15 fev
S. Faustino e S. Jovita, mártires

🗓️São Faustino e São Jovita, ilustres irmãos nascidos em uma família nobre de Bréscia, na Itália, floresceram no século II como intrépidos pregadores do Evangelho, unindo o vínculo do sangue ao vínculo ainda mais sagrado da caridade cristã durante o violento reinado do imperador Adriano. Dedicados inteiramente à propagação da fé, enfrentaram com heroísmo as perseguições imperiais, recusando-se obstinadamente a oferecer sacrifícios aos ídolos, mesmo diante de atrozes torturas que visavam quebrar-lhes o espírito. A tradição narra que sua constância na fé operou conversões até mesmo no cárcere e entre seus algozes, confirmando a palavra de que o sangue dos mártires é semente de novos cristãos. Após resistirem bravamente a múltiplas provações, foram decapitados por volta do ano 120 d.C., selando com o martírio a confissão de que nada neste mundo poderia separá-los do amor de Cristo, sendo venerados como padroeiros de sua cidade natal e exemplos perenes de fidelidade até a morte.

📖 Introito (Sl 36, 39 | ib., 1)

Salus autem justórum a Dómino: et protéctor eórum est in témpore tribulatiónis. Ps. Noli æmulári in malignántibus: neque zeláveris faciéntes iniquitátem. ℣. Glória Patri.

A salvação dos Justos vem do Senhor; e Ele é o seu protetor no tempo da tribulação. Sl. Não rivalizes com os maus, nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade. ℣. Glória ao Pai.

✉️ Epístola (Heb 10, 32-38)

Fratres: Rememorámini prístinos dies, in quibus illumináti magnum certámen sustinuístis passiónum: et in áltero quidem oppróbriis, et tribulatiónibus spectáculum facti: in áltero autem sócii táliter conversántium effécti. Nam et vinctis compássi estis, et rapínam honórum vestrórum cum gáudio suscepístis, cognoscéntes vos habére meliórem, et manéntem substántiam. Nolíte itaque amíttere confidéntiam vestram, quæ magnam habet remuneratiónem. Patiéntia enim vobis necessária est: ut voluntátem Dei faciéntes, reportétis promissiónem. Adhuc enim módicum aliquántulum, qui ventúrus est, véniet, et non tardábit. Justus autem meus ex fide vivit.

Irmãos: Lembrai-vos dos dias passados, nos quais depois de terdes recebido as luzes da fé sofrestes grandes tormentos: algumas vezes, expostos como em espetáculo, aos opróbrios e tribulações; outras, tomando parte nos sofrimentos daqueles que eram assim tratados. Tivestes compaixão dos encarcerados, e recebestes com alegria a perda de vossos bens, sabendo que tendes um patrimônio melhor e mais duradouro. Não queirais, pois, perder a vossa confiança que tem uma grande recompensa, porquanto vos é necessária a paciência, para que, fazendo a vontade de Deus, alcanceis o prêmio prometido. Porque, com mais um pouquinho de tempo, O que há de vir virá, e sem tardança. Ora, o meu Justo vive da fé.

✠ Evangelho (Lc 12, 1-8)

In illo témpore: Dixit Jesus discípulis suis: Atténdite a ferménto pharisæórum, quod est hypócrisis. Nihil autem opértum est, quod non revelétur: neque abscónditum, quod non sciátur. Quóniam, quæ in ténebris dixístis in lúmine dicéntur: et quod in aurem locúti estis in cubículis, prædicábitur in tectis. Dico autem vobis amícis meis: Ne terrámini ab his, qui occídunt corpus, et post hæc non habent ámplius quid fáciant. Osténdam autem vobis quem timeátis: timéte eum qui, postquam occíderet, habet potestátem míttere in gehénnam. Ita dico vobis: hunc timéte. Nonne quinque pásseres véneunt dipóndio, et unus ex illis non est in oblivióne coram Deo? Sed et capílli cápitis vestri omnes numeráti sunt. Nolíte ergo timére: multis passéribus pluris estis vos. Dico autem vobis: Omnis quicúmque conféssus fúerit me coram homínibus, et Fílius hóminis confitébitur illum coram Angelis Dei.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é hipocrisia. Porque nada há tão oculto que se não venha a descobrir, e nada escondido, que se não venha a saber. Por isso as coisas que dissestes nas trevas, serão ditas às claras: e o que falastes ao ouvido, no recôndito de vossos cubículos, será apregoado de cima dos tetos. Digo-vos, porém, a vós, que sois meus amigos: Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, e depois nada mais podem fazer. Eu vos mostrarei entretanto a quem haveis de temer: temei Aquele, que depois de matar, tem poder de lançar no inferno. Sim, eu vos digo, temei a Este. Porventura não se vendem cinco passarinhos por dois vinténs? E todavia, nem um só deles está em esquecimento diante de Deus. Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois vós valeis mais que muitos pássaros. Ora, eu vos digo: Todo aquele que me confessar diante dos homens, também o Filho do homem o confessará diante dos Anjos de Deus.

🛡️ Confissão pública e a divina providência no martírio

A liturgia de hoje, ao celebrar o triunfo dos irmãos mártires Faustino e Jovita, entrelaça a exortação à fortaleza com a certeza da divina providência, recordando-nos que a verdadeira vida não é aquela que os homens podem destruir, mas a que Deus preserva eternamente. O Evangelho adverte contra o "fermento dos fariseus", que é a hipocrisia, pois o martírio é o ato supremo de veracidade, onde o interior e o exterior se alinham perfeitamente na confissão de Cristo; não há espaço para uma fé oculta "nos cubículos" quando a Verdade exige ser proclamada "sobre os telhados". São Tomás de Aquino ensina que o martírio é o ato mais perfeito da virtude da fortaleza, pois suporta o maior dos males, a morte, pelo maior dos bens, que é Deus, demonstrando assim a caridade em seu grau máximo (Summa Theologiae, II-II, q. 124, a. 3). A Epístola aos Hebreus reforça essa dinâmica ao chamar os sofrimentos de "espetáculo", indicando que a vida do cristão é uma arena onde a fidelidade é testada, mas onde a perda dos bens terrenos é aceita com alegria pela posse de uma "substância melhor e permanente". Santo Agostinho, refletindo sobre o temor, nos lembra que os mártires venceram porque temeram a Deus mais do que aos homens: "Não temais os que matam o corpo", diz o Senhor, pois o mártir, ao morrer, não perde a vida, mas a troca pela eternidade, confiando que até os "cabelos de sua cabeça estão contados", ou seja, que nenhum detalhe de seu sacrifício escapa à onisciência amorosa do Pai (Sermão 65). Portanto, a confissão pública de fé, exemplificada por Faustino e Jovita, não é um ato de imprudência, mas de suprema sabedoria, pois garante que aquele que confessa o Filho diante dos homens será, por sua vez, confessado e glorificado pelo próprio Cristo diante dos anjos de Deus.