[LA] Nascido por volta de 1085 em Gubbio, na Itália, no seio de uma nobre família, Santo Ubaldo destacou-se desde cedo pela piedade e pela aversão às vaidades seculares, sendo ordenado sacerdote em 1114. Reformou o cabido de sua catedral, restaurando a vida comum e a estrita observância canonical entre os clérigos, enfrentando com mansidão, mas inquebrantável firmeza, as resistências e as frouxidões locais. Elevado ao episcopado de sua cidade natal em 1128, contra a sua própria vontade, governou seu rebanho com exímia caridade, paciência heroica e zelo ardente pela salvação das almas. Sua vida foi marcada por assombrosos milagres, profunda penitência e um poder peculiar sobre os espíritos malignos, tornando-se o grande exorcista e protetor de seu povo, não temendo sequer enfrentar o imperador Frederico Barba-Ruiva para poupar sua cidade da destruição. Entregou sua alma puríssima a Deus e partiu para a glória celeste em 16 de maio de 1160. Seus restos mortais, incorruptos, repousam na Basílica de Santo Ubaldo em Gubbio, de onde continua a ser farol para os fiéis e invocado poderosamente contra as investidas do demônio e do erro.
🎵 Introito (Eclo 45, 30; Sl 131, 1)
Státuit ei Dóminus testaméntum pacis, et príncipem fecit eum: ut sit illi sacerdótii dígnitas in aetérnum. Ps. Meménto, Dómine, David: et omnis mansuetúdinis ejus.
O Senhor fez com ele uma aliança de paz, constituindo-o príncipe, a fim de que tivesse para sempre a dignidade sacerdotal. Sl. Lembrai-Vos, Senhor, de Davi e de toda a sua submissão.
📖 Epístola (Eclo 44, 16-27; 45, 3-20)
Eis o grande sacerdote que nos dias de sua vida agradou a Deus e foi considerado justo; no tempo da ira, tornou-se a reconciliação dos homens. Ninguém o igualou na observância das leis do Altíssimo. Por isso o Senhor jurou que o havia de glorificar em sua descendência. Abençoou nele todas as nações e confirmou sua aliança sobre a sua cabeça. Distinguiu-o com as suas bênçãos; conservou-lhe a sua misericórdia e ele achou graça diante do Senhor. Enalteceu-o diante dos reis e deu-lhe uma coroa de glória. Fez com ele uma aliança eterna; deu-lhe o sumo sacerdócio, e encheu-o de felicidade na glória, para exercer o sacerdócio, cantar louvores a seu Nome e oferecer-Lhe dignamente incenso de agradável odor.
✝️ Evangelho (Mt 25, 14-23)
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: Um homem, indo viajar para longe, chamou os seus servos e entregou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, e ao terceiro um, a cada qual segundo a sua capacidade. E partiu logo depois. Aquele que havia recebido os cinco talentos, foi-se e negociou com eles, e lucrou outros cinco. Da mesma sorte, o que recebera os dois talentos ganhou também outros dois. Mas o que havia recebido um só, foi cavar a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor. Passado muito tempo, voltou o senhor desses servos, e chamou-os a contas. Aproximando-se o que tinha recebido cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco, dizendo-lhe: Senhor, vós me entregastes cinco talentos; eis outros cinco mais que lucrei. Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel, porque foste fiel no pouco, sobre muito te porei; entra na alegria de teu senhor. Apresentou-se também o que recebera os dois talentos e disse: Senhor, vós me entregastes dois talentos; eis aqui outros dois mais que eu ganhei. Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel, porque foste fiel no pouco, sobre muito te porei; entra na alegria de teu Senhor.
A parábola dos talentos revela a urgência da militância católica diante dos dons espirituais e da sã doutrina confiados pela Providência à Igreja. Santo Ubaldo, longe de enterrar o depósito da fé por medo ou comodismo, multiplicou os talentos que recebeu ao reformar o clero e expulsar os espíritos malignos, compreendendo que a verdadeira caridade exige a extirpação do erro. São Gregório Magno ensina que aquele que esconde o talento na terra é a figura do homem que envolve os dons celestes nas preocupações mundanas e se recusa a pregar a verdade por covardia perante os juízos temporais. Em nossos tempos, essa covardia se manifesta no desejo de adaptar a Igreja aos erros da modernidade, forjando um cristianismo maleável que acaricia os ouvidos de uma geração corrompida. O servo bom e fiel, contudo, é aquele que trava o bom combate, repudiando os mestres complacentes e investindo tudo o que tem na defesa intransigente da fé imutável, sabendo que a recompensa eterna exige a rejeição frontal às lisonjas do mundo que conduzem às fábulas.
A eleição divina para o sacerdócio, exaltada na epístola na figura do sumo sacerdote que agradou a Deus, não se fundamenta em concessões às paixões humanas, mas na estrita observância das leis do Altíssimo. Como ensina Santo Tomás de Aquino, o prelado é constituído mediador para aplacar a ira divina justamente por sua união íntima com a Vontade de Deus e sua completa separação das iniquidades terrenas. Foi essa santidade inflexível que fez de Santo Ubaldo um instrumento de verdadeira reconciliação, pois a paz autêntica só floresce onde a justiça de Deus é vindicada. Contrária a isso é a falsa paz daqueles que buscam multiplicar para si falsos mestres conforme os próprios desejos, suportando o vício e traindo a cruz sob o pretexto de atualização aos novos tempos. A coroa de glória prometida na leitura não enfeita a fronte dos que diluem o incenso do sacrifício para agradar aos homens, mas consagra os que, inabaláveis na Tradição, recusam-se a afastar os ouvidos da doutrina perene para escutar os aplausos efêmeros do século.
Essa oposição radical entre a fidelidade a Deus e as seduções do mundo encontra sua síntese luminosa no introito da missa, que proclama: O Senhor fez com ele uma aliança de paz. Esta aliança de paz, concedida a Santo Ubaldo e oferecida a todo católico que vive a verdadeira militância, não é a tolerância rasteira para com a modernidade, nem uma diplomacia covarde com o pecado. Pelo contrário, a paz do introito é o triunfo que se segue à guerra espiritual contra os que não suportam a sã doutrina. Ao multiplicar os talentos recebidos sem ceder ao espírito do mundo, e ao manter-se firme na observância da lei divina em tempos de ira e confusão, a alma fiel consuma essa santa aliança. Somente assim, armado com a dignidade da graça e repelindo as novidades ilusórias, o católico pode apresentar ao Justo Juiz os frutos de seu combate, ouvindo por fim o dulcíssimo convite para entrar na alegria eterna do seu Senhor.