16 jan
S. Marcelo I, Papa e Mártir


✝️São Marcelo I, nascido em Roma no final do século III, foi eleito Papa em 308, durante o turbulento período das perseguições de Diocleciano. Sua breve liderança foi marcada por uma intensa dedicação à restauração da Igreja. Ele se concentrou em reorganizar as comunidades cristãs e em estabelecer uma justa disciplina para os lapsi - aqueles que haviam renunciado à fé sob ameaça de morte. Sua firmeza em exigir penitência antes da readmissão gerou controvérsia e oposição, levando o imperador Maxêncio a exilá-lo. No exílio, foi forçado a trabalhar como um escravo em estábulos, onde enfrentou grandes sofrimentos e humilhações. Morreu em 309, não por uma execução direta, mas em consequência dos maus-tratos sofridos, sendo por isso venerado como mártir. Sua vida é um testemunho de coragem pastoral, zelo pela disciplina e fidelidade inabalável a Cristo em meio à adversidade.

🎶Introito (Jo 21, 15-17; Sl 29, 2)
Si díligis me, Simon Petre, pasce agnos meos, pasce oves meas. Allelúia, allelúia. Ps. Exaltábo te, Dómine, quóniam suscepísti me, nec delectásti inimícos meos super me.
Se tu me amas, Simão Pedro, apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Aleluia, aleluia. Eu Vos glorificarei, Senhor, porque me recebestes, e não permitistes que os meus inimigos se alegrassem à minha custa.

📜Epístola (I Pe 5, 1-4, 10-11)
Caríssimos: Aos anciãos entre vós exorto eu, ancião como eles e testemunha dos padecimentos de Cristo, como também companheiro na glória que se há de manifestar; apascentai o rebanho de Deus que vos está confiado, tende cuidado dele, não constrangidos, mas de bom grado, segundo Deus, não por amor de lucro vil, mas por dedicação, não como que exercendo domínio sobre os Eleitos, mas fazendo-vos de coração modelos do rebanho; e, quando então aparecer o Supremo Pastor, recebereis a coroa imarcessível da glória. O Deus de toda a graça, que no Cristo Jesus nos chamou para a sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, fortificará e consolidará. A Ele a glória e o império por todos os séculos. Amém.

📖Evangelho (Mt 16, 13-19)
Naquele tempo, veio Jesus para os lados de Cesareia de Filipe, e interrogou os seus discípulos: Na opinião dos homens quem é o Filho do homem? E eles responderam: Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que Jeremias ou algum dos Profetas. Disse-lhes Jesus: E vós, quem julgais que eu sou? Tomando a palavra, Simão Pedro disse: Vós sois o Cristo, Filho de Deus vivo. E respondendo, Jesus disse: Bem-aventurado és tu, Simão Bar Jonas, porque não foi a carne e o sangue que te revelaram isso, mas meu Pai que está nos céus. E por isso te digo que és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus. E tudo que ligares sobre a terra, será ligado nos céus; e tudo o que desligares sobre a terra, será desligado nos céus.

🗝️A Pedra da Fé e o Serviço do Pastor
🕊️A liturgia de hoje nos apresenta o arquétipo do Papado na confissão de Pedro e sua encarnação heroica na vida de São Marcelo I. O Evangelho de Mateus é a certidão de nascimento da autoridade petrina: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja". Santo Agostinho, em seu Sermão 295, aprofunda essa verdade ao explicar que Pedro, ao fazer sua confissão, representava a Igreja inteira. A pedra não é a pessoa de Simão em suas fragilidades, mas a fé que ele professou: a fé em Cristo, o Filho de Deus vivo. "Sobre esta pedra, que tu confessaste, [...] edificarei a minha Igreja" (Santo Agostinho, Sermão 295, 1). É sobre essa profissão de fé que a Igreja se sustenta, e o Papa, como sucessor de Pedro, é o guardião e a rocha visível dessa mesma fé. São Marcelo I viveu isso de forma dramática. Ao reorganizar a Igreja e impor a disciplina aos que fraquejaram, ele não agia com autoritarismo, mas exercia o poder das chaves - "tudo o que ligares sobre a terra, será ligado nos céus" - para a salvação das almas, mostrando que o amor pastoral exige, por vezes, a firmeza da correção. A Epístola de São Pedro serve como um manual para este ministério, exortando os pastores a cuidarem do rebanho "de bom grado" e a se tornarem "modelos", não dominadores. Marcelo foi esse modelo, trocando o trono pontifício pelo trabalho forçado, unindo seu sofrimento ao de Cristo, o "Supremo Pastor". Sua vida confirma o que o Catecismo da Igreja Católica ensina sobre o ministério petrino: ele é o "perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade" (CIC 882), uma unidade selada não pelo poder temporal, mas pelo testemunho do amor até as últimas consequências, recebendo, assim, a "coroa imarcessível da glória".

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