Nascido nos esplendores da nobreza de Castiglione em 1568, o jovem príncipe Luís Gonzaga desprezou as seduções de uma corte terrena para alistar-se sob o estandarte da cruz na Companhia de Jesus, em Roma. Em um século marcado pelo renascimento do paganismo, pelo fausto e pelas vaidades, ele fez de sua vida um holocausto contínuo de pureza angélica e rigorosa penitência. Consumido não pela velhice, mas pelo ardor inesgotável da caridade, entregou sua alma a Deus aos vinte e três anos, em 1591, após contrair a peste enquanto carregava nos ombros, limpava as chagas e consolava os doentes abandonados nas ruas lamacentas da cidade eterna. Seus restos mortais repousam gloriosamente na Igreja de Santo Inácio, onde a terra guarda com veneração as relíquias daquele que viveu na carne a inocência e a pureza dos espíritos celestes.
Olhai ao redor, meus amados irmãos! O que vemos em nossos dias senão uma geração embriagada pelas ilusões de um século doente? Os corações de hoje, com os ouvidos coçando por novidades lisonjeiras, erguem para si falsos mestres que lhes sussurram fábulas de uma religião confortável, sem cruz, sem sacrifício e sem renúncia. Há um esforço silencioso e contínuo de tentar moldar os sagrados mistérios à medida de paixões desenfreadas, diluindo a doutrina imutável para mendigar os aplausos das praças e o reconhecimento de chancelarias seculares, preferindo a glória que vem dos homens àquela que vem de Deus. Como uma névoa venenosa, a aversão à penitência e a flexibilização sutil da moral tentam penetrar o rebanho sob a máscara de uma falsa compaixão. Mas voltai vossos olhos para o altar nesta aurora luminosa! A Santa Mãe Igreja nos aponta hoje o antídoto fulminante contra a febre do orgulho e da sensualidade: São Luís Gonzaga. Toda época de trevas suscita no céu uma constelação de grandeza proporcional para dissipar as sombras do erro; e no momento em que o mundo corrompido divinizava a carne e as riquezas, este jovem nobre esmagou a cabeça do mundanismo sob os pés descalços de um religioso. Onde a terra grita por ouro, a Epístola de hoje ecoa triunfante: "Bem-aventurado o homem que não correu atrás do ouro!" A verdadeira riqueza, como nos ensina o grande Bispo de Milão, não brilha nos cofres que a traça devora, mas na Providência divina que exalta a alma sem mancha. São Luís despojou-se de seus feudos transitórios para comprar o Reino que não passa! E no Evangelho, contemplamos o próprio Cristo reduzindo ao silêncio os saduceus, aqueles materialistas de ontem e de hoje, que, cegos diante das Escrituras, tentavam aprisionar a ressurreição gloriosa aos instintos terrenos. "Serão como os Anjos de Deus!" - brada o Redentor. Eis a exata vocação do nosso Santo: um anjo habitando um corpo mortal! Com o coração perfeitamente ordenado ao Criador, como suspirava o Bispo de Hipona, este jovem viveu a plenitude da Lei, que é o fogo consumidor do amor a Deus e ao próximo. Enquanto a mentalidade presente tenta nos convencer a abraçar as trevas, o Doutor Angélico nos recorda que o verdadeiro amor transforma a alma em sacrário puríssimo do Espírito Santo. O amor ao próximo de São Luís não foi uma filantropia estéril ou um ativismo de aparências, mas a bravura de abraçar o Cristo chagado e fétido nos moribundos de Roma, esvaziando-se até a morte. Despertai, almas imortais! Rompei com as amarras deste mundo que escorrega por entre os dedos! Preferireis as cinzas podres do prestígio humano à coroa eterna de glória? Sigamos os rastros luminosos deste jovem gigante; guardemos a pureza com o zelo dos mártires, abracemos com alegria a disciplina, consolemos os aflitos de verdade e, amando a Deus de todo o coração, viveremos um dia na pátria dos justos, onde a glória não murcha e a luz jamais se apaga.
Introito (Sl 8, 6; 148, 2) - Vós o colocastes apenas um pouco abaixo dos Anjos e o coroastes de glória e de honra. Sl. Louvai ao Senhor, vós, todos os seus Anjos; louvai-O, todas vós, ó Potestades.
Epístola (Eclo 31, 8-11) - Bem-aventurado o homem que foi encontrado sem mancha, que se não deixou atrair pelo ouro, nem pôs sua esperança no dinheiro ou em tesouros. Quem é este para nós ó louvarmos? Porque fez coisas maravilhosas em sua vida. O que assim foi provado e encontrado perfeito, terá uma glória eterna. Pode transgredir a lei de Deus e não a transgrediu; pôde fazer o mal e não o fez. Por isso, o bem que praticou, se firmou no Senhor.
Evangelho (Mt 22, 29-40) - Naquele tempo, respondeu Jesus aos saduceus: Estais em erro, não entendendo nem as Escrituras, nem o poder de Deus. Porque na ressurreição os homens não tomarão mulheres, nem as mulheres, maridos, porém serão como Anjos de Deus, no céu. Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que Deus vos disse: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos e sim dos vivos. As multidões, ouvindo isto, admiraram-se de sua doutrina. Mas os fariseus, tendo ouvido que Ele reduzira ao silêncio os saduceus, congregaram-se e um deles, que era doutor da lei, perguntou-Lhe para O tentar: Mestre, qual é o grande mandamento da lei? Disse-lhe Jesus: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o máximo e o primeiro mandamento. O segundo, porém, é semelhante a este: Amarás a teu próximo como a ti mesmo. Nestes dois mandamentos estão contidos a lei e os Profetas.