quarta-feira, 9 de setembro de 2026

9 de Setembro ✧ São Pedro Claver, Confessor ✧ o escravo dos escravos na imolação da caridade perfeita

Introito - (Salmo 106, 9, 10, 8) Quia satiávit ánimam inánem, et ánimam esuriéntem satiávit bonis: sedéntes in ténebris, et umbra mortis, vinctos in mendicitáte, et ferro. Confiteántur Dómino misericórdiæ ejus: et mirabília ejus fíliis hóminum.O Senhor saciou a alma faminta e encheu de bens a alma faminta: aqueles que estavam sentados nas trevas e na sombra da morte, presos na miséria e em cadeias. Deem graças ao Senhor por sua misericórdia: e por suas maravilhas para com os filhos dos homens.


Audio do texto

Nascido na Catalunha e inflamado pelo desejo de salvar as almas mais abandonadas, o jesuíta espanhol São Pedro Claver, falecido em 1654, aportou na vibrante e dolorosa Cartagena das Índias, tornando-se, por um voto solene e perpétuo, o escravo dos escravos negros para sempre. Durante quarenta anos de um heroísmo que desafia a carne, ele desceu aos porões fétidos dos navios negreiros, onde a miséria humana tocava o abismo, para curar feridas purulentas, alimentar os famintos e, acima de tudo, abrir as portas do Céu pelo Batismo a mais de trezentas mil almas. Seu corpo repousa sob o altar-mor do Santuário de São Pedro Claver, em Cartagena, na Colômbia, como um farol eterno de caridade sobrenatural.

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Como brilha, meus amados, a luz da verdade divina em meio às trevas deste mundo que fenece! Enquanto a mentalidade de nossa época, embriagada pelos prazeres fáceis e pela busca insaciável de comodidades, rejeita com horror o sacrifício e a sã doutrina, o exemplo de Pedro Claver ergue-se como um trono de fogo que consome toda vaidade humana. Hoje, vemos com dor que o espírito do mundo tenta penetrar no próprio santuário, buscando antes agradar aos homens do que a Deus, diluindo a verdade em novidades sutis e acomodações mundanas que anestesiam as consciências. Mas contra esse perigo mortal, que prefere a aprovação da terra à glória do Céu, o Santo de Cartagena travou um combate implacável. Qual foi a sua grande missão senão esmagar a heresia prática do egoísmo e do desprezo pela dignidade sobrenatural do homem, que grassava em seu tempo sob a capa da ganância mercantil? Ele compreendeu que a verdadeira caridade não é um mero sentimento filantrópico, mas uma imolação total na Cruz. Na leitura do profeta Isaías, o Senhor nos ordena a quebrar as cadeias da injustiça e a repartir o pão com o faminto, prometendo que então a nossa luz despontará como a aurora. Pedro Claver não passou ao largo, como o sacerdote e o levita da parábola evangélica, figuras da antiga Lei que não podiam curar a ferida do pecado. Ele fez-se o próprio instrumento do Bom Samaritano, que é Nosso Senhor Jesus Cristo. Como nos ensina o grande Doutor Santo Agostinho, aquele homem que descia de Jerusalém para Jericó representa Adão e toda a humanidade decaída, despojada da imortalidade pelos demônios e deixada semimorta à beira do caminho. Cristo, o verdadeiro Samaritano, desceu até nós, derramou o azeite do consolo e o vinho da esperança em nossas chagas, carregou-nos em Seus ombros e nos confiou à estalagem da Santa Igreja. Ao imitar o Salvador, Pedro Claver não buscou aplausos humanos ou soluções puramente terrenas, mas a salvação eterna daquelas almas imortais. Que o seu exemplo nos mova a rejeitar as falsas doutrinas que tentam redefinir a caridade como mera ação social sem Deus, e nos ensine que o verdadeiro amor ao próximo nasce do altar, nutre-se do sacrifício e culmina na posse da eternidade.


Epístola (Isaías 58, 6, 10), Nonne hoc est magis jejunium quod elegi? dissolve colligationes impietatis, solve fasciculos deprimentes, dimitte eos qui confracti sunt liberos, et omne jugum dirumpite. Frange esurienti panem tuum, et egenos vagosque induc in domum tuam: cum videris nudum, operi eum, et carnem tuam ne despexeris. Tunc erumpet quasi aurora lumen tuum, et sanitas tua citius orietur, et anteibit faciem tuam justitia tua, et gloria Domini colliget te. Tunc invocabis, et Dominus exaudiet; clamabis, et dicet: Ecce adsum. Cum effuderis esurienti animam tuam, et animam afflictam satiaveris, orietur in tenebris lux tua, et tenebrae tuae erunt sicut meridies.Não é antes este o jejum que escolhi: que quebres as cadeias da impiedade, desfaças os fardos opressores, deixes livres os oprimidos e despedaces todo o jugo? Reparte o teu pão com o faminto, acolhe em tua casa os pobres e errantes; quando vires um nu, cobre-o, e não desprezes a tua própria carne. Então, a tua luz despontará como a aurora, e a tua saúde brotará rapidamente; a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor te acolherá. Então clamarás, e o Senhor te ouvirá; gritarás, e Ele dirá: Eis-me aqui. Quando deres de ti ao faminto e saciares a alma aflita, a tua luz surgirá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia.


Evangelho (Lucas 10, 29, 37), Ille autem volens justificare seipsum, dixit ad Jesum: Et quis est meus proximus? Suscipiens autem Jesus, dixit: Homo quidam descendebat ab Jerusalem in Jericho, et incidit in latrones, qui etiam despoliaverunt eum: et plagis impositis abierunt semivivo relicto. Accidit autem ut sacerdos quidam descenderet eadem via: et viso eo praeterivit. Similiter et Levita, cum esset secus locum, et videret eum, pertransiit. Samaritanus autem quidam iter faciens, venit secus eum: et videns eum, misericordia motus est. Et appropians alligavit vulnera eius, infundens oleum et vinum: et imponens illum in jumentum suum, duxit in stabulum, et curam eius egit. Et altera die protulit duos denarios, et dedit stabulario, et ait: Curam illius habe: et quodcumque supererogaveris, ego cum rediero reddam tibi. Quis horum trium videtur tibi proximus fuisse illi, qui incidit in latrones? At ille dixit: Qui fecit misericordiam in illum. Et ait illi Jesus: Vade, et tu fac similiter.Naquele tempo, um doutor da lei, querendo justificar-se, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? Jesus, tomando a palavra, disse: Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram, feriram-no e se foram, deixando-o quase morto. Aconteceu que um sacerdote descia pelo mesmo caminho; vendo-o, passou ao largo. Do mesmo modo, um levita, estando perto do lugar e vendo-o, passou adiante. Mas um samaritano, que estava de viagem, chegou perto dele e, vendo-o, moveu-se de compaixão. Aproximando-se, atou-lhe as feridas, derramando nelas azeite e vinho; colocou-o no seu próprio animal, levou-o a uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirou dois denários, deu-os ao dono da estalagem e disse: Cuida dele, e o que gastares a mais, eu te pagarei quando voltar. Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões? Ele respondeu: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Então Jesus lhe disse: Vai e faze tu o mesmo.