terça-feira, 21 de julho de 2026

21 JULHO ✧ SANTA PRAXEDES, VIRGEM ✧ o tesouro escondido e a glória da virgindade

Introito - Loquébar de testimóniis tuis in conspéctu regum, et non confundébar: et meditábar in mandátis tuis, quæ diléxi nimis. Ps. 118, 1 Beáti immaculáti in via: qui ámbulant in lege Dómini. Glória Patri...Falava dos vossos testemunhos na presença dos reis, e não me envergonhava: e meditava nos vossos mandamentos, que eu amava soberanamente. Sl. Bem-aventurados os imaculados no caminho: que andam na lei do Senhor. Glória ao Pai...


No coração do antigo Império Romano, no século II, floresceu o lírio puríssimo de Santa Praxedes, virgem e heroína da Igreja nascente. Nascida em berço de ouro, filha do senador romano Pudente, ela desprezou as honras efêmeras de um mundo que passava para abraçar a pobreza espiritual e a castidade exclusiva pelo Reino dos Céus. Enquanto a sociedade ao seu redor fervilhava em vícios e idolatrias, Praxedes transformou seu nobre palácio em um refúgio sagrado para os cristãos perseguidos, lavando suas feridas, consolando os confessores e recolhendo piedosamente o sangue dos mártires derramado pela fé. Seu amor abrasado por Cristo consumiu sua breve vida na terra, entregando sua alma a Deus cercada pela veneração dos fiéis. Seus restos mortais repousam sob o altar da venerável Basílica de Santa Prassede, em Roma, onde até hoje a Igreja guarda a memória inquebrantável desta esposa do Cordeiro que preferiu o Cristo a todos os esplendores e comodidades do mundo.

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Vede, meus irmãos, o mistério sublime que a Liturgia nos desvenda hoje nas santas leituras! Nosso Senhor, no Evangelho, fala de um tesouro escondido e de uma pérola de inestimável valor, pela qual o sábio mercador vende jubilosamente tudo o que possui. Santa Praxedes encontrou essa pérola encarnada, e, sem hesitar, entregou suas riquezas, sua juventude e sua própria vontade. Mas o que contemplamos em nossos dias? O espírito adoecido desta nossa época, embriagado por futilidades e comodidades passageiras, rejeita com profundo desdém a solidez imutável da sã doutrina e a necessidade férrea do sacrifício pessoal. Esse sopro gélido do mundo, habilmente disfarçado sob o manto de uma falsa e açucarada compaixão, penetrou até mesmo nos recintos mais sagrados, buscando sorrateiramente moldar o culto eterno para agradar aos caprichos humanos, esquecendo-se de que a liturgia existe primeiramente para adorar a Deus. Através de inovações sutis e ensinamentos que diluem a majestade da fé, tentam nos seduzir com a miragem de uma religião sem cruz, um caminho largo que não exige conversão. Contudo, a Providência não nos abandona! Todo santo é forjado no fogo do Espírito Santo justamente para ser um antídoto vivo contra o veneno mortífero de sua própria geração. Praxedes esmagou a idolatria do conforto e a sensualidade de Roma com a pureza heroica de seu corpo e a firmeza de suas mãos, que não temeram tocar o sangue dos mártires. E nós? A Epístola de hoje nos adverte com voz de trovão pela pena do Apóstolo: a figura deste mundo passa! Por que, então, nos apegamos ao pó? Por que tentaríamos adaptar a fé perene aos ouvidos doentes de um século em ruínas? A liturgia milenar que hoje celebramos não é uma assembleia humana em busca de entretenimento, mas a realidade sobrenatural da Igreja ajoelhada aos pés do Calvário. A rede foi lançada ao mar, e no fim dos tempos os anjos separarão os justos dos iníquos. Onde estareis vós na consumação dos séculos? Na fornalha ardente, junto aos que trocaram a eternidade pelo aplauso passageiro, ou na glória celeste, junto àqueles que amaram os santos mistérios e guardaram a fé intacta? Despertai vossa consciência, abandonai as ilusões terrenas e correi para o altar de Deus, abraçando o tesouro escondido da graça, para que vossa alma pertença inteiramente e sem divisões ao Rei dos Céus!


Epístola (1 Coríntios 7, 25-34) - Irmãos: Não tenho um mandamento do Senhor a respeito das virgens, mas dou um conselho, como alguém que alcançou a misericórdia do Senhor para ser fiel. Penso, portanto, que isso é bom por causa da necessidade presente: que é bom para o homem permanecer assim. Estás ligado a uma esposa? Não busques a separação. Estás livre de esposa? Não procures esposa. Mas, se tomares uma esposa, não pecaste; e, se uma virgem se casar, não pecou. Contudo, esses tais terão tribulações na carne, e eu desejo poupar-vos. Digo-vos, pois, irmãos: O tempo é curto. Resta, portanto, que aqueles que têm esposas sejam como se não as tivessem; e os que choram, como se não chorassem; e os que se alegram, como se não se alegrassem; e os que compram, como se nada possuíssem; e os que usam deste mundo, como se não o usassem, pois a figura deste mundo passa. Quero, porém, que estejais livres de preocupações. O que não tem esposa cuida das coisas do Senhor, em como agradar a Deus. Mas o que está com esposa cuida das coisas do mundo, em como agradar à esposa, e está dividido. A mulher não casada e a virgem pensam nas coisas do Senhor, para que sejam santas no corpo e no espírito, em Cristo Jesus, nosso Senhor.


Evangelho (Mateus 13, 44-52) - Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem que o encontra o esconde, e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo. Também o Reino dos Céus é semelhante a um comerciante que busca pérolas preciosas. Ao encontrar uma pérola de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra. O Reino dos Céus é ainda semelhante a uma rede lançada ao mar, que recolhe peixes de toda espécie. Quando está cheia, os pescadores a puxam para a praia, sentam-se e separam os bons em cestos, lançando fora os maus. Assim será na consumação do século: os anjos sairão e separarão os maus do meio dos justos, e os lançarão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes. Compreendestes tudo isso? Responderam-lhe: Sim. E ele disse: Por isso, todo escriba instruído no Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas.