A Conversão do Judeu Revolucionário


⚕️ A cura da alma revolucionária: a conversão como única solução para o espírito judaico

O epílogo da obra O Espírito Revolucionário Judaico e Seu Impacto na História Mundial, de E. Michael Jones, intitulado "A Conversão do Judeu Revolucionário", serve como a conclusão teológica e a resolução final para a vasta tese histórica desenvolvida ao longo dos trinta e dois capítulos anteriores. Após documentar o que ele define como o "espírito revolucionário judaico" - uma força de subversão nascida da rejeição do Logos encarnado em Cristo -, o autor argumenta que a única solução verdadeira e definitiva para este conflito histórico e espiritual não é política, social ou ecumênica, mas sim a conversão individual do judeu à Fé Católica. Este ato de submissão ao Logos é apresentado como o supremo ato contrarrevolucionário, a cura da alma que põe fim à rebelião existencial que, segundo o autor, tem atormentado o povo judeu e o mundo por dois milênios.

📚 O paradigma de Mortimer Adler: a filosofia como precursora insuficiente da fé

O autor utiliza a figura do filósofo Mortimer Adler como o principal estudo de caso para ilustrar tanto o potencial quanto as limitações da razão desassistida pela graça. Adler, um proeminente intelectual judeu, dedicou sua vida ao estudo de Aristóteles e Santo Tomás de Aquino, tornando-se um dos mais notáveis tomistas do século XX. No entanto, para Jones, a jornada de Adler representa a tragédia da filosofia que se recusa a dar o passo final para a teologia. A razão, na tradição católica, é a "serva da teologia" (ancilla theologiae); ela pode levar o homem até o limiar da fé, mas não pode forçá-lo a cruzar essa porta. A recusa de Adler em se converter ao Catolicismo durante a maior parte de sua vida, apesar de sua profunda imersão no pensamento católico, é vista como um ato de orgulho intelectual - a tentativa de alcançar a salvação por seus próprios méritos filosóficos, em vez de aceitá-la como um dom gratuito da graça divina.

A conversão de Adler, ocorrida apenas em seu leito de morte, é interpretada como a capitulação final e necessária ao Logos. Somente no fim da vida, Adler compreendeu que a filosofia, por si só, era insuficiente e que a verdadeira sabedoria culminava na aceitação de Cristo. Essa narrativa serve para reforçar a ideia de que a rejeição do Logos não pode ser superada apenas pela razão natural; exige um ato sobrenatural de fé.

🕍 A crítica ao "judaísmo" e ao diálogo pós-conciliar

A análise de Adler é aprofundada pela introdução da perspectiva de Cornelia Ferreira, uma escritora católica tradicionalista que criticou duramente o papel de Adler antes de sua conversão. Segundo Ferreira, Adler, ao promover um sistema de educação baseado nos "Grandes Livros" e na razão aristotélica como um fim em si mesmo, estava na verdade "judaizando" a cultura - ou seja, promovendo uma forma de naturalismo que sutilmente minava a primazia da fé sobrenatural. Essa crítica é estendida ao movimento ecumênico pós-Concílio Vaticano II. O autor argumenta que o diálogo inter-religioso, especialmente com os judeus, degenerou em uma forma de relativismo que compromete a missão evangelizadora da Igreja.

Gestos como a visita do Papa João Paulo II à sinagoga de Roma são vistos como problemáticos, pois criam uma ambiguidade sobre a necessidade da conversão. O diálogo, na visão do autor, chegou a um beco sem saída, onde se espera que a Igreja peça desculpas por suas doutrinas fundamentais e abandone sua missão de converter as almas a Cristo. A insistência judaica de que a Igreja renuncie ao seu "ensinamento do desprezo" é vista como uma exigência para que a Igreja negue a verdade do Evangelho, algo que, para a perspectiva tradicionalista, é impossível.

✝️ Edith Stein: a realização da identidade judaica no catolicismo

Em nítido contraste com o revolucionário, que busca um messias político, e com o filósofo, que se detém no limiar da fé, o autor apresenta Santa Edith Stein (Teresa Benedita da Cruz) como o modelo perfeito da conversão. Edith Stein, uma filósofa judia que se tornou monja carmelita e foi martirizada em Auschwitz, não abandonou sua identidade judaica ao se tornar católica; pelo contrário, ela a cumpriu e a elevou. Ao abraçar Cristo e a Cruz, ela se uniu ao "Servo Sofredor" de Isaías, a figura messiânica que o judaísmo rabínico rejeitou.

Para Jones, a história de Edith Stein demonstra que a conversão não é uma aniquilação da identidade étnica, mas sim a sua plena realização em Cristo. Ela se tornou a "verdadeira judia" ao aceitar o Messias de Israel. Sua vida e morte como mártir são vistas como o testemunho supremo de que o caminho do povo judeu encontra seu destino final não na rebelião ou na autonomia intelectual, mas na união sacrifical com Cristo. Ela representa a antítese do "espírito revolucionário" porque sua vida foi uma aceitação radical do sofrimento redentor, o mesmo princípio que os judeus na Crucificação desprezaram. Como afirma Roy Schoeman, outro convertido citado no epílogo, a conversão é o ato pelo qual o judeu finalmente encontra o Messias que seu povo anseia.

🛡️ A conversão como ato contrarrevolucionário e o fim da rebelião

O epílogo conclui unificando esses temas em uma declaração final: a conversão é o único ato verdadeiramente contrarrevolucionário. Se o "espírito revolucionário judeu" nasceu da rejeição do Logos, a única maneira de aniquilar esse espírito é aceitando o Logos. Essa aceitação não é um ato político ou coletivo, mas uma decisão profundamente pessoal e espiritual que ocorre na alma de cada indivíduo. A conversão, portanto, não é uma traição à herança judaica, mas a destruição do espírito de rebelião que corrompeu essa herança.

Ao se converter, o "judeu revolucionário" morre e renasce como um membro do Novo Israel, a Igreja Católica. A rebelião contra a ordem divina, que se manifestou historicamente através de movimentos políticos e culturais subversivos, é finalmente curada pela graça do Batismo. A alma inquieta, que por séculos buscou em vão um paraíso terrestre através de falsos messias políticos, encontra finalmente a paz ao se submeter ao verdadeiro Rei. O epílogo, assim, encerra a longa e sombria narrativa histórica do livro com uma nota de esperança teológica, afirmando que a solução para o conflito de dois milênios reside na transformação espiritual que apenas a graça de Cristo pode operar no coração humano.