14-23) - Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: Um homem, indo viajar para longe, chamou os seus servos e entregou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, e ao terceiro um, a cada qual segundo a sua capacidade. E partiu logo depois. Aquele que havia recebido os cinco talentos, foi-se e negociou com eles, e lucrou outros cinco. Da mesma sorte, o que recebera os dois talentos ganhou também outros dois. Mas o que havia recebido um só, foi cavar a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor. Passado muito tempo, voltou o senhor desses servos, e chamou-os a contas. Aproximando-se o que tinha recebido cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco, dizendo-lhe: Senhor, vós me entregastes cinco talentos; eis outros cinco mais que lucrei. Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel, porque foste fiel no pouco, sobre muito te porei; entra na alegria de teu senhor. Apresentou-se também o que recebera os dois talentos e disse: Senhor, vós me entregastes dois talentos; eis aqui outros dois mais que eu ganhei. Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel, porque foste fiel no pouco, sobre muito te porei; entra na alegria de teu Senhor.