A Terça-feira na Oitava de Pentecostes continua a sublime efusão de graças do Divino Espírito Santo sobre a Igreja nascente. Historicamente, este dia reveste-se de grande solenidade, recordando-nos a confirmação dos recém-batizados na fé. A liturgia estacional romana conduz-nos hoje à Basílica de Santa Anastácia, célebre mártir romana, localizada no sopé do Monte Palatino. Nos primeiros séculos, os neófitos, ainda revestidos de suas vestes brancas, congregavam-se ali para receberem, pela imposição das mãos dos Apóstolos e de seus sucessores, a plenitude do Paráclito - o sacramento do Crisma -, mistério atestado na Epístola da missa de hoje. É um dia em que a Santa Igreja nos convida a renovar as disposições do nosso batismo e crisma, fortalecendo a nossa alma para o bom combate, recordando que o Espírito Santo nos foi dado não para a complacência pacífica com o mundo, mas para a corajosa confissão da fé católica em meio às hostilidades e engodos de uma sociedade contrária a Deus.
← Voltar🛐 Reflexão - No tempo bendito de Pentecostes, a Liturgia nos apresenta a grandiosa descida do Espírito Santo, o Espírito da Verdade, que vem para confirmar os fiéis na sã doutrina e na caridade perfeita. No Evangelho de hoje, o Divino Redentor declara de forma peremptória: "Eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram são ladrões e salteadores". Estas palavras ressoam com extrema gravidade em nossos dias, nos quais o mundo, embriagado por inovações, tenta incessantemente corromper a Esposa de Cristo, buscando adaptar os dogmas irreformáveis e a moral perene aos erros pestilentos da modernidade. Vemos cumprir-se a profecia apostólica sobre a terrível tendência dos homens de não suportarem a sã doutrina; corações que, levados por suas concupiscências e prazeres, multiplicam para si mestres que lhes afaguem os ouvidos com fábulas reconfortantes. O católico tradicional, no entanto, marcado com o indelével selo do Crisma, não pode ceder ao espírito do século. O Cristo nos recorda o custo dessa fidelidade em sua oração sacerdotal: "Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os rejeitou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo". O Espírito Santo, que a Igreja invoca continuamente nestes dias de Oitava, não é o espírito de adaptação e de falsa misericórdia, mas o fogo devorador que purifica a escória e fortalece os mártires. Como ensina São Tomás de Aquino, o Espírito Santo nos é dado para nos fazer desprezar as ilusões terrenas e ansiar pelas realidades celestiais incorruptíveis. Diante dos mercenários e lobos travestidos de pastores, que sobem por outra via e não pela Porta que é Cristo e a imutável Tradição de Sua Igreja, o rebanho fiel deve afinar os seus ouvidos apenas para a voz do verdadeiro Bom Pastor. É chegado o momento de nos revestirmos de fortaleza, suportando o ódio e o escárnio do mundo moderno, pois sabemos, com inabalável certeza, que a nossa salvação só se encontra na guarda rigorosa da Palavra que jamais passará.