15 jan
S. Paulo eremita, confessor


🌵São Paulo, o Primeiro Eremita (c. 228-c. 341), nascido em Tebas, no Egito, retirou-se para o deserto durante a perseguição de Décio, inaugurando o modo de vida eremítico que marcaria profundamente a tradição monástica. Viveu cerca de noventa anos em absoluta solidão e oração contínua, vestindo-se com folhas de palmeira e sendo alimentado milagrosamente por um corvo que lhe trazia meio pão diariamente. Sua existência, oculta aos olhos do mundo mas radiante para Deus, foi revelada a Santo Antão Abade, que o visitou pouco antes de sua morte e o sepultou com o auxílio de dois leões, segundo a tradição transmitida por São Jerônimo. Falecido por volta de 341, é venerado como o pai dos eremitas e modelo sublime de contemplação, ascetismo e total abandono à Divina Providência.

🎼Introito (Sl 91, 13-14 | ib. 2)
Justus ut palma florébit: sicut cedrus Líbani multiplicábitur: plantátus in domo Dómini: in átriis domus Dei nostri. Ps. Bonum est confitéri Dómino: et psállere nómini tuo, Altíssime. 
O Justo florescerá como a palmeira, na plenitude da força, como o cedro do Líbano plantado na casa do Senhor e nos átrios da casa de nosso Deus. Sl. É bom louvar ao Senhor, cantar salmos em honra de vosso Nome, ó Altíssimo.

📜Epístola (Fil 3, 7-12)
Irmãos: Aquilo que outrora me pareceu vantajoso, agora olho como prejudicial por causa do Cristo. Considero mesmo todas as coisas como perdas em virtude da excelência do conhecimento de Jesus Cristo, Senhor meu. Por Ele renunciei a todas as coisas, olhando-as como lixo, a fim de ganhar o Cristo e de ser achado n'Ele, não por minha justiça, que vem da lei, mas pela que nasce da fé no Cristo Jesus, a justiça que vem de Deus por meio da fé. A Ele procuro conhecer e ao poder de sua Ressurreição: e procuro participar de seus sofrimentos, tornando-me conforme à sua morte para alcançar de algum modo a ressurreição dentre os mortos. Não que já tenha recebido o prêmio, ou seja perfeito: porém eu O sigo e trato de alcançar a recompensa, pois eu mesmo fui conquistado pelo Cristo Jesus.

✠Evangelho (Mt 11, 25-30)
Naquele tempo, respondeu Jesus: Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e prudentes e as revelaste aos pequenos. Sim, Pai, assim foi de teu agrado. Todas as coisas me foram concedidas por meu Pai. E ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim, todos vós que estais fatigados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós; aprendei de mim que sou manso e humilde de coração, e encontrareis repouso para vossas almas. Pois meu jugo é suave e meu fardo leve.

🕯️A ciência sublime da renúncia e o repouso em Deus

💎A liturgia de hoje nos convida a contemplar o mistério da verdadeira sabedoria cristã, encarnada na vida solitária de São Paulo Eremita, através da lente da renúncia total descrita pelo Apóstolo Paulo na Epístola e da humildade revelada no Evangelho. A fuga do mundo para o deserto não é um ato de covardia ou desprezo pela criação, mas uma resposta radical à descoberta de um tesouro maior, onde todas as vantagens terrenas são consideradas "lixo" diante da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus. Santo Agostinho nos recorda que este conhecimento não é uma erudição intelectual, mas uma experiência de amor que exige o esvaziamento do ego, pois "Deus dá onde encontra mãos vazias" (Santo Agostinho, Comentário ao Salmo 131). O Eremita, na sua nudez e dependência da Providência, torna-se o "pequeno" a quem o Pai revela os mistérios do Reino, escondidos aos sábios e prudentes do mundo que confiam na sua própria justiça. O jugo de Cristo, mencionado no Evangelho, torna-se suave não pela ausência de sofrimento ou aspereza — a vida no deserto era extrema —, mas porque o amor transforma o peso em asas. Como ensina o Doutor da Graça, "o meu peso é o meu amor; para onde quer que eu vá, é ele quem me leva" (Santo Agostinho, Confissões, XIII, 9). Assim, o "cedro do Líbano" mencionado no Introito cresce não pela força da natureza, mas por estar plantado na Casa do Senhor, onde a solidão se converte em plenitude de presença, e a morte para o mundo antecipa a ressurreição gloriosa prometida aos que participam dos sofrimentos de Cristo.

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