Introito - (Eclo 15, 5; Sl 91, 2) In médio Ecclésiæ apéruit os ejus: et implévit eum Dóminus spíritu sapiéntiæ et intelléctus: stolam glóriæ índuit eum. Ps. Bonum est confitéri Dómino: et psállere nómini tuo, Altíssime. Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto. Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, et in sǽcula sæculórum. Amen.No meio da Igreja o Senhor abriu a sua boca; e encheu-o do espírito de sabedoria e de inteligência: e revestiu-o com uma estola de glória. Sl. É bom louvar o Senhor e cantar salmos ao vosso Nome, ó Altíssimo. Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.
Nascido em Fontaines no ano de 1090, São Bernardo de Claraval despontou no século XII como um luzeiro incomparável e o último dos grandes Santos Padres do Ocidente. Atraído pelo ardor da contemplação pura e da penitência austera, ingressou na nascente Ordem Cisterciense arrastando consigo dezenas de parentes e nobres, fazendo da abadia de Claraval a matriz fecunda de uma impressionante restauração espiritual que refloriu a Igreja. Dotado de uma eloquência celestial que lhe granjeou o título de Doutor Melífluo, empunhou a pena e a palavra contra o racionalismo altivo de seu tempo, extirpou cismas funestos e orientou sumos pontífices com paternal firmeza, mantendo-se sempre arraigado no desapego do mundo e numa terna e filial devoção à Virgem Mãe de Deus. Após consumir-se inteiramente pelo bem das almas e pela integridade da disciplina eclesiástica, adormeceu no Senhor em 1153. Suas insignes relíquias repousam veneradas na Catedral de São Pedro e São Paulo, em Troyes, atestando pelos séculos o triunfo da sabedoria mística sobre os desvarios da soberba humana.
Escutai, ó filhos da Santa Igreja, a advertência solene que o Verbo Eterno dirige às nossas consciências entorpecidas pelas ilusões da presente era! Em tempos em que uma soberba sutil tenta rebaixar os mistérios altíssimos da fé ao tribunal da razão corrompida, onde se busca disfarçar a fraqueza moral com discursos rebuscados para atrair as simpatias do mundo, o Evangelho troveja com terrível clareza: "Vós sois o sal da terra; se o sal perder a sua força, para nada mais presta senão para ser lançado fora e pisado pelos homens". Que tragédia presenciamos hoje, quando aqueles chamados a ser o sal incorruptível das almas se deixam vencer pelo temor humano, silenciando as verdades eternas e adocicando as exigências do Evangelho com o veneno da complacência mundana! Como bem advertia o grande Bispo de Hipona, que restará para preservar as multidões da putrefação do pecado se os próprios mestres perderem o sabor das realidades celestes e capitularem diante dos apetites terrenos? A missão de São Bernardo não foi pactuar com as novidades enganosas de sua época, mas sim esmagar o orgulho dialético que pretendia profanar os dogmas santos, brandindo contra o erro a espada fulgurante da oração, da penitência e da fidelidade irrestrita à Tradição. A luz acesa por Deus no candelabro do santuário não existe para ser escondida sob o manto de um falso respeito, nem a Lei divina pode ser amputada em um só jota ou ápice para lisonjear os vícios de uma época desregrada. O Doutor Melífluo, cujo coração vigiava desde a aurora na presença do Altíssimo como canta a Epístola, atraía milhares não porque lhes prometia uma vereda frouxa e sem cruz, mas porque lhes apontava a beleza austera da verdade imutável e a doçura inefável do amor da Virgem Santíssima. Não vos enganeis com os cantos de sereia da comodidade moderna! Se quereis ser luzeiros nas trevas e preservar a vossa alma da condenação, sacudi o pó do mundanismo, abraçai a doutrina perene com ardor inquebrantável e sede sal que purifica e queima, para que a vossa vida seja um hino perene de glória ao Pai celeste!
Epístola (Eclo 39, 6-14) - Justus cor suum trádidit ad vigilándum dilúculo ad Dóminum, qui fecit illum, et in conspéctu Altíssimi deprecábitur. Apériet os suum in oratióne, et pro delíctis suis deprecábitur. Si enim Dóminus magnus volúerit, spíritu intelligéntiæ replébit illum: et ipse quasi imbres mittet elóquia sapiéntiæ suæ, et in oratióne confitébitur Dómino: et ipse díriget consílium ejus, et disciplínam, et in abscónditis suis consiliábitur. Ipse palam fáciet disciplínam doctrínæ suæ, et in lege testaménti Dómini gloriábitur. Collaudábunt multi sapiéntiam ejus, et usque in sǽculum non delébitur. Non recédet memória ejus, et nomen ejus requirétur a generatióne in generatiónem. Sapiéntiam ejus enarrábunt gentes, et laudem ejus enuntiábit Ecclésia.
O justo entregou o seu coração para vigiar desde a aurora diante do Senhor que o criou, e orará na presença do Altíssimo. Abrirá a sua boca na oração e pedirá perdão pelos seus pecados. Porque, se o soberano Senhor assim quiser, enchê-lo-á do espírito de inteligência: e ele derramará as palavras da sua sabedoria como chuva, e na sua oração louvará o Senhor: e Ele dirigirá o seu conselho e a sua doutrina, e o fará penetrar nos Seus segredos. Ele manifestará publicamente a instrução da sua doutrina e porá a sua glória na lei da aliança do Senhor. Muitos louvarão a sua sabedoria, e ela jamais será esquecida. A sua memória não se apagará, e o seu nome será repetido de geração em geração. As nações proclamarão a sua sabedoria e a Igreja publicará os seus louvores.
Evangelho (Mt 5, 13-19) - In illo témpore: Dixit Jesus discípulis suis: Vos estis sal terræ. Quod si sal evanúerit, in quo saliétur? Ad níhilum valet ultra, nisi ut mittátur foras, et conculcétur ab homínibus. Vos estis lux mundi. Non potest cívitas abscóndi supra montem pósita. Neque accéndunt lucérnam, et ponunt eam sub módio, sed super candelábrum, ut lúceat ómnibus, qui in domo sunt. Sic lúceat lux vestra coram homínibus, ut vídeant ópera vestra bona, et gloríficent Patrem vestrum, qui in cælis est. Nolíte putáre, quóniam veni sólvere legem aut prophétas: non veni sólvere, sed adimplére. Amen quippe dico vobis, donec tránseat cælum et terra, iota unum aut unus apex non præteríbit a lege, donec ómnia fiant. Qui ergo sólverit unum de mandátis istis mínimis, et docúerit sic hómines, mínimus vocábitur in regno cælórum: qui autem fécerit et docúerit, hic magnus vocábitur in regno cælórum.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Vós sois o sal da terra. Se o sal se desvanecer, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não pode esconder-se uma cidade situada sobre um monte. Nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, a fim de que alerte a todos os que estão na casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus. Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim revogar, mas cumprir. Porque, em verdade vos digo: até que passem o céu e a terra, nem um só jota, nem um só ápice passará da lei sem que tudo seja cumprido. Aquele, pois, que violar um destes mínimos mandamentos e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; mas aquele que os praticar e ensinar, esse será chamado grande no reino dos céus.