domingo, 7 de junho de 2026

Segundo Domingo Depois de Pentecostes ✧ a ceia do senhor e o amor fraterno

Introito (Sl 17, 19-20; 2-3) - Factus est Dóminus protéctor meus, et edúxit me in latitúdinem: salvum me fecit, quóniam vóluit me. Ps. Díligam te, Dómine, virtus mea: Dóminus firmaméntum meum, et refúgium meum, et liberátor meus.

O Tempo depois de Pentecostes simboliza a longa peregrinação da Igreja militante através dos séculos, guiada pelo Espírito Santo até a glória da segunda vinda de Cristo. Neste 2º Domingo, a Liturgia sagrada exalta o mistério do chamamento divino por meio da parábola do grande banquete, prefiguração inequívoca da Sagrada Eucaristia e das núpcias celestiais. O Tempo de Pentecostes, em sua profunda antiguidade no rito romano, não designa uma Igreja Estacional específica para este dia, sublinhando magistralmente a universalidade da Igreja que, não mais restrita a um único local, espalha-se pelos caminhos e praças do mundo inteiro, chamando os necessitados para a ceia do Cordeiro.

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A parábola do grande banquete expõe, de modo assustador e profético, a tragédia da recusa humana ao convite de Deus. Como nos ensina São Gregório Magno, a dureza de coração cega as almas, impedindo-as de enxergar a ceia eterna. Hoje, vemos essa mesma recusa metodicamente multiplicada: a mentalidade moderna, embriagada por si mesma, rejeita frontalmente a sã doutrina e o sacrifício da cruz, preferindo eleger mestres complacentes que afaguem e justifiquem os seus desejos desordenados. Tal como os convidados que desprezaram o banquete alegando a compra de terras, bois e novas núpcias, os homens de nossa era são seduzidos por fábulas vãs e pelos ruidosos prazeres mundanos. Pior ainda é o mal interno: a tentativa de corromper a Igreja por dentro, suavizando suas verdades imutáveis numa tentativa desesperada de agradar aos homens e mendigar aplausos temporais, esquecendo-se de agradar a Deus. Santo Agostinho adverte que os bens terrenos são frequentemente usados como pretexto para a mais vil ingratidão, enquanto Santo Ambrósio, ecoando a Epístola de São João lida hoje, cobra a coerência de uma fé que opera pela caridade concreta, ensinando que a fé sem o sacrifício das obras é letra morta. O mundo nos odeia porque a Verdade ofende as trevas. Que possamos ser como os pobres, cegos e aleijados recolhidos nas vielas: almas que reconhecem a própria miséria e correm, sem escusas, para o abraço do Senhor.