🌟Celebra-se nesta data a liturgia correspondente ao I Domingo depois da Epifania, centralizada no mistério de Jesus adolescente e sua manifestação aos doutores da Lei. Este momento marca a transição entre a infância e a vida pública do Salvador, revelando a sabedoria divina oculta sob a humildade da carne. O episódio do encontro no Templo, seguido pela vida oculta em Nazaré, oferece o modelo perfeito de santificação da vida familiar e do cumprimento dos deveres de estado. A Igreja nos convida a meditar sobre o "culto espiritual" ou "oblação racional" que devemos prestar a Deus, imitando a submissão de Cristo a Maria e José, e reconhecendo que a verdadeira sabedoria consiste em buscar primeiramente as coisas do Pai, crescendo em graça e virtude no silêncio do cotidiano.
🎶Introito (Is 6, 1; Sl 99, 1)
In excélso throno vidi sedére virum, quem adórat multitúdo Angelórum, psalléntes in unum: ecce, cuius impérii nomen est in ætérnum. Ps. Jubiláte Deo, omnis terra: servíte Dómino in lætítia.
Em trono elevado vi assentado o Varão, a quem adora a multidão dos Anjos, cantando em coro: Eis Aquele cujo império dura eternamente. Sl. Aclamai a Deus, toda a terra; servi ao Senhor com alegria.
📜Epístola (Rm 12, 1-5)
Irmãos: Rogo-vos, pela misericórdia de Deus, que ofereçais vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito. Em virtude da graça que me foi dada, recomendo a todos e a cada um: não façam de si próprios uma opinião maior do que convém, mas um conceito razoavelmente modesto, de acordo com o grau de fé que Deus lhes distribuiu. Pois, como em um só corpo temos muitos membros e cada um dos nossos membros tem diferente função, assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro.
📖Evangelho (Lc 2, 42-52)
Quando Jesus completou doze anos, subiram eles a Jerusalém, segundo o costume daquela festa. Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais o percebessem. Pensando que ele estivesse com os seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e o buscaram entre os parentes e conhecidos. Mas não o encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele. Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Todos os que o ouviam estavam maravilhados da sabedoria de suas respostas. Quando eles o viram, ficaram admirados. E sua mãe disse-lhe: Meu filho, que nos fizeste? Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição. Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai? Eles, porém, não compreenderam o que ele lhes dissera. Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens.
🕯️A sabedoria do silêncio e a oblação racional
⚖️A liturgia de hoje estabelece uma conexão profunda entre a doutrina paulina do Corpo Místico e a vida oculta da Sagrada Família, revelando que a verdadeira sabedoria cristã reside na conformidade da vontade humana com a divina através da humildade. São Paulo, na Epístola, exorta-nos a apresentar nossos corpos como "sacrifício vivo" e "culto espiritual" (rationabile obsequium), o que significa que toda a nossa existência física e moral deve ser orientada para Deus, não de forma irracional ou automática, mas com pleno consentimento e discernimento. Este ensinamento encontra sua encarnação perfeita no Evangelho: Cristo, a Sabedoria Eterna, submete-Se à Lei subindo a Jerusalém e, paradoxalmente, manifesta Sua divindade ao permanecer no Templo, ocupando-se das coisas do Pai. Santo Ambrósio observa que Jesus ensinava os doutores não pela presunção de autoridade, mas interrogando-os com humildade, demonstrando que a Sabedoria de Deus muitas vezes confunde os sábios do mundo (Santo Ambrósio, Expositio Evangelii secundum Lucam). Contudo, o ápice desta lição não está apenas no Templo, mas no retorno a Nazaré: "e lhes era submisso". Aquele a quem os Anjos adoram no "trono elevado" (Introito) faz-se súdito de José e Maria. Como ensina São Bernardo de Claraval, "Deus obedece a um homem; tal humildade não tem paralelo". Esta submissão não é uma diminuição, mas o cumprimento da justiça, mostrando que o "sacrifício vivo" se realiza na obediência cotidiana e no cumprimento dos deveres de estado, onde cada membro do corpo desempenha sua função sem soberba, contribuindo para a harmonia do todo, conforme o desígnio do Pai Celeste.
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