quinta-feira, 30 de julho de 2026

30 Julho ✧ Santos Abdão e Sénen, Mártires ✧ a glória do martírio contra as ilusões do mundo

Introito - Intret in conspéctu tuo, Dómine, gémitus compeditórum; redde vicínis nostris séptuplum in sinu eórum; víndica sánguinem servórum tuórum, qui effúsus est. Deus, venérunt gentes in hereditátem tuam: polluérunt templum sanctum tuum: posuérunt Jerúsalem in pomórum custódiam. Glória Patri.Suba até Vós, Senhor, o pranto dos cativos. Pagai aos nossos inimigos com o séptuplo e vingai o sangue que os vossos servos derramaram. Ó Deus, os gentios entraram no que era vosso; poluíram o vosso santo Templo; fizeram de Jerusalém um montão de ruínas. Glória ao Pai.


Os Santos Abdão e Sénen, ilustres confessores da fé cuja origem remonta às terras da Pérsia, floresceram no século III e derramaram seu sangue em Roma, selando com a própria vida o testemunho da realeza de Cristo. Quando o império lhes ofereceu riquezas terrenas em troca de um simples grão de incenso atirado às brasas de ídolos mudos, estes nobres mártires preferiram os grilhões, as feras e a espada à traição do seu Senhor. A tradição ensina que seus corpos sagrados, após o triunfo nos tormentos, repousaram primeiramente no Cemitério de Ponciano, na estrada para o Porto de Óstia, sendo mais tarde solenemente transladados, no século XI, para a insigne Igreja de São Marcos, onde até hoje suas santas relíquias exalam o bom odor da fortaleza cristã, recordando-nos a perenidade da Igreja que se edifica sobre o sangue purpúreo dos seus heróis.

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Olhai, meus irmãos, para a deslumbrante coroa destes mártires e dizei-me: o que é a pompa passageira deste mundo comparada à majestade de uma alma que se entrega inteiramente a Deus? Vivemos em dias tenebrosos em que a mentalidade do nosso século abomina a cruz, foge do sacrifício como de uma peste e mendiga sorrisos da multidão, preferindo o conforto dos aplausos à aridez do Calvário. Este mesmo espírito gélido insinua-se sub-repticiamente pelos sagrados recintos, sussurrando aos ouvidos dos incautos que a doutrina deve moldar-se às conveniências humanas, diluindo a exigência do Evangelho sob o véu de uma falsa condescendência que busca bajular os homens, mas que ofende amargamente o Criador. Como são luminosamente diferentes os Santos Abdão e Sénen! A missão de todo mártir é erguer-se como uma muralha de fogo contra o veneno da idolatria - não apenas a dos antigos deuses de pedra, mas a idolatria contemporânea do bem-estar, das facilidades e do orgulho. Eles ouviram o Apóstolo na Epístola de hoje: apresentaram-se como ministros de Deus na paciência, nos cárceres, nas angústias; foram tidos por impostores, mas eram sinceros; tomados como agonizantes, mas transbordavam de vida eterna; desprovidos de bens materiais, mas possuindo o próprio Céu. Não vedes aqui o sublime paradoxo da nossa fé, onde a fraqueza humana se torna a fornalha que irradia o poder divino? No Evangelho, o Cristo sobe à montanha para pulverizar as ilusões da terra, proclamando felizes não os que se saciam nos banquetes mundanos, mas os pobres de espírito, os que choram, os pacíficos e os que sofrem a espada da perseguição por amor à justiça. O pranto dos cativos que sobe a Deus no Introito desta missa não é o lamento desesperado dos vencidos, mas o cântico de vitória de almas que, rejeitando as lisonjas de um mundo apodrecido, contemplam face a face a pureza da verdade. Despertai, pois, vossa consciência! Não queirais um cristianismo sem sacrifício, nem troqueis a vossa herança celestial por um punhado de prazeres fugazes. Imitai a constância de Abdão e Sénen, lavando as vestes no sangue do Cordeiro, para que os vossos padecimentos de hoje se transformem na mais esplêndida participação na ressurreição de Cristo.


Epístola (II Cor 6, 4-10) - Irmãos: em todas as coisas nos apresentemos como ministros de Deus, por uma grande constância nas tribulações, nas misérias, nas angústias, nos açoites, nos cárceres, nos tumultos populares, nos trabalhos, nas vigílias, nas privações; pela pureza, pela ciência, pela longanimidade, pela bondade, pelo Espírito Santo, por uma caridade sincera, pela palavra da verdade, pelo poder de Deus; pelas armas da justiça ofensivas e defensivas, através da honra e da desonra, da boa e da má fama. Tidos por impostores, somos, no entanto, sinceros; por desconhecidos, somos bem conhecidos; por agonizantes, estamos com vida; por condenados e, no entanto, estamos livres da morte. Somos julgados tristes, nós que estamos sempre contentes; indigentes, porém enriquecendo a muitos; sem posses, nós que tudo possuímos!


Evangelho (Mt 5, 1-12) - Naquele tempo: Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele. Então abriu a boca e lhes ensinava, dizendo: Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus! Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados! Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra! Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados! Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia! Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus! Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus! Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus! Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.