Introito - Justus ut palma florébit: sicut cedrus Líbani multiplicábitur: plantátus in domo Dómini: in átriis domus Dei nostri. Ps. Bonum est confitéri Dómino: et psállere nómini tuo, Altíssime. Gloria Patri.O Justo floresce como a palmeira, na plenitude da força, como o cedro do Líbano, plantado na casa do Senhor e nos átrios da casa de nosso Deus. Salmo. É bom louvar o Senhor e cantar salmos em honra de vosso Nome, ó Altíssimo. Glória ao Pai.
Nascido em 1581, nas terras da França, São Vicente de Paulo foi um vaso escolhido pela Providência para reacender a chama da verdadeira caridade em um século marcado pelo esfriamento da fé e pela miséria espiritual. Ordenado sacerdote, buscou inicialmente as comodidades que a vida clerical poderia oferecer, mas, tocado profundamente pela graça, abandonou as ilusões terrenas para abraçar a pobreza radical de Cristo. Compreendendo que a ignorância religiosa e o abandono dos camponeses eram feridas sangrentas no Corpo Místico, fundou a Congregação da Missão, destinada a formar clérigos santos e a pregar o Evangelho aos mais esquecidos. Ao lado de Santa Luísa de Marillac, ergueu as Filhas da Caridade, transformando as ruas e os hospitais em claustros de amor abnegado onde o próprio Senhor era servido nos enfermos e desamparados. Consumido pelo zelo apostólico e pela confiança inabalável na Providência divina, entregou sua alma a Deus no ano de 1660, repousando hoje o seu corpo incorrupto na Capela de São Vicente de Paulo, em Paris, de onde continua a exalar o bom odor de Cristo para toda a Igreja militante.
Contemplai, ó almas sedentas da eternidade, o abismo intransponível que separa a sabedoria do mundo da loucura da cruz! O Apóstolo clama na Epístola de hoje: "Somos dados em espetáculo ao mundo... somos néscios por amor de Cristo". Como estas palavras ecoam dolorosamente em nossos dias! Olhai ao vosso redor e vede como o espírito de nosso tempo, inebriado pelos perfumes venenosos das comodidades terrenas, abomina a rigidez da sã doutrina e foge covardemente do calvário. Mais terrível ainda é constatar que esse desejo rasteiro de ser agradável aos olhos humanos tenta se infiltrar nos próprios recintos sagrados, esvaziando o sentido do sacrifício, suavizando as exigências da cruz e trocando as verdades perenes por adaptações levianas que não salvam, mas entorpecem as consciências. O Cristo, porém, não nos promete as honrarias da praça pública; Ele nos adverte solenemente no Evangelho: "Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos". Diante da frieza de sua época, assolada por correntes doutrinárias gélidas que afastavam as almas da infinita misericórdia e por rupturas que rasgavam a unidade do rebanho, São Vicente de Paulo não buscou o prestígio das cortes nem a covardia das concessões. Ele empunhou a arma invencível da verdadeira caridade pastoral! Como bem ecoa a sabedoria do grande Doutor de Hipona, a cidade de Deus não se ergue sobre as seguranças dos cofres humanos, mas sobre a entrega absoluta à vontade divina. Vicente enviou seus sacerdotes sem bolsa nem alforge, descalços de vaidades, para anunciar a paz aos corações dilacerados. Vede o contraste tremendo, meus irmãos! O altar exige a imolação, o século exige o entretenimento; a graça eleva para a luz, o pecado arrasta para as trevas. Acaso podemos nós, que nos alimentamos da Carne puríssima do Cordeiro, viver como mendigos da aprovação do mundo? Despertemos deste torpor espiritual! Que o exemplo luminoso deste santo confessor nos arranque da mornidão. Que os sagrados ritos de hoje nos façam compreender que a única glória imperecível é ser tratado como "escória de todos" por fidelidade a Jesus Cristo, para que, rejeitando os venenos sutis que tentam diluir nossa fé sagrada, sejamos operários destemidos na grande messe do Senhor, até o dia em que o exílio do tempo dê lugar à pátria da eternidade.
Epístola (I Cor 4, 9-14) - Irmãos: Somos dados em espetáculo ao mundo, aos Anjos e aos homens. Somos néscios por amor do Cristo, mas vós sois sábios no Cristo; nós somos fracos, e vós fortes; vós estimados e nós desprezados. Até esta hora padecemos fome e sede, e estamos nus; somos esbofeteados e não temos morada certa. Fatigamo-nos a trabalhar com as nossas mãos. Amaldiçoam-nos, e bendizemos; perseguem-nos, e sofremos; blasfemam contra nós, e rezamos. Somos tratados como a imundície deste mundo, a escória de todos, até agora. Não vos escrevo estas coisas para vos envergonhar, mas admoesto-vos como a filhos muito amados em Jesus Cristo, Senhor nosso.
Evangelho (Lc 10, 1-9) - Naquele tempo, designou o Senhor outros setenta e dois discípulos e mandou-os, dois a dois, em sua frente, por todas as cidades e lugares onde Ele próprio devia ir. Ele lhes dizia: A messe é grande, mas os operários são poucos. Rogai, pois, ao dono da seara que mande operários para sua messe. Ide, eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforge, nem calçado e pelo caminho a ninguém saudeis. Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: A paz seja nesta casa. E se aí houver um filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; se não, voltará ela para vós. Na mesma casa ficai, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois o operário merece seu salário. Não andeis de casa em casa. E se entrardes em alguma cidade e vos receberem, comei o que vos derem. Curai os enfermos que aí houver e dizei-lhes: Aproximou-se de vós o Reino de Deus.