Introito - (Ap 12, 1; Sl 97, 1) Signum magnum appáruit in cælo: múlier amícta sole, et luna sub pédibus ejus, et in cápite ejus coróna stellárum duódecim. Ps. Cantáte Dómino cánticum novum: quia mirabília fecit. Glória Patri... Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. Sl. Cantai ao Senhor um cântico novo, porque operou maravilhas. Glória ao Pai...
A glória deste dia ilumina toda a catolicidade, pois celebramos o triunfo definitivo da Santíssima Virgem Maria que, ao encerrar o curso de sua vida terrena, foi elevada em corpo e alma à bem-aventurança celestial. Esta verdade, enraizada na fé dos Apóstolos, não é apenas o coroamento da Mãe de Deus, imaculada e livre da corrupção do sepulcro, mas a aurora radiosa da nossa própria ressurreição. Em uníssono com os coros angélicos, a Igreja peregrina volta os seus olhos para o alto, convidando os fiéis a se recolherem espiritualmente na insigne Basílica de Santa Maria Maior, para ali contemplarem a Arca da Nova Aliança, que, vencendo o pecado e a morte, repousa agora nos tabernáculos eternos, apontando o destino glorioso reservado aos que perseveram na graça.
Erguei os olhos, ó cristãos, e contemplai o grande sinal que hoje fulgura no firmamento celestial! Se a terra geme sob o peso da mortalidade e da corrupção, o céu exulta ao receber a Arca incorruptível, a carne puríssima que deu à luz o próprio Criador. Como adverte magistralmente São João Damasceno, convinha que aquela que no parto guardara intacta a sua virgindade, conservasse o seu corpo livre da devoração do sepulcro. Mas o que diz a este respeito o nosso século, entorpecido pelas ilusões das facilidades mundanas? Embriagada pelo fumo do orgulho, a mentalidade hodierna despreza o sacrifício e zomba da imortalidade; rasteja no lodo dos prazeres fugazes, profanando a dignidade humana como se não houvesse eternidade, e ousa infiltrar nos átrios sagrados um evangelho rebaixado, feito à medida das paixões, que busca arrancar a cruz de nossos altares para mendigar o aplauso das multidões. Que insensatez terrível! Rejeitam a aspereza da sã doutrina para abraçar o vazio de um culto rasteiro, esquecendo-se de que a verdadeira glória nasce da submissão filial a Deus. Contra esta insidiosa rebelião, levanta-se hoje a figura majestosa da Virgem Assunta, a verdadeira Judite de nossa fé. São Beda, o Venerável, recorda-nos que, tal como a heroína de outrora cortou a cabeça do general inimigo para salvar o seu povo, Maria, pela espada de sua inabalável obediência, esmagou a cabeça da antiga serpente. A sua elevação aos céus é um brado estrondoso contra o veneno do naturalismo que tenta nos persuadir de que a nossa morada definitiva é este vale de lágrimas. Quando a voz de Isabel proclama a grandeza da Mãe do Senhor no Evangelho, Maria não retém para si o louvor, mas entoa o Magnificat, ensinando-nos, como ressalta Santo Agostinho, a magnificar o Todo-Poderoso, que derruba os soberbos de seus tronos imaginários e exalta a pequenez dos que O temem. Despertai, almas tíbias! A Assunção não é um mito poético, mas o destino insofismável da carne redimida pela graça. Não permitais que o esplendor litúrgico de nossas igrejas seja ofuscado por concessões venenosas ao espírito do século. Apegai-vos à pureza da Tradição, abraçai a santidade e o sacrifício, e segui as pegadas da Mulher vestida de sol, para que, libertos das amarras terrenas, possais um dia habitar nos tabernáculos divinos, onde a morte já não tem domínio e a luz do Cordeiro brilha para sempre.
Epístola (Jt 13, 22-25; 15, 10) - Benedíxit te Dóminus in virtúte sua, quia per te ad níhilum redégit inimícos nostros. Benedícta es tu, fília, a Dómino Deo excélso, præ ómnibus muliéribus super terram. Benedíctus Dóminus, qui creávit cælum et terram, qui te diréxit in vúlnera cápitis príncipis inimicórum nostrórum; quia hódie nomen tuum ita magnificávit, ut non recédat laus tua de ore hóminum, qui mémores fúerint virtútis Dómini in ætérnum, pro quibus non pepercísti ánimæ tuæ propter angústias et tribulatiónem géneris tui, sed subvenísti ruínæ ante conspéctum Dei nostri. Tu glória Jerúsalem, tu lætítia Israël, tu honorificéntia pópuli nostri.
O Senhor te abençoou em sua fortaleza, porque por ti aniquilou os nossos inimigos. Ó filha, tu és bendita do Senhor Deus Altíssimo sobre todas as mulheres que há na terra. Bendito o Senhor que criou o céu e a terra, que te dirigiu para cortares a cabeça ao chefe dos nossos inimigos. Porque hoje engrandeceu o teu nome tanto, que nunca o teu louvor se apartará da boca dos homens, que se lembrarão eternamente do poder do Senhor. Por amor a eles não poupaste a tua vida, ao ver as angústias e a tribulação do teu povo, mas impediste a sua ruína na presença do nosso Deus. Tu és a glória de Jerusalém, tu a alegria de Israel, tu a honra do nosso povo.
Evangelho (Lc 1, 41-50) - In illo témpore: Repléta est Spíritu Sancto Elísabeth: et exclamávit voce magna, et dixit: Benedícta tu inter mulíeres, et benedíctus fructus ventris tui. Et unde hoc mihi, ut véniat mater Dómini mei ad me? Ecce enim ut facta est vox salutatiónis tuæ in áuribus meis, exsultávit in gáudio infans in útero meo. Et beáta, quæ credidísti, quóniam perficiéntur ea, quæ dicta sunt tibi a Dómino. Et ait María: Magníficat ánima mea Dóminum: et exsultávit spíritus meus in Deo salutári meo. Quia respéxit humilitátem ancíllæ suæ: ecce enim ex hoc beátam me dicent omnes generatiónes. Quia fecit mihi magna qui potens est: et sanctum nomen ejus. Et misericórdia ejus a progénie in progénies timéntibus eum.
Naquele tempo, Isabel ficou repleta do Espírito Santo e exclamou em alta voz, dizendo: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre. Em que mereci eu que a mãe do meu Senhor viesse ter comigo? Pois logo que a voz da tua saudação soou aos meus ouvidos, o menino exultou de alegria no meu seio. E bem-aventurada és tu que acreditaste, porque se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas. Disse então Maria: A minha alma glorifica ao Senhor; e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na baixeza de sua serva. Eis que desde agora me chamarão bem-aventurada todas as gerações! Porque me fez grandes coisas Aquele que é poderoso, e cujo nome é santo; a sua misericórdia estende-se de geração em geração sobre os que O temem.