sexta-feira, 31 de julho de 2026

31 Julho ✧ Santo Inácio de Loiola, Confessor ✧ o soldado de cristo contra as ilusões do mundo

Introito - In nómine Jesu omne genu flectátur, cœléstium, terréstrium et infernórum: et omnis lingua confiteátur, quia Dóminus Jesus Christus in glória est Dei Patris. Sl. Gloriabúntur in te omnes, qui díligunt nomen tuum: quóniam tu benedíces justo. Glória Patri... Ao nome de Jesus, se dobre todo joelho daqueles que estão no céu, na terra e debaixo dela; e toda língua confesse que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai. Sl. Todos os que amam o vosso Nome, Vos louvem, ó Senhor, porque abençoais o Justo. Glória ao Pai...


Nascido na Espanha no ano de 1491, Inácio de Loiola iniciou sua juventude sedento pelas glórias efêmeras das cortes e pelo ardor das batalhas terrenas. Contudo, ao ser gravemente ferido no cerco de Pamplona em 1521, a infinita misericórdia de Deus transformou o leito de dor no berço de sua profunda conversão: a leitura providencial sobre a vida de Cristo e os feitos dos santos curou a cegueira de sua alma, levando-o a renunciar definitivamente às futilidades mundanas para alistar-se nas fileiras invisíveis da milícia celestial. Mais tarde, na cidade de Paris, reuniu em torno de si valorosos companheiros, com os quais fundou a Companhia de Jesus. Estes audazes soldados espirituais, cingidos por uma inabalável obediência à Cátedra de Pedro, lançaram-se à heroica missão de propagar a sã doutrina e restaurar o fervor religioso em um tempo de profunda crise, confusão e rebeldia. Tendo governado sua Ordem como o primeiro Geral, o santo confessor entregou sua alma a Deus no ano de 1556 em Roma, onde seu corpo sagrado repousa na venerável Igreja de Jesus, deixando para a eternidade o legado dos seus inigualáveis exercícios espirituais, armas poderosas para a santificação das almas.

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Olhai ao redor, almas cristãs, e vede o tenebroso abismo que se abre sob nossos pés! Não testemunhamos, em nossos dias, a tragédia de uma geração adoecida, que rejeita o cálice do sacrifício e foge espavorida da austeridade da cruz? O século seduz as almas com lisonjas e promessas de comodidade, e essa fumaça mortífera, penetrando silenciosamente nos recintos sagrados, tenta moldar um cristianismo macio e inofensivo, mais ansioso por mendigar os aplausos humanos do que por render culto ao Deus Altíssimo. Exigem que as verdades eternas sejam diluídas, que o rigor da moral seja afrouxado, substituindo a rocha da fé por sentimentos passageiros e flexíveis. Mas volvei vossos olhos para o altar e contemplai a figura gigante de Santo Inácio! Quando o violento vendaval da revolta e do erro ameaçava rasgar a túnica inconsútil da Igreja, espalhando veneno sob a máscara de uma falsa purificação dos costumes, o Senhor dos Exércitos não enviou um diplomata de palavras agradáveis, mas forjou um soldado implacável. Qual é, afinal, a nossa vocação, senão esta mesma peleja espiritual? Na Epístola de hoje, São Paulo nos adverte desde o frio de seu cárcere: ele suporta as algemas sem temor, pois sabe que a Palavra de Deus jamais poderá ser aprisionada por grilhões de ferro! O Apóstolo abraça os vexames pelos eleitos, revelando que a nossa verdadeira liberdade não reside na covarde fuga do sofrimento, mas na paciência heroica que conquista os céus. Como bem exortam os santos doutores, o cristão é enviado a este mundo de trevas como cordeiro para o meio de lobos vorazes, despojado de alforjes terrenos, sem se amparar no conforto do ouro ou nas alianças enganosas, mas revestido unicamente com a retidão inegociável da doutrina e a majestade insuperável do Nome de Jesus, perante o qual os anjos exultam, a terra treme e os próprios demônios se prostram. Não nos enganemos, meus irmãos: a aparente concórdia que a mentalidade terrena nos oferece é o beijo da traição. A paz que devemos levar às casas não é um pacto de amizade com o pecado, mas a ordem sobrenatural da graça, que repousa exclusivamente sobre os corações purificados. Assim como a palmeira afunda suas raízes com mais firmeza sob a fúria das tempestades, a alma justificada eleva-se no embate das perseguições. Despertemos, pois, da letargia desta era escrava dos prazeres! Que o rigor da vida interior expulse de nosso espírito o fermento da mornidão, para que, amando o que é celestial e desprezando o que é passageiro, possamos combater o bom combate e alcançar, pela misericórdia de Cristo, não a aprovação efêmera dos homens, mas a inmarcescível coroa da glória eterna.


Epístola (II Tim 2, 8-10; 3, 10-12) - Caríssimo: Lembra-te que o Senhor Jesus Cristo, da estirpe de Davi, ressuscitou dos mortos, segundo o meu Evangelho pelo qual sofro ao ponto de ser algemado, como se fora um malfeitor; mas a palavra de Deus não está presa. Eis porque, tudo suporto pelos escolhidos, para que também eles consigam a salvação que está no Cristo Jesus, com a glória celeste. Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, o meu modo de viver, as minhas resoluções, a fé, a longanimidade, a caridade, a paciência: as perseguições, os vexames que me fizeram em Antioquia, Icônio e Listria. Grandes foram as perseguições que sofri, mas de todas me livrou o Senhor. E assim todos os que querem viver piamente no Cristo Jesus padecerão perseguições.


Evangelho (Lc 10, 1-9) - Naquele tempo, designou o Senhor outros setenta e dois discípulos e mandou-os, dois a dois, em sua frente, por todas as cidades e lugares onde Ele próprio devia ir. Ele lhes dizia: A messe é grande, mas os operários são poucos. Rogai, pois, ao dono da seara que mande operários para sua messe. Ide, eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforge, nem calçado e pelo caminho a ninguém saudeis. Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: A paz seja nesta casa. E se aí houver um filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; se não, voltará ela para vós. Na mesma casa ficai, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois o operário merece seu salário. Não andeis de casa em casa. E se entrardes em alguma cidade e vos receberem, comei o que vos derem. Curai os enfermos que aí houver e dizei-lhes: Aproximou-se de vós o Reino de Deus.