quinta-feira, 18 de junho de 2026

18 JUN ✧ Santo Efrém, o Sírio, Diácono, Confessor e Doutor ✧ a harpa do espírito contra as fábulas do mundo

Introito (Eclesiástico 15, 5; Salmos 91, 2) - In médio Ecclésiæ apéruit os ejus: et implévit eum Dóminus spíritu sapiéntiæ, et intelléctus: stolam glóriæ índuit eum. Ps. Bonum est confitéri Dómino, et psállere nómini tuo, Altíssime.

Nascido na Mesopotâmia por volta do ano 306, na cidade de Nisibe, Efrém floresceu como um lírio puríssimo em meio aos espinheiros de um século conturbado. Desde a juventude, consagrou a sua virgindade a Cristo e foi ordenado diácono, recusando-se a ascender ao sacerdócio por cultivar uma humildade profunda e inabalável. Quando sua terra natal caiu nas garras dos persas, por volta de 363, refugiou-se na antiga cidade de Edessa, onde fundou uma célebre escola teológica e consumiu os últimos anos de sua vida em defesa inflexível da ortodoxia católica. Munido de uma cultura ímpar e de um gênio poético arrebatador, converteu a teologia em canto, desmascarando os lobos hereges de seu tempo com hinos celestiais que arrebatavam as multidões. Entregou a sua bela alma a Deus em 373, deixando um testamento espiritual tão formidável que o Papa Bento XV, no limiar de nosso moderno século (1920), não hesitou em elevá-lo à suprema honra de Doutor da Igreja Universal.


Vede, caríssimos irmãos, a majestade terrível e profética das palavras que o Apóstolo nos dirige na Epístola de hoje: virão tempos em que os homens já não suportarão a doutrina salutar, mas, sentindo comichão nos ouvidos, amontoarão para si mestres que apenas afaguem as suas cobiças e os seus instintos rasteiros! Não é este, acaso, o exato retrato de nossa época agonizante? O mundo, embriagado pelo orgulho e seduzido pelas facilidades terrenas, recusa-se a dobrar os joelhos diante da rudeza do madeiro, exigindo que a religião se curve aos caprichos das modas passageiras e que o culto imemorial seja mutilado para não ofender o paladar dos soberbos. Em tempos de tamanho desvario, como é revitalizante contemplar a figura luminosa de Santo Efrém! A grandiosa missão deste humilde diácono foi forjada no choque titânico contra o gnosticismo e o arianismo, doenças do intelecto que tentavam injetar venenos sutis sob a aparência de ritos atraentes. Como ele respondeu a essa astuta tentativa de corromper o rebanho sagrado por dentro? Não com a frouxidão letárgica que mendiga aplausos humanos, nem rebaixando o sagrado para ser palatável às massas, mas derramando as verdades eternas em dogmas irredutíveis e rutilante beleza. Ele tornou-se, como atesta São Jerônimo, uma mente tão perfeitamente habitada pelo Espírito Santo que seus escritos ressoavam como os próprios rios do paraíso para fecundar a aridez das inteligências. Meus irmãos, o Evangelho nos alerta: somos o sal da terra e a luz do mundo. Ora, pergunto-vos com temor: o que acontece quando o sal faz alianças secretas com o lodo, perdendo o seu vigor ascético? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e impiedosamente pisado pelas botas do mundo! Assim será a nossa desgraça se permitirmos que a herança bimilenar da Igreja seja destituída de seu caráter sobrenatural. Olhai para a Hóstia Imaculada que repousa sobre a pedra fria do altar! Ali não há fábulas reconfortantes nem pactos com as trevas, mas apenas o holocausto perfeito do Cordeiro imolado para a glória exclusiva de Deus. Que a lira celestial de Santo Efrém ecoe hoje no abismo de nossas consciências, arrancando-nos da mediocridade. Não vos deixeis seduzir por falsos evangelhos que prometem a luz dispensando o sacrifício; mantende vossas almas vigilantes no candelabro da sagrada Tradição, para que, não transgredindo nem mesmo a menor sílaba dos preceitos divinos, possais receber a coroa incorruptível da justiça no glorioso Reino dos céus.

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Introito (Eclesiástico 15, 5; Salmos 91, 2) - No meio da Igreja, o Senhor abriu a sua boca; encheu-o do espírito de sabedoria e de inteligência, e revestiu-o com uma túnica de glória. Sl. É bom louvar ao Senhor e cantar salmos ao vosso Nome, ó Altíssimo.

Epístola (II Timóteo 4, 1-8) - Caríssimo: Conjuro-te diante de Deus e de Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos por sua vinda e por seu Reino: prega a palavra, insiste, quer agrade, quer desagrade, repreende, suplica, admoesta com toda a paciência e doutrina. Porque virá tempo em que os homens não suportarão a sã doutrina, mas multiplicarão para si mestres conforme os seus desejos, levados pela curiosidade de ouvir. E afastarão os ouvidos da verdade para os abrirem às fábulas. Tu, porém, vigia, trabalha em todas as coisas, faze obra de um Evangelista, desempenha o teu ministério. Sê sóbrio. Quanto a mim, já estou para ser crucificado, e o tempo de minha morte se avizinha. Combati o bom combate; terminei a minha carreira: guardei a fé. Resta-me esperar a coroa da justiça que me está reservada, que o Senhor, justo Juiz, me dará nesse dia. E não só a mim, como também àqueles que desejam a sua vinda.


Evangelho (Mateus 5, 13-19) - Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Vós sois o sal da terra. Se o sal perder a sua força, como há de receber nova força? Para nada mais presta senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Uma cidade situada sobre um monte, não pode ser escondida. E ninguém acende uma luz para pô-la debaixo do alqueire, mas sim no candieiro, para alumiar a todos os que estão em casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está no céu. Não julgueis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, e sim cumprir. Porque, em verdade vos digo: enquanto não passar o céu e a terra, nem uma letra, nem um pontinho desaparecerá da lei, até que tudo seja realizado. Aquele, pois, que transgredir um destes mandamentos por pequeno que seja e ensinar assim aos homens, será chamado mínimo no Reino dos céus; mas o que os guardar e os ensinar, esse será chamado grande no Reino dos céus.