♱ 27 fev
S. Gabriel de Nossa Senhora das Dores, confessor

Nascido como Francesco Possenti na cidade de Assis, no ano de 1838, e criado em Spoleto, São Gabriel de Nossa Senhora das Dores experimentou em sua juventude a sedução das vaidades do mundo, sendo conhecido pela sociedade local como um jovem elegante, aficionado por festas, teatro e dança. Contudo, a graça divina o perseguia implacavelmente, até que, durante uma procissão mariana, ao fixar os olhos na sagrada imagem, ouviu interiormente a Santíssima Virgem dizer-lhe que a vida mundana não era para ele e que deveria entrar para a vida religiosa. Respondendo prontamente a este chamado, ingressou aos dezoito anos na Congregação dos Passionistas, assumindo o nome que o consagraria para a eternidade. Sua obra espiritual não se baseou em grandes feitos apostólicos ou fundações, mas na vivência heroica da regra em sua totalidade, na extrema mortificação interior e exterior, e na devoção abrasadíssima à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e às Dores de Maria Santíssima. Transformou sua vida em um holocausto de amor nas pequenas coisas do cotidiano monástico, alcançando um altíssimo grau de contemplação e união com Deus em pouquíssimo tempo. Consumido pela tuberculose, entregou sua alma a Deus em 1862, aos vinte e quatro anos, com o coração transbordante de alegria por ir ao encontro de sua Mãe Dolorosa, tornando-se mais tarde o padroeiro da juventude católica.

🎵 Introito (Eclo 11, 13 | Sl 72, 1)

Oculus Dei respéxit illum in bono, et eréxit eum ab humilitáte ipsíus, et exaltávit caput ejus: et miráti sunt in illo multi et honoravérunt Deum. Ps. Quam onus Israël Deus his, qui recto sunt corde!

Sobre ele Deus descansou o seu olhar com bondade, elevou-o de sua humilhação e ergueu a sua cabeça. Muitos se admiraram por sua causa e louvaram a Deus. Sl. Como Deus é bom para com Israel e todos aqueles que têm o coração reto!

📜 Epístola (I Jo 2, 14-17)

Caríssimi: Scribo vobis, júvenes, quóniam fortes estis, et verbum Dei manet in vobis, et vicístis malígnum. Nolíte dilígere mundum neque ea, quæ in mundo sunt. Si quis díligit mundum, non est cáritas Patris in eo: quóniam omne, quod est in mundo, concupiscéntia carnis est, et concupiscéntia oculórum, et supérbia vitæ: quæ non est ex Patre, sed ex mundo est. Et mundus transit et concupiscéntia ejus. Qui autem facit voluntátem Dei, manet in ætérnum.

Caríssimos: Eu vos escrevo, ó jovens, porque sois fortes e a palavra de Deus permanece em vós e vencestes o maligno. Não ameis o mundo, nem o que está no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo que está no mundo é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida, e isto não vem do Pai, mas do mundo. Ora, o mundo passa e com ele, sua concupiscência; mas quem faz a vontade de Deus, permanece eternamente.

📖 Evangelho (Mc 10, 13-21)

In illo témpore: Offerébant Jesu parvulos, ut tángeret illos. Discípuli autem comminabántur offeréntibus. Quos cum vidéret Jesus, indígne tulit et ait illis: Sinite párvulos veníre ad me, et ne prohibuéritis eos: tálium enim est regnum Dei. Amen, dico vobis: Quisquis non recéperit regnum Dei velut párvulus, non intrábit in illud. Et compléxans eos et impónens manus super illos, benedicébat eos. Et cum egréssus esset in viam, procúrrens quidam genu flexo ante eum, rogábat eum: Magíster bone, quid fáciam, ut vitam ætérnam percípiam? Jesus autem dixit ei: Quid me dicis bonum? Nemo bonus, nisi unus Deus. Præcépta nosti: Ne adúlteres, Ne occídas, Ne furéris, Ne falsum testimónium díxeris, Ne fraudem féceris, Hónora patrem tuum et matrem. At ille respóndens, ait illi: Magíster, hæc ómnia observávi a juventúte mea. Jesus autem intúitus eum, diléxit eum et dixit ei: Unum tibi deest: vade, quæcúmque habes, vende et da paupéribus, et habébis thesáurum in cœlo: et veni, séquere me.

Naquele tempo, apresentaram a Jesus, meninos para que neles tocasse. Os discípulos porém repeliam duramente os que os apresentavam. Vendo-os, Jesus indignou-se e lhes disse: Deixai vir a mim os pequeninos e não os afasteis: porque de tais é o Reino de Deus. Em verdade, eu vos digo: Todo aquele que não receber o Reino de Deus como uma criancinha, ali não entrará. E abraçando-as, impunha-lhes as mãos e as abençoava. Como continuasse seu caminho, alguém veio a Ele e dobrando o joelho, perguntou-Lhe: Bom Mestre, que farei para obter a vida eterna? Jesus lhe disse: Por que me chamas de bom? Ninguém é bom, senão Deus. Conheces os mandamentos: Não cometas adultério; não mates; não furtes; não levantes falso testemunho; não prejudiques a ninguém; honra teu pai e tua mãe. Ele Lhe respondeu: Mestre, observei todas essas coisas, desde a minha juventude. Jesus, olhando-o com amor, lhe disse: Falta-te uma coisa. Vai, vende tudo o que tens e o distribui aos pobres e possuirás assim um tesouro no céu; e vem e segue-me.

✝️ A renúncia do mundo e a infância espiritual

A liturgia de hoje encontra sua chave de leitura no Introito, que proclama a ação da graça sobre a alma disposta a esvaziar-se de si mesma: "Sobre ele Deus descansou o seu olhar com bondade, elevou-o de sua humilhação". Esse olhar benevolente de Deus é o mesmo que Jesus lança sobre o jovem rico no Evangelho. O olhar de amor do Senhor exige uma resposta radical que consiste na infância espiritual e na pobreza voluntária. São Gabriel de Nossa Senhora das Dores compreendeu perfeitamente que o Reino dos Céus pertence aos que se fazem "pequeninos", renunciando às seguranças materiais para depender exclusivamente do Pai. Ao contrário do jovem rico que recuou diante do convite à perfeição por possuir muitos bens, São Gabriel abandonou uma vida de prestígio para abraçar a austeridade da cruz, encontrando nela uma alegria inefável. A pequenez evangélica não é imaturidade, mas a suprema sabedoria de quem se lança nos braços da Providência. "Aquele que abraça a pobreza voluntária e a pequenez espiritual não perde nada, mas adquire o próprio autor de todos os bens" (Santo Tomás de Aquino, Summa Theologica, II-II, q. 186, a. 3).

Esta elevação espiritual, contudo, pressupõe um combate encarniçado contra os atrativos terrenos, como exorta a Epístola. A força da juventude de que fala São João não reside no vigor físico, mas na capacidade de vencer as três raízes do pecado: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. São Gabriel travou esse combate em sua própria carne, mortificando seus sentidos e vontades para que o "amor do Pai" habitasse plenamente em sua alma. A vaidade do mundo, que antes o fascinava nas festas de Spoleto, tornou-se para ele algo vazio e passageiro, superado pela contemplação perene das dores de Maria e da Paixão de Cristo. O mundo e suas ilusões passam, mas a vontade de Deus permanece eternamente enraizada no coração do santo. "Aquele que ama o mundo não tem o amor do Pai, pois o amor de Deus e o amor do mundo não podem coabitar na mesma alma" (Santo Agostinho, Tratado sobre a Epístola de São João, Tract. 2, 14).

Assim, a resposta ao olhar amoroso do Cristo exige a purificação total dos afetos. O espaço deixado pela renúncia à soberba e aos prazeres efêmeros não se torna um vazio de tristeza, mas é imediatamente preenchido pela herança do Reino de Deus. São Gabriel de Nossa Senhora das Dores nos ensina que seguir a Cristo de perto significa vender as riquezas do egoísmo e refugiar-se na escola da Cruz, onde a alma, purificada de toda mancha mundana, alcança a verdadeira liberdade. Quem abraça o desapego prescrito na Epístola torna-se, pela graça, a criança descrita no Evangelho, sobre a qual Deus descansa perpetuamente o Seu olhar.