terça-feira, 25 de agosto de 2026

25 Agosto ✧ S. Luís IX, Rei de França, Confessor ✧ a coroa temporal a serviço do cetro eterno

Introito - (Sl 36, 30-31; Sl 36, 1) Os justi meditábitur sapiéntiam, et lingua ejus loquétur judícium: lex Dei ejus in corde ipsíus. Ps. Noli æmulári in malignántibus: neque zeláveris faciéntes iniquitátem. ℣. Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto, sicut erat in princípio, et nunc, et semper, et in sǽcula sæculórum. Amen. - Os justi meditábitur sapiéntiam... A boca do justo meditará a sabedoria, e a sua língua proferirá a justiça: a lei do seu Deus está no seu coração. Sl. Não te indignes por causa dos maus, nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade. Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo, assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém. - A boca do justo meditará a sabedoria...


São Luís IX, coroado soberano da França no século XIII e falecido santamente em 1270 durante as Cruzadas às portas de Túnis, encarnou com esplendor perene a figura augusta do governante consagrado a Deus. Longe de enxergar o poder terreno como prerrogativa de vanglória ou deleite pessoal, concebeu o cetro régio como severo encargo de mordomia sobrenatural, exercido sob o olhar do Rei dos reis. Terciário franciscano no fausto da corte, castigava sua carne com cilícios e orações noturnas enquanto distribuía com prodigalidade esmolas e justiça inflexível aos pequeninos, preferindo perder a integridade de seu reino material a ofender a Majestade Divina por um único pecado mortal. Seus restos sagrados repousam na veneranda Basílica de Saint-Denis, e sua memória brilha com singular reverência no coração da Cidade Eterna na célebre Igreja de São Luís dos Franceses.

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Que contraste formidável e terrível se levanta entre a santidade régia que hoje contemplamos no altar e o espírito tíbio que tantas vezes sufoca as almas! Enquanto o homem secularizado busca arrancar Deus do centro da sociedade para erigir altares à aprovação humana e aos aplausos passageiros da terra, o santo monarca nos ensina que a única nobreza imperecível consiste em dobrar a fronte diante da Soberania de Cristo. O Evangelho nos adverte sobre o ajuste de contas inevitável: aquele que recebeu o depósito sagrado da graça e da autoridade não pode sepultá-lo sob o véu da covardia nem adaptá-lo ao gosto dos que murmuram contra o reinado divino. Como ensina São Gregório Magno, negociar com a moeda celeste é transformar cada instante e cada dever de estado em testemunho vivo, combatendo a sedução das concessões fáceis com a pureza inflexível da fé. O justo da Escritura, elevado pela Sabedoria Eterna, não buscou aplacar os mentirosos nem capitulou perante as conveniências humanas; antes, enfrentou o combate da verdade, sabendo com Santo Agostinho que a verdadeira paz só reina onde o Todo-Poderoso governa os corações. Despertemos, pois, da letargia do mundanismo: que o exemplo do santo rei inflame nosso ânimo a abraçar o sacrifício e a proclamar, por obras e sem disfarces, o senhorio inabalável do Redentor sobre todas as coisas.


Epístola (Sb 10, 10-14) - Justum dedúxit Dóminus per vias rectas, et osténdit illi regnum Dei, et dedit illi sciéntiam sanctórum: honestávit illum in labóribus, et complévit labóres illíus. In fraude circumveniéntium illum áffuit illi, et honéstum fecit illum. Custodívit illum ab inimícis, et a seductóribus tutávit illum, et certámen forte dedit illi, ut vínceret, et sciret quóniam ómnium poténtior est sapiéntia. Hæc vénditum justum non derelíquit, sed a peccatóribus liberávit eum: descendítque cum illo in fóveam, et in vínculis non derelíquit eum, donec afférret illi sceptrum regni, et poténtiam advérsus eos, qui eum deprimébant: et mendáces osténdit, qui maculavérunt illum, et dedit illi claritátem ætérnam, Dóminus Deus noster.
O Senhor conduziu o justo por caminhos retos, mostrou-lhe o reino de Deus e deu-lhe a ciência dos santos: enriqueceu-o em seus trabalhos e completou os seus labores. Amparou-o contra a astúcia dos que o queriam enganar e fê-lo ilustre. Guardou-o dos inimigos, defendeu-o dos sedutores e concedeu-lhe um rude combate para que triunfasse e compreendesse que a sabedoria é mais forte que tudo. Foi ela que não desamparou o justo vendido, mas livrou-o dos pecadores; desceu com ele à cisterna e não o abandonou nas prisões, até lhe entregar o cetro do reino e o poder sobre os seus opressores; desmascarou os que o haviam difamado e deu-lhe uma glória eterna o Senhor nosso Deus.


Evangelho (Lc 19, 12-26) - In illo témpore: Dixit Jesus discípulis suis parábolam hanc: Homo quidam nóbilis ábiit in regiónem longínquam accípere sibi regnum, et revérti. Vocátis autem decem servis suis, dedit eis decem mnas, et ait ad illos: Negotiámini, dum vénio. Cives autem ejus óderant eum: et misérunt legatiónem post illum, dicéntes: Nólumus hunc regnáre super nos. Et factum est, ut redíret accépto regno: et jussit vocári servos, quibus dedit pecúniam, ut sciret, quantum quisque negotiátus esset. Venit autem primus, dicens: Dómine, mna tua decem mnas acquisívit. Et ait illi: Euge, bone serve, quia in módico fuísti fidélis, eris potestátem habens super decem civitátes. Et alter venit, dicens: Dómine, mna tua fecit quinque mnas. Et huic ait: Et tu esto super quinque civitátes. Et alter venit, dicens: Dómine, ecce mna tua, quam hábui repósitam in sudário: tímui enim te, quia homo austérus es: tollis, quod non posuísti, et metis, quod non seminásti. Dicit ei: De ore tuo te júdico, serve nequam. Sciébas, quod ego homo austérus sum, tollens, quod non pósui, et metens, quod non seminávi: et quare non dedísti pecúniam meam ad mensam, ut ego véniens cum usúris útique exegíssem illam? Et astántibus dixit: Auferte ab illo mnam et date illi, qui decem mnas habet. Et dixérunt ei: Dómine, habet decem mnas. Dico autem vobis: Quia omni habénti dábitur, et abundábit: ab eo autem, qui non habet, et, quod habet, auferétur ab eo.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: Um homem nobre partiu para uma região longínqua a fim de tomar posse de um reino e depois voltar. Chamando dez dos seus servos, deu-lhes dez minas e disse-lhes: Negociai até que eu volte. Mas os seus concidadãos odiavam-no e enviaram após ele uma embaixada, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós. E aconteceu que, tendo ele voltado depois de haver tomado posse do reino, mandou chamar os servos a quem dera o dinheiro, para saber quanto cada um tinha negociado. Apresentou-se o primeiro e disse: Senhor, a tua mina rendeu dez minas. E ele disse-lhe: Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades. Veio o segundo e disse: Senhor, a tua mina rendeu cinco minas. A este disse também: Tu igualmente governarás cinco cidades. Veio o outro e disse: Senhor, eis aqui a tua mina, que guardei embrulhada num lenço; pois tive medo de ti, porque és homem severo: tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste. Disse-lhe ele: Pela tua própria boca te julgo, servo mau. Sabias que sou homem severo, que tiro o que não pus e ceifo o que não semeei; por que não puseste o meu dinheiro no banco, e eu, ao voltar, o teria retirado com juros? E disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem dez minas. Disseram-lhe eles: Senhor, ele já tem dez minas. Pois eu vos digo que a todo o que tem, ser-lhe-á dado; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.