terça-feira, 11 de agosto de 2026

11 Agosto ✧ São Tibúrcio e Santa Susana, Mártires ✧ o temor a deus e a confissão pública da fé

Introito - Salus autem justórum a Dómino: et protéctor eórum est in témpore tribulatiónis. Ps. Noli æmulári in malignántibus: neque zeláveris faciéntes iniquitátem.A salvação dos justos vem do Senhor, e Ele é seu protetor no tempo da tribulação. Sl. Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade.


Neste dia, a Santa Igreja congrega em um mesmo abraço maternal as palmas gloriosas de dois mártires que, embora de histórias distintas, foram unidos pelo fio vermelho do sangue derramado por amor ao Cordeiro. São Tibúrcio, valoroso subdiácono romano e filho do prefeito Cromácio - por ele convertido -, caminhou descalço sobre brasas ardentes confessando o nome de Cristo sem sofrer dano, sendo, por fim, decapitado sob a cruel perseguição de Diocleciano. A seu lado, brilha a pureza invencível de Santa Susana, virgem de nobre linhagem que, rechaçando com santo horror a coroa imperial e o consórcio com o paganismo oferecidos pelo filho do imperador, preferiu as núpcias eternas com o Esposo celeste, consumando seu holocausto ao ser degolada em sua própria morada. Suas vidas ensinam-nos que nem o ferro do algoz nem as lisonjas da corte podem afastar do Senhor aqueles que edificam sua casa sobre a rocha da verdadeira fé. As relíquias desta casta esposa de Cristo repousam na venerável Igreja de Santa Susana nas Termas de Diocleciano, antigo título romano para onde peregrinamos em espírito, buscando ali a fortaleza para pisar as vaidades deste mundo enganador.

← Voltar

Irmãos diletíssimos, prestai ouvidos à voz do Mestre que hoje troa no Evangelho com sublime severidade: "Acautelai-vos do fermento dos fariseus... não temais os que matam o corpo". O que é este fermento senão a hipocrisia, aquele veneno funesto que corrói as entranhas da piedade, levando o homem a mendigar os aplausos fugazes da terra enquanto despreza o olhar perscrutador do Céu? Em Tibúrcio e Susana, a Igreja exalta o antídoto divino contra essa peçonha. A missão monumental destes mártires foi opor-se ao paganismo de sua época, não com discursos vãos, mas com o testemunho visceral de quem sabe que a verdadeira vida não reside na carne que apodrece, mas na alma que não morre. Quão urgente é esta lição para os nossos dias de neblina! Vemos, com dor profunda, um espírito de covardia infiltrar-se nos ambientes onde outrora reinava o fervor, uma mentalidade que busca diluir a sal e a luz da doutrina perene para confraternizar com os erros do século. Muitos, temendo o julgamento dos homens e seduzidos pelos confortos de um cristianismo adocicado, preferem calar a verdade e esconder a cruz, trocando a austeridade do sacrifício por uma adaptação rasteira que não ofenda os poderosos. Mas o que nos ensina a Epístola aos Hebreus? Que os santos, pela fé, não apenas suportaram torturas, mas não aceitaram a libertação, para encontrarem uma ressurreição melhor. Eis o brado de Santo Agostinho: o único temor legítimo não é o da espada que decepa o pescoço, mas o do Juiz Supremo que tem o poder de lançar no abismo aqueles que se envergonham de Seu Nome. São Tibúrcio pisou nas brasas porque o fogo do temor de Deus era infinitamente mais ardente em seu peito; Santa Susana rejeitou um império terreno porque seus olhos contemplavam, como nos recorda São Gregório Magno, a glória incomparável do reconhecimento celestial. E nós? Continuaremos a tentar servir a dois senhores? Esconderemos a fé católica nas sombras de nossos quartos, temendo o deboche do mundo moderno? Como adverte a pena de ouro de São João Crisóstomo, de nada vale o esplendor aparente das obras se o coração busca a glória humana e foge do opróbrio do Calvário. Levantemos a fronte! Arranquemos de nós as raízes da condescendência com o erro! Confessemos a Nosso Senhor Jesus Cristo à luz do dia, diante dos homens e de suas vaidades passageiras, para que, sustentados pela graça divina, o Filho do Homem não se envergonhe de nós, mas proclame os nossos nomes diante dos anjos na Jerusalém triunfante.


Epístola (Hb 11, 33-39) - Irmãos: Os santos, pela fé, venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram as promessas, fecharam a boca dos leões, extinguiram a força do fogo, escaparam ao fio da espada, recuperaram forças da fraqueza, tornaram-se fortes na guerra, puseram em fuga os exércitos dos estrangeiros. Mulheres receberam de volta, pela ressurreição, seus mortos; outros, porém, foram torturados, não aceitando a libertação, para encontrarem uma ressurreição melhor. Outros ainda sofreram zombarias e açoites, além de cadeias e prisões; foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos com peles de ovelhas e de cabras, necessitados, aflitos, maltratados - dos quais o mundo não era digno - errando pelos desertos, montes, cavernas e fendas da terra. E todos estes, tendo sido aprovados pelo testemunho da fé, foram encontrados em Cristo Jesus, nosso Senhor.


Evangelho (Lc 12, 1-8) - Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos: Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Pois nada há encoberto que não venha a ser revelado, e nada oculto que não venha a ser conhecido. Porque o que dissestes nas trevas, será dito à luz; e o que falastes ao ouvido nos quartos, será proclamado sobre os telhados. Digo-vos, meus amigos: não temais os que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer. Mostrar-vos-ei a quem deveis temer: temei aquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno. Sim, eu vos digo: a esse temei. Não se vendem cinco passarinhos por dois asses? E nenhum deles está esquecido diante de Deus. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois: valeis mais do que muitos passarinhos. Digo-vos ainda: todo aquele que me confessar diante dos homens, também o Filho do Homem o confessará diante dos Anjos de Deus.