Introito - Laudáte, pueri, Dóminum, laudáte nomen Dómini: qui habitáre facit stérilem in domo, matrem filiórum lætántem. Ps. Sit nomen Dómini benedíctum: ex hoc nunc, et usque in sǽculum. V. Glória Patri...Louvai, ó meninos, ao Senhor, louvai o Nome do Senhor. Ele fez habitar na casa a que era estéril, como mãe feliz, entre os filhos. Sl. Bendito seja o nome do Senhor, desde agora até o fim dos séculos.
Os Sete Irmãos, Januário, Félix, Filipe, Silvano, Alexandre, Vidal e Marcial, gloriosos frutos do ventre sagrado de Santa Felicidade, consumaram seu triunfo em Roma, no ano de 150, não temendo as chamas, os açoites ou as feras, encorajados pela própria mãe que, antes de padecer fisicamente, sofreu o martírio sete vezes em seu coração maternal. Na mesma liturgia, a Igreja coroa as virgens Rufina e Secunda, irmãs de sangue e de fé, que no ano de 257, sob o imperador Valeriano, selaram com o próprio sangue o voto de virgindade, preferindo a espada às núpcias com pagãos. Tais testemunhas augustas, cujas relíquias de Rufina e Secunda repousam sob a majestosa Basílica de São João de Latrão, e as dos Sete Irmãos antes espalhadas pelas sagradas catacumbas para depois adornarem os altares romanos, nos recordam a formidável fecundidade da fé cristã que rega a fundação da Igreja com o vermelho vivo de seu sacrifício heroico.
Que espetáculo admirável o altar nos oferece hoje, meus irmãos! De um lado, o mundo, que promete descanso, afagos e uma religião amaciada, talhada sob medida para agradar aos caprichos das multidões; do outro, a eternidade, que exige o sangue, a cruz e o holocausto puro! Olhai para os Sete Irmãos e para as castas Rufina e Secunda. Vede a Mulher Forte de que nos fala a Epístola: não a encontrais na figura invicta de Santa Felicidade? Ela não preparou aos filhos vestes de seda perecível, mas teceu, com suas admoestações de fogo, a coroa imarcescível do martírio! Em dias de trevas - nos quais as almas, inebriadas pelos vapores do comodismo, buscam rebaixar os altíssimos mistérios divinos à rasteira conveniência humana, e onde a fumaça das falsas misericórdias tenta asfixiar a pureza perene do dogma dentro do próprio recinto sagrado sob o pretexto de adaptações agradáveis aos ouvidos terrestres -, a liturgia desta festa ressoa como um clarim de guerra! A missão inalienável de todo eleito de Deus é, sem vacilar, rasgar as sombras e os venenos de sua época com o fulgor de uma vida inteiramente imolada. Eles esmagam sob os pés a ilusão sorridente que nos murmura ser possível amar a Deus sem abraçar a doutrina austera e a renúncia. Ó imensa miséria da natureza decaída, que mendiga favores do século enquanto os mártires repeliam as honras dos césares! Como nos recorda Santo Agostinho, a coroa do mártir não é senão o triunfo da graça de Cristo na fragilidade humana. No Evangelho de hoje, o Divino Salvador aponta para seus discípulos e decreta: Eis minha mãe e meus irmãos! A verdadeira nobreza não é forjada pelos laços perecíveis da carne, mas pela fornalha da obediência incondicional à vontade do Pai, ainda que isso custe o derramamento do próprio sangue. Rufina e Secunda não trocaram o Esposo Imaculado pelas facilidades e prestígios mundanos; os Sete Irmãos não mitigaram a verdade divina para escapar do suplício. E nós? Continuaremos a incensar nossos ídolos secretos, desejando uma piedade de fachada, um cristianismo sem dores, um altar desprovido do Calvário, ou despertaremos, afinal, para a formidável majestade do nosso batismo? Elevai os olhos: o Céu ainda aguarda os violentos, a lei de Deus ainda separa a luz das trevas eternas, e o Reino inabalável só é conquistado por aqueles que, desprezando as seduções e as lisonjas deste tempo que passa, ousam perder tudo na terra para reinar com Cristo na glória que nunca fenece!
Epístola (Prov 31, 10-31) - A mulher forte, quem a encontrará? É como um tesouro que vem de longe, dos últimos confins da terra. Nela confia o coração de seu marido, e nunca lhe faltará o ganho. Ela lhe fará o bem, e nada de mal, em todos os dias de sua vida. Ocupa-se com a lã e o linho e trabalha com a destreza de suas mãos. É como o navio do negociante, que traz de longe o seu pão. Levanta-se quando ainda é noite, e distribuí o alimento por seus domésticos e os víveres por suas criadas. Procura um campo e compra-o; planta uma vinha com o ganho de suas mãos. Cinge os seus rins de força, e torna fortes os seus braços. Experimenta, e vê que o seu negócio é bom, e a sua lâmpada não se apagará à noite. Deita as suas mãos em trabalhos rudes, e os seus dedos pegam no fuso. Abre a sua mão ao necessitado e estende os seus braços para o pobre. Não receará para a sua família os rigores do frio e da neve, porque todos os seus domésticos têm roupa em duplo. Fabricou para si um manto espesso; vestiu-se de linho finíssimo e de púrpura. Seu marido será ilustre quando se assentar às portas da cidade, com os anciãos da terra. Tece uma túnica de linho e vende-a; e entrega um cinto ao negociante cananeu. A força e o decoro são os seus adornos, e, risonha, verá o seu último dia. Abre a sua boca com sabedoria, e a lei da clemência está em sua língua. Examina as veredas de sua casa, e não come o pão na ociosidade. Levantam-se os seus filhos e proclamam-na ditosíssima. Seu marido também a enalteceu, dizendo: Muitas filhas ajuntaram riquezas; tu excedeste a todas. A graça é enganadora e a formosura é vã; mas a mulher que teme o Senhor, essa é que será louvada. Dai-lhe o fruto de suas mãos; e as suas obras a elogiem, às portas da cidade.
Evangelho (Mt 12, 46-50) - Naquele tempo, falando ainda Jesus à multidão, eis que sua mãe e seus irmãos que estavam fora, procuravam falar-Lhe. Alguém Lhe disse então: Vossa mãe e vossos irmãos estão fora e Vos procuram. Ele porém respondeu ao que Lhe havia dito isto: Quem é minha mãe e quais são os meus irmãos? E estendendo a mão, mostrou os seus discípulos e disse: Eis a minha mãe e os meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe.