31 jan
S. João Bosco, confessor

São João Bosco, nascido em Becchi em 1815 e falecido em Turim em 1888, foi um dos maiores apóstolos da juventude na história da Igreja, cuja vida se caracterizou por uma total doação à formação espiritual e material de jovens pobres e abandonados, fundando para tal fim a Congregação Salesiana e as Filhas de Maria Auxiliadora. Sacerdote dotado de carismas extraordinários e guiado por sonhos proféticos desde a infância, desenvolveu o "Sistema Preventivo", uma pedagogia da santidade baseada na razão, na religião e na "amorevolezza" (amor bondoso), contrapondo-se aos métodos repressivos da época e visando formar "honestos cidadãos e bons cristãos". A sua espiritualidade, profundamente eucarística e mariana, enfatizava a alegria como caminho de perfeição e a frequência aos sacramentos da Confissão e da Comunhão como as "duas asas para voar ao céu", combatendo o pecado não pelo medo, mas pelo amor a Deus e a confiança na proteção de Maria Auxiliadora, cuja devoção propagou incansavelmente até sua canonização por Pio XI em 1934.

📖 Introito (III Reis 4, 29 | Sl 112, 1)

Dedit illi Deus sapiéntiam, et prudéntiam multam nimis, et latitúdinem cordis, quasi arénam quæ est in líttore maris. Ps. Laudáte, pueri, Dóminum, laudáte nomen Dómini. ℣. Gloria Patri.

Deus lhe deu uma sabedoria e uma prudência tão grandes, e magnanimidade tão vasta como a areia que há na praia do mar. Sl. Louvai, ó meninos, ao Senhor: louvai o Nome do Senhor. ℣. Glória ao Pai.

✉️ Epístola (Fil 4, 4-9)

Fratres: Gaudéte in Dómino semper: íterum dico, gaudéte. Modéstia vestra nota sit ómnibus homínibus: Dóminus prope est. Nihil sollíciti sitis; sed in omni oratióne et obsecratióne, cum gratiárum actióne, petitiónes vestræ innotéscant apud Deum. Et pax Dei quæ exsúperat omnem sensum, custódiat corda vestra et intelligéntias vestras, in Christo Jesu. De cétero, fratres, quæcúmque sunt vera, quæcúmque púdica, quæcúmque justa, quæcúmque sancta, quæcúmque amabília, quæcúmque bonæ famæ, si qua virtus, si qua laus disciplínæ, hæc cogitáte. Quæ et didicístis, et accepístis, et audístis, et vidístis in me, hæc agite: et Deus pacis erit vobíscum.

Irmãos: Regozijai-vos sempre no Senhor; e ainda uma vez vos digo: regozijai-vos. Seja a vossa modéstia conhecida de todos os homens; o Senhor está perto. De nada vos inquieteis; antes, em toda oração, daí a conhecer a Deus os vossos desejos por preces e súplicas unidas a ações de graças. A paz de Deus, que está acima de todo entendimento, guarde os vossos corações e os vossos sentimentos no Cristo Jesus. Quanto ao mais, irmãos, o que é verdadeiro, o que é puro, o que é justo, o que é santo, o que é amável, o que goza de boa fama, o que é virtude, o que é disciplina louvável, tudo isto deveis meditar. O que tiverdes aprendido, recebido, ouvido e visto em mim, isto deveis fazer. E o Deus de paz será convosco.

✠ Evangelho (Mt 18, 1-5)

In illo témpore: Accessérunt discípuli ad Jesum dicéntes: Quis, putas, major est in regno cælórum? Et ad vocans Jesus párvulum, státuit eum in médio eórum, et dixit: Amen dico vobis, nisi convérsi fueritis, et efficiámini sicut párvuli, non intrábitis in regnum cœlórum. Quicúmque ergo humiliáverit se sicut párvulus iste, hic est major in regno cœlórum. Et qui suscéperit unum párvulum talem in nómine meo, me súscipit.

Naquele tempo, chegaram-se a Jesus os discípulos com esta pergunta: Quem é maior no Reino dos céus? Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles e disse: Em verdade vos digo: se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no Reino dos céus. Portanto quem se tornar humilde como esta criança, este é o maior no Reino do céu. Quem acolher, em meu Nome, uma criança assim, a mim é que acolhe.

😇 A alegria da inocência e a pedagogia da santidade

A liturgia de hoje tece uma conexão profunda entre a sabedoria divina e a simplicidade da infância espiritual, personificada na figura de São João Bosco, cuja "latitude de coração" mencionada no Introito reflete a caridade expansiva que acolhe os pequenos para levá-los a Deus. O Evangelho estabelece a condição sine qua non para a entrada no Reino: a conversão à pequenez, não como imaturidade, mas como a humildade que reconhece a total dependência do Pai, pois, como ensina Santo Agostinho, a soberba é o obstáculo que impede o homem de passar pela porta estreita, sendo necessário fazer-se pequeno para que a graça de Deus nos engrandeça (Santo Agostinho, Sermão 69). Dom Bosco compreendeu que educar é, antes de tudo, um ato teológico de "acolher em meu Nome", vendo em cada jovem a face de Cristo e conduzindo-o à alegria que a Epístola aos Filipenses ordena imperativamente: "Gaudete in Domino semper". Esta alegria salesiana não é euforia mundana, mas o fruto da caridade e da paz de consciência, conforme explica São Tomás de Aquino, que define a alegria como a consequência do amor que repousa na posse do Bem amado (São Tomás de Aquino, Suma Teológica, II-II, q. 28, a. 1). Ao instruir os jovens a manterem a alma na graça através da Confissão e da Eucaristia, Dom Bosco aplicava a "disciplina louvável" citada por São Paulo, protegendo a pureza que permite à alma ver a Deus; assim, o seu apostolado demonstra que a verdadeira pedagogia católica não dissocia a formação humana da vida sobrenatural, pois a paz de Deus, que excede todo o entendimento, só pode guardar os corações que, na inocência recuperada ou preservada, se entregam com confiança filial à Providência e à proteção materna de Maria Auxiliadora.