Introito - Si díligis me, Simon Petre, pasce agnos meos, pasce oves meas. Sl. Exaltábo te, Dómine, quóniam suscepísti me, nec delectásti inimícos meos super me.Se tu me amas, Simão Pedro, apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Sl. Eu Vos glorificarei, Senhor, porque me recebestes, e não permitistes que os meus inimigos se alegrassem à minha custa.
Nestes dias luminosos que se seguem à exaltação dos Príncipes dos Apóstolos, a liturgia sagrada nos apresenta a figura formidável de São Leão II, Papa e Confessor. Elevado à suprema Cátedra de Pedro no ano de 681, governou o rebanho de Cristo por um período breve, pouco inferior a dois anos, porém de inesgotável fecundidade espiritual. Erudito, homem de profunda oração e amante da sagrada liturgia e do canto pio, destacou-se primordialmente por confirmar os decretos do Terceiro Concílio de Constantinopla, atuando com vigor apostólico para debelar heresias e restaurar a unidade da Igreja. Após consumir-se inteiramente no serviço pastoral e na caridade ardente para com os órfãos e os pobres, entregou sua bela alma a Deus em 683. Seus veneráveis restos mortais repousam no coração da cristandade, na majestosa Basílica de São Pedro, onde atestam perenemente a firmeza da rocha estabelecida por Cristo.
Contemplai, ó almas atentas, a majestade terrível e ao mesmo tempo suavíssima do mandato divino que hoje ressoa nos sagrados ritos! "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja". Cristo não fundou Sua obra sobre as areias movediças das opiniões humanas, mas sobre a rocha maciça da verdade imutável. Nosso Senhor confia as chaves do Reino não a bajuladores em busca de popularidade, mas àquele que, inflamado pela caridade divina, está disposto a apascentar as ovelhas até o extremo sacrifício. Que contraste doloroso e gritante se ergue entre a coragem indomável de São Leão II e a letargia espiritual de nossos tristes dias! Vivemos uma época envolta em névoas pestilenciais, na qual grande parte dos homens, inebriados pelo canto de sereia das comodidades e pelo culto aos prazeres fugazes, nutre uma aversão profunda à rudeza da cruz e ao esplendor inegociável da sã doutrina. É com os olhos rasos d'água que percebemos este espírito mundano tentando infiltrar-se no próprio santuário, insinuando-se covardemente sob a máscara de novidades atraentes e de alterações imperceptíveis, com o fito de moldar um cristianismo brando, feito sob medida para mendigar o sorriso e a aceitação dos homens, esquecendo-se de aplacar a justa ira de Deus. Mas a missão sublime de todos os santos, que hoje veneramos na pessoa deste grande Pontífice, consiste exatamente em erguer-se como espada de fogo contra o perigo iminente de seu tempo! A glória de São Leão II, ecoando a Epístola que condena o pastoreio por lucros vis, consistiu em desmascarar e aniquilar os erros que ameaçavam o depósito sagrado em sua época, compreendendo que ceder uma vírgula na verdade é derramar veneno nas fontes da salvação. Quando o sacerdote sobe ao altar para renovar o Sacrifício incruento, o véu do tempo se rasga e o Calvário se torna presente. Poderíamos nós, diante de tão estupendo mistério, continuar a afagar as ilusões do século? Acordemos de nosso sono, cristãos! Apoiados na fé inquebrantável de Pedro, peçamos hoje, pelos méritos de São Leão II, a graça de uma intransigência santa, para que, rejeitando as facilidades mentirosas deste mundo e preservando intacta a luz da verdadeira fé, possamos um dia receber das mãos do Supremo Pastor a coroa imarcescível da glória eterna!
Epístola (1 Pe 5, 1-4, 10-11) - Caríssimos: Aos anciãos entre vós exorto eu, ancião como eles e testemunha dos padecimentos de Cristo, como também companheiro na glória que se há de manifestar; apascentai o rebanho de Deus que vos está confiado, tende cuidado dele, não constrangidos, mas de bom grado, segundo Deus, não por amor de lucro vil, mas por dedicação, não como que exercendo domínio sobre os Eleitos, mas fazendo-vos de coração modelos do rebanho; e, quando então aparecer o Supremo Pastor, recebereis a coroa imarcessível da glória. O Deus de toda a graça, que no Cristo Jesus nos chamou para a sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, fortificará e consolidará. A Ele a glória e o império por todos os séculos. Amém.
Evangelho (Mt 16, 13-19) - Naquele tempo, veio Jesus para os lados de Cesareia de Filipe, e interrogou os seus discípulos: Na opinião dos homens quem é o Filho do homem? E eles responderam: Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que Jeremias ou algum dos Profetas. Disse-lhes Jesus: E vós, quem julgais que eu sou? Tomando a palavra, Simão Pedro disse: Vós sois o Cristo, Filho de Deus vivo. E respondendo, Jesus disse: Bem-aventurado és tu, Simão Bar Jonas, porque não foi a carne e o sangue que te revelaram isso, mas meu Pai que está nos céus. E por isso te digo que és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus. E tudo que ligares sobre a terra, será ligado nos céus; e tudo o que desligares sobre a terra, será desligado nos céus.