18 jan
Santa Prisca, virgem e mártir


🌹Santa Prisca, uma ilustre mártir da Igreja Primitiva no século I, é venerada como uma das primeiras flores de santidade em Roma e uma testemunha intrépida da fé apostólica. A tradição narra que, pertencendo a uma família nobre, foi batizada pelo próprio Apóstolo São Pedro aos treze anos de idade, demonstrando uma sabedoria e fortaleza espiritual muito além de seus anos. Durante a perseguição do imperador Cláudio, a jovem virgem foi submetida a cruéis torturas por recusar-se a apostatar e oferecer incenso aos ídolos pagãos, preferindo a morte a trair o seu Esposo divino. Entre os prodígios de seu combate, conta-se que foi lançada a um leão faminto no anfiteatro, mas a fera, em vez de devorá-la, prostrou-se mansamente aos seus pés, o que inspirou a conversão de muitos espectadores. Por fim, Prisca recebeu a coroa do martírio pela espada, sendo decapitada fora dos muros da cidade. Seu corpo repousa na antiga igreja titular que leva seu nome no Monte Aventino, considerada um dos locais de culto mais antigos de Roma, erguida sobre a casa onde se acredita que São Pedro se hospedou.

🛡️Introito (Sl 118, 95-96 | Sl 118, 1)

Me exspectavérunt peccatóres, ut pérderent me: testimónia tua, Dómine, intelléxi: omnis consummatiónis vidi finem: latum mandátum tuum nimis. Ps. Beáti immaculáti in via: qui ámbulant in lege Dómini. 
Os pecadores me esperavam para me perder, porém eu compreendi os vossos ensinamentos, Senhor. Vi o fim de tudo o que parecia perfeito, somente a vossa lei não tem limites. Sl. Bem-aventurados os que se mantêm sem mácula no caminho, os que andam na lei do Senhor.

📜Epístola (Eclo 51, 13-17)

Senhor, meu Deus, exaltastes a minha habitação sobre a terra, e eu Vos pedi que me livrásseis da morte que me ameaçava. Invoquei o Senhor, Pai de meu Senhor, para que não me abandonasse no dia de minha tribulação e, durante o domínio dos soberbos, não me deixasse indefeso. Louvarei incessantemente o vosso Nome, e celebrá-lo-ei em minhas ações de graças pois foi atendida a minha oração. Vós me livrastes da perdição e me salvastes no tempo mau. Por isso, eu Vos glorificarei, e a Vós, ó Senhor, nosso Deus, cantarei louvores.

✠Evangelho (Mt 13, 44-52)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: O Reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. Quem o encontra o esconde, e, contente com o achado, vai e vende tudo o que tem, e compra aquele campo. O Reino dos céus é também semelhante a um mercador que procurava belas pérolas, e tendo achado uma de grande preço, foi-se e vendeu tudo o que possuía e a comprou. O Reino dos céus é ainda semelhante a uma rede, que lançada no mar, recolheu peixes de toda espécie. Quando estava cheia, os pescadores a puxaram para a praia, e sentados ali, escolheram os bons peixes para os vasos, e lançaram fora os ruins. Assim será no fim do mundo. Virão os Anjos e separarão os maus do meio dos Justos, e os lançarão na fornalha de fogo. E ali haverá choro e ranger de dentes. Compreendestes tudo isto? Responderam-Lhe: Sim. E Ele continuou: Por esta razão todo escriba instruído no Reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas.

💎O Tesouro Escondido e o Preço do Martírio

💰A liturgia de hoje, ao honrar Santa Prisca, entrelaça magnificamente a sabedoria da Lei divina com o valor absoluto do Reino dos Céus. O Introito declara: "Vi o fim de tudo o que parecia perfeito", indicando que a mártir compreendeu a finitude e a vaidade das glórias romanas e da própria vida terrena diante da eternidade de Deus. Esta compreensão é a chave para o Evangelho, onde o Reino é comparado a um tesouro e a uma pérola preciosa que exigem a venda de "tudo o que se tem". Santo Agostinho, refletindo sobre esta troca divina, ensina que o preço do Reino é a própria pessoa: "O Reino dos Céus vale tanto quanto tu és. Dá-te a ti mesmo e tê-lo-ás" (Sermão 127). Santa Prisca, embora jovem e nobre, agiu como o mercador prudente; ela não hesitou em vender a sua nobreza, a sua juventude e a sua integridade física no martírio para comprar o campo onde o tesouro estava escondido. A parábola da rede, também presente no Evangelho, ressoa com a sua história, pois tendo sido batizada por São Pedro, o Pescador de Homens, ela foi recolhida na rede da Igreja e, no dia do Juízo, será contada entre os "peixes bons" escolhidos pelos Anjos. A sua oração na Epístola ("Vós me livrastes da perdição") não se refere à salvação da morte física, mas à preservação da alma imortal no "tempo mau" da perseguição. Assim, a sua memória nos convida a examinar o que estamos dispostos a "vender" — nossos apegos, vícios e comodidades — para adquirir a única pérola que a morte não pode roubar.

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