✝️São Diogo de Alcalá (m. 1463) foi um humilde irmão leigo franciscano espanhol, cuja vida exemplificou de modo luminoso o ideal de pobreza e serviço. Embora analfabeto, sua sabedoria espiritual e caridade heroica tornaram-no um farol de santidade. Inicialmente, viveu como eremita, mas depois ingressou na Ordem dos Frades Menores. Serviu como missionário nas Ilhas Canárias, onde trabalhou incansavelmente pela conversão das almas. Durante o jubileu de 1450, em Roma, uma epidemia devastou a cidade; Diogo dedicou-se com abnegação incansável ao cuidado dos doentes no convento de Ara Coeli, operando curas milagrosas e demonstrando uma confiança inabalável na Divina Providência. Sua vida foi marcada por inúmeros milagres, como o famoso episódio das rosas, no qual o pão que levava escondido para os pobres se transformou em flores ao ser interpelado por seu superior. Ele viveu o Evangelho de forma radical, encontrando em Cristo o único tesouro que seu coração almejava.
📜Epístola (I Cor 4, 9-14)
Irmãos: Somos dados em espetáculo ao mundo, aos Anjos e aos homens. Somos néscios por amor a Cristo, mas vós sois sábios em Cristo; nós somos fracos, e vós fortes; vós estimados e nós desprezados. Até esta hora padecemos fome e sede, e estamos nus; somos esbofeteados e não temos morada certa. Fatigamo-nos a trabalhar com as nossas mãos. Amaldiçoam-nos, e bendizemos; perseguem-nos, e sofremos; blasfemam contra nós, e rezamos. Somos tratados como a imundície deste mundo, a escória de todos, até agora. Não vos escrevo estas coisas para vos envergonhar, mas admoesto-vos como a filhos muito amados em Jesus Cristo, Senhor nosso.
📖Evangelho (Lc 12, 32-34)
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Não temais, ó pequeno rebanho, pois foi do agrado de vosso Pai dar-vos o seu Reino. Vendei o que possuís e dai-o de esmola. Fazei para vós bolsas que não envelhecem, um tesouro inexaurível no céu, onde não chega o ladrão, nem a traça corrompe. Porque onde está o vosso tesouro aí estará também o vosso coração.
🤔Reflexões
💎O Evangelho de hoje é um convite direto à liberdade espiritual, um chamado para que o "pequeno rebanho" desloque seu centro de segurança das posses terrenas para a promessa do Reino. Cristo não propõe um simples ato de filantropia, mas uma reorientação total do coração. A instrução "Vendei o que possuís e dai-o de esmola" é a manifestação externa de uma conversão interna: a descoberta de que o verdadeiro tesouro não pode ser armazenado em celeiros ou bolsas que envelhecem, mas reside na comunhão com Deus. São Diogo de Alcalá encarnou esta verdade de forma sublime. Como franciscano, sua vida foi um testemunho eloquente de que a renúncia voluntária aos bens materiais não é uma perda, mas um ganho incomensurável. Ao esvaziar as mãos de posses, ele as encheu de caridade, servindo aos doentes e pobres com uma generosidade que só pode brotar de um coração cujo único tesouro é Deus.
☦️A Epístola de São Paulo aos Coríntios revela o paradoxo da vida cristã, que é o resultado prático de seguir o conselho do Evangelho. Aqueles que buscam o tesouro no céu são frequentemente vistos pelo mundo como "néscios", "fracos" e "desprezados". Ser "espetáculo ao mundo" significa viver segundo uma lógica que o mundo não compreende: a lógica da Cruz. Enquanto o mundo busca honra, força e sabedoria própria, o apóstolo, e com ele todo cristão fiel, abraça a fraqueza, a perseguição e a "imundície" por amor a Cristo. Santo Agostinho, ao meditar sobre a centralidade do coração, ensina que nossas ações seguem nossos afetos. "Onde puseste o teu tesouro, aí estará fixo o teu coração. Se o enterrares na terra, o teu coração descerá à terra; se o guardares no céu, o teu coração estará no céu" (Santo Agostinho, Sermão sobre o Monte). A vida de São Diogo e a descrição de São Paulo são, portanto, a imagem de corações firmemente ancorados no céu, indiferentes aos juízos e valores da terra.
🔑A promessa "foi do agrado de vosso Pai dar-vos o seu Reino" é a chave de toda a liturgia do dia. Não se trata de uma recompensa futura por um sacrifício presente, mas de um dom gratuito que já nos é oferecido. O Catecismo da Igreja Católica nos lembra que a "pobreza de coração" é a bem-aventurança que nos torna capazes de receber este Reino (CIC 2544). Ao nos desapegarmos, abrimos espaço para que Deus reine em nós. São Diogo não cuidava dos enfermos para "comprar" o céu; ele o fazia porque o Reino de Deus, que é amor e misericórdia, já habitava em seu coração. A sua vida, vista à luz da Epístola, torna-se uma profecia viva: a verdadeira força reside na fraqueza assumida por Cristo, a verdadeira sabedoria está na "loucura" da Cruz, e o maior tesouro é pertencer ao "pequeno rebanho" a quem o Pai se agrada em dar tudo: Ele mesmo.