10 nov
S. André Avelino, confessor


😇Santo André Avelino, nascido Lancelotto Avellino, foi um sacerdote teatino italiano do século XVI, conhecido por sua intensa vida de oração e zelo reformador. Inicialmente um advogado eclesiástico, uma pequena mentira dita em tribunal provocou nele uma profunda crise de consciência que o levou a abandonar a carreira e dedicar-se inteiramente a Deus. Ao ingressar na Ordem dos Teatinos, adotou o nome de André, em honra à cruz do Apóstolo, e fez um voto de sempre progredir na perfeição cristã. Sua vida foi marcada por uma rigorosa penitência, um amor ardente pela Eucaristia e uma pregação poderosa que convertia muitos corações. Ele se tornou um mestre de noviços e superior, guiando muitas almas no caminho da santidade e ajudando a fundar casas de sua ordem. Morreu em 1608, aos pés do altar, ao iniciar a Santa Missa, selando uma vida de serviço e vigilância constante.

📖Epístola (Eclo 31, 8-11)

Bem-aventurado o homem que foi encontrado sem mancha, que se não deixou atrair pelo ouro, nem pôs sua esperança no dinheiro ou em riquezas. Quem é este, para nós o louvarmos? Porque fez coisas maravilhosas em sua vida. O que assim foi provado e encontrado perfeito, terá uma glória eterna. Pôde transgredir a lei de Deus, e não a transgrediu; pôde praticar o mal e não o fez! É por isso que os seus bens estão fixos no Senhor, e que toda a assembleia dos santos publicará as suas esmolas.

✝️Evangelho (Lc 12, 35-40)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Estejam cingidos os vossos rins, e em vossas mãos lâmpadas acesas. E sede semelhantes a homens que esperam o seu senhor quando volta das bodas, para que, quando vier e bater à porta, logo a possam abrir. Bem-aventurados aqueles servos, que o Senhor, ao voltar, achar vigilantes. Em verdade vos digo: ele se cingirá e os fará sentar à mesa, e, passando por entre eles, os servirá. E se vier na segunda vigília, ou se vier na terceira e assim os encontrar, bem-aventurados esses servos! Atendei porém a isto: se o pai de família soubesse a hora em que viria o ladrão, com certeza haveria de vigiar e, sem dúvida, não deixaria invadir a sua casa. Assim, estai também vós preparados, porque à hora em que não cuidais, virá o Filho do homem.

🤔Reflexões

✨A liturgia de hoje nos convida a uma meditação profunda sobre a vigilância cristã, tema central do Evangelho, e a sua manifestação prática através do desapego das coisas terrenas, como elogiado na Epístola. Jesus nos exorta: “Estejam cingidos os vossos rins, e em vossas mãos lâmpadas acesas”. Esta imagem evoca a prontidão de um peregrino, de um servo pronto para a ação imediata. Cingir os rins significa remover tudo o que impede o movimento, ou seja, despojar-se dos apegos desordenados e dos pecados que nos tornam lentos no serviço a Deus. As lâmpadas acesas simbolizam a fé viva e a caridade ardente que devem iluminar nossas ações. A Epístola ecoa essa mesma verdade ao louvar o homem “que não se deixou atrair pelo ouro”. O desapego material não é um fim em si mesmo, mas a condição necessária para manter a lâmpada da caridade acesa e os rins da alma cingidos, livres para correr ao encontro do Senhor que chega. Santo André Avelino encarnou este ideal ao abandonar uma promissora carreira mundana por uma vida de serviço radical a Deus, mostrando que a verdadeira riqueza está em ter os “bens fixos no Senhor”.

🕊️A promessa de Cristo aos servos vigilantes é de uma beleza desconcertante: “ele se cingirá e os fará sentar à mesa, e, passando por entre eles, os servirá”. Aqui, a relação senhor-servo é invertida, revelando a essência do Reino de Deus, que é o amor humilde e servicial. Esta imagem prefigura o banquete celestial, a comunhão eterna com Deus, onde Ele mesmo se dá a nós de maneira plena. Santo Agostinho nos lembra que esta vigilância não é um estado de ansiedade, mas de amorosa expectativa: “Vigiai, pois, com o coração, com a fé, com a esperança, com a caridade, com as boas obras” (Santo Agostinho, Sermão 216). O Catecismo da Igreja Católica, ao falar da vida eterna, descreve o céu como a “perfeita comunhão de vida e de amor com a Santíssima Trindade” (CIC 1024), o cumprimento final desta promessa de ser servido por Deus. A vida de Santo André Avelino, dedicada à oração e ao serviço aos irmãos, foi uma contínua preparação para este banquete, uma vigília constante à espera do Esposo.

🙏A união entre a vigilância e a santidade é perfeitamente ilustrada na vida e morte de Santo André Avelino. A Epístola o descreve como aquele que “pôde transgredir a lei de Deus, e não a transgrediu; pôde praticar o mal e não o fez”. Isso não é mera abstenção, mas uma vitória da graça, uma liberdade interior conquistada pela cooperação constante com Deus. O voto de Santo André de progredir sempre na perfeição é a expressão máxima dos “rins cingidos”. Ele não se acomodou, mas buscou incansavelmente a santidade. Sua morte, ao pé do altar, iniciando a celebração da Eucaristia, é o selo de uma vida encontrada “vigilante”. Ele foi chamado pelo Senhor na hora em que estava em seu posto, com a lâmpada do seu sacerdócio acesa. Assim, a sua vida se torna para nós um poderoso exemplo de que a preparação para a vinda do Filho do homem não é um ato isolado, mas a soma de uma vida inteira de fidelidade, desapego e serviço, vivida na certeza de que, a qualquer momento, o Senhor pode bater à nossa porta.